terça-feira, setembro 28, 2010

DU K7

Desenrolando a história e rebobinando a fita: Foi uma garota quem descobriu Jimi Hendrix.

Em 1966 ele assinava Jimi James e comandava seu 1º grupo, The Blue Flames. Numa apresentação no Cafe Wha?, clube onde era residente, a namorada de Brian Jones, que acompanhava os Stones numa turnê pelos EUA, ficou impressionada quando viu o negro magro de cabelos grandes tocando guitarra. Foi ela que convenceu Chas Chandler a assistir um show de Jimi James.

Ele sabia que era bom”, diz o baixista Billy Cox, que o conheceu no exército e tocou nas 3 bandas [Blues Flames, Band of Gypsys e substituindo Noel Redding no Experience]. “Mal acabávamos de tocar as canções e o público começava a aplaudir, era sempre assim. As pessoas sentiam que ele era único.

Jimi tocava como se fizesse amor c/ a guitarra. Ou sexo selvagem.

Se já era assim em cima do palco c/ um pedaço de madeira e plástico, imagine o que ele fazia c/ suas namoradas entre quatro paredes.

Em 2008, bem antes da atual onda comemorativa, o lançamento de um material inédito agitou o mercado e causou polêmica: JIMI HENDRIX - THE SEX TAPE é um vídeo de 11 minutos que mostra um ménage à trois entre duas garotas e um crioulo usando uma bandana. Seu rosto aparece na tela por poucos segundos, de olhos fechados num close-up, e de perfil a maior parte do tempo. Mas será o Benedito?

A Vivid Entertainment, produtora californiana responsável pelo DVD e famosa por lançar a fita roubada de Pamela Anderson & Tommy Lee nos anos 90, garante que o material é original.

O vídeo não tem áudio e aparentemente foi filmado em Super-8. Foi adquirido num leilão promovido por um certo Howie Klein, que teria encontrado a gravação entre a memorabilia de um colecionador inglês, dentro de uma caixa c/ a inscrição “Black Man”.

Steven Hirsch, CEO da Vivid, comprou a idéia e Klein bateu o martelo, por um valor que permanece secreto. “Este novo filme mostra que Jimi Hendrix poderia ter sido tão grande estrela pornô quanto foi estrela de rock”, celebra Hirsch.

À venda no site hendrixsextape.com, custa US$ 39.95 e valeu ao Internet Commerce Group um processo. A Vivid pede indenização de US$ 150.000 por vazamento do conteúdo. “Nós gastamos milhões de dólares para promover nosso conteúdo e não vamos dar lucro a usuários ilegais às nossas custas”, ameaça Hirsch.

De modo deprimente, a Vivid bancou este projeto a fim de fazer um dinheiro rápido com pessoas cuja curiosidade sobrepuja qualquer escrúpulo sobre voyerismo póstumo”, escreveu Alison Boshoff, do jornal britânico Daily Mail:

Eles acham que sempre há gente disposta a gastar algum dinheiro para assistir celebridades fazendo sexo. Talvez estejam certos, porque Hendrix continua atraindo atenção. Seus 3 álbuns de estúdio rendem 7 milhões de libras por ano, e sua influência é citada por todos os grandes guitarristas do mundo.

Fita por fita, homenagem bem mais inspirada e à altura prestou a artista plástica americana Erika Iris Simmons, que compôs uma série de retratos do ‘Guitar Hero’ utilizando velhas fitas cassete como matéria-prima. 

Kathy Etchingham, uma das amantes de Jimi, contesta a autenticidade do vídeo que está sendo comercializado: “O rosto e o nariz parecem muito largos, e o cabelo está muito baixo na testa.Cynthia Albriton, outra ex, discorda: “Tenho 100% de certeza que é ele. A estrutura óssea facial é a mesma. As sobrancelhas e o bigode são fiéis ao estilo que ele usava em 1970.

Íntima da anatomia musical de Hendrix, Cynthia fala c/ conhecimento de causa. Em 1968 ela e duas amigas invadiram o quarto 1628 do Chicago Hilton e fizeram um molde de gesso da ‘Stratocaster’ do negão. “Ele era demais, muito relaxado. Normalmente, quanto mais carismático é o rock star, mais tesão ele tem.

