segunda-feira, agosto 30, 2010

RRRRRROCK!
Na madrugada de 21 de agosto os Autoramas tocaram pela 3ª vez em Aracaju, durante mais uma Sessão Notívagos, projeto do produtor Roberto Nunes que alia cinema & música.

O filme exibido foi Crazy Heart [Coração Louco], sobre um cantor country interpretado pelo Jeff Bridges, e a banda de abertura foi a Nantes, fazendo um som folk. O ingresso dava direito a 3 cervejas.

Em tour do disco Desplugado, Gabriel Thomaz, Flávia Cury e Bacalhau concederam entrevista ao programa de rádio de Adelvan Kenobi, que também resenhou o show nos seus 2 blogs, Escarro Napalm e PDRock-Sergipe.

Uma noite acústica c/ guitarra & RRRROCK a todo volume. Janaína Amarante e Skull Valentine, as fotógrafas que faltavam na cena rocker local, registraram tudo.

CINE & CAFÉ
WALL STREET 2: "MANTENHA SEUS AMIGOS PRÓXIMOS"
AUTORAMAS: ROCK ENCORPADO C/ BOA GRANULAÇÃO
IRONIA: UM CINEMA É A MELHOR CASA DE SHOW DO PEDAÇO



Próxima sexta: AUTORAMAS no Oi Futuro Ipanema, 03/09 21h

sexta-feira, agosto 27, 2010

BILLY THE KID
Adherbal já não é mais um garoto, mas continua usando boné colorido e desenhando caveiras & monstros. Fundador da banda Lobotomia, ‘Billy’ Argel é o pioneiro do crossover no Brasil – entre metal & hardcore, entre rock & skate.

Seus cartuns coloridos e detalhados de adagas, cruzes, fogo, fumaça, morcegos & ossos marcaram os anos 80 através dos shapes de Álvaro Por Quê?, Léo Kakinho, Rui Moleque e Thronn, feras da época em que o ‘nose’ do skate era diferente do ‘tail’ e ‘street’ era ‘free style’. “Sou da primeira geração do skate. Em 85 eu já andava há 10 anos.

85 foi o ano de lançamento da ATAQUE SONORO, coletânea que reuniu sua banda c/ Cólera, Garotos Podres e Ratos de Porão, entre outras, num dos mais clássicos álbuns punk sulamericanos. Em 87 a Lobotomia – Billy na guitarra, Caio no vocal, Alfredo no baixo e Grego na bateria – lança o disco de estréia c/ os sons Indigentes do Amanhã e Só os Mortos Não Reclamam.

A banda deu um tempo em 89, após as gravações de NADA É COMO PARECE, lançado pelo selo Cogumelo. E voltou a se reunir em 2002 c/ nova formação – apenas Billy e Grego dos originais – p/ abrir o show do Agnostic Front, HC novaiorquino. No ano seguinte o LOBOTOMIA de 87 é lançado em CD no Japão. Em 2008 entram em estúdio p/ gravar o 3º álbum. 

EXTINÇÃO sai em 2009, c/ 13 músicas que vão do punk tosco ao thrash metal, e junto c/ ele Billy, que a essa altura já tinha se estabelecido como artista plástico e foi cuidar de sua carreira: exposições como a RE:LOAD na Alva Gallery em Los Angeles e muitas outras em São Paulo, como a coletiva TRANSFER e as individuais Sketch Art Expo e B-LIVE, em cartaz há 1 mês no Espaço +Soma.

B-Live é o lado B mesmo”, explica Billy: “A visão de lado A, lado B é muito subjetiva. Pra mim a moda é o lado A.” Partindo do criador da identidade visual das marcas Caos, Lifestyle, Mad Rats, Narina e Urgh!, há anos colaborando c/ a Element, essa frase demonstra a independência de um cara que, segundo Caru Ares do site Colherada Cultural, é “um dos grandes nomes responsáveis pela identidade do skate e da cultura urbana no Brasil”.

A mesma independência que ele tem p/ realizar trabalhos que vão do rótulo da cerveja Hell Yeah ao Mtv Style Guide 2011. “Quem apadrinha e domina tudo é o mercado e quem realmente manda mesmo é a grana e a política”, diz Adherbal ‘Billy’ Argel, sem vender esperança nem enganação em ano de eleição. 

