segunda-feira, março 29, 2010

FILMANDO POR DENTRO
TEAHUPOO NA VISÃO DO ARTISTA PLÁSTICO PHIL ROBERTS

Hoje estou partindo para o Tahiti para ficar em torno de um mês”, postou Stephan Figueiredo em seu blog no dia 19.

Entrevistei o ‘Fun’ em novembro, quando ele estava de molho se recuperando de um tímpano estourado em Pipeline. Mas isso não o impediu de ser um dos destaques da temporada havaiana 2009/10, e não só entre os brasileiros: dropando as rainhas da série na mesma Pipe que estourou seu ouvido, Stephan produziu fotos que estampam o calendário oficial do North Shore e em fevereiro foi capa da revista Hardcore [de novo] entubando num estilo tão ‘soul’ que mais parecia um super-herói voando ou o Cristo ressuscitando.


Fun domina c/ naturalidade ondas c/ as quais a maioria dos mortais apenas SONHA surfar – alguns têm até pesadelos: Banzai, Waimea e Jaws no Havaí, El Gringo no Chile, e
Teahupoo no Tahiti. Esta última é tão sinistra que sua tradução p/ o português é “onda dos crânios quebrados”. Em 2000, Neco Padaratz tomou uma vaca tão medonha que deu W.O. na etapa do World Tour por 3 anos consecutivos. Nesse mesmo ano, Laird Hamilton dropou uma bomba tão cabulosa que foi chamada de “onda do milênio” e estabeleceu um novo patamar p/ o surf de ondas grandes.

Não há dúvida de que o surf profissional hoje apresenta desempenhos dinâmicos e extremos”, falou o mito Derek Hynd em entrevista a Júlio Adler na Hardcore de março: “Gosto de ver aquelas apresentações dramáticas em Teahupoo, por exemplo. O nível é incrível em situações potencialmente mortais.


Stephan Figueiredo é um desses caras que vêm puxando os limites – seus e do surf – nos últimos anos, e é, ao lado de Bruno Santos [campeão em T-poo 2008], o melhor brasileiro em ondas grandes & tubulares. Um dos melhores do mundo. “Infelizmente não consegui embarcar na semana para pegar um swell grande que chegou na quarta, mas com um pouquinho de sorte pegarei outros swells tão bons quanto esse”, escreveu antes de partir.


O principal propósito dessa trip é produzir imagens dentro d’água, seja com a câmera no capacete, na mão ou na prancha. Para essa produção levo 2 GOPRO HD e minha HD 1010”, explicou. Equipamento de gravação digital à prova d’água, traduzindo em miúdos. Nos últimos dias as ondas colaboraram um pouco por aqui e consegui produzir um material [...]. A produção é 100% Fun Enterprise”, diz o bigrider videomaker.


Confira uma seqüência de fotos feita pelo próprio na temporada polinésia passada, e seu vídeo mais recente. Ele mesmo filma e edita. Viaje c/ o Fun dentro do tubo e entenda porque o clip postado neste sábado se chama “Liberdade”...

NÃO SE ENGANE PELA PLASTICIDADE DAS IMAGENS:

ESSA ONDA QUEBRA CRÂNIOS

quinta-feira, março 25, 2010

CARANGUEJOS C/ CERVEJA
Conheço Fábio Trummer desde 1996. Nessa época eu fazia o Cabrunco e tive um rolo c/ uma zineira de Maceió/AL, que me chamou pra passar um fim de semana na casa dela. Um show de rock estava incluso no pacote: a grande Living In The Shit, banda mutante ao estilo Defalla que na época era a representante alagoana do manguebeat – havia lançado o disco Chá Magiológico em ’95, mesmo ano do Usuário do Planet Hemp, 1 após o Samba Esquema Noise da Mundo Livre S/A e 2 após Da Lama Ao Caos, de Chico & Nação. Abrindo a noite, uma banda de Olinda que ainda não tinha gravado nenhum disco: EDDIE.

