sexta-feira, julho 30, 2010

BATALHA DE PUERTO
'FUN' ESCOLHE SEU PAREDÓN, ENQUANTO OUTROS SÃO ESCOLHIDOS
Puerto Escondido tem os melhores tubos do continente. Ciudad Juarez é o lugar mais violento do mundo. Os dois ficam no México, e estão bombando. 

Puerto é um destino turístico internacional próximo a Acapulco, e sua população de 45 mil habitantes aumenta exponencialmente junto c/ o tamanho das ondas de maio a setembro, quando costuma receber surfistas de todas as partes do globo. Diz a lenda que a cidade tem esse nome por ter servido de esconderijo do pirata Andrés Drake, um ‘Jack Sparrow’ da vida real, irmão do capitão Francis Drake da esquadra britânica.

Juarez é uma das maiores cidades mexicanas, fica na fronteira c/ os EUA, tem mais de 2 milhões de habitantes e 17 parques industriais. Fundada em 1659 c/ o nome de Paso Del Norte, originalmente abrangia as duas margens do Rio Grande, até ser dividida em 1848 – e a parte norte-americana tornou-se a cidade de El Paso, no Texas.

LA LINEA [DEL TIEMPO]
Por sua localização estratégica, Ciudad Juarez tem a desonra de liderar o ranking mundial da violência, ganhando até de Bagdá, Cabul e Rio de Janeiro. Em 2009 foram 191 homicídios por cada 100 mil habitantes, resultado da disputa entre cartéis do narcotráfico que eclodiu em 2006, após a implantação da política de ‘tolerância zero’ do presidente Felipe Calderón.

Só nos 10 primeiros dias de 2010, foram 100 mortes associadas à guerra de gangues. No último dia 15, um carro-bomba carregado c/ 10k de explosivos matou 4 pessoas, e feriu 11. O atentado, atribuído ao grupo La Linea, atingiu um comboio policial. Uma nova detonação ocorreu no momento em que chegavam na cena jornalistas e equipes de resgate.

Em maio de 1911, a cidade foi um dos mais importantes palcos da Revolução Mexicana, no sangrento confronto conhecido como Batalha de Juarez, quando as tropas do presidente Porfírio Diaz combateram os rebeldes liderados por Francisco Madero, Pascual Orozco, Garibaldi Jr. [neto do famoso Giuseppe Garibaldi] e Francisco ‘Pancho’ Villa [FOTO].

A rendição das forças federais só veio após 4 dias e 3 noites de intensa troca de tiros. “Os revolucionários decidiram queimar casa por casa para forçar a rendição do inimigo”, escreveu o historiador Emerson Kent, autor de Wars and Battles in History: “Casas de civis e prédios públicos queimaram, assim como a delegacia e a biblioteca. Funcionou.

MEXPIPE
Puerto está 800 km ao sul da Cidade do México e a 200 km da capital do estado de Oaxaca, do qual faz parte. Um bom lugar p/ se esconder. Lá, o único estampido que se ouve é o das bombas aquáticas produzidas pelos fundos de areia das praias de Zicatela e La Punta, ondas violentas disputadas por um crowd internacional.

No dia 22 deste mês foi encerrada a Batalha de Puerto, também conhecida como Quiksilver Pro Puerto Escondido, etapa de nível 4* do WQS. Munidos de suas ‘guns’, big riders do mundo inteiro e competidores da nova geração duelaram em tubos de 2 a 3 metros pelos $12.000 dólares e 1.000 pontos no ranking classificatório p/ o World Tour oferecidos ao campeão.

14 brasileiros participaram da competição. Destaque p/ as notas 10 do paulista Júnior Faria [campeão de uma etapa 5* no Brasil] e do baiano Dennis Tihara [FOTO]: “Quando entrei na água levei aquelas séries gigantes na cabeça. Por sorte, quando finalmente consegui varar eu tava no pico certo. Vieram as duas primeiras da série e aí eu peguei aquele tubo perfeito.