Colherada Cultural - Como é conciliar a carreira de guitarrista, skatista e artista? Dá tempo p/ mais alguma coisa?
Billy Argel - Ultimamente tenho me dedicado mais ao desenvolvimento de produtos e na produção de novos desenhos. Nas horas vagas me dedico à tipografia. Hoje toco blues, mas sem banda ou pretensões de trabalho, uma coisa pessoal e intimista. Já o skate, ando mais esporadicamente, e quando o faço vou ao Ibirapuera. 

CC - Como começou seu trabalho nas artes plásticas? Você sempre se interessou pela área?
BA - Comecei desenhando quando pequeno, minha mãe na época pintava a óleo e isso me inspirou. Desde então não parei mais de desenhar. 

CC - Quais são suas referências no mundo das artes?
BA - A contracultura. 

CC - Você acha que a nova geração tem a mesma pegada? Ou são épocas muito diferentes?
BA - A cada ano existe um ‘up-grade’ em tudo que acontece no mundo e por que não haveria de ocorrer no skate? Vejo que o espírito do skate continua o mesmo, o que ocorre são subdivisões e distanciamento entre as gerações e as diferentes formas de prática do skate. E cada qual defende seu ponto de vista, crenças, ídolos e ‘verdades’. 

CC - O trabalho nas artes, música e nos esportes se complementam de alguma maneira? Como?
BA - Isso é a liberdade. Achar esse espaço na sociedade está cada dia mais difícil, a liberdade custa caro hoje em dia. Responsabilidade e determinação fazem com que o trabalho se torne agradável. Ética, educação e respeito fazem parte da estruturação para se viver dessa forma. 

CC - O que você gosta de consumir em cultura? O que anda lendo, ouvindo, assistindo de bom?
BA - Leio atualidades e política, ouço músicas diversas e de preferência instrumentais. Assisto aos jornais e filmes – poucos e os que estão fora do circuito. Sinceramente, não sou fã do que está na moda. 

HELL YEAH
a arte de Billy Argel 
FONTES CUSTOMIZADAS P/ DOWNLOAD NO BLOG
OS MODELOS QUE FIZERAM SUA FAMA
 TRABALHANDO A SEDA EM SEU ESTÚDIO
 RE:LOAD, EUA: HISTÓRIA VIVA DO SKATE
EXPO NA ELEMENT STREET ART GALLERY
 
PAREDE DA 'B-LIVE' NO ESPAÇO +SOMA
CAPA E CONTRACAPA DA NOIZE #32 

B-LIVE Espaço Soma
>rua Fidalga, 98, Vila Madalena, SP [11]3031-7945
>terça a quinta das 12 às 20h [sextas e sábados das 12 à 1h]
>até 04/09 [entrada gratuita]




segunda-feira, agosto 23, 2010

SUPERBOY
Falei aqui que o guri Gabriel Medina é o cara que manda os mais altos aéreos superman da atualidade. Pra não me deixar mentir, foi c/ uma manobra dessas que ele levou o Nike 6.0 Cash for Tricks na última sexta-feira, uma competição especial dentro de outro campeonato maior, o Soöruz Lacanau Pro, etapa 6* do WQS.

Enquanto no evento principal estão em jogo pontos classificatórios p/ o circuito mundial de elite, o World Tour, no 6.0 o que vale é a performance dentro d’água. Em bom português, grana p/ truques. Em baterias livres de regras, os surfistas têm de soltar o pé – e a imaginação – p/ completar a manobra mais espetacular possível, o que geralmente exige alto nível técnico. O WQS dura uma semana. O Cash for Tricks, uma manhã.

Foi muito divertido participar em ondas tão boas”, falou Gabriel, 17 anos recém-completos, o mais jovem entre os finalistas, aí inclusos alguns dos nomes mais fortes da nova geração, como o ex-campeão mundial pro-jr. Kai Barger, o ‘young gun’ Julian Wilson e o amigo Miguel Pupo. Também competiram lendas do surf voador, como o australiano Josh Kerr e o americano Tim Curran.