A embriaguez é um estado pessoal!”, mandou o baixista Rogerman no bar, de madrugada, na balada pós-show. Trummer baixou a cabeça na mesa e riu. Foi engraçado mesmo. Rogério ‘Rogerman’ mandava várias dessa. Adelvan K. recorda de um episódio na 1ª vez que os 2 vieram tocar aqui, nesse longínquo e emblemático ano de ’96. A Eddie veio p/ um show no fantasmagórico Espaço 799, um lugar “entocado em uma ruazinha cercada de gigantescas poças de lama por todos os lados”, como escrevi no nº 7 do meu zine, em junho daquele ano. Eu segui assim: “Os heróis que, como eu, conseguiram chegar na ‘ilha’ não se arrependeram, apesar das desastrosas bandas de abertura. Mad House, a primeira a tocar, é muito ruim, e só estava participando porque eram eles que estavam organizando a coisa. [...] Para minha sorte, tive que sair no meio para pegar o pessoal do Eddie na rodoviária. [...] O Eddie, de Olinda (PE), tocou para meia dúzia de pessoas. Uma pena. Eu, que os tinha visto dois dias antes em Maceió, percebi que eles sentiram um pouco a ausência do público, mas isso não impediu que fizessem um show ótimo. Hits certeiros como ‘Buraco de Bala’ e ‘Eu Só Poderia Crer Num Deus Que Fodesse’ dão-me a certeza de que essa banda ainda vai fazer o sucesso que merece. Eddie é punk rock suingado, um pé no asfalto e outro na praia.

Voltando a Adelvan sobre Rogerman [foto]: “Lembro que o Eddie estava totalmente deslocado neste evento, cheio de moleques com camisetas pretas sedentos por rock pesado e satânico, e então o baixista Rogerman ficou indignado com o descaso da galera, que começava a ir embora, e deu uma pagação geral no microfone, num discurso meio sem noção interrompido pelo sempre desencanado e boa-praça Fabio Trummer, que pediu pra ele parar de viajar na maionese pra eles poderem continuar o show.

Eddie, igual a seus parceiros da Living nos 90, é uma banda mutante. Por ela passaram o já citado Rogerman, que toca seu próprio projeto Bonsucesso Samba Clube; Erasto Vasconcelos, irmão do internacional percussionista Naná; e Karina Buhr, baiana/pernambucana radicada em SP de pele branca e olhos castanho-esverdeados que hoje emplaca uma bela carreira solo – seu disco de estréia, Eu Menti Pra Você, vem sendo muito bem recebido pela crítica. Uma turma da pesada. O próprio Trummer tocou um bom tempo na Orquestra Santa Massa do DJ Dolores.

Quando conheci a Eddie, o grupo do Bairro Novo era conhecido como a melhor banda underground da nova cena pernambucana, e se destacava pela produtividade: canções inéditas eram gravadas em sucessivas demotapes, todas c/ capas bem trabalhadas. Também faziam coleções de camisetas temáticas [maior hit: EDDIE na embalagem de Colomy]. Gravaram o disco de estréia, Sonic Mambo, na gringa em ’98, pela multi Roadrunner, e no mesmo ano eu & o pessoal da Marginal Produções trouxemos os caras pela 2ª vez a Aracaju, no 1º Festival ROCK-SE, quando abriram p/ Marcelo D2. Em 2000, o último show por la calle – neste eu não fui.

Estamos em 2010 e agora a história é outra: após um hiato de 10 anos, a Eddie volta a tocar em Aracaju reformulada – um trompetista/tecladista adicionado à formação – e c/ mais 3 – excelentes – discos na bagagem. Ao invés de um pico inóspito e meia dúzia de roqueiros fedorentos, a apresentação foi na Notívagos, classuda sessão de cinema que ocorre em madrugadas de sábado nas quais bandas tocam num luxuoso saguão após a exibição de um filme, que não raro trata-se de coisa fina. A obra-prima da vez [exibida em PELÍCULA, vale frisar] foi A FITA BRANCA, filme alemão vencedor da Palma de Ouro em Cannes, do mesmo diretor de Violência Gratuita. Tão bom que evitarei comentar, melhor assisti-lo.

O ingresso custava R$ 20,00 e dava direito a um puta filme, um puta show e 3 Heineken, ótima relação custo-benefício. A noite estava florida & perfumada, mas em respeito à minha senhora evitarei entrar em detalhes. Até porque nem tenho condições de lembrar de DETALHES depois dessa balada. Façam as contas: 3 cervas do meu ticket + 3 de Gil + 2 que apareceram na minha mão, vixe!.. Passei boa parte da ‘gig’ encostado no balcão, posição estratégica de bebum. Bom p/ encher a cara e filmar todo o movimento.

