segunda-feira, agosto 23, 2010

SUPERBOY
Falei aqui que o guri Gabriel Medina é o cara que manda os mais altos aéreos superman da atualidade. Pra não me deixar mentir, foi c/ uma manobra dessas que ele levou o Nike 6.0 Cash for Tricks na última sexta-feira, uma competição especial dentro de outro campeonato maior, o Soöruz Lacanau Pro, etapa 6* do WQS.

Enquanto no evento principal estão em jogo pontos classificatórios p/ o circuito mundial de elite, o World Tour, no 6.0 o que vale é a performance dentro d’água. Em bom português, grana p/ truques. Em baterias livres de regras, os surfistas têm de soltar o pé – e a imaginação – p/ completar a manobra mais espetacular possível, o que geralmente exige alto nível técnico. O WQS dura uma semana. O Cash for Tricks, uma manhã.

Foi muito divertido participar em ondas tão boas”, falou Gabriel, 17 anos recém-completos, o mais jovem entre os finalistas, aí inclusos alguns dos nomes mais fortes da nova geração, como o ex-campeão mundial pro-jr. Kai Barger, o ‘young gun’ Julian Wilson e o amigo Miguel Pupo. Também competiram lendas do surf voador, como o australiano Josh Kerr e o americano Tim Curran.

Curran foi o primeiro cara a incorporar o alley oop, um vôo sobre o próprio eixo sem as mãos, ao seu repertório nos anos 90, ao ponto de fazer dessa manobra sua marca registrada. Em 1999 ele venceu em Lacanau, quando a etapa ainda era da 1ª divisão. Naquele ano, também venceu no Japão e terminou em 6º do mundo, sua melhor temporada.

Dedicando-se atualmente ao rock, TC foi convidado pela organização p/ dar seu show na água. “Eu não vinha à França há uns 5 ou 6 anos, e estou adorando participar da festa.” Curran ficou em 3º no Cash for Tricks, c/ Mitch Coleborn, um dos astros do filme Modern Collective, em 2º, e Medina em 1º.

Do site oficial da ASP: “Medina, who left no chance to the high-performance field of aerial specialists, impressed the early-morning crowds with a variety of new-school tricks including an upside-down reverse air 360o combined with a Superman on one single wave. Renowed for his talent in this kind of surfing, Medina confirmed he was one of the current world’s best today.

Traduzindo: Gabriel venceu o campeonato de voadores c/ duas decoladas numa só onda; na primeira rodopiou chutando a rabeta, ao completar se lançou de volta ao espaço, corpo esticado em paralelo ao foguete, segurando a prancha nas mãos p/ depois trazê-la de volta aos pés. €1.425,00 no bolso.

E ainda havia a competição principal. Curran perdeu logo na 2ª fase, desclassificado por Wiggolly Dantas e Alex Ribeiro, 2 brasileiros que iriam bem longe no evento. Eu também já tinha anunciado a blitzkrieg brazuca no circuito mundial, não demorou nem uma etapa pra molecada confirmar minhas previsões.
Alex, 21 anos, tirou o bicampeão mundial pro-jr. Pablo Paulino e os ex-tops do WT Nathan Hedge e Nick Muscroft. Só perdeu pro próprio Wiggolly, fechando em 5º lugar. Miguel Pupo, 18, chegou pela 2ª vez consecutiva a uma quarta-de-final do circuito mundial [a primeira foi há 2 semanas na Califórnia], após passar por Medina no sábado.

Outro brasileiro que já venceu o Mundial Pro-Jr., Pedro Henrique, 28, chegou às semifinais derrotando o ex-campeão europeu junior Mark Lacomare nas quartas e o atual campeão brasileiro Messias Felix nas oitavas.

A final foi 100% Brasil, ou quase. Numa disputa apertada, o local de Ubatuba Wiggolly Dantas venceu o argentino radicado em Santa Catarina Alejo Muniz pela diferença de apenas 1.53 pontos, 14.23 x 12.70. Ambos têm 20 anos e o mesmo patrocinador. Wiggolly passou 7 baterias em 1º p/ levar US$20.000,00 e 3.000 pontos no ranking.