Curran foi o primeiro cara a incorporar o alley oop, um vôo sobre o próprio eixo sem as mãos, ao seu repertório nos anos 90, ao ponto de fazer dessa manobra sua marca registrada. Em 1999 ele venceu em Lacanau, quando a etapa ainda era da 1ª divisão. Naquele ano, também venceu no Japão e terminou em 6º do mundo, sua melhor temporada.

Dedicando-se atualmente ao rock, TC foi convidado pela organização p/ dar seu show na água. “Eu não vinha à França há uns 5 ou 6 anos, e estou adorando participar da festa.” Curran ficou em 3º no Cash for Tricks, c/ Mitch Coleborn, um dos astros do filme Modern Collective, em 2º, e Medina em 1º.

Do site oficial da ASP: “Medina, who left no chance to the high-performance field of aerial specialists, impressed the early-morning crowds with a variety of new-school tricks including an upside-down reverse air 360o combined with a Superman on one single wave. Renowed for his talent in this kind of surfing, Medina confirmed he was one of the current world’s best today.

Traduzindo: Gabriel venceu o campeonato de voadores c/ duas decoladas numa só onda; na primeira rodopiou chutando a rabeta, ao completar se lançou de volta ao espaço, corpo esticado em paralelo ao foguete, segurando a prancha nas mãos p/ depois trazê-la de volta aos pés. €1.425,00 no bolso.

E ainda havia a competição principal. Curran perdeu logo na 2ª fase, desclassificado por Wiggolly Dantas e Alex Ribeiro, 2 brasileiros que iriam bem longe no evento. Eu também já tinha anunciado a blitzkrieg brazuca no circuito mundial, não demorou nem uma etapa pra molecada confirmar minhas previsões.
Alex, 21 anos, tirou o bicampeão mundial pro-jr. Pablo Paulino e os ex-tops do WT Nathan Hedge e Nick Muscroft. Só perdeu pro próprio Wiggolly, fechando em 5º lugar. Miguel Pupo, 18, chegou pela 2ª vez consecutiva a uma quarta-de-final do circuito mundial [a primeira foi há 2 semanas na Califórnia], após passar por Medina no sábado.

Outro brasileiro que já venceu o Mundial Pro-Jr., Pedro Henrique, 28, chegou às semifinais derrotando o ex-campeão europeu junior Mark Lacomare nas quartas e o atual campeão brasileiro Messias Felix nas oitavas.

A final foi 100% Brasil, ou quase. Numa disputa apertada, o local de Ubatuba Wiggolly Dantas venceu o argentino radicado em Santa Catarina Alejo Muniz pela diferença de apenas 1.53 pontos, 14.23 x 12.70. Ambos têm 20 anos e o mesmo patrocinador. Wiggolly passou 7 baterias em 1º p/ levar US$20.000,00 e 3.000 pontos no ranking.

Pessoalmente, não gosto de campeonatos. Competi até os 16, mas nunca tive o perfil pro ramo. Perdia mais do que ganhava. Meu resultado mais expressivo foi um vice estadual jr. no Tag Team, um campeonato de equipese só havia duas na minha categoria. Heheh.

É preciso ser competitivo, querer realmente ser melhor que aquele cara que está remando do seu lado, e nem de disputar onda eu gosto. Mas, como também não curto muito futebol, torço p/ os brasileiros no circuito mundial de surf como se fosse a seleção canarinho.

E gosto mais ainda de competições sem regras, onde vale o show. “O conceito é demais e acho que muitos de nós surfistas gostam de ver novos formatos que misturam competição e diversão”, diz o Superboy de Maresias [SP], que ano passado venceu lá mesmo na França o Mundial Sub-16 c/ uma combinação de aéreos que lhe rendeu dois 10, fechando a média perfeita de 20 pontos.