Desta vez rolou banda de abertura, Cabedal, meio rock meio MPB, fizeram um cover de Tim Maia Racional, 1 ano de formada, vamos ver onde vai essa molecada. A Eddie entrou c/ o jogo ganho e só administrou, tocaram várias das minhas favoritas tipo ‘Maranguape[composição do Erasto], ‘As Flores e as Cores[do tempo da Karina], ‘Futebol e Mulher’, ‘Ontem Eu Sambei’, ‘Bairro Novo/ Casa Caiada’, ‘Probabilidade’, ‘Desequilíbrio’ e ‘Lealdade[de Wilson Baptista e Jorge de Castro], uma bela canção de amor e também o maior kaô, principalmente se tratando de Fábio Trummer: “Serei, serei leal contigo/ quando eu me cansar dos teus beijos te digo”...

Trummer fica tão doido quando vê mulher que nem me reconheceu quando fui cumprimentá-lo enquanto ele dava autógrafos p/ um punhado de ninfetas. Como diria o Júlio Baggio, “não tiro sua razão”. Comprei uma cópia do Metropolitano e uma do Carnaval no Inferno [R$ 10,00 cada] na mão do rasta Alexandre Urêia, e na saída fui abordado pela garota que me passou o MP3 do Original Olinda Style:

- Adolfo, vem cá, me abraça!

Eu dei um abraço amigo e tentei fazê-la entender que minha esposa se encontrava no recinto, mas ela insistia:

- Me abraaaçaa!!!

Show da Eddie é a maior curtição.

***

NÓS SOMOS EDDIE por Adelvan Kenobi

Pois bem, eis o Eddie entre nós pela quarta vez, lançando numa só noite seus três últimos discos, ORIGINAL OLINDA STYLE, METROPOLITANO e CARNAVAL NO INFERNO. Até mesmo eu, que costumo viajar para ver shows e não perco uma edição do Abril Pro Rock, nunca os tinha visto ao vivo depois do ORIGINAL..., uma obra-prima que representou uma virada na carreira da banda, quando eles abandonaram um pouco suas características mais garageiras para fazer um som absolutamente suingado e... original. Um rock legítima & genuinamente brasileiro.

O show? Foi uma festa, apesar do som falhando e, do meio para o final da apresentação, saturado – especialmente o dos microfones. Fabio Trummer é um misto de showman inspirado e ao mesmo tempo acanhado. Se comunica com o público o tempo inteiro, mas de forma espontânea e contida, sem nenhum arroubo de rockstar alucinado e embriagado pelo ‘sucesso’. E as músicas vão se sucedendo, quase todas cantadas em uníssono pela platéia, animada e participativa. Os destaques vão para as ótimas ‘Me Diga O Que Não Foi Legal’, ‘Lealdade’, ‘Sentado na Beira do Rio’ e o hit ‘Quando a Maré Encher’, esta ainda da fase mais pesada e guitarreira. Em ‘Guia de Olinda’, Trummer e Urêa, vocalista e percussionista, improvisam um diálogo hilário, como se estivessem ensinando a um sergipano o que ver na Marim dos Caetés. Já em ‘Vida Boa’ eles incentivam todos a ‘frevar’. Até eu, que não danço, em hipótese alguma, ensaiei uns passinhos à La Escola Coisinha de Jesus.

A destacar também a atitude desencanada dos caras com relação ao download de suas músicas na internet – avisaram que tinham cópias de seus dois últimos discos para vender mas que quem não quisesse comprar poderia baixar facilmente na net, algo que a banda incentiva, chegando ao requinte de dar uma dica de um site (cujo nome eu não me lembro) onde toda a sua discografia está disponível. Eu particularmente já me considero curado deste antigo vício de comprar discos, mas me empolguei ao ponto de fazer uma exceção e gastei vinte mirréis para completar minha coleção. Aliás, um fato curioso: os discos tinham toda a pinta de ‘oficiais’, lacradinhos e com encarte e frente do CD impressos, mas me chamou a atenção o fato de não terem numeração, apesar de estar lá o indefectível selinho de ‘Produzido no Pólo Industrial de Manaus – Conheça a Amazônia’. Só que não dizia quem produziu, e a parte ‘queimada’ tem aquela característica cor azulada dos CD-Rs. Estaria o Eddie pirateando seu próprio catálogo? Sinal dos tempos...

É brincadeira, claro, afinal se o disco é deles, não há pirataria.