Tihara e Faria foram barrados nas oitavas-de-final, mas Ricardo dos Santos, Stephan Figueiredo e Nathan Brandi sobreviveram até o último dia. “Fazia muito tempo que eu não vestia uma camisa de lycra”, me falou por e-mail Stephan ‘Fun’, free surfer patrocinado pela MCD, que mesmo sem competir há anos venceu quase todas as baterias que disputou, incluindo as oitavas e quartas-de-final: “Foi alucinante pra mim, peguei boas ondas e ganhei uma merrequinha. Te confesso que não gosto de campeonato, mas nessas condições é irado.

Brandi parou nas quartas e ficou em 9º; Fun ficou em 7º lugar, depois de eliminar o havaiano Jesse Merle-Jones; Ricardinho eliminou o havaiano Mark Healey, o californiano Peter Mel e os mexicanos Diego Cadena e Angelo Lozano, p/ ser o mais jovem integrante numa final composta por novos nomes.

MUCHA LUCHA
Na batalha de 4 surfistas pelo título em Puerto, a vitória ficou c/ o rebelde local David Rutherford, 24 anos [FOTO]. Nas semis, marcou um 10 num tubo de backside, e na final somou a maior média do evento, 18.45: “Eu me diverti muito durante toda a competição, e me sinto bem por representar os locais.

Os havaianos Kevin Sullivan, 23, e Casey Brown, 22, ficaram respectivamente em 2º e 3º lugares. “Eu trabalhei duro por mais de 3 anos pra fazer minha primeira final profissional”, falou Sullivan no pódio: “Foi duro lá fora. Você tem que estar no ponto certo quando as ondas vêm, porque é um beachbreak.

Ricardinho, 20, ficou em 4º e foi o melhor brasileiro. Desde os 16, o recruta da Guarda do Embaú [SC] vem se destacando nos tubos mais sinistros do mundo, como Pipeline no Havaí e Teahupoo no Taiti. Em 2008 ele venceu o Billabong Pro-Jr. do Chile pegando altas em Punta de Lobos. Portanto, nenhuma surpresa sua atuação no México. “O moleque tem disposição e know-how nos tubos”, diz Fun, que permanece escondido até o final da temporada.

Em 07 de maio, o surfista americano Noel Robinson morreu afogado em um swell que trouxe ondas de 5 metros p/ Puerto. Em Ciudad Juarez, a polícia crê que o atentado de 15 de julho seja uma retaliação à prisão dos líderes da Linea – Armando Corral, Juan Pablo Ledesma e Carlos Vázquez Barragán, ‘El 20’ – em 17 de junho.

Como diria Emerson Kent, “the grave diggers have their hands full.

PUERTO JUAREZ
 DAVID 'VILLA' RUTHERFORD EN EL CAMINO DE LA VICTÓRIA
JUAREZ, 1911: INSURREIÇÃO NO CAMPO DE IRRIGAÇÃO
 O VICE KEVIN SULLIVAN FEZ SUA 1ª FINAL PROFISSIONAL
REBELDES ABREM FOGO PROTEGIDOS PELO MURO DE ADOBE
 CASEY BROWN ENCAROU A ARTILHARIA PESADA DE PUERTO
EM JUAREZ O BAGULHO É LOUCO E O BACULEJO É DE LEI
RICARDO DOS SANTOS, NOME FORTE DA NOVA GUARDA
CIUDAD JUAREZ SOCIAL CLUB: SÓ GENTE FINA
LAS CHICAS DANDO SEU SUPORTE À CAUSA LOCAL
 VIVA MÉXICO! OU MORRA TENTANDO...
 

domingo, julho 25, 2010

O AZAR ME CONSOME
'DANIHELLA' SUANDO A CAMISA NOS INFERNINHOS DA VIDA
Punk rock e hardcore sabe onde é que faz? Lá no Alto Zé do Pinho, em Olinda [PE], tem Devotos e 3º Mundo que botam pra foder... Mas aqui em Sergipe também tem punk/HC, e eu vou dizer: É do caralho!

Sexta-feira, por exemplo, rolou a estréia do novo single da The Baggios, de São Cristóvão. Perninha & Julico – quase uma dupla de desenho animado – gravaram o ainda inédito 1º álbum em São Paulo, e dia 23 lançaram 2 músicas inéditas simultaneamente em 18 sites e blogs. Comemoraram à noite c/ uma apresentação no Capitão Cook, em Aracaju.