Em fevereiro, o repórter Jed Smith da revista australiana STAB conversou c/ Medina e Jadson André, 20, em North Narrabeen, na cidade de Sydney, após a participação dos dois no Mundial Pro-Jr., onde ficaram respectivamente c/ a 3ª e 2ª colocações. O vencedor daquele evento foi o francês Maxime Huscenot, que desde então não arrumou mais nada. Jadson venceu a 3ª etapa do World Tour em maio e Gabriel acaba de levar o 6.0 Cash for Tricks. C/ vocês, o Ganso e o Neymar do surf:

STAB - Gabriel, Jadson, suas impressões sobre a Austrália?
Jadson André - Eu já vim aqui 3 vezes. As ondas são o que mais gosto. Pra viver, eu acho a Austrália melhor que o Brasil. Vocês têm melhores ondas, é mais fácil viajar, vcs estão mais perto do Tahiti e da Indonésia. Nós temos que voar 15 horas pra chegar em algum lugar.
Gabriel Medina - É minha primeira vez em Sydney. Eu já estive na Gold Coast antes. O que eu mais gosto são as ondas. E as gatas.

S - Alguma mordida?
(Gabriel parece entender o que eu quero dizer mas olha pra Jadson, nosso intérprete, pra ganhar algum tempo. Rola uma conversa em português)
GM - Não.

S - Campeonatos ou free surf?
JA - Os dois. Eu não acho campeonatos melhores que free surf ou free surf melhor que campeonatos. Eu gosto de vencer campeonatos e daí gosto de fazer um free surf. Mas eu perdi cedo aqui, isso não é legal. Ninguém gosta de perder.
GM - Eu gosto dos dois. Eu quero viajar e quero entrar p/ o WT e eu quero surfar as melhores ondas do mundo. Não sei se vai demorar pra eu chegar ao Tour. Eu ainda sou novo, só o tempo vai dizer.

S - Quais são as dificuldades que um jovem surfista brasileiro tem que enfrentar?
GM e JA - (em uníssono) Patrocínio.
GM - Tem uns caras no Brasil realmente bons que continuam sem patrocínio.

S - Por quê isso?
JA - Nós que devíamos perguntar por quê!
(Gabriel e Jadson me dão um olhar de acusação)

S - Ei, eu só ‘tou perguntando...
JA - Eu não sei por quê. Nós estamos tentando atrair uma atenção melhor no futuro.

EUROS, DÓLARES & TRUQUES
ALEJO MUNIZ E O LOGO DA NIKE 6.0: MARKETING É ISSO
MEDINA BOTANDO A BANDEIRA DO BRASIL LÁ NO ALTO
MIGUEL PUPO VOANDO EM SUA PRANCHA AZUL MÁGICA
GABRIEL E MIGUEL: AMIGOS, AMIGOS; BATERIAS À PARTE
ALEX RIBEIRO É MAIS UM DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA
O CEARENSE MESSIAS FÉLIX, ATUAL CAMPEÃO BRASILEIRO
WIGGOLLY DANTAS VAI NA BASE DA PANCADA MESMO


quinta-feira, agosto 19, 2010

NADA PODE PARÁ-LOS 
Toquei nela sem querer, ela gritou/ Quem você pensa que eu sou, ela falou/ Bem que eu tentei me acalmar/ Mas não adiantou, oh não/ Libere seus instintos, girl, vai ser legal/ Menininha, eu nunca quis te fazer mal, mal, mal/ Eu sei que respeito e consideração nunca tiveram nada a ver com tesão”...

Provavelmente você já ouviu essa música c/ os Raimundos. Mas ela, ou melhor, ‘Aquela’ é de Gabriel Thomaz, vocalista e guitarrista do Little Quail & The Mad Birds, trio maluco de Brasília que lançou 2 discos pelo Banguela, o mesmo selo que revelou Mundo Livre S/A e Raimundos. ‘I Saw You Saying’ também é dele.

Em 1995 Gabriel e seus comparsas – o baixista Zé Ovo e o batera Bacalhau – saíram em turnê nacional dentro de um fusca, o que deve ter contribuído muito p/ o fim do grupo no ano seguinte. Mas deu tempo de eternizar alguns clássicos do rock brasileiro nos anos 90, como ‘1,2,3,4’, minimalista ao extremo: “1, 2, 3, 4/ 1, 2, 3, 4/ Não tem 5/ Não tem 6/ Parou no 4/ 1, 2, 3, 4”...