LEIA NA ÍNTEGRA NO BLOG DO PROGRAMA DE ROCK

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SESSÃO NOTÍVAGOS 20/03/10 - FOTOS: SNAPIC

EDDIE: "Me dê uma cachaça/ que eu tô amargo demais/ pra beber cerveja..."

CABEDAL: noite florida e molecada animada, uh uh uh que beleza!..

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VIDA BOA

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VIDEOCLIPE DA 4ª ETAPA DO CIRCUITO NORDESTINO 2009, O MARESIA SURF PRO, NA PRAIA DE ATALAIA, AJU/SE, C/ IMAGENS DE LEONARDO MENEZES E TRILHA SONORA DE EDDIE: 'VIDA BOA'. EDIÇÃO: VIVA LA BRASA

segunda-feira, março 22, 2010

BLUES ERRANTE Para muitos ele era apenas um louco”, afirma o jornalista Diego Oliveira, co-diretor do documentário Baggio Sedado, que conta a vida de José Sinval dos Santos, o ‘Baggio, um músico andarilho que perambulava nas ruas de São Cristóvão, cidade do interior de Sergipe, a 4ª mais antiga do país. Baggio andava rasgado, c/ amarrações nas pernas, brincos e pulseiras, contando histórias pelas esquinas c/ seu violão. “Para outros era a representação viva da manutenção de um espírito revolucionário na pacata cidade, um ‘punk’ interiorano, que apenas com sua resistência a ser comum contribuiu mais do que muitos artistas locais, um símbolo vivo para os garotos iniciantes no estranho mundo da cultura alternativa.

Entre esses garotos estavam o baterista Lucas Goo e o guitarrista Júlio Andrade, o Júlio ‘Dodge’ ou simplesmente ‘Julico’. No esquema 1-é-pouco-2-é-bom-3-é-demais, eles se juntaram em 2004 e formaram o duo The Baggios. “A banda é uma continuação de um sonho não alcançado por um cara simples e com idéias bem próprias e livres de quaisquer padrões”, diz Julico. Com uma pegada blues/punk, começaram a fazer shows e compor músicas, e antes mesmo de completarem 20 anos gravaram o 1º EP, em 2007. Em 2008 Júlio dirigiu em parceria c/ Diego o curta sobre José Sinval, e ano passado, lançou o 2º EP da banda, Hard Times.

Venceu 3 categorias do Prêmio Prata da Casa e caiu na estrada em 2009: participou dos festivais Rock Sertão, no interior de Sergipe, BigBands na Bahia, Mundo na Paraíba, DoSol no Rio Grande do Norte, e Perro Loco, evento de cinema universitário em Goiás. Tocou 2X no Psicodália em Santa Catarina c/ a Plástico Lunar, onde também canta e toca guitarra, e participou de 2 coletâneas: Sergipe’s Finest, do selo Disco de Barro, e Um Dia Tudo Isso Vai Fazer Sentido, pelo Loaded E-zine.

Começou 2010 tocando no Projeto Verão [foto] na mesma noite de Seu Jorge e Marcelo D2, e desde o dia 15 de março está em São Paulo gravando o 1º CD da Baggios, ao lado do novo batera Gabriel Carvalho, um moleque de 17 anos que bate forte e entrou no lugar de Elvis Boamorte. O álbum, cujo título provisório é O AZAR ME CONSOME, terá 15 faixas, 11 delas inéditas e 4 regravações das canções Pegando Um Punga, Aqui Vou Eu, Oh Cigana e Candango’s Bar, escolhidas por 250 fãs e amigos da banda numa eleição no Orkut.

As gravações aconteceram semana passada, e agora Julico e seu parceiro estão em plena Sampa Tour: 6 shows na capital e nas cidades de Bauru, Campinas, Araraquara, Vinhedo e São Carlos. O guitarrista Rafael Costello, que Júlio substituiu na Plástico, aproveitará a passagem deles p/ dirigir um clip. “As expectativas p/ esta turnê são as melhores possíveis, já que o público de lá é mais amplo pro tipo de som que nós tocamos”, disse o jovem bluesman antes de pegar a estrada: “Acreditamos na possibilidade de surgirem convites p/ festivais e também p/ um selo musical.