Pessoalmente, não gosto de campeonatos. Competi até os 16, mas nunca tive o perfil pro ramo. Perdia mais do que ganhava. Meu resultado mais expressivo foi um vice estadual jr. no Tag Team, um campeonato de equipese só havia duas na minha categoria. Heheh.

É preciso ser competitivo, querer realmente ser melhor que aquele cara que está remando do seu lado, e nem de disputar onda eu gosto. Mas, como também não curto muito futebol, torço p/ os brasileiros no circuito mundial de surf como se fosse a seleção canarinho.

E gosto mais ainda de competições sem regras, onde vale o show. “O conceito é demais e acho que muitos de nós surfistas gostam de ver novos formatos que misturam competição e diversão”, diz o Superboy de Maresias [SP], que ano passado venceu lá mesmo na França o Mundial Sub-16 c/ uma combinação de aéreos que lhe rendeu dois 10, fechando a média perfeita de 20 pontos.

Em fevereiro, o repórter Jed Smith da revista australiana STAB conversou c/ Medina e Jadson André, 20, em North Narrabeen, na cidade de Sydney, após a participação dos dois no Mundial Pro-Jr., onde ficaram respectivamente c/ a 3ª e 2ª colocações. O vencedor daquele evento foi o francês Maxime Huscenot, que desde então não arrumou mais nada. Jadson venceu a 3ª etapa do World Tour em maio e Gabriel acaba de levar o 6.0 Cash for Tricks. C/ vocês, o Ganso e o Neymar do surf:

STAB - Gabriel, Jadson, suas impressões sobre a Austrália?
Jadson André - Eu já vim aqui 3 vezes. As ondas são o que mais gosto. Pra viver, eu acho a Austrália melhor que o Brasil. Vocês têm melhores ondas, é mais fácil viajar, vcs estão mais perto do Tahiti e da Indonésia. Nós temos que voar 15 horas pra chegar em algum lugar.
Gabriel Medina - É minha primeira vez em Sydney. Eu já estive na Gold Coast antes. O que eu mais gosto são as ondas. E as gatas.

S - Alguma mordida?
(Gabriel parece entender o que eu quero dizer mas olha pra Jadson, nosso intérprete, pra ganhar algum tempo. Rola uma conversa em português)
GM - Não.

S - Campeonatos ou free surf?
JA - Os dois. Eu não acho campeonatos melhores que free surf ou free surf melhor que campeonatos. Eu gosto de vencer campeonatos e daí gosto de fazer um free surf. Mas eu perdi cedo aqui, isso não é legal. Ninguém gosta de perder.
GM - Eu gosto dos dois. Eu quero viajar e quero entrar p/ o WT e eu quero surfar as melhores ondas do mundo. Não sei se vai demorar pra eu chegar ao Tour. Eu ainda sou novo, só o tempo vai dizer.

S - Quais são as dificuldades que um jovem surfista brasileiro tem que enfrentar?
GM e JA - (em uníssono) Patrocínio.
GM - Tem uns caras no Brasil realmente bons que continuam sem patrocínio.

S - Por quê isso?
JA - Nós que devíamos perguntar por quê!
(Gabriel e Jadson me dão um olhar de acusação)

S - Ei, eu só ‘tou perguntando...
JA - Eu não sei por quê. Nós estamos tentando atrair uma atenção melhor no futuro.

EUROS, DÓLARES & TRUQUES
ALEJO MUNIZ E O LOGO DA NIKE 6.0: MARKETING É ISSO
MEDINA BOTANDO A BANDEIRA DO BRASIL LÁ NO ALTO
MIGUEL PUPO VOANDO EM SUA PRANCHA AZUL MÁGICA
GABRIEL E MIGUEL: AMIGOS, AMIGOS; BATERIAS À PARTE
ALEX RIBEIRO É MAIS UM DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA
O CEARENSE MESSIAS FÉLIX, ATUAL CAMPEÃO BRASILEIRO
WIGGOLLY DANTAS VAI NA BASE DA PANCADA MESMO


Um comentário:

Espedito disse...

2º de dois é bom! kkkkkk...
acho que lembro disso aí.
kkk,esse adolfo é uma onda.
abraço EXP