Os caras eram adolescentes punks, e letras como ‘Família Que Briga Unida Permanece Unida’ e ‘Essa Menina’ traziam a angústia típica da idade, por um viés cômico: “Assim não tem mais jeito/ Não tem mais solução/ Eu já tentei de tudo/ Mas ela me disse não/ Oh baby, essa menina não quer dar pra mim/ Ela diz não, não, não, não, não, baby”...

Viciado em rock’n’roll, fissurado em carros, garotas, quadrinhos e videogame, GT deu uma guinada em 97 e acelerou no seu projeto mais pessoal: uma banda que falasse de carros, garotas, quadrinhos e videogame. Chamou duas figurinhas do underground carioca, Nervoso do Beach Lizards e Simone do Dash, e montou os AUTORAMAS.

Em 98, Nervoso sai em carreira solo e é substituído por outro baterista chamado Bacalhau – mundo pequeno – o ex do Planet Hemp, fechando a equipe que lançaria STRESS, DEPRESSÃO E SÍNDROME DE PÂNICO no ano 2000 pelo selo Astronauta Discos. Tocam no Rock In Rio 3 e fazem shows do Rio Grande do Sul ao Amapá. No final de 2001, o 2º disco, VIDA REAL, seguido de uma tour em 5 cidades do Japão e a coletânea FULL SPEED AHEAD, p/ o mercado japonês. 

NADA PODE PARAR OS AUTORAMAS, de 2003, ganhou o prêmio London Burning nas categorias Melhor Banda e Melhor Disco e abriu as portas da América do Sul: 7 shows na Argentina, Uruguai e Chile em 2004, c/ Selma Vieira, dos Jerks, substituindo Simone. Nesse ano, fazem 96 shows em 21 estados do Brasil. Em 2005, o fantástico clip de ‘Você Sabe’ leva 3 VMBs após alta rotatividade na Mtv. Em 2007 saem o 4º CD, TELETRANSPORTE, e também Selma.

Vêm os shows na Inglaterra, Holanda, Bélgica, Espanha e Portugal, que renderam o disco BRASIL NA CEE, c/ covers de bandas portuguesas como 365, GNR, Portuguese Nuggets, Salada de Frutas e Tédio Boys. “É incrível como dois países como Portugal e Brasil sabem tão pouco sobre a música um do outro”, diz Gabriel: “Nas nossas viagens a Portugal conhecemos muitas outras músicas de outros artistas Rock, foi até difícil escolher os temas. A verdade é que tivemos que ir a Portugal para ter real conhecimento do Rock Português.

Foi o 1º álbum c/ Flávia Cury, que logo gravaria c/ eles AUTORAMAS DESPLUGADO, em 2008. É a 3ª baixista a acompanhar Gabriel e Bacalhau, uma mais bonita que a outra. Nada bobos. “Eu queria manter uma voz feminina sem alterar a formação de trio”, justifica o Corredor X: “Se não fosse ela o acústico não aconteceria. A Flávia que está comandando a situação. Ela toca muito bem, entende tudo de harmonia. Estamos cantando várias coisas juntos.

Respeitados como o principal nome da cena independente do Brasil, os Autoramas disponibilizam toda sua discografia p/ download livre na internet: “Basta ir no nosso site, já abre um pop-up pro site da Trama Virtual.” A Rough Trade, que distribui seus discos na Europa, classificou o som de “excellent garage pop”, mas a banda diz que faz apenas “RRRROCK”.

Tocam amanhã, sexta-feira, na Sessão Notívagos, em sua 3ª passagem por Aracaju. Também está agendada uma visita aos estúdios do Programa de Rock. “Esta é apenas uma das mil e uma noites mal dormidas/ Existem muito mais desses suplícios/ Suicídios e outros vícios/ Meu Deus, como é difícil amar alguém”...

...“Eu estou a 300 km por hora/ Na sua direção/ Sem freio/ Faço questão de ficar”, canta o brasiliense radicado no Rio e casado c/ a baiana Érika Martins, ex-Penélope Charmosa, atual parceira na Lafayette & Os Tremendões, onde tocam hits de Roberto & Erasmo. Um punk rocker influenciado por Jovem Guarda?