José Sinval, o ‘Baggio’ original, ainda está vivo em São Cristóvão. “A loucura é tratada violentamente por nossa sociedade, reservando preconceito e isolamento p/ aqueles que não foram normatizados segundo as regras sociais estabelecidas”, comenta Diego Oliveira. Julico & Gabriel, os novos ‘Baggios’, ainda têm muito chão pela frente, mas já colecionam algumas boas histórias pra contar, como o encontro c/ uma certa senhora de 80 anos e uma garota de 25 em Vitória da Conquista [BA]:

Conversa vai, conversa vem, descobrimos que estávamos lidando c/ a filha e a mãe do grande cineasta GLAUBER ROCHA. Surreal. Eu ouvindo comentários da mãe dele, ‘ah Glauber era louco, colocou cada nome estranho nas filhas’... Mas também, Ava Patria Yndia Yracema Gaitan Rocha é realmente um nome comprido pra se dar a uma filha, mesmo assim não tiro a razão dele...

Cada doido com sua mania.



sexta-feira, março 19, 2010

DEUG & HÉOL

DEUG e HEOL são 2 amigos artistas que deixaram a França para descobrir um ‘outro lugar’.
O Deug, radicado no Rio de Janeiro há quase 2 anos, trabalhando com a arte da serigrafia. Artista urbano, cria a matéria sobrepondo elementos gráficos com motivos ‘primitivos’. Trabalhando também com a repetição destes elementos gráficos para reproduzir sobre os painéis, pintados à mão e assim criando um estilo sobre o design mais moderno. Estampando essas misteriosas paisagens gráficas tanto sobre os vestimentos, quadros, paredes que dão ar de decoração...
O Héol deixou a França para uma viagem gráfica e pictorial ao redor do mundo. Com pincéis dentro da bolsa de viagem, navegou a África Oeste e o Cabo Verde. A pé, de carro, de camelo, de moto, de embarcação... Há 1 ano pintando retratos de pessoas ‘in live’, nas ruas, em residências, bares, etc... Em seu segundo ano de viagem, desembarcou na América do Sul, na cidade de Petrópolis.

Depois de 2 anos sem se ver, os 2 artistas reencontram-se no Rio de Janeiro, criando juntos para a nova ‘Expo Grafik’ #3. Uma série de 15 posters pintados e estampados sobre a moda e o estilo das mulheres através do mundo, das épocas...
Diversidades e diferenças são os ingredientes dessa exposição elevada em cores e movimento.
LA CUCARACHA
www.deug.fr
http://heolart.canalblog.com

quarta-feira, março 17, 2010

MARUJINHO

Surf é minha vida. Meu sonho é ficar largado na Indonésia só c/ o rango e as pranchas.

No último fim de semana, Bruno Marujinho venceu o Litoral 655 Open de Surf, encerramento do circuito sergipano 2009. A etapa temporã foi agendada p/ 13 e 14 de março de 2010 por causa dos eventos do Governo e da Prefeitura, organizados pela FSS de dezembro a fevereiro.

Já estava quase tudo definido e este evento serviu p/ coroar oficialmente os campeões estaduais: Daniel Silva, 27 anos, venceu a 1ª e a 4ª etapa e ficou c/ o título Open mesmo sem chegar à final. “A maré tá baixa e o nível de competição tá alto, uma verdadeira loteria, a gente tem que aproveitar o máximo dessas ondas pequenas p/ fazer as manobras”, falou ‘Daniel do Aéreo’ ao jornal Cinform.

PODIUMNa feminino, Carine Gois, 20 anos, levou mais um pra sua extensa coleção – que inclui o vicecampeonato brasileiro universitário e o bicampeonato no Verão Sergipe, onde vale grana. Quem ganhou esta etapa foi Izabel Prazeres [foto], um nome no mínimo sugestivo. As surfistas sergipanas são as mais bonitas do Nordeste: Carine em 2º, Coralina Silva em 3º e Roberta Amora em 4º não me deixam mentir.

Edson Júnior, o ‘Papagaio’, foi campeão INVICTO da master – surfistas acima dos 35 – c/ incríveis 5 vitórias em 5 etapas. “Acordo todo dia às 5H da manhã e vou surfar antes do trabalho”, falou ao caderno Líder [confira entrevista c/ o shaper Thiago Bastos] o surfista de 38 anos adepto de alimentação natural. Marujinho, campeão da Open na praia do Havaizinho, também mantém uma dieta espartana: “Surfo 4H por dia e malho diariamente”, diz Bruno.

