sábado, setembro 18, 2010

AÍ 
TEAHUPOO É UM ESPETÁCULO DE QUALQUER ÂNGULO
A.I. é a sigla p/ ‘inteligência artificial’ em inglês. Também são as iniciais de Andy Irons.

A expressão surgiu nos EUA dos anos 50, c/ o desenvolvimento de computadores auto-suficientes. Máquinas capazes de pensar por si próprias. Robôs.

Andy Irons nasceu no Havaí, final dos anos 70, e surgiu pro mundo do surf aos 20 anos, quando venceu duas etapas seguidas do circuito ASP e mais o título mundial pro-jr., em 1998.

Em 1955, o cientista John McCarthy definiu inteligência artificial como “sistemas que pensam e agem como um humano, racionalmente”. Essa tecnologia é utilizada hoje em jogos, planejamento estratégico, controles autônomos [como os computadores de bordo em aviões e carros], reconhecimento de linguagens e resolução de problemas [como procurar minas no Iraque, por exemplo]. A idéia de caras como McCarthy, Alan Turing, Allen Newell e outros daquela geração era “fazer a máquina comportar-se de tal forma que seja chamada inteligente caso fosse este o comportamento de um ser humano.

Os anos de 2002, 2003 e 2004 foram o auge da performance de A.I., a máquina de surfar. Doze vitórias em provas da 1ª divisão que lhe renderam 3 títulos mundiais consecutivos, todos em cima de seu arquirrival. “Eu surfo porque eu amo ganhar”, disse Andy semana passada após vencer pela 20ª vez no ASP Dream Tour. É o surfista mais vencedor em atividade no circuito mundial, c/ exceção do arquirrival – um careca que tem 42 vitórias, 9 títulos de campeão do mundo e é o vice-líder da atual temporada.

No livro Eu, Robô o escritor de ficção científica Isaac Asimov estabelece as 3 Leis da Robótica: “1º) Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal; 2º) Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a primeira lei; 3º) Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a primeira e segunda leis.

CORDILHEIRA DOS IRONS
As he lost his mind/ Can he see, or is he blind?Iron Man, Black Sabbath.

Se Andy Irons é mesmo um andróide, ele resolveu rasgar a cartilha dos robôs e se rebelar contra seu criador, como o monstro de Frankenstein ou o Exterminador do Futuro, e apontou sua mira p/ o sujeito que mais influenciou seu modo de surfar: Kelly Slater.  

Rutger Hauer contra Harrison Ford em Blade Runner. O final a gente já viu.

Quando Slater conquistou seus 7º e 8º títulos mundiais, em 2005 e 2006, Andy foi vice. Perder 2 anos seguidos p/ seu arquirrival não fez bem aos circuitos internos do replicante do Kauai, que ligou o piloto automático, caiu de produção e em perdição.

Suas vitórias no México em ‘06 e no Chile em ’07 só foram possíveis porque a ASP não faz exame anti-dopping. As histórias dizem que A.I. cheirou até a neve da Cordilheira dos Andes, contribuindo p/ o aquecimento global.

Nem o casamento c/ a linda Lindy conseguiu colocá-lo nos eixos. Menino mimado, boneco estragado.

Quando seu irmão mais novo Bruce deciciu abandonar prematuramente as competições p/ investir na carreira de free surfer, em 2008, Andy resolver também parar c/ as carreiras e saiu de cena p/ se desintoxicar. Foi um golpe duro p/ a ASP, que sempre lucrou c/ a presença dos irmãos Ferros no tour.

Nem aí p/ os dramas existenciais dos replicantes, Slater aproveitou p/ levar seu caneco.

MOSCA NO CHAMPANHE
Em 2009, K.S. e A.I. estrelaram o filme de surf A Fly In The Champagne, onde fazem as pazes surfando ondas perfeitas na Indonésia. “Durante minha infância Kelly Slater era meu herói. Depois virou uma espécie de inimigo, e hoje somos bons amigos. É uma relação meio maluca, mas bem legal”, diz Andy. De fã a inimigo... e depois amigo? Parece bem legal... pra um psicopata.

Todo mundo tem medo quando encara Kelly numa bateria, mas ele é só mais um humano”, explica o andróide. “Ele é um homem, nove vezes campeão do mundo, mas ele é apenas outro competidor e pode ter um dia ruim como qualquer um.” Essa declaração foi feita à revista Transworld Surf alguns dias após sua vitória no Billabong Pro Tahiti 2010, no início deste mês.