Assim que voltou da última temporada pelo Mercosul, ainda na ressaca do avião, o líder dos Autoramas me concedeu a entrevista a seguir. Gabriel Thomaz, o último romântico, a 300 por hora:

Viva La Brasa - Você teve muitos autoramas quando era criança?
Gabriel Thomaz - Nunca tive autorama, bicho. É uma grande frustração, deve haver alguma explicação psicanalítica, mas deixa pra lá...
 
VLB - Como foi crescer em Brasília? Descia ladeira em carrinho de rolimã? Se é que BSB tem ladeira...
GT - Foi ótimo, Brasília é uma cidade calma, ótima pra criançada. Nunca tive carrinho de rolimã, nem sei o que é isso direito, já sou mais geração Atari, Playstation...

VLB - Ouvia muito Legião?
GT - Ouvi muito Legião sim, e tb muitas outras bandas de lá. O Renato era fã do LQ, sempre falava bem da gente, uma vez ficamos num mesmo hotel, ele nos chamou, fez questão de conhecer a galera.

VLB - Com que idade teve sua 1ª guitarra?
GT - Antes de guitarra eu já tive violão, tinha um lá em casa, onde eu fiz meus primeiros barulhos com uns 10, 11 anos, aos 14 já tava fazendo shows até fora de Brasília...

VLB - Você curte velocidade? Coleciona carros antigos ou coisa do tipo?
GT - Já tive um Puma conversível, me arrependo muito de tê-lo vendido. Tenho uma banda, é um esporte bem mais radical, e que envolve muito mais adrenalina.

VLB - Qual o equipamento que você usa? Tipo guitarras, pedais, amps...
GT - Tenho uns 10 instrumentos entre guitarras e violões (lá fora é tudo guitar ou guitarra – em espanhol). Meus amplis preferidos são os Fender, menos o Twin Reverb (muito limpo). Meus pedais são a marca registrada do meu som, todo dia chega um email me perguntando que pedais uso. Tenho 3 vibratos diferentes, um synth e duas distorções, só isso.

VLB - Vc tá há mais de 10 anos c/ o Autoramas, dá pra viver de música ou a única coisa que te dá grana são os royalties de ‘I Saw You Saying’?
GT - Vivo do Autoramas sim, somos um dos artistas brasileiros que mais se apresentam, de todos os gêneros musicais. Em todos esses anos fizemos um trabalho junto ao público que deu muito resultado, uma coisa muito sólida. A grana mais alta que ganhei com o Raimundos foi com ‘Aquela’, música do Little Quail que eles regravaram, vendeu um milhão de cópias e a música é 100% minha.

VLB - Cara, o 1º disco do Little Quail & the Mad Birds é genial, mas o 2º [A Primeira Vez Que Você Me Beijou] é muito fraco. O que aconteceu entre um e outro?
GT - Na banda eu era o único que gostava mais do primeiro. Mas hoje em dia, tendo passado tanto tempo, considero os dois no mesmo nível. No segundo disco não éramos mais novidade, então não rolou toda aquela falação que o primeiro teve... Mas, sei lá, né?

VLB - Little Quail era do Banguela e suas músicas tinham potencial pra estourar e tocar nas rádios, mas o 1º disco saiu logo depois do 1º do Raimundos, que são da mesma cidade e faziam parte do mesmo selo. Isso deveria ter ajudado vcs a deslancharem, mas parece que não...
GT - Pra uma música tocar no rádio o que menos conta é a música e seu potencial pra estourar.

VLB - Por que acabou o LQ? Stress, depressão ou síndrome de pânico?
GT - A gente brigava o dia inteiro e cada um queria uma coisa pra banda. Aí vai acontecendo uma coisa atrás da outra, tudo é motivo pra briga e etc... O LQ foi uma escola pra mim, depois que acabou montei minha banda com minha cara realmente e o que eu queria fazer.

VLB - O Bacalhau tá há mais tempo no Autoramas do que ficou no Planet Hemp. Pelo menos não deve faltar ‘inspiração’ nos ensaios...
GT - Cara, a gente só ensaia pra fazer os discos, depois é só show e passagem de som. Bacalhau é um puta músico sério, um grande baterista, tanto que está aí tocando pelo mundo até hoje... Pra usar um trocadalho do carilho, não se perdeu na fumaça...

