domingo, outubro 03, 2010

BRASIL SEGUE TOMANDO


Anemokol era a marca de um xarope fortificante que fez muito sucesso em Pernambuco nos anos 80, período das “Diretas Já” e reabertura política no Brasil.

25 anos depois do fim do regime militar – e 8 após a chegada do proletariado ao poder – nós nos tornamos um dos maiores estados democráticos do mundo, c/ estabilidade financeira, liberdade de imprensa e eleições periódicas abertas à toda população. Uma democracia onde o voto é obrigatório, mas uma democracia.

A imposição do voto no Brasil faz sentido face ao nosso passado autoritário. É um recurso amparado na lei p/ evitar o “voto de cabresto” em áreas dominadas por “coronéis” – como o Maranhão dos Sarney, por exemplo.

Países vizinhos como Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela também podem ser chamados de democracias – pois há eleições diretas – e até mesmo a República Democrática da Coréia gosta de se considerar como tal, apesar de ser o Estado mais fechado do planeta.

Hoje é dia de votar p/ deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente do Brasil. O pacote completo. Mas diz aí, você sabe o que faz um deputado?
O palhaço Tiririca não sabe e fez da ignorância o tema da sua campanha p/ um cargo no Legislativo este ano. Deve atrair o voto de 900 mil eleitores em São Paulo, segundo estimativa do instituto Datafolha. O Brasil não é um país sério.

Em Alagoas, o senador Fernando Collor de Mello – aquele do roubo da poupança, da cascata de 1 milhão de dólares e do impeachment em 92 – concorre ao governo do estado e deverá disputar o 2º turno. A boa notícia é que, segundo o Ibope, ele perde seja qual for o adversário, Ronaldo Lessa do PDT ou Teotônio Vilela do PSDB.

Outro senador, Eduardo Suplicy, foi à TV pedir votos p/ Suellem Aline Mendes Silva, a Mulher-Pera: “É muito importante ter essa mulher como candidata eleita para o Congresso”. Como diz a legenda no YouTube: “Será que ele relaxa e goza?“... A importância p/ os partidos de eleger esses candidatos-cacarecos está no coeficiente eleitoral. Funciona assim:

Divide-se a soma dos votos dados a todos os candidatos e legendas pelo número de vagas de cada estado. Esse cálculo delimita o número de cadeiras no Congresso p/ cada partido. Quando os votos de um candidato ultrapassam esse coeficiente, os excedentes vão p/ os companheiros de chapa. No caso de Tiririca, que deverá eleger-se pelo PR, os beneficiados poderão ser os ex-mensaleiros João Paulo Cunha e Valdemar Costa Neto. 

A ocasião faz o ladrão, e assim vemos surgir uma nova classe de políticos. No Rio de Janeiro, mulatas militantes distribuem santinhos do seu candidato: “Vote em Romário porque ele já é rico e não vai roubar”. A funkeira Tati Quebra-Barraco concorre c/ ele a uma vaga na Câmara. Outro ex-jogador, Marcelinho Carioca, diz em São Paulo que vai “jogar no time” dos eleitores. Ronaldo Esper vai “espetar os políticos”, Maguila vai “lutar em Brasília”, e Raul Gil tira o chapéu p/ seu filho, candidato a deputado federal.

A banalização do processo eleitoral está enraizada no meio político brasileiro”, comenta o jornalista Filipe Redondo. “Até certo ponto, é natural que os partidos convoquem personagens desse naipe para a disputa”, analisa o cientista político Fábio Wanderley: “Eles atraem votos para a legenda e garantem ao partido uma bancada maior na Câmara. É um jeito espúrio de obter quadros.”
A culpa por tamanha falta de credibilidade é da própria classe dos políticos profissionais, envolvida há décadas em escândalos de corrupção, desvio de verbas públicas, nepotismo e tráfico de influência. Ao contrário do que diz o slogan de Tiririca, pior do que está pode ficar, sim.

Enquanto no Brasil política for tratada como palhaçada, e um direito nosso for tratado como dever, eu devo, não voto, e nego enquanto puder. Meu amigo Adelvan Kenobi, que promoveu um debate c/ os punks de Aracaju no Programa de Rock da última sexta, chama a atenção p/ o voto nulo:

Acho justo, é uma opção legítima, por isso repito aqui uma informação que foi passada e é pouco divulgada – para votar nulo basta digitar um número que não está veiculado a nenhum partido político, como 00 ou 99, e apertar a tecla CONFIRMAR.

Outra boa opção é ouvir o podcast Caipirinha Appreciation Society, transmitido p/ uma universidade da Inglaterra pelos brasileiros Kika Serra e MDC Suingue, edição especial DEMOCRACIA – a 1ª transmissão da dupla 100% em português, exclusiva p/ os brasileiros.

A você, eleitor, quando for sair de casa p/ votar, recomendo uma colherada de Anemokol. Melhor tomar antes p/ não tomar depois.

POLITITICA
Lugar de Palhaço É no Congresso









Um comentário:

Maicon disse...

É meu velho, POLITIririCA é a nova onda do momento... quem vai dropar essa?

Sou da linha do "Não alimente parasitas..." Mas se 51% mais um pensam como eu, de fato eu não sei, mas é o voto mais conciente que eu tenho, O NULO.

Eu fico aínda mais fodido por ser OBRIGADO a exercer minha liberdade e meu direito, mas neste sambódromo que chamamos de país ou você entra na dança ou é marginal.

Dodó e Zezé [Tom Zé]

"- E por que é que a gente tem que ser marginal ou cidadão?
Diga, Zezé.
- É pra ter a ilusão de que pode escolher, viu, Dodó?

É porque A e PorquA, É porque E e PorquE, É porque I e PorquI, É porque O e PorquO, É porque U e PorquU..."

Agora deixa eu ir, que vou exercer minha obrigação de ter direito, e aínda bem que AÍNDA posso voltar NULO.