O apetite de Jimi Hendrix por sexo & drogas era tão grande quanto suas habilidades c/ as seis cordas. Em ’68 foi preso em Estocolmo, capital da Suécia, após ter destruído um quarto de hotel num acesso de fúria alcoólica. Em ’69 foi grampeado no Aeroporto de Toronto, no Canadá, por posse de heroína – e libertado após pagar fiança de 10.000 dólares.

Quando morreu, estava hospedado no quarto da namorada alemã Monika Danneman e vivia uma rotina de festas. Certa vez, a modelo inglesa Linda Keith o encontrou c/ nada menos que 7 mulheres na cama. Kathy Etchingham conta que, quando o flagrou num banheiro de bar c/ uma fã, Jimi disse:

- Ela me pediu um autógrafo!

 JIMI HENDRIX EM K7 BY ERIKA IRI5
FIEL AO ESTILO, C/ A NAMORADA MONIKA...
...E INFIEL À NAMORADA, C/ AS GROUPIES
JIMI NÃO PERDOAVA NEM AS FÃS MAIS FEIAS
PRESO EM TORONTO, CANADÁ, EM 1969...
...E EM CENA DE SEXO EXPLÍCITO NO PALCO

quarta-feira, setembro 22, 2010

VALES DE NETUNO
It’s very far away/ It takes about a half day to get in there/ If you travel by my/ Dragon fly”... Não, não é na Espanha. “But anyway, it’s a groovy name”...

Estados Unidos da América.

Você pode ser antiamericano, comunista, muçulmano, vegetariano. Pode odiar o capitalismo selvagem, o imperialismo ianque, Hollywood & fast food. Mas há de convir que, quando os gringos cismam de ser os melhores em alguma coisa, eles conseguem. 

Surf & rock são duas expressões humanas, americanas até no nome. Tudo começou lá: Duke Kahanamoku, Jerry Lee Lewis, Mickey Dora, Eddie Cochran, Gerry Lopez, Elvis Presley.

De Pearl Harbor a Hiroshima. Da Guerra da Coréia às Torres Gêmeas. Repúblicas de Bananas, Revolução Cubana, Oriente Médio. Lá estão eles. Pro bem e pro mal.

Jazz. Pop art. Graffiti. Gonzo. Punk. New Wave Hookers. Just do it.

2001, Taxi Driver, Star Wars, Pulp Fiction, Matrix. Dogtown & Z-Boys.

Vietnã, Watergate, Wall Street, Windows, Madonna, MP3. Wireless.

Simpsons, South Park, Bob Esponja. Bob Dylan, que apresentou maconha aos Beatles.

Ernest Hemingway. Elmore Leonard. Edward Bunker. E Charles Bukowski, que era alemão mas escrevia sobre Los Angeles. E Nova Orleans. Nova York. E Miami.

Disney. Will Eisner. Stan Lee. Rick Griffin. Robert Crumb. Freak Brothers. Irmãos Hernandez.

LSD. Cheech & Chong. Cypress Hill. Beck. Budweiser. Hell Yeah.

Betty Boop. Betty Page. Traci Lords. Sylvia Saint.

Suicide Girls. Dita Von Teese.

Alt-porn. Apple. Google.

ARE YOU EXPERIENCED?
...“Now, if 6 turn out to be 9/ I don’t mind/ I don’t mind”...

Sábado 18 foi um grande dia p/ o surf & o rock dos EUA. Um dia p/ celebrar. E se lembrar. 
Kelly Slater, 38 anos, marca 18.13 pontos em 20 possíveis e vence o Hurley Pro Trestles, 6ª etapa do ASP World Tour, voltando ao topo do ranking e acelerando com tudo rumo ao 10º título mundial – algo sem precedentes.

Olhando para trás em minha carreira, eu nunca teria sonhado com o nono título, muito menos um décimo!”, disse o eneacampeão no pódio: “Não sei o que dizer. Ainda há um longo caminho pela frente e ainda temos quatro eventos. Agora quero apenas curtir esta vitória e não pensar em tudo isso.

Lower Trestles é uma onda ideal p/ o surf de alta performance, pista perfeita p/ aéreos, batidas, cut backs, o escambau. Foi lá que KS obteve sua primeira vitória profissional, em 1990, aos 18 anos. Nesta década foram mais quatro – 2005/07/08/10 – que somadas c/ tantas outras ao redor do globo totalizam 43.