Gostaria de falar aos donos de lojas pra apoiar o surf, pois os atletas estão aí pra alcançar seus objetivos e o retorno pra marca é grande”, falou ao site Ondulação: “O atleta viaja muito, e onde ele estiver a marca do patrocínio também estará.” Na final deste domingo, Marujo [foto] enfrentou fogo cerrado de 3 baianos, incluindo o franco atirador Demi Brasil, campeão da Júnior na 3ª etapa e finalista em duas categorias, e Wheslen Christian, que se alternou na liderança da bateria o tempo todo, mas acabou em 4º lugar após cometer uma interferência no Marujinho, que já vinha na onda e correu pro abraço.

Robson Fraga foi outro que encontrou pedreira da Bahia na final do longboard p/ ficar c/ o título estadual. “Ganhar em casa é melhor ainda, quando eu soube que era o único sergipano na final disse pra mim mesmo que iria dar todo meu gás pra deixar a vitória em casa, e foi o que aconteceu, conseguir pegar duas boas, umas delas um high score [8.50 pontos e 14 de média], me deixando c/ folga pra conseguir meu objetivo”, falou o ‘Siri’, que já venceu até campeonato profissional na terra do Caetano.

Mas os baianos não saíram de mãos abanando: os títulos estaduais da Jr. e Mirim ficaram respectivamente c/ Gilcimar Silva e Osvaldo Júnior, e Vinícius Witchrestiuk [foto], de 16 anos, venceu a final até 18 na última etapa, c/ Demi em 2º. Em agosto Osvaldo venceu o Cyclone Open nas 2 categorias. Nosso estado vizinho está mostrando uma leva forte de novos nomes, enquanto do nosso lado apenas as meninas da nova geração vêm chegando junto. Menção honrosa ao local de Pirambu Davi Teles, 21, campeão da 3ª etapa na Open.

GALEGO, NETINHO & MARUJOAinda não temos um circuito profissional, e o único Pro da nova geração em atividade – Raphael Melo, 24 anos – não tem patrocínio nem como competir em casa. O último que o ‘Galego’ correu por aqui foi o Verão Sergipe na Praia da Costa: “Tivemos que surfar muito pra manter o equilíbrio”, falou na ocasião meu amigo adepto do Yoga. Raphael levou um cheque de $500 reais. Como diria a Lady Kate: “Tá bom, mas bom, BOM mesmo não tá.

Bom, pelo menos o Galego tem a Coralina. Valmir Neto, 27 anos, o maior campeão desta década, ex-Top 4 CBS, ex-Top 8 ANS, terminou c/ a namorada – Carine – ano passado, mudou pra casa da mãe em Natal [RN] e deu um tempo das competições. Marujinho, 22, que já chegou a correr o Circuito Nordestino como profissional, voltou a competir na categoria amador Open p/ não ficar parado.

Há exatamente 1 ano eu entrevistei o Bruno p/ o programa de TV ‘Periferia’, abordando justamente essa questão. Na época ele estava prestes a perder o apoio da construtora Norcon – que lhe pagava 1 salário mínimo – e fazia uns bicos de motoboy.

Comecei a surfar c/ 10 anos por incentivo do meu pai e de um amigo dele chamado Alex, os dois me empurravam c/ a metade de uma prancha, depois de um tempo meu pai comprou uma prancha nova pra mim, comecei a gostar do surf e até hoje estou praticando e competindo”, diz o nativo da praia de Aruana.

Como amador, Bruno Robson está ganhando mais do que como Pro: vendendo a prancha que recebeu pelo 1º lugar no Litoral 655 Open, Marujinho já lucra uns quinhentinho$, no mínimo.

GALERIA DOS CAMPEÕES

DANIEL SILVA, CAMPEÃO 2009 EM 2010

EDSON PAPAGAIO, IMBATÍVEL NA MASTER

DEMI BRASIL, DE ITACARÉ [BA]: VICE OPEN E JR.