O Taiti é o paraíso tropical da Polinésia Francesa onde o célebre pintor francês Paul Gauguin se refugiou no fim do século XIX, quando o Impressionismo bombava na Europa. Lá ele atingiu o ápice de sua arte, pintando nativas seminuas e coloridas. Dizem que na real Gauguin fugiu da França após cortar a orelha do amigo Van Gogh numa briga de bêbados, mas de qualquer modo pintar taitianas de top less na praia é uma sacada de gênio, independente das circunstâncias.

Teahupoo, na ilha de Taiarapu, é uma bancada de coral em alto-mar onde a onda quebra como se caísse num precipício. A visão que se tem das montanhas a partir do line-up remete ao filme King Kong – filmado lá – o que só contribui p/ tornar as coisas ainda mais sinistras. Quando o swell entra a onda fica quadrada, o lip é dobrado é o único caminho é o tubo.

Andy Irons é mestre nessas condições. Venceu o 1º campeonato realizado lá, em ‘97, quando nem ele nem a prova faziam parte da elite. Venceu em 2002, ano do primeiro título. E venceu novamente há uma semana, após um trepidante início de ano nesta sua volta à cena.

IMENSIDÃO AZUL
O Deep Blue, da IBM, foi o primeiro computador a vencer um campeão de xadrez, o russo Gary Kasparov nos anos 90.

Ano passado eu estava acima do peso e não vinha surfando muito", diz Irons. "Passei 6 semanas na Austrália me preparando com o Wes Berg, treinador do Parko, mas não levei tão a sério quanto deveria. Quando eu perdi na Gold Coast sem surfar bem, resolvi dar um jeito e comecei a surfar todo dia. Meu ano só começou de verdade depois do Brasil.

Em 2010 o swell não entrou em T-poo, e ao contrário dos tubos abissais, o que se viu foi a nova geração voando por cima do reef – o líder do ranking Jordy Smith mandou um b/s superman e o estreante americano Patrick Gudauskas acertou um rodeo clown. Manobras impensáveis p/ aquela onda até pouco tempo atrás.

A.I., ao modo do brasileiro tuberider Bruno Santos em 2008, teve que se virar c/ o que tinha, e expremeu seus 1m83 nos tubinhos apertados p/ derrotar o atual bicampeão mundial Mick Fanning nas oitavas-de-final, o azarão Pat Gudauskas nas quartas, seu nemesis K.S. nas semis e o campeão mundial 2001 CJ Hobgood na decisão.

A mesma merda que eu cresci surfando”, falou ao repórter Justin Cote, da TWS, c/ a impáfia que lhe é usual: “Centenas de dias iguaizinhos a esse num pico secreto do Kauai. Era como se eu estivesse surfando em casa naquele dia.

Em Blade Runner, memórias falsas são implantadas nos replicantes p/ lhes emprestar individualidade. 

C/ a vitória em Teahupoo, Andy subiu da 18º p/ a 7º colocação na corrida pelo título mundial. C/ o 3º lugar, Slater assumiu a 2ª colocação e está a 250 pontos de distância de Jordy, o líder. Uma diferença mínima diante dos 30.000 pontos que os dois já alcançaram na temporada.

Estou chegando perto”, diz KS, o caçador de andróides: “A derrota em J-Bay me fez perder confiança e tempo em aviões. Mas é assim que é – você tem bons eventos e maus eventos. Este aqui foi bem legal. Nós vimos a garotada dando um passo à frente e Andy voltando com tudo.

Na versão sem cortes de Blade Runner, o diretor Ridley Scott deixa no ar a dúvida sobre as origens do herói da história. Seria ele também um replicante?

FERRO NA BONECA
 AS MULHERES DO TAITI SÃO DE BELEZA TAL...
...QUE INSPIRARAM O FRANCÊS PAUL GAUGUIN...
 
 ...A PINTAR AS SUAS OBRAS-PRIMAS
 DE VOLTA AO FUTURO...
 ...ANDY IRONS CURTE A VIBE DO LUGAR...
 ...E MINEIRINHO SE FIRMA ENTRE OS TOP 5
JORDY SMITH E PAT GUDAUSKAS PUXAM O NÍVEL...
...E APROVEITAM P/ SE EXIBIR P/ AS GATAS NO CANAL
ESSE GAUGUIN NÃO ERA BOBO, NÃO...

3 comentários:

Espedito disse...

cordilheira dos andys

Viva La Brasa disse...

Se o Andy fosse mesmo uma máquina, seria um aspirador de pó.

Ah, o crédito das fotos das garotas no Taiti é de Aleko Stergiou.

Roubei na cara dura do site Waves.

FUN disse...

Muito bom,,,, sempre otimo os textos.....varias sacadas e tiradas muito boas.
não sei pq, o seu blog não aparece para mim, quando é atualizado.
abraço