sábado, novembro 27, 2010

ULTIMATO
ou Eu Te Mato 



Rio favela violence” foi a manchete do jornal inglês The Telegraph p/ o confronto armado no Rio de Janeiro entre as tropas federais e os traficantes da Vila Cruzeiro. O assunto foi destaque em toda a mídia mundial, do The Guardian à Al Jazeera. A operação de guerra começou após uma série de ataques a civis e militares orquestrados por líderes de facções presos em Catanduvas/PR. Hoje em dia, c/ tecnologia, não tem mais essa de segurança máxima.

Na quarta-feira 8 detentos foram transferidos p/ Gericinó, zona oeste do RJ. Todo o corpo policial foi acionado – incluindo os que estavam afastados ou de férias – e 31 pessoas foram presas e 15 morreram nas operações comandadas pelo BOPE. 18 favelas foram invadidas. A resposta veio nos mais de 30 carros, ônibus e caminhões incendiados.

A Marinha enviou 6 tanques de guerra, modelos Mowag e M-113, e na sexta o Exército reforçou a linha de frente enviando 800 homens p/ cercar os mais de 40 acessos ao Complexo do Alemão. Chapa quentíssima.

Hoje o Comandante da PM carioca mandou um salve geral pros bichos-soltos: “Quem quiser se entregar, que faça agora. Estamos do lado de fora por pouco tempo. Levantem suas armas. Estamos esperando na rua Joaquim de Queiróz. Depois que a polícia entrar, a situação ficará muito mais difícil.

P/ bom entendedor meia palavra basta. Engraçado que o Rio chegou a essa situação pela ausência do Estado e políticas populistas. Agora a União volta p/ tomar o que é seu, mas na base da bala. À favela, uma manchete num jornal gringo. Nas páginas policiais.

Só fico pensando no José Padilha. Depois de ser pirateado até o cu fazer bico em sua estréia em longas, o diretor do clássico documentário Ônibus 174 criou uma série de mecanismos p/ evitar o comércio de Tropa de Elite 2 nas mãos dos camelôs antes ou depois de ser lançado, desde ilhas de edição incomunicáveis a travas tecnológicas anti-cópia. E de novo vem a realidade e atropela, fazendo a saga do Capitão Nascimento parecer novela das 6.

Tradicionalmente, existem duas opiniões”, diz Padilha, ”a da esquerda segundo a qual a violência é resultante da miséria. E a da direita, que diz que a violência existe quando não é reprimida. Mas como explicar, por exemplo, que em Nova Déli na Índia haja mais miséria e menos violência? Nos meus filmes eu mostro que quem converte miséria em violência é o Estado que, com a situação das cadeias e dos reformatórios, transforma os pequenos criminosos em monstros.

Até ontem eu contei 27 mortos, em menos de uma semana.

É, Zé, osso duro de roer.

RIO GUERRA CIVIL
 







 
 
DAS SENZALAS ÀS FAVELAS, A HISTÓRIA SE REPETE COMO FARSA.
FOTOS: AFP, EFE, ESTADÃO, GOOGLE, GUARDIAN, TELEGRAPH

Um comentário:

Thiago Paulino disse...

Brasaman....

Essa frase de Padila no final do post é fantástica...!

O Estado precisa estar presente em várias frentes nas periferias, não só com a opressão.

O fruto da violência não está na miséria mas na desiualdade brutal e no vazio da sociedade do consumo.

Parabéns pela provocação.

Abraço,

@79opaulino