CARINE GÓIS FAZ BONITO NA ÁGUA - E NA AREIA TB.

video
TRILHA SONORA: 'QUANDO A MARÉ ENCHER', EDDIE + NAÇÃO ZUMBI

domingo, março 14, 2010

GLAUCO

A primeira pessoa que recebeu ele em São Paulo fui eu. Ele dormiu na minha casa, comeu da minha comida, paquerou a minha mulher (risos), ele teve uma participação intensa na minha vida. Perdi uma boa parte da minha história com a morte do Glauco. Éramos amigos muitos íntimos e tínhamos uma relação forte. Apesar de distante nos últimos tempos, o nosso elo não havia se quebrado. Tinha algo que se encaixava entre mim, Laerte e Glauco. ANGELI

O Glauco costumava faltar bastante aos encontros de Los 3 Amigos, pelo menos na época em que eu participei do bando. Mas quando ele aparecia dava conta do recado em segundos e logo sumia novamente. Ele tinha um dos traços mais difíceis de imitar. Era muito caligráfico, quase uma assinatura. O Laerte era o único que conseguia fazer o boneco do Glauquito quando o Glauco não estava. Numa entrevista com Los 3 Amigos, o Glauco faltou a sessão de fotos e nós tivemos a idéia de fazer uma caricatura dele pra preencher sua falta. Que notícia de merda, essa, hein?ADÃO ITURRUSGARAI

Foi na revista dele que eu publiquei meus primeiros desenhos, que mandava pra sessão de cartas. Ele tinha aquela coisa de responder, agradecer o envio dos desenhos. Glauco, Angeli e Laerte são os responsáveis por fazer no Brasil essa coisa do quadrinho adulto. Eles vêm com esse humor que fala mais de comportamento, que mostra tipos de pessoas mais próximas do real. WEAVER LIMA

A trajetória dele na época da censura foi um divisor de águas. Ele fazia um humor mais ácido e muito engraçado. A atuação dele como chargista foi algo fantástico, e depois, como quadrinista, ele criou um estilo de personagens completamente fora dos padrões. É o fim de uma proposta de humor que moldou as novas gerações. O Angeli, o Glauco e o Laerte eram os três mosqueteiros. Agora ficam só dois. CAMILO RAINI

***Meu traço não é bom para retratar o futuro. Corro o risco de não falar a língua da moçada.A notícia do assassinato de Glauco Villas Boas e seu filho Raoni na madrugada de sexta deixou não só os fãs de quadrinhos, mas todo o Brasil triste. C/ seu traço limpo e anguloso e humor inusitado e ligeiro, Glauco marcou os anos 80 c/ a revista do Geraldão – o solteirão donzelo tarado pela mãe que passa o dia se drogando – e toda uma galeria de personagens desajustados e cômicos: Doy Jorge, Casal Neuras, Dona Marta, Zé do Apocalipse... Nos anos 90 fez roteiros p/ o TV Pirata e a TV Colosso na Globo e fundou a própria igreja, Céu de Maria, seguindo o Santo Daime.

O Angeli sempre tirou muito sarro de mim porque eu sou muito místico”, disse em 2001 numa entrevista: “Sou pisciano. Sempre gostei da linha espiritual, de estudar. Depois que eu comecei a freqüentar o Santo Daime – que é uma bebida que vem lá da Amazônia, que os índios consagram – Angeli e Laerte tiraram muito sarro dessa minha nova jornada. Chegaram a fazer história sobre o Glauquito, que encontrou suas raízes, montou uma seita e fez um chá com as suas raízes.

Hahaha! Até quando falava sério o cara era engraçado.

Eu sou daimista. Criamos um grupo de estudo e passamos a receber o Daime lá da floresta. É um centro de pesquisa espiritual. O Daime tem um potencial de cura muito grande. Eu coordeno o ritual, que é bastante musical. São vários hinos, recebidos pelos caboclos lá da mata, que a gente executa depois de ter ingerido o Daime. A gente faz um trabalho musical e as pessoas vão estudando, dentro da força do Daime, porque ele é um expansor de consciência. Me trouxe muita disciplina, principalmente com meu trabalho de cartunista, do traço. Também relacionado à saúde, porque eu era muito exagerado, boêmio, e isso atrapalhava o meu dia-a-dia. O traço é uma coisa que você precisa estar harmonizado com você mesmo. Senti uma evolução muito grande no meu trabalho e em todos os aspectos da minha vida.

Ironia maldita, Glauco e seu filho morreram após serem baleados 4 vezes cada por um ex-frequentador do culto, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, playboy junkie que invadiu o sítio do cartunista dizendo ser Jesus Cristo. “É uma tragédia”, lamenta Adão Iturrusgarai, o ‘4º amigo’ dos 3 Amigos. “Ele era muito rápido pra descobrir os seus pontos fracos e detonar com você. Era muito divertido”, Adão diz, referindo-se a Glauco, não ao demente do ‘Cadu’, que até o fechamento deste post continuava foragido: “É muito triste ver isso acontecendo. Não é ler que o Glauco morreu. É ler que ele foi assassinado. E junto a um filho. Não existe mais ética ou moral no ser humano.