CANÇÕES DOS VELHOS TEMPOS
As coisas não tão dando certo pra mim/ As coisas não tão dando certo pra mim/ Mas não vou desistir/ Se eu não for.../ Vai saber o motivo.” 

A letra de O Azar Me Consome se encaixa perfeitamente na minha vida. Estava tudo certo p/ eu aparecer lá e fazer umas imagens dos shows, que incluiriam ainda The Renegades of Punk e os paraibanos da Zefirina Bomba.

Mas um pé-d’água me pegou de surpresa no meio do caminho, molhou meu dedo mordido [ainda na CARNE após 1 mês do incidente], e minha balada acabou numa farmácia. Toca um blues pra mim aí!

Bom estar do outro lado/ Pra mais fácil entender/ Poderia estar cansado/ Mergulhado em mil porquês”, diz Julico na Canção dos Velhos Tempos. O compacto ainda traz um cover: Can't Find My Mind, dos Cramps.

Eu cansei de ouvir de uma galera que éramos bem melhores ao vivo. Minha intenção com o disco que está sendo finalizado é que ele soe mais pesado, que se aproxime mais do que apresentamos ao vivo.

Quando eu soube que os Baggios iriam gravar seu primeiro disco ‘oficial’ em São Paulo, num estúdio bacana e com auxílio ‘luxuoso’, o que veio em mente foi o mais óbvio dos pensamentos: vem coisa muito boa por aí”, escreveu Adelvan K. no blog do Programa de Rock.

Quinta-feita, 29, vai ao ar pela Aperipê TV o Cena do Som que gravamos c/ Júlio e seu violão slide. Oportunidade imperdível p/ quem curte – ou ainda não conhece – o blues/punk dos Baggios.


THE RENEGADES OF DANI
Na sequência tocou a RxOxPx. Foi o 3º ou 4º show deles que perdi este ano. Tinha dado minha palavra à Daniela ‘Renegade’ que desta vez não ia ter falha, mas a bruxa estava solta na semana que passou. Logo na segunda-feira, um amigo se acidentou de moto e lesionou seriamente a medula. E na sexta, a chuva me botou pra escanteio.

Os Renegades também aproveitaram a noite p/ lançar oficialmente seu EP em vinil: “A faca cravada em suas costas/ O beijo de Judas, o vinho e o pão/ Somos tudo aquilo que você não gosta/ Todos seus sonhos de perdição”, diz a letra de Renegados, uma das faixas do disco.

Já comparei Dani a Joan Jett e Chryssie Hinde por ser uma guitarrista punk, porém ela me lembra mesmo duas outras garotas: a inglesa PJ Harvey pela aparente fragilidade contrastando c/ a personalidade forte, os vocais gritados e os riffs poderosos; e a personagem de Uma Thurman em Pulp Fiction, Mia Wallace, pela franja preta à la Louise Brooks.

Demonstrou ser uma compositora madura e influente, por vezes ousada, outras vezes vulnerável”, definiu a fotógrafa australiana Mary Boukouvalas no livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer. Referia-se a Polly Jean, mas bem que poderia estar falando de ‘Danihella’. 

A seguir, trechos de entrevistas c/ Dani que serviram de base p/ a matéria que fiz c/ os Renegades há pouco mais de uma semana. Rock on, baby:
REVISTA DOS VEGETARIANOS nº 41 - março/2010

RV - Por que o nome Renegades of Punk? Vocês se sentem renegados?
Daniela Rodrigues - O nome veio meio sem pretensão, era uma brincadeira com a música ‘Renegades of Funk’ do Afrika Bambaataa, e tinha a ver com o clima meio outsider da gente. Como somos uma banda de punk rock, trocamos o funk por punk.

RV - O que a caracteriza como punk?
DR - Acho que o punk está muito mais na forma de agir, de viver sua vida, do que no fato de você se dizer ou não. Eu acho que sou punk sim no sentido de que vivo minha vida de uma forma alternativa, na contramão do status-quo, entende?

RV - Por que optou pelo vegetarianismo?
DR - O veganismo apareceu como uma via eficaz de combate, de vivência, de política. Sou vegana pelos animais. Acredito que o veganismo seja uma postura ética urgente.