VLB - E a mina do Dash, cadê? Ela parecia ser bem brava...
GT - Simone agora é doutora. Ela é um amor de pessoa.

VLB - Vc vai tocar na Notívagos em Aracaju. Este ano ela exibiu A TODO VOLUME. Já viu esse filme?
GT - Não. É legal? É sobre o quê?

VLB - Sobre o encontro de Jimmy Page, The Edge & Jack White. Um filme de guitarras. Das bandas de rock brasileiras da nova geração, tipo ano 2000 pra cá, quais suas preferidas?
GT - Puxo a sardinha pros meus amigos Nervoso e também o Canastra, o Móveis é bem legal, eles começaram na mesma época que o Autoramas, mas tem se destacado mais recentemente. Gosto muito do Lendário Chucrobillyman.

VLB - Em 2008 eu editava um programa de TV chamado Periferia e recebi um DVD c/ vários trampos do Matias Maxx. Lá no fim tinha um clip do Autoramas no Japão. Encerrei um dos programas c/ esse clip. Que ano foi aquele? Como foi a experiência? Tocaram c/ o Guitar Wolf?
GT - Foi nossa primeira turnê internacional, em 2002, abriu nossa cabeça pro mundo, devemos tudo ao que os japas nos ensinaram, a ser realmente uma banda de Rock Independente. Nossa vida mudou depois dessa turnê. Guitar Wolf é pra mim uma das grandes bandas de Rock que o mundo já teve.

VLB - Vcs acabam de tocar no Uruguai e na Argentina. Que tal?
GT - Sensacional, a primeira vez que fomos tocar na Argentina e Uruguai foi em 2004, ainda com a Simone, e desde então voltamos todos os anos. Já botamos 4 mil pessoas em show nosso em Montevideo, lá a gente é atração internacional. Uma música nossa é tema de abertura do programa de maior audiência no país. Na Argentina já tocamos até com o Massacre, hoje a maior banda argentina em popularidade. Anteontem lotamos o Niceto, palco onde tocam a maioria dos artistas americanos e britânicos que tocam por lá, temos 3 discos lançados lá esgotados... A Argentina é um país muito Rock and Roll. Tocamos muito também no Chile e Peru. No nosso último show em Santiago, o Mike Patton foi e rasgou um milhão de elogios, ele estava fazendo show da volta do Faith No More por lá, ganhamos a maior moral...

VLB - Alguma música do Autoramas já tocou no Top 10 da Jovem Pan ou algo do tipo?
GT - Acho que não...

VLB - O Faustão já convidou vcs?
GT - Também acho que não.

VLB - E no 2º semestre, que passa?
GT - 2010 está sendo pra gente um ano muito bom, vamos pra nossa oitava turnê na Europa em setembro, mais de 20 shows. Tocaremos num festival itinerante passando por 3 cidades da Espanha (um dos países mais Rock and Roll do mundo). Vamos dividir o palco com Redd Kross, Mudhoney, The Muffs, The Soundtrack of Our Lives, Hoodoo Gurus... Recebemos esse convite depois de tocarmos em maio no Primavera Sound, em Barcelona, um dos 3 maiores festivais da Europa, tocamos lá junto com Pixies, Pavement, The XX, Khing Khan e BBQ, e mais um monte de gente maravilhosa. Na Espanha já fui eleito até o melhor guitarrista do ano e melhor show internacional ( http://www.gruta77.com/noticias_ampliada.php?not_id=316 ). Já ganhamos resenha da Rough Trade inglesa dizendo que somos ‘the most independent band in Brazil’. O lance tá andando bem...

EM RITMO DE AVENTURA
AUTORAMAS É RRRRRRRRROCK!
 BACALHAU 'EL PESCADO LOCO'
BRINCANDO NA FÁBRICA DE VINIS DA POLYSOM
POWER TRIO, TRÊS LISTRAS E QUATRO ACORDES
 SHOW EM MADRI NUMA DAS 7 TOURS PELA EUROPA
EM ROSARIO, ARGENTINA, NO ÚLTIMO FIM-DE-SEMANA
 CARTAZ DA NOTÍVAGOS C/ O FILME CORAÇÃO LOUCO