O que deixou todo mundo de cara, mais do que a perda prematura, foi a brutalidade do ato gratuito. “Como eu disse no primeiro momento, no Twitter, o fato é tão chocante que nossa reação não pode ser medida em palavras, mas em um sentimento de dor, luto e desesperança”, disse o tuiteiro Mauricio de Souza: “Apesar disso, nós sairemos do choque. E vamos encontrar caminhos, mesmo que sejam longos, demorados, para contermos essa onda de irracionalidade e desumanidade.

Até o Presidente mandou uma nota: “Glauco foi um grande cronista da sociedade brasileira, entendia os usos e costumes da nossa gente e expressava isso com inteligência e humor”, escreveu Lula: “Foi uma perda tremenda. Diante dessa verdadeira tragédia, quero expressar meu sentimento de pesar a familiares, amigos e admiradores.

***GERALDÃO Surfistão! Gravidão! foi um dos gibis mais marcantes da minha vida. Eu começava a pegar onda e já sacava a Chiclete com Banana do Angeli, e só dei um tempo de desenhar o Bob Cuspe no meu caderno da escola quando conheci os quadrinhos do Glauco – a partir daí passei a copiar o Geraldão também. “A gente trabalhou juntos na Circo por quase 10 anos”, diz o editor Toninho Mendes: “Eu não consigo acreditar no que está acontecendo.

O Glauco era o batedor que ia na frente testando os limites pra todo mundo que vinha atrás”, fala Arnaldo Branco, outro da minha geração, parceiro da revista Tarja Preta: Sempre ficava impressionado como o cara falava abertamente de sexo e drogas ainda na vigência da censura (velada, que fosse). Fazia humor urgente, em estado bruto.

Era o único que não conheci pessoalmente da turma dos Los 3 Amigos”, diz Allan Sieber: “Mas segundo os chegados, era um gênio da resposta imediata, muito rápido no gatilho mesmo.” Pra Fernando Gonsales, Glauco foi “um dos grandes revolucionários do humor brasileiro: ele deu uma escrachada que revolucionou.

Em poucas palavras, Caco Galhardo resumiu o sentimento geral: “Para todos os cartunistas foi uma grande referência. O Geraldão é uma grande referência e o Glauco era um cara pacífico. Como alguém pode fazer uma coisa dessas? O atirador não tem noção”, comentou na sexta-feira: “O Glauco era um gigante. Ele tinha o dom de repetir a mesma piada e ser engraçada dez mil vezes. O mundo acordou mais xarope hoje.

***Comecei a desenhar no 2º grau. Sempre desenhei na turma do fundão, que eu fui freqüentador assíduo. Desenvolvi essa linguagem e vi que era uma ferramenta muito poderosa: o humor aliado com caricatura. Também tive contato com o pessoal do Pasquim, todos aqueles desenhistas, o Ziraldo. Aquilo foi me inspirando.

Glauco tinha acabado de completar 53 anos. Publicava tiras e charges na Folha de S.Paulo desde 1984. À sua galeria original de personagens, agregou nas últimas décadas Edmar Bregmam, Geraldinho, Faquinha, Ficadinha, Zé Malária, Nojinski e Netão, um tipo que “surgiu com essa nova moda da internet” – disse em 2001 numa entrevista p/ o UOL: “O Netão tem uns 30 anos, é metropolitano, casado, vive internado num apartamento e viaja pelo mundo afora pelo computador.” Glauquito, que tinha medo de ficar ultrapassado, não teve nem a chance de envelhecer. Mas sua verve sobreviverá.

Eu desenho a nanquim com papel e depois escaneio. Eu uso o computador quando é pra aplicar cor. Tentei usar computador pra desenhar, mas meu desenho sai como se fosse uma criança. Não tenho o domínio ainda. Mesmo aquela canetinha que tem uma tela. Pra meu tipo de traço, estou acostumado com a pena, que dá um toque todo peculiar.GLAUCO [1957-2010]

CHARGES
HOMENAGENS
PARCERIA DE ANGELI E LAERTE, 12/03/2010

RESULTADO DA BUSCA POR 'GLAUCO' NO TWITTER

VIVA LA BRASA'S HALL OF FAME, 13/03/2010