JORNAL DO DIA por Rian Santos - 23/02/2010

JD - Existe uma carência no mercado local ou o som da Renegades não sobrevive fora do underground?
DR - Desde que eu toco em banda é assim. Sempre algo underground. A gente sempre habitou esse mundinho dos inferninhos e pequenas casas de show. Acho que existe uma carência no mercado local, porque o som que a gente faz – punk rock – e outros que são próximos dele têm muita dificuldade em conseguir fazer eventos e manter uma vida de banda, sabe? Tocar, mostrar seu som, vender seu material. Não sei se só sobreviveríamos no underground, mas é certo que nosso som não é comercial – no sentido de ser mais fácil de ser assimilado e vendido – e nem é feito com este intuito. Mas, por outro lado, não estamos de costas viradas para outros âmbitos ou para outras experiências, não. É só que parece que estilos diferentes têm um problema em se comunicar, ao menos aqui em Aracaju.

JD - Embora estejamos longe demais das capitais, muita gente tem driblado a geografia e a ingerência do poder público com as ferramentas oferecidas pela tecnologia. Como é a relação da banda com essas ferramentas? A empolgação de algumas bandas é tamanha que nem parece que a internet serve mesmo é pra disseminar pornografia.
DR - A gente acaba se utilizando muito dessas ferramentas. Elas fazem a informação circular com muito mais rapidez, não é? Daí, principalmente para divulgação de eventos, a gente se utiliza de blogs, fotologs, várias modalidades de sites de redes sociais… Acho que essas ferramentas são muito importantes e têm resultados efetivos mesmo. Imagine como era difícil para uma banda independente marcar uma turnê 20 anos atrás? Tudo via carta e telefone? Agora com email, msn e etc. você agiliza tudo muito mais rápido, e fora isso, pode ouvir e fazer contato com pessoas e bandas de várias partes do mundo – coisa que demoraria anos para ser feita se não houvesse internet, como a conhecemos hoje. É claro que não somos otimistas cegos dessas coisas, a gente tenta ser crítico e ver os aspectos negativos também. A internet nos abre algumas portas e fecha outras, mas é a dinâmica natural das novas possibilidades.

CANIBAL VEGETARIANO por NK.Rock - 09/02/2010

CV - A Renegades tem aparecido bastante no cenário independente. Recentemente vocês estiveram em shows aqui no interior de São Paulo. Como foram esses shows?
DR - Nossa, foram bem legais. A gente tocou no sudeste com a Mahatma Gangue lançando nosso split no Rio de Janeiro e São Paulo, capital e algumas cidades do interior como Campinas, Bragança Paulista e Sorocaba. Nós curtimos muito esses shows. Tocamos na Loja Tentáculos em Sorocaba, a loja da Flávia (Biggs) e do Fábio (Pugna). Em Bragança tocamos no festival Cardápio Underground que queríamos muito conhecer! Foi foda, o local, as pessoas, as artes... Esse festival é organizado pelo Quique Brown do Leptospirose que é uma banda que a gente curte e respeita demais. E em Campinas no Bar do Zé, lugar foda. É massa tocar no interior e na capital, a gente sente as diferenças de tratamento e tal. O interior tem um algo a mais que a gente não sabe explicar, demais, um calor humano diferente. Mas o rolê como um todo foi massa. Não podia ter sido melhor!  

CV - Qual a opinião de vocês sobre o atual momento do rock no Brasil? A estrutura de shows melhorou, o pagamento de cachês e o nível das bandas?
DR - Essa é uma discussão que tá na crista da onda, não é? Cena independente, pagar cachê ou não para banda, festivais e grupos chamados de panelinha e etc... Sinceramente, só posso falar do que vivo. E o que eu tenho experenciado tá mais ou menos na mesma. Digo isso quando falo de estrutura, dinheiro, organização. Minha experiência é no nicho punk, num âmbito menor, de shows menores. Num âmbito mais amplo não posso falar nada. Tem uma coisa estranha que vem rolando – e como disse acima, parece estar mudando – que é isso de as bandas estarem estranhas, poucos lugares para tocar, poucos eventos legais... Mas tem um monte de gente tentando mudar isso.
 