Isso se contarmos apenas os eventos válidos pelo título mundial.

Slater é gênio não apenas por suas vitórias. É gênio por levar o surf a novos patamares. P/ o bem ou p/ o mal.

Ele derrubou as barreiras que separavam as competições do surf de aéreos, participou e venceu eventos de ondas grandes como o Eddie Aikau Memorial; desenvolveu pranchas mais leves e estreitas nos anos 90 em parceria c/ Al Merrick, e modernizou templates retrô como o modelo Deep Six, que usou p/ vencer em Pipeline, às vezes shapeando suas próprias pranchas e fazendo escolhas pouco usuais, como quadriquilhas – nem sempre sendo bem-sucedido.

Seu fiasco mais notório foi a participação no seriado Baywatch [no Brasil, SOS Malibu] em 1993. Mesmo assim, namorou a garota do programa, Pamela Anderson. Predador nato, conquistou um sem-número de anônimas e famosas, como a über top Gisele Bündchen, que foi a Trestles em 2005 só p/ dar mole pro cara...

É gênio porque enxerga na frente e não teme experimentar. Dizem que surfa do jeito que surfa porque tem a melhor leitura de onda no mundo. Na minha opinião, tem a melhor escrita também.

Ao longo dessas duas décadas de circuito mundial, vem pressionando juízes e cartolas por mudanças no formato de competição – chegando a aventar a possibilidade de criar uma nova associação independente.

Ferrenho defensor de melhor remuneração no esporte, levou US$ 105.000 por sua vitória no último sábado. A maior premiação do surf p/ o maior competidor do surf [mas ano que vem a etapa mais rica será a do Brasil, U$500 mil p/ o campeão no RJ].

Um herói nascido na Flórida triunfando num campeonato na Califórnia patrocinado por uma empresa local. Os gringos amam muito tudo isso. Festa 100% yankee no dia em que se completavam 40 anos de morte do maior gênio do rock.

AXIS: BOLD AS LOVE
I need help bad, man” foram as últimas palavras de Jimi Hendrix no fatídico 18 de setembro de 1970. Ele havia misturado soníferos c/ vinho e ainda conseguiu ligar p/ um amigo pedindo ajuda, antes de morrer sozinho num quarto de hotel, sufocado no próprio vômito, aos 28 anos.

Apenas 4 anos antes, ele chegava à Londres p/ fazer história. Nascido em Seattle e c/ passagens pelas bandas de Little Richard, BB King e Ike & Tina Turner, foi descoberto pelo produtor inglês Chas Chandler quando tocava c/ o bluesman Curtis Knight.

Canhoto, Jimi tocava c/ as cordas invertidas e  usava a base adquirida no blues e no R&B p/ solos c/ bends e legato, baseados na escala pentatônica. Era performático & incendiário em seus shows, tocando c/ a guitarra nas costas, mordendo as cordas c/ os dentes ou ateando fogo na sua Fender Stratocaster, modelo que popularizou e se tornou quase sua marca registrada, embora também usasse uma Gibson Flying V invocada.

Marshall era seu nome do meio e também a marca de amplificadores de alta potência que deram peso e saturação ao seu som único. Jimi explorou a microfonia nos palcos como ninguém fez igual até hoje, transformando um barulho indesejado numa nota a mais. Gostava da alavanca de tremolo da Fender e dos pedais Fuzz e Wah-Wah, que lhe permitiam entortar acordes sem perder a afinação. Amava a experimentação.

Seu equipamento de amplificação consistia geralmente de seis caixas Marshall 4x12, um monitor 4x12 e quatro amplificadores Marshall de 100 watts envenenados”, conta a Wikipedia: “O pessoal da técnica costumava ter dificuldades em manter seu equipamento funcionando em turnês porque ele ligava tudo no máximo, sobrecarregando muito além dos limites, e frequentemente atacava o equipamento.

C/ seu power trio The Jimi Hendrix Experience, lançou 3 obras-primas em 2 anos: ARE YOU EXPERIENCED? e AXIS: BOLD AS LOVE em ’67 e ELECTRIC LADYLAND em ’68. Mitch Mitchell na bateria, Noel Redding no baixo, JH nos vocais, guitarra e efeitos de estúdio – outra fronteira desbravada pelo descendente de índios & negros americanos. Foi um dos pioneiros na estereofonia. Em parceria c/ o engenheiro Roger Mayer, desenvolveu dispositivos de vibratos e simuladores eletrônicos de alto-falantes como a Axis Fusion Unit, o Octavia Octavia Doubler e o Uni-Vox Uni-Vibe.

