segunda-feira, outubro 11, 2010

BOGOTÁ BOMBANDO 

PARA BAILAR ISSO AQUI É BOMBA

No dia 03 de outubro, 5 membros de uma mesma família foram mortos numa chacina em Yanzal, aldeia de Santa Bárbara de Iscuandé, zona rural de El Charco, Colômbia. No dia anterior, 2 soldados do Exército colombiano também haviam morrido alvejados na serra de La Macarena, enquanto “realizavam manobras com as quais pretendiam bloquear a debandada de terroristas do Bloco Oriental”, segundo comunicado oficial.

Os assassinatos foram uma retaliação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia após o bombardeio que matou Jorge Briceño Suárez, o Mono Jojoy, nº2 na hierarquia do grupo paramilitar. Durante as últimas décadas, os nomes mais famosos do País da Cocaína eram Subcomandante Marcos e Pablo Escobar, e os únicos grupos organizados pareciam ser as o Cartel de Calli e o Cartel de Medelín...

Desde que o ex-presidente Álvaro Uribe assumiu o comando em 2002, declarou guerra ao tráfico, desbaratou os cartéis e fechou o cerco às FARC, acuando-os nas regiões de floresta tropical da Amazônia. A investida que acabou c/ Mono Jojoy fez parte da Operação Sodoma, que envolveu 9 combates e 21 guerrilheiros mortos. “Essa foi a Operação Boas-Vindas que prometemos às FARC”, comemorou o novo presidente Juan Manuel Santos.

O índice de criminalidade nas grandes cidades caiu vertiginosamente na última década, acompanhando a queda na taxa de mortalidade. O que bomba hoje é ‘la cumbia’, ritmo pulsante surgido nas favelas sulamericanas na década de 70, que o argentino Tevez gostava de dançar p/ comemorar seus gols quando jogava no Corinthians. Uma espécie de funk carioca em versão latina.

Em Bogotá, uma cena eletrônica de periferia vem fundindo cumbia c/ rock, hip-hop, reggaton e o que mais chapar na mistura. Ao invés de se tornarem ‘aviões’ e ‘hitmen’, a juventude colombiana agora organiza a sua pequena revolução em grupos musicais como Choc Quib Town e La Mojarra Electrica. Liderando o movimento, a “cumbia psicodélica electro-tropical” do guitarrista Simón Meíja, que tocou baixo, sintetizadores e criou os beats de VOL.1, álbum de estréia em 2005.

Meíja montou uma banda de verdade p/ se apresentar ao vivo, e chamou Julián Salazar p/ o baixo, Kike Egurrola p/ a bateria e o DJ Fresh p/ as pick-ups, enquanto ele seria o baixista e a ninfeta Liliana Saumet, que já havia cantado no disco, comandaria os vocais. Estava formada a Bomba Estéreo, sensação colombiana que já tocou em quase todos os festivais possíveis nos últimos 2 anos: Bonnaroo, South by Southwest e SummerStage nos EUA, Lovebox na Inglaterra, Sónar na Espanha, Worldtronics na Alemanha, Roskilde na Dinamarca, e até o Rec Beat em Recife [PE] ano passado.

Em turnê no Brasil há quase uma semana, a mistura de cumbia, bullerengue, champeta e música eletrônica do BE já fez vítimas na festa Dancing Cheetah, no Teatro Rival em São Paulo, onde tocaram na última quinta-feira [07] e no megafestival SWU, em Itu, onde foram uma das atrações de ontem no Palco Oi Novo Som, junto c/ Otto. Hoje à noite apresentam-se na quarta edição do CONTATO - Festival Multimídia de Rádio, TV, Cinema e Arte Eletrônica, fechando o 3º dia de shows gratuitos no centro de São Carlos [SP].

“Sem sombra de dúvidas o principal nome do pop alternativo da Colômbia, país que vive hoje uma efervescência cultural sem precedentes”, diz Chico Dub, organizador da Dancing Cheetah. A temporada brasileira faz parte da tour do álbum ESTALLA, de 2008, que estourou nas pistas internacionais e foi relançado nos mercados americano e europeu pela National Records c/ o título BLOW UP.

O sex appeal da vocalista Li Saumet c/ certeza contribui p/ o sucesso do Bomba Estereo – ela já chegou a ser definida como “uma mistura de Nelly Furtado com M.I.A.” pela revista URB. A Li tem estilo próprio, e a beleza rústica de quem cresceu em bairros pobres. O que eu queria mesmo era entrevistá-la pessoalmente, mas o máximo que consegui foi esta conversa de Simón, o mentor da banda, c/ o pessoal da Sounds And Colours.