CV - Como você lida com o assédio, principalmente do público masculino? Ele rola de boa, o interesse é a música, ou ainda existem os chatos que ficam ‘marcando’ em cima?
DR - Hahaha, engraçado isso. Os dois. [...] Geralmente a galera que chega junto em show é mais pra tocar ideia, é raro alguém se ‘engraçar’ para meu lado, mas rola também. Acho que alguns também evitam porque inevitavelmente estou com meu namorado do lado, hehe.

POPFUZZ por Bruno J. - 17/12/2009

PF - Na sua opinião qual a importância dos coletivos no atual panorama cultural brasileiro?
DR - Acho legal quando as pessoas se juntam pra encontrar meios de realizar o que idealizam, o que acham relevante, etc. A criação de coletivos é uma das formas de organizar eventos, se mobilizar cultural e politicamente, e criar uma rede de cooperação para fins em comum. O problema que às vezes ocorre é que a ‘forma’ engole o ‘conteúdo’. Às vezes a preocupação excessiva com democracismos e consensos acaba por desmobilizar e atrapalhar ações que uma ou duas pessoas poderiam estar realizando de forma mais prática e dinâmica. Assim, acredito que os coletivos são uma forma de organização, mas não são a única e nem necessariamente a melhor. Estamos passando por um momento interessante nesse sentido, a quantidade de coletivos novos é enorme e espero que se estabeleçam de forma inteligente. Mas, independente da forma de organização, o importante é não parar de fazer acontecer.

PF- Por haver poucas mulheres no cenário hardcore e pela postura que a sua banda tem você sente que atrai a atenção de outras garotas para o hardcore?
DR - Nossa! Sinceramente? Eu gostaria! Hehe… É fato que existem poucas meninas, mas não só no hardcore e sim participando de uma forma mais geral, seja em banda, em zine, em coletivos… qualquer coisa. Sinto muita falta de ter outras garotas comigo neste barco e de ver, consumir coisas feitas por elas também. Mas fazer o quê? Eu já pensei em mil coisas, tentei enxergar mil caminhos pra isso mudar. Se eu acabar chamando a atenção delas, maravilha. Meninas, join me!

sexta-feira, julho 23, 2010

BEBÊ CHORÃO
C’est dur dur d’être bébé/ Oh là là bébé, c’est dur dur d’être bébé”... Jordy Lemoine foi o maior astro mirim da música pop, vendendo 2 milhões de cópias na França do disco POCHETTE SURPRISE em 1992, que trazia os hits Alison e Dur Dur D’être Bébé [“é duro ser um bebê”]: “Je m’apelle Jordy/ J’ai quatre ans et suis petit...

Jordy só tinha 4 anos quando entrou no Guinness como o cantor mais jovem a ter um single em 1º lugar. Seu álbum fez sucesso na Europa, EUA, Japão, e estourou no Brasil em 93. Em 94, o governo francês percebeu o que todo mundo já imaginava – o loirinho era explorado pelos pais – e decidiu banir o ‘dimenor’ da mídia, num ‘Efeito Simonal’ c/ fins educativos. 

Jordy Smith tem 22 anos e é o 1º surfista da África do Sul a vencer uma etapa do Wolrd Tour da ASP, feito obtido no último domingo, quando derrotou o australiano Adam Melling na final do Billabong Pro J-Bay, 4ª etapa do circuito.

É o melhor dia da minha vida”, falou o craque p/ a torcida na praia. “É um sentimento diferente. Temos um longo caminho pela frente ainda e não dá pra descartar ninguém da briga do título até o encerramento da temporada. Então, quero aproveitar essa sensação de estar na frente do ranking agora.

COLETIVO MODERNO

Desde que estourou em 2006, ao vencer o ISA Games aos 18 anos, Jordy é apontado como o legítimo sucessor de Shaun Tomson, único sulafricano campeão mundial de surf, nos tempos da extinta IPS.

Shaun fez parte da geração Free Ride, à qual pertenceram os aussies Wayne ‘Rabbit’ Bartholomew e Mark Richards – todos foram campeões, Shaun em 77, Rabbit em 78 e MR de 79 a 82. Os ‘free riders’ revolucionaram a maneira de entubar em Pipeline e Backdoor nos anos 70, alvorada das pranchinhas. Tomson também foi o mais longevo Top 16, 13 anos seguidos de 76 a 88.