Jimi dizia que até o som do ar assobiando no pára-quedas quando serviu o exército no Kentucky o inspirava a criar suas músicas.

ELECTRIC LADYLAND
Lembro-me de um homem muito acessível, com quem era prazeroso trabalhar. Era o contrário do artista explosivo no palco. Tinha um carisma indiscutível”, recorda-se o fotógrafo Gered Mankowitz, que retratou Hendrix em duas sessões no seu estúdio, em ’67. As fotos em P&B são as mais conhecidas do guitarrista, reproduzidas constantemente em coletâneas, relançamentos e matérias em revistas.

Jimi Hendrix é tão popular porque ele é a representação da fórmula sexo, drogas e rock’n’roll. Mas não estou tão certo se hoje ele teria esse status se ainda estivesse vivo. Como dizem, herói bom é herói morto”, diz Yazid Manou, curador da mostra The Experience - Jimi Hendrix in Mason’s Yard, que reúne na loja Renoma, em Paris, 70 das 120 imagens feitas por Mankowitz, além das extravagantes roupas mod do astro.

Jimi se ressentia por não ser tão reconhecido como compositor quanto era – e é – como instrumentista. Concordo c/ ele: tremenda injustiça. O negão deixou um legado de canções incríveis, ao ponto de Are You Experienced? ser considerado o melhor álbum de estréia de um artista na história do rock.

Seus dons quase sobrenaturais com a guitarra elétrica e seu controle hábil dos efeitos especiais nunca foram superados; seu jeito de tocar foi um abalo sísmico numa época em que músicos como Eric Clapton estavam no auge”, diz Mark Blacklock, ex-editor da revista Bizarre e criador da rádio pirata Negativland:

Na versão em  CD repaginada e remasterizada, lançada em 1997 e produzida sob a égide do engenheiro de som original Eddie Kramer, três singles (o cortante clássico acid Purple Haze, Hey Joe – seu primeiro sucesso, sexto lugar na parada britânica – e a terna The Wind Cries Mary) foram incluídos. São fatias da história do rock que não perderam o poder de excitar e fazer viajar. Mas não havia buracos no original.

O LP lançado primeiro no Reino Unido começava c/ Foxy Lady, um rock c/ letra safada e guitarras funkeadas; ficava pesado em Manic Depression, Love or Confusion e Fire; blues em Red House; melódico em May This Be Love; e psicodélico em Third Stone From The Sun e na faixa-título, que encerrava o disco: “Have you ever been experienced?/ Well, I have”...

BAND OF GYPSYS
Hendrix seguiu sua tour-de-force nos 2 discos que completam a trilogia do Experience. “Com a possível exceção do Cream, The Jimi Hendrix Experience era o melhor power trio do mundo. Enquanto sua fama como músicos e improvisadores extraordinários garantia ao grupo um enorme reconhecimento, a constante pressão para que fizessem turnês e gravassem discos depois do álbum de estréia fez com que Axis: Bold As Love fosse lançado às pressas, antes de estar realmente pronto”, escreve Joel McIver no livro 1001 DISCOS:

Apesar disso, não se discutem – mesmo passadas quatro décadas – as impetuosas e cintilantes canções do disco, o controle que Jimi e seus companheiros tinham das tecnologias de estúdio à sua disposição e a beleza lírica da guitarra de Hendrix. Spanish Castle Magic e sua melodia em espiral, a estrutura vai-e-volta de If 6 Was 9, a doce Castles Made of Sand [...] são os pontos altos do disco – mas a melhor música, para muitos, é a perturbadora Little Wing. Com sua mistura perfeita de guitarras principal e rítmica (as primeiras linhas melódicas da canção embaralham para sempre esses dois papéis), Little Wing é pura beleza e foi regravada várias vezes desde então por artistas como Sting e Metallica.”

