quinta-feira, novembro 18, 2010

AMICI MIEI


AUTÓGRAFO DO LIVRO 'PRETO NO BRANCO'

Eu sempre fui meio autista, não tinha amigos quando era criança. Por volta dos 13, comecei  a fazer umas amizades na rua, e daí passei a fazer o que os adolescentes normalmente fazem: atirar pedra, encher a cara, cheirar cola.

Conheço Allan Sieber desde os tempos dos zines – já contei essa história aqui há 5 anos, então serei breve. Quando comecei a fazer o Cabrunco, ele já quebrava tudo c/ o insano gibi GLÓRIA GLÓRIA ALELUIA!, pedi umas colaborações p/ meu zine e daí surgiu a série A Vida Como Ela É.

De lá p/ cá, Allan lançou 9 livrosPRETO NO BRANCO, SEM COMENTÁRIOS, ASSIM RASTEJA A HUMANIDADE, etc. – e recebeu 6 trófeus HQ Mix, a principal premiação dos quadrinhos nacionais. O último foi em outubro, pelo álbum É TUDO MAIS OU MENOS VERDADE, c/ histórias publicadas nas revistas Trip e Playboy, como a cobertura da FLIP 2009, da Rio Fashion Week e do Carnaval carioca – ambientes improváveis p/ esse gaúcho não muito sociável.

Tenho poucos amigos, não seria eleito vereador”, disse no nº 1 da versão brasileira da Inked, numa entrevista que ganhou 8 páginas na revista. “Não saio muito, só bebo no trabalho e em casa. Não tenho muito saco para bar ou boate, eu fico muito estressado. Aqui no Rio, as  pessoas falam muito alto. Enfim, coisa de carioca, pessoal muito expansivo.

Sieber também faz animações em vídeo. Seu primeiro curta, DEUS É PAI, venceu os prêmios da Crítica e do Júri Especial no Festival de Gramado em 99. Fez mais 6 filmes desde então – OS IDIOTAS MESMO, SANTA DE CASA, ANIMADORES... – , todos pela sua produtora Toscographics. Premiado nos festivais de cinema de Santos, Vitória, Recife, etc., fechou contratos p/ produzir aberturas de programas de TV como Sem Frescura, do Canal Brasil, e Muvuca, da Globo. Atualmente colabora nos roteiros do Casseta & Planeta. 

Radicado no RJ há 10 anos, em 2004 ele me hospedou em seu apê no Bairro Peixoto [um minibairro dentro de Copacabana, perto de Botafogo]. Eram tempos difíceis. Allan tinha entrado no cheque especial e devia 3 meses de aluguel da quitinete. Bom, pelo menos ele tinha um teto, uma namoradaCláudia Jovin, roteirista de A Grande Família – e algumas fontes de renda, como suas tiras publicadas na Folha de S.Paulo. Eu estava desempregado, não tinha onde cair morto e nenhuma garota queria saber de mim.

Ainda bem que algumas coisas mudaram. Depois de um tempo aprontando no Rio, voltei p/ minha cidade, arrumei um emprego, casei, e hoje também tenho meu cafofo e faço uns vídeos caô-caô. Graças ao meu amigo, conheci os editores da revista Tarja Preta, Matias & Juca, que me convidaram a integrar a família e resgataram meus cartuns – já publicaram duas histórias e uma charge minhas.

Allan continua na Folha, e agora também é fixo da Playboy. Os quadrinhos VIDA DE ESTAGIÁRIO serão adaptados p/ uma série de TV. O livro em parceria c/ seu pai Jouralbo e outro c/ sua versão p/ DENTRO DA NOITE, de João do Rio, serão lançados pela editora Desiderata. E o documentário PEREIO EU TE ODEIO, sobre o amigo e ídolo Paulo César Pereio, finalmente foi concluído, após 6 anos de produção.

Semana passada ele resolveu me retratar na tirinha AMICI MIEI, “meus amigos” em italiano – referência a um filme de Mario Monicelli – , publicada na Ilustrada. Sieber é um grande sujeito. Diz que eu sou “muito educado”, mas foi ele que me aturou por semanas a fio, fui eu que cozinhei aquele macarrão que só prestava p/ rebocar parede, e se não fosse pelas ‘amiguinhas’ que eu levava p/ lá nas noites de sábado, talvez o apartamento nunca tivesse sido roubado.

Você acha que foi o único amigo que levou mulher pra minha casa?”, me pergunta Allan Sieber quando eu agradeço dizendo o que acabei de contar a vocês: “Aquele lugar já viu coisas horrendas!” Ainda bem que ele não citou aquele peep-show...









2 comentários:

Riot disse...

Muito legal!
Sou fã dos quadrinhos desse cara.
Bj.

Espedito disse...

HAHAHAHA