Em tudo, Jordy é uma versão moderna do Shaun: é alto e surfa c/ o pé esquerdo na frente, de modo inovador – seu rodeo clown nas Mentawaii é hit no YouTube. Ao completar a maioridade, foi alvo de uma disputa mortal entre gigantes do sportswear como Nike e Quiksilver, fechando c/ a marca californiana O’neill, patrocinadora vitalícia de Tomson.

Smith faz parte da turma que chegou c/ mais moral ao WT – a geração Modern Collective: além dele, o americano Dane Reynolds, o francês Jeremy Flores e o brasileiro Adriano ‘Mineirinho’ de Souza são apontados como futuros campeões mundiais. À exceção de Dane, todos já foram campeões do WQS – Mineirinho em 2005, Jeremy em 06, Jordy em 07.

TOUR-DE-FORCE
Adriano tem a mesma idade de Jordy, mas surgiu p/ o mundo em 2004, vencendo o Pro-Jr. na Austrália e se tornando o mais jovem campeão mundial sub-21 da história, aos 16. Classificou-se p/ o WT um ano antes de Smith, chegou aos Top 10 primeiro – 7º lugar em 2008 – e também venceu na frente – campeão em Mundaka, Espanha, ano passado, quando fechou em 5º do mundo, enquanto Smith estreava nos Top 16 em 11º lugar.

JS derrotou De Souza na final do Pro-Jr. de 2007, e o brazuca deu troco eliminando-o em casa, J-Bay, 2 anos depois. A revanche veio na bateria de abertura do domingo. Da cobertura da ESPN Brasil:

Jordy abriu com 7.00, fechando a onda com um alley oop rodando. Pegou outra sob  prioridade de Adriano, e mesmo numa onda pequena, mandou um 9.43 com direito a aéreo perfeito. Essa tem sido sua tática desde o início: buscar as manobras mais que as ondas. Mineiro sabia que não poderia se dar a esse luxo e esperou pela boa. Depois de quase metade da bateria surfou bem um expresso. Ótimas rasgadas, aéreo grab e finalizou com um floater. Marcou 8.27 e saiu da combi, mas ainda teria que arrumar outro 8.27.

Adriano ficou em 5º no campeonato e está em 5º no ranking. “É a quarta vez que eu chego nas quartas-de-final neste evento em cinco participações”, falou o mineiro do Guarujá. Também foi a terceira vez que alcançou esta fase em 4 etapas realizadas este ano, consistência no tour-de-force rumo ao “título mundial em 3 anos” profetizado por Ian Cairns.

VAMOS COMBINAR
Este ano, na África, não teve pra ninguém. Jordy vinha de uma vitória no tradicional WQS 6* em Durban na semana anterior. Nas semis em J-Bay, virou o resultado em cima do vicecampeão mundial 2008 Bede Durbidge c/ 2 ondas em 1 minuto. “Eu já estava com sono quando, faltando 3 minutos para Bede fazer a final, Jordy pega uma merreca e manda um superman seguido por rasgadas”, descreve o repórter da ESPN:

Saiu da combi, mas não parecia haver tempo para mais nada. Bede, com a prioridade, pega uma boa e finaliza quase comemorando, só que há outra onda atrás. Jordy abre com aéreo, acelera enquanto ataca o lip e acha espaço para uma rasgada matadora.  Numa das viradas mais impressionantes, Jordy voou para a final para delírio do público local.

Na final, atropelou o estreante Adam Melling, 17.93 x 10.00. “Trabalhei duro muito tempo para chegar aqui e não quero sair”, disse Adam: “Cheguei em Jeffrey’s na rabeira do ranking, fora do grupo dos 32 que vão continuar no circuito até o fim do ano, agora sou o 19º, então só posso estar feliz. Tivemos ondas incríveis durante a semana e conquistar o melhor resultado da minha carreira aqui foi fantástico.

Jordy abriu a disputa c/ um 8.90 e um 9.03 em sequência. “Eu entro na água pra vencer”, disse numa entrevista à revista Surfing Life, na qual admitiu que, se tivesse apenas uma vitória no World Tour em toda a carreira, que fosse em Jeffrey’s.

LEI DE HOLMES
Kelly Slater, o surfista mais vitorioso em J-Bay [pra variar] c/ 4 títulos, chegou na África no topo da cadeia alimentar. Mas, se o eneacampeão continua desafiando a lei da gravidade aos 38 anos de idade – como na final em Bell’s onde venceu mandando um alley oop – , em Jeffrey’s acabou enquadrado na lei de Murphy.