ELECTRIC LADYLAND é o mais famoso, tanto pela capa quanto por ter se tornado o preferido dos soldados americanos no Vietnã. Álbum duplo, é também o mais politizado e, ao mesmo tempo, viajandão. Contém uma de suas baladas mais bonitas, The Burning Of The Midnight Lamp, flertes c/ funk e soul – Crosstown Traffic – , um blues de 15 minutos – Voodoo Chile – e a jazzística Rainy Day, Dream Away. Jimi era fã de Curtis Mayfield, mas c/ este disco acabou influenciando Miles Davis a compor Bitches Brew.

Ele montou a Band of Gypsys após o fim do Experience, e gravou mais de 300 músicas embora não tenha lançado nenhum outro disco oficial enquanto vivo. Somente de gravações originais, saíram 5 álbuns póstumos de ’70 a ’74: BAND OF GYPSYS, THE CRY OF LOVE, RAINBOW BRIDGE, WAR HEROES e LOOSE ENDS.

Nos anos 90 sua obra foi remasterizada e relançada em CD, além do duplo inédito BBC SESSIONS, c/ gravações ao vivo nos estúdios da melhor rádio do mundo: “Radio One/ You’re the number one/ For me”, cantava Jimi...

F IRST RAYS OF THE NEW RISING SUN
C/ a vitória na Califórnia, Kelly Slater volta a ser o número 1 do ranking, a 3 meses do fim da temporada.

Seu desempenho no último sábado foi uma prova da genialidade que o tem feito pairar acima dos demais nos últimos 20 anos – KS marcou as melhores médias do dia nas 4 fases que disputou: 17.10 na repescagem, 17.03 nas quartas-de-final, 15.87 nas semis e 18.13 na decisão.  

Como Hendrix, ele faz do instrumento uma extensão do próprio corpo p/ alcançar as notas mais altas.

Um dos prêmios do Hurley Pro é uma Fender Stratocaster.

Várias homenagens estão sendo feitas a Jimi p/ lembrar os 40 anos de sua morte. Além da exposição na França, a Sony está relançando os 3 álbuns do Experience e FIRST RAYS OF THE NEW RISING SUN, c/ material da Band of Gypsys.  

No início do ano foi lançado o disco de blues VALLEYS OF NEPTUNE, e também vai rolar um DVD c/ depoimentos de Noel, Mitch, Chas etc.; um livro c/ as fotos de Mankowitz; e uma caixa c/ 4 horas de música intitulada WEST COAST SEATTLE BOY - The Jimi Hendrix Anthology.

O apartamento em que viveu no bairro londrino de Notting Hill está aberto a visitação até o dia 26 [domingo]. O grupo Händel comprou o imóvel e pretende transformá-lo num museu. O hotel Cumberland grafitou as paredes de uma de suas suítes c/ retratos psicodélicos do herói da guitarra. A diária custa 399 libras.

Enquanto isso, Slater segue em sua última turnê. Sua vitória em Trestles teve impacto no surf semelhante ao de Hendrix tocando o hino nacional americano no festival de Woodstock. A etapa final do circuito no Havaí pode ser como o concerto de Jimi na ilha de Wight – a última chance de ver um mito ainda vivo. E se mexendo.

Every day in the week I'm in a different city/ If I stay too long people try to pull me down/ They talk about me like a dog/ Talk about the clothes I wear/ But they don't realise they're the one's/ Who's square/ Yeah/ And that’s why/ You can’t hold me down/ I don't want be tide down/ I got to move/ Stone free/ Do what I please/ Stone free to ride the breeze/ Stone free/ Baby I can't stay/ I got to got to got to get away/ Yeah”...

VOODOO CHILD [SLIGHTLY RETURN]
 
HENDRIX & SLATER: TOP OF THE POPS
JIMI NO INÍCIO, NA BANDA DE WILSON PICKETT...
...E NO AUGE, INDENDIANDO MONTEREY EM 67
 INGRESSO ORIGINAL DO FESTIVAL DE WOODSTOCK
KELLY SLATER C/ EDDIE VEDDER, DO PEARL JAM...
...E EM MAIS UM DIA DE TRABALHO, NO HAVAÍ
 JIMI HENDRIX EM SEU ÚLTIMO DIA NA TERRA


sábado, setembro 18, 2010

AÍ 
TEAHUPOO É UM ESPETÁCULO DE QUALQUER ÂNGULO
A.I. é a sigla p/ ‘inteligência artificial’ em inglês. Também são as iniciais de Andy Irons.