Dançamos nessa.

Sounds And Colours - Vocês já tocaram em todo tipo de festivais pelo mundo. Como tem sido a recepção do público?
Bomba Estéreo - É impressionante ver como pessoas que não falam espanhol se conectam à nossa música, dá pra sentir o quanto uma música tão local pode ser universal ao mesmo tempo, isso vale pra África e pra dance music, que conectam o mundo todo no mesmo feeling.

S&C - Você acha que atraem uma audiência latina quando estão em outros países, ou é uma mistura?
BE - É um mix, não dá pra dizer que é só uma coisa ou outra, algumas vezes o público é mais latino, outras é mais misturado. 

S&C - Muitas bandas estão misturando música colombiana com estilos modernos e têm atraído atenção fora da Colômbia com isso. Como isso vem sendo recebido no país? Tem mais gente interessada em estilos tradicionais?
BE - Sim, na verdade uma das propostas quando eu criei o Bomba foi preservar toda a tradição musical da Colômbia, que de um jeito ou de outro tem sido englobada pela música estrangeira. Então fazer isso é uma maneira de levar nossa música para uma audiência mais aberta, especialmente os mais jovens.

S&C - Como é o processo de composição de vocês?
BE - A música vem de mim, passa por Liliana, e depois por Kike [bateria] e Julian [guitarra]. É um processo pessoal que termina na banda, sempre começando com um ritmo colombiano tradicional.

S&C - Uma das coisas que eu realmente amo nesse grupo é o trabalho de guitarra. Tem um estilo bastante distinto e ajuda a banda a atingir limites psicodélicos...
BE - Eu tocava guitarra antes do Julian entrar na banda. Ele entendeu meu estilo e trouxe o jeito dele junto, agora ele é um elemento brilhante no Bomba Estereo por causa do seu estilo único.

S&C - Qual você acha ser o meio perfeito para a sua música? Por exemplo, você compõe imaginando que ela seja tocada numa boate, em sound-systems a céu aberto, ou ao vivo nos shows?
BE - Eu toco pra mim mesmo, e se eu gosto suponho que as pessoas também vão gostar. Bom, se Liliana gostar é um bom sinal pra mim, mas nunca se sabe! Talvez ninguém vá gostar daquela música a não ser eu, mas de qualquer maneira isso já me deixa feliz.

S&C - Eu estava vendo uma fotos dos sound-systems usados na Colômbia atualmente – como no clip de ‘Fuego’ – e os usados antigamente, e eles são incríveis! Eles fazem parte da cultura musical colombiana?
BE - É um tipo de cultura underground. É, eles são incríveis... Os sound systems dos anos 70 eram os únicos meios que tocavam música real tipo salsa, africana e caribenha, nas festas promovidas pelos DJs. É algo que só acontece na costa, bem particular, um autêntico fenômeno musical. Hoje em dia rola mais em Champeta, onde tocam clássicos da salsa e música africana dos anos 70... São as melhores festas!

S&C - Como é a cena musical em Bogotá? Há outros artistas de cumbia eletrônica?
BE - A cena está crescendo, tem muitos artistas talentosos que certamente surgirão com força no futuro. 

S&C - Como você vê a cumbia eletrônica que vem da Argentina? O estilo é um pouco diferente, mais urbano, menos tropical, mas parece ser tão popular quanto a cumbia colombiana na América do Sul.
BE - A cumbia se espalhou como um fenômeno pela América Latina nos anos 70 e cada país assimilou de um jeito diferente. Cumbia será o ritmo latino por excelência, cada país com seu próprio estilo doido de tocar, agora com eletrônica, é uma cena muito rica.

S&C - Eu percebo um traço de Totó La Momposina na voz de Liliana. Quais são os artistas tradicionais que influenciaram o grupo?
BE - Liliana traz essa tradição inconscientemente, porque ela cresceu ouvindo essas cantoras durante os carnavais na costa: Totó, La Niña Emila, Petrona, Etelvina Maldonado, toda a música tradicional de Rio Magdalena, Palenque, estava à volta dela.

S&C - Essa é uma pergunta que eu faço a todo mundo: qual sua música favorita para ouvir num sábado à noite?
BE - Pump Up The Jam! 

ESTEREOFÓNICO ALTA CALIDAD
BOMBA ESTÉREO WORLD TOUR


Um comentário:

Riot disse...

Gostei da banda e essa garota tem atitude!
Vivalabrasa sempre indicando bons sons!