Tudo o que poderia dar errado na minha viagem pra cá, deu”, comentou c/ a imprensa: “Meu vôo saiu atrasado da Costa Leste dos EUA por causa das tempestades, e em seguida falhas mecânicas e mais atrasos. Cheguei à noite em Joanesburgo, mas minhas malas não apareceram. Acho que essa viagem me tomou umas 40 horas.

FreaKazóide venceu sua bateria de estréia, mas sua maré de azar continuou. Na 3ª fase, numa hora ruim do mar, perdeu por 4 décimos p/ o wild card Sean Holmes, 13.10 x 13.06 – esse cara é uma pedra na botinha de borracha dos Tops. Durante o domínio de Andy Irons no circuito, de 2002 a 2004, Holmes derrotou-o sucessivas vezes nas fases iniciais deste evento.

Sean nunca fez parte dos Top 45, mas por ser sulafricano e patrocinado pela Billabong, compete todo ano na etapa do WT em J-Bay, pico onde sempre surpreende. Em 2010, aos 32, eliminou Jadson André na repescagem – jogando o brasileiro do 4º p/ o 9º lugar no ranking – , Kelly Slater no round 3 – fazendo-o perder a liderança – e novamente Irons nas oitavas. Deu um beijo na esposa que lembrou o do goleiro da Espanha na jornalista Sara Carbonero.

JE NE SUIS PLUS UN BÉBÉ
Jordy, o cantor, voltou à cena ao vencer a segunda temporada do programa de televisão La Ferme Célébrites em 2005, em sua primeira aparição pública após quase 10 anos. Em 2006 lançou um novo single, Je T’apprendai [“eu aprendi”]. Em 2008 gravou o álbum VINGT’AGE, título que fazia trocadilho c/ ‘vintage’ e sua idade então, vinte [“vingt”] anos. Ele continua no ramo da música, acompanhado da banda The Dixies.

Em abril de 2009, a justiça da França determinou que a Sony/BMG pagasse a Jordy Lemoine $820 mil euros pelos direitos autorais das músicas que gravou na infância. Em 23 de março deste ano, Jordy lançou sua autobiografia, Je Ne Suis Plus Un Bébé [“eu não sou mais um bebê”], em que afirma que o valor estipulado não chega a 1/10 do lucro que deu à gravadora.

Jordy, o surfista, vive o melhor momento da sua bem-remunerada e promissora carreira. “Se posso roubar o título do Slater? Não sei, veremos. Vai ser como uma luta de boxe. Há 12 assaltos e nós ainda estamos no 4º.” Seu triunfo representa mais do que a volta de um sulafricano ao topo do mundo. Surfando ao som de vuvuzelas, Jordy Smith deu ao público africano a redenção da vitória, celebrada como se fosse a Copa, no dia do aniversário de Nelson Mandela – 18 de julho.

J-Bay é conhecida assim porque a cidadezinha que cerca a baía foi criada em torno do armazém Jeffrey & Glendinnings, a partir de 1849. Em 2010, o ‘J’ da melhor direita do mundo leva a assinatura de Jordy, que, homem feito, comemorou nos braços da mãe: “A torcida me apoiou durante toda a semana. Os gritos e as vuvuzelas me motivaram. Não teria conseguido vencer sem isso... É melhor parar de falar, antes que eu comece a chorar.”

JORDY’S BAY 2010
O GAROTO DE OURO DA ÁFRICA TEM UM FUTURO BRILHANTE
J-BAY É UM TERRENO SUPERVALORIZADO; MINEIRINHO NA ONDA
ADRIAN 'ACE' BUCHAN É OUTRO DA GERAÇÃO 'MODERN COLLECTIVE'
DEAN MORRISON ABRINDO AS PORTAS DA PERCEPÇÃO
DANE REYNOLDS SURFA C/ POWER E MODERNIDADE...
...E MESMO SEM VENCER, SEMPRE DÁ SHOW
SEAN HOLMES CURTE O SEU 'MOMENTO CASILLAS'
OS VERDADEIROS LOCAIS DO PICO