A expressão surgiu nos EUA dos anos 50, c/ o desenvolvimento de computadores auto-suficientes. Máquinas capazes de pensar por si próprias. Robôs.

Andy Irons nasceu no Havaí, final dos anos 70, e surgiu pro mundo do surf aos 20 anos, quando venceu duas etapas seguidas do circuito ASP e mais o título mundial pro-jr., em 1998.

Em 1955, o cientista John McCarthy definiu inteligência artificial como “sistemas que pensam e agem como um humano, racionalmente”. Essa tecnologia é utilizada hoje em jogos, planejamento estratégico, controles autônomos [como os computadores de bordo em aviões e carros], reconhecimento de linguagens e resolução de problemas [como procurar minas no Iraque, por exemplo]. A idéia de caras como McCarthy, Alan Turing, Allen Newell e outros daquela geração era “fazer a máquina comportar-se de tal forma que seja chamada inteligente caso fosse este o comportamento de um ser humano.

Os anos de 2002, 2003 e 2004 foram o auge da performance de A.I., a máquina de surfar. Doze vitórias em provas da 1ª divisão que lhe renderam 3 títulos mundiais consecutivos, todos em cima de seu arquirrival. “Eu surfo porque eu amo ganhar”, disse Andy semana passada após vencer pela 20ª vez no ASP Dream Tour. É o surfista mais vencedor em atividade no circuito mundial, c/ exceção do arquirrival – um careca que tem 42 vitórias, 9 títulos de campeão do mundo e é o vice-líder da atual temporada.

No livro Eu, Robô o escritor de ficção científica Isaac Asimov estabelece as 3 Leis da Robótica: “1º) Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal; 2º) Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a primeira lei; 3º) Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a primeira e segunda leis.

CORDILHEIRA DOS IRONS
As he lost his mind/ Can he see, or is he blind?Iron Man, Black Sabbath.

Se Andy Irons é mesmo um andróide, ele resolveu rasgar a cartilha dos robôs e se rebelar contra seu criador, como o monstro de Frankenstein ou o Exterminador do Futuro, e apontou sua mira p/ o sujeito que mais influenciou seu modo de surfar: Kelly Slater.  

Rutger Hauer contra Harrison Ford em Blade Runner. O final a gente já viu.

Quando Slater conquistou seus 7º e 8º títulos mundiais, em 2005 e 2006, Andy foi vice. Perder 2 anos seguidos p/ seu arquirrival não fez bem aos circuitos internos do replicante do Kauai, que ligou o piloto automático, caiu de produção e em perdição.

Suas vitórias no México em ‘06 e no Chile em ’07 só foram possíveis porque a ASP não faz exame anti-dopping. As histórias dizem que A.I. cheirou até a neve da Cordilheira dos Andes, contribuindo p/ o aquecimento global.

Nem o casamento c/ a linda Lindy conseguiu colocá-lo nos eixos. Menino mimado, boneco estragado.

Quando seu irmão mais novo Bruce deciciu abandonar prematuramente as competições p/ investir na carreira de free surfer, em 2008, Andy resolver também parar c/ as carreiras e saiu de cena p/ se desintoxicar. Foi um golpe duro p/ a ASP, que sempre lucrou c/ a presença dos irmãos Ferros no tour.

Nem aí p/ os dramas existenciais dos replicantes, Slater aproveitou p/ levar seu caneco.

MOSCA NO CHAMPANHE
Em 2009, K.S. e A.I. estrelaram o filme de surf A Fly In The Champagne, onde fazem as pazes surfando ondas perfeitas na Indonésia. “Durante minha infância Kelly Slater era meu herói. Depois virou uma espécie de inimigo, e hoje somos bons amigos. É uma relação meio maluca, mas bem legal”, diz Andy. De fã a inimigo... e depois amigo? Parece bem legal... pra um psicopata.

Todo mundo tem medo quando encara Kelly numa bateria, mas ele é só mais um humano”, explica o andróide. “Ele é um homem, nove vezes campeão do mundo, mas ele é apenas outro competidor e pode ter um dia ruim como qualquer um.” Essa declaração foi feita à revista Transworld Surf alguns dias após sua vitória no Billabong Pro Tahiti 2010, no início deste mês.

