quarta-feira, novembro 24, 2010

MAL DE PARKINSON 

O surfista Joel Parkinson é tão azarado que deveria se chamar ‘Joel Murphy’ – tudo que pode acontecer de errado c/ ele, acontece. Primeiro nome da geração “Coolie Kids” da Austrália a explodir mundialmente, venceu uma etapa da 1ª divisão do circuito mundial c/ apenas 18 anos, competindo como convidado no evento do seu patrocinador, o Billabong Pro nas clássicas direitas de J-Bay, na África.

Bicampeão mundial pro-jr. em 99 e 2001, acumula 9 vitórias na elite – World Tour – e já foi candidato ao título mundial em 3 temporadas, 2002/04/09. Nas duas primeiras perdeu a disputa p/ o amigo havaiano Andy Irons, e ano passado liderava a temporada c/ 3 vitórias em 5 campeonatos no 1º semestre, quando uma contusão no cotovelo na aterrissagem de um aéreo arruinou seus planos. JP viu outro grande amigo, Mick Fanning, atropelar na 2ª metade do ano p/ vencer também 3 etapas e conquistar o bicampeonato do WT. 

3X vice, igual à Holanda no futebol. Como desgraça pouca é bobagem, no início de 2010 Parko sofreu outro acidente. Surfando em casa, na praia de Snapper Rocks, caiu dentro de um tubo e rodou junto c/ o lip e a prancha. Uma das quilhas cortou seu pé como uma navalha e quase arranca seu calcanhar. “O corte foi bem feio”, disse à revista Hardcore, mas o problema é o fato de eu ter cortado o músculo que segura o arco do meu pé e o tendão atrás dele, o que segura todos os dedos em linha.

Após a cirurgia, Parko passou quase 2 meses sem poder pisar o pé no chão e só voltou a entrar na água no início de outubro. “O médico disse: ‘Vai parecer que você está pisando em agulhas e não vai surfar bem, mas em alguns meses já surfará sem dor.” O nascimento de sua terceira filha, Mahli, revigorou suas forças. Mas ainda pairavam dúvidas sobre sua permanência no circuito mundial.

Em entrevista ao repórter Nathan Myers, Joel falou que sua inspiração será Mick, que se recuperou de uma contusão em 2006 p/ vencer seu primeiro título em 2007. “Penso: ‘Mick conseguiu, então também vou conseguir!’ Mas porra, depois de tudo que me aconteceu ano passado, será que já não passei pelo suficiente?

THE BIG COMEBACK [OU NÃO]
Segundo a Lei de Murphy, quando o pão cai no chão sempre é c/ o lado da manteiga p/ baixo. “Quando se trata de um atleta profissional, não há nada mais aterrorizante do que ficar contundido. A dúvida da recuperação perfeita, o medo do corpo não corresponder mais da mesma maneira e a força psicológica necessária para voltar são sempre sombras para quem se recupera”, escreveu a jornalista Maíra Pabst da ESPN.

Semana passada Joel Parkinson ressurgiu das cinzas p/ defender o seu título da Triple Crown, a tríplice coroa havaiana da qual é bicampeão. Logo em sua bateria de [re]estréia na praia de Haleiwa, marcou a única nota 10 da competição e ainda somou 9.87 na segunda onda p/ marcar a maior média de todo o Reef Hawaiian Pro. Ao longo das baterias, foi eliminando tops do WT como Taj Burrow e Ace Buchan, e aspirantes como o brasileiro Wiggolly Dantas.

Entre nós, o argentino-catarinense Alejo Muniz foi o melhor classificado, chegando às quartas-de-final e levando US$ 2.100. Faltando apenas a etapa de Sunset p/ fechar o WQS e o Pipe Masters p/ encerrar o ano, Alejo é o único nome novo do Brasil na lista quase definitiva dos nomes p/ o ano que vem – está em 29º entre os Top 32. Mineirinho em 8º e Jadson em 13º se classificam pelo  WT, e o cearense voador Heitor Alves volta à elite pelo ‘QS – é o 18º.

Antes da grande final rolou o especial Clash of the Legends, c/ os ex-campeões mundiais Tom Carroll, Tom Curren, Mark Occhilupo e Sunny Garcia, todos quarentões. Ao final de 3 baterias,  ‘black trunk’ Sunny levou o prêmio ao marcar 8.33 e 8.27. Suas rasgadas de frente p/ a onda são como os ganchos de direita que o Maguila acertava nos adversários  – previsíveis mas letais. Ex-presidiário e campeão do mundo em 2000, Garcia tem o porte de um pugilista superpesado. Uma pequena volta por cima.

Porque a grande volta mesmo foi a de Parko, que marcou 7.17 e 7.83 na final principal p/ derrotar outro Joel, o Centeio, local do pico e campeão mundial jr. no Brasil há 10 anos, além de dois novos ‘aussies’, Julian Wilson e Heath Joske. US$ 20.000 na conta e 6.500 pontos na tabela, nada mal p/ quem pensava em desistir.

Não esperava vencer logo meu primeiro evento de volta. Mas depois da minha 1ª bateria, eu vi que tinha condições. Voltar após uma operação e sem surfar por tanto tempo, você meio que espera que uma disputa mais forte apareça no caminho. Pra minha sorte, não aconteceu. A cada bateria eu me sentia mais forte e confiante no meu surf.

FACA QUENTE NA MANTEIGA

Joel Parkinson é um dos caras mais azarados do mundo. E um dos melhores surfistas. Ao contrário da doença degenerativa batizada c/ seu sobrenome, o surf de Parko não treme. É clean, limpo, quase clássico, sem movimentos desnecessários. Braços elegantemente postados perto do tronco, joelhos juntos – o melhor aluno da escola Curren de surfar desde Taylor Knox.

C/ suas pranchas estreitas e finas, semelhantes a adagas afiadas [shapes de Jason Stenvenson] Parko corta as ondas como faca quente na manteiga, zuuup! Seu repertório de manobras vai de aéreos altos a tubos profundos, c/ destaque p/ os arcos abertos, redondos, quase patenteados, que ele traça nas paredes. Rei do carve. E um dos competidores mais perigosos do Tour.

Bem casado, pai de 3 filhos, Joel é um cara família e foi um dos que mais sentiu a morte de Andy. “A dor da perda ainda é muito forte, mas estou tentando seguir em frente porque acredito que ele faria o mesmo. 2010 foi o ano mais radical da minha vida! Vencer a Triple Crown significaria que um ano c/ tantos altos e baixos terminou num ponto alto.

Nos anos 80, Occy abandonou o circuito como uma promessa que não dera certo. O bicampeão Curren, desestimulado, saiu também. Voltou em 90 p/ vencer pela 3ª vez o título mundial. Occhilupo conquistou o seu em 99, aos 31, após ser dado como acabado p/ o esporte. Kelly Slater deu um tempo após seu 6º título e voltou em 2002 p/ conquistar mais 4 – o último há 2 semanas em Porto Rico.

Eu já vi essa história antes, e aposto no Parko em 2011.
PRESSÃO TOTAL NO PÉ OPERADO DURANTE O REEF HAWAIIAN PRO


2 comentários:

fabio" binho "nunes disse...

Caralhooooo Brasa, que precisão em pontuar as coisas man.....

Falou tudo, falou muito bem.....


Cadê a revista Labrasa Surf????


Abraxxx

Viva La Brasa disse...

Hahah, grande Binho!