O Taiti é o paraíso tropical da Polinésia Francesa onde o célebre pintor francês Paul Gauguin se refugiou no fim do século XIX, quando o Impressionismo bombava na Europa. Lá ele atingiu o ápice de sua arte, pintando nativas seminuas e coloridas. Dizem que na real Gauguin fugiu da França após cortar a orelha do amigo Van Gogh numa briga de bêbados, mas de qualquer modo pintar taitianas de top less na praia é uma sacada de gênio, independente das circunstâncias.

Teahupoo, na ilha de Taiarapu, é uma bancada de coral em alto-mar onde a onda quebra como se caísse num precipício. A visão que se tem das montanhas a partir do line-up remete ao filme King Kong – filmado lá – o que só contribui p/ tornar as coisas ainda mais sinistras. Quando o swell entra a onda fica quadrada, o lip é dobrado é o único caminho é o tubo.

Andy Irons é mestre nessas condições. Venceu o 1º campeonato realizado lá, em ‘97, quando nem ele nem a prova faziam parte da elite. Venceu em 2002, ano do primeiro título. E venceu novamente há uma semana, após um trepidante início de ano nesta sua volta à cena.

IMENSIDÃO AZUL
O Deep Blue, da IBM, foi o primeiro computador a vencer um campeão de xadrez, o russo Gary Kasparov nos anos 90.

Ano passado eu estava acima do peso e não vinha surfando muito", diz Irons. "Passei 6 semanas na Austrália me preparando com o Wes Berg, treinador do Parko, mas não levei tão a sério quanto deveria. Quando eu perdi na Gold Coast sem surfar bem, resolvi dar um jeito e comecei a surfar todo dia. Meu ano só começou de verdade depois do Brasil.

Em 2010 o swell não entrou em T-poo, e ao contrário dos tubos abissais, o que se viu foi a nova geração voando por cima do reef – o líder do ranking Jordy Smith mandou um b/s superman e o estreante americano Patrick Gudauskas acertou um rodeo clown. Manobras impensáveis p/ aquela onda até pouco tempo atrás.

A.I., ao modo do brasileiro tuberider Bruno Santos em 2008, teve que se virar c/ o que tinha, e expremeu seus 1m83 nos tubinhos apertados p/ derrotar o atual bicampeão mundial Mick Fanning nas oitavas-de-final, o azarão Pat Gudauskas nas quartas, seu nemesis K.S. nas semis e o campeão mundial 2001 CJ Hobgood na decisão.

A mesma merda que eu cresci surfando”, falou ao repórter Justin Cote, da TWS, c/ a impáfia que lhe é usual: “Centenas de dias iguaizinhos a esse num pico secreto do Kauai. Era como se eu estivesse surfando em casa naquele dia.

Em Blade Runner, memórias falsas são implantadas nos replicantes p/ lhes emprestar individualidade. 

C/ a vitória em Teahupoo, Andy subiu da 18º p/ a 7º colocação na corrida pelo título mundial. C/ o 3º lugar, Slater assumiu a 2ª colocação e está a 250 pontos de distância de Jordy, o líder. Uma diferença mínima diante dos 30.000 pontos que os dois já alcançaram na temporada.

Estou chegando perto”, diz KS, o caçador de andróides: “A derrota em J-Bay me fez perder confiança e tempo em aviões. Mas é assim que é – você tem bons eventos e maus eventos. Este aqui foi bem legal. Nós vimos a garotada dando um passo à frente e Andy voltando com tudo.

Na versão sem cortes de Blade Runner, o diretor Ridley Scott deixa no ar a dúvida sobre as origens do herói da história. Seria ele também um replicante?

FERRO NA BONECA
 AS MULHERES DO TAITI SÃO DE BELEZA TAL...
...QUE INSPIRARAM O FRANCÊS PAUL GAUGUIN...
 
 ...A PINTAR AS SUAS OBRAS-PRIMAS
 DE VOLTA AO FUTURO...
 ...ANDY IRONS CURTE A VIBE DO LUGAR...
 ...E MINEIRINHO SE FIRMA ENTRE OS TOP 5
JORDY SMITH E PAT GUDAUSKAS PUXAM O NÍVEL...
...E APROVEITAM P/ SE EXIBIR P/ AS GATAS NO CANAL
ESSE GAUGUIN NÃO ERA BOBO, NÃO...