segunda-feira, janeiro 10, 2011

AI CARAMBA  

"DISSERAM QUE ELA NÃO VINHA, OLHA A AMY AÍ"...
R$ 13 milhões, o equivalente a 5 milhões de libras, é quanto Amy Winehouse receberá por seus 5 shows no Brasil. O primeiro já rolou, sábado em Floripa, e foi amplamente divulgado pela mídia, cujas lentes não saem do foco da cantora desde que ela chegou ao país.

Trajando vestido cor de salmão com busto branco, Amy já entra em cena cuspindo os restos de uma goma de mascar no fosso entre palco e platéia”, escreveu o jornal O Estado de S. Paulo. O show dividiu opiniões. “Acho que ela tá enrolando a gente”, reclamava uma fã diante dos lapsos de memória e do pouco tempo da apresentação: “Nem dá vontade de pedir pra ela voltar!

Acompanhada de 9 músicos, Amy sacou logo de cara o reggae Just Friends, depois Shimmy Shimmy Ko Ko Bop, um som dos anos 50 de Little Anthony & The Imperials. O show seguiu bem c/ Back to Black, Tears Dry on Their Own e Boulevard of Broken Dreams, até nossa cantora favorita começar a surtar de leve. Deixa o palco e o backin’ Zalon Thompson tem que assumir o controle da situação, levando duas canções sozinho.

Winehouse volta, dança c/ a banda – que a essa altura já está enrolando c/ improvisos jazz-fusion – senta do lado do batera e decide fazer valer seu cachê. Manda You Know I’m No Good [um recado p/ a platéia que pagou até $700 num ingresso e os produtores que a contrataram mesmo sabendo que ela é], Me and Mr. Jones. Daí sai de cena de novo, Thompson grita “Thank you, Floripa!” e é isso. O povo fica em silêncio, alguns começam a aplaudir e assobiar, outros a protestar.

O roadie entra, afina o baixo, sai. Tensão no ar. Então a bandida volta e detona c/ I’m Wondering Now, cover da clássica banda de ska The Specials. E termina o bis c/ Valerie, “que provoca nova histeria e maioria dos fãs canta junto com ela e vai para casa com a ilusão de um grande show”, arrematou c/ toda a ironia o repórter do Estadão. Se eu estivesse do lado dele, diria: “Take it easy, my brother Charles!

O show em Floripa marcou a volta de Amy aos palcos após quase 2 anos de ausência – sua última apresentação tinha sido no Caribe em maio de 2009. Como diria Raul [que Winehouse nunca tocou, mas já ‘chamou’ muito], você devia estar contente porque tem um emprego e estava asssistindo Amy Winehouse em Floripa. Eu estou desempregado e essa hora estava assistindo Patrícia Polayne em Laranjeiras. O mundo não é nada justo.

A Amy é superchapada, e consequentemente sequelada – pagou peitão na sacada do Hotel Santa Tereza [sua casa no Brasa] quinta-feira e sexta exibia um hematoma na perna direita. A doida apronta, e pronto! Só o fato dela aparecer p/ cantar já merece ser comemorado. E se ela esquecer a letra ou sair do palco, faz parte do seu show. É o preço a se pagar por Winehouse.

Hoje ela faz o primeiro de 2 shows no Rio [10 e 11], em seguida Recife [13] e São Paulo [15]. Depois do Brasil, Dubai nos Esmirados Árabes, onde se apresenta dia 11 de fevereiro. “O Brasil quer se posicionar como o principal palco para shows e está atraindo vários artistas top”, disse o tablóide inglês The Sun: “Paul McCartney, Beyoncé, Bon Jovi e Coldplay já abocanharam seus pedaços do bolo.

Vai Amy, ser 'gauche' na vida!

..."E COMO JÁ DIZIA GALILEU DA GALILÉIA"...
 ..."MALANDRO QUE É MALANDRO NÃO BOBEIA"...
 ..."SE MALANDRO SOUBESSE COMO É BOM SER HONESTO"...
 ..."SERIA HONESTO SÓ DE MALANDRAGEM, CARAMBA"...
 ...A LETRA É DO JORGE, MAS ESSA AÍ É A JANELLE

Winehouse tocou por apenas uma hora. Mas quem teve pouco tempo p/ mostrar todo seu talento foi Janelle Monáe, performer americana que lembra a Grace Jones e lançou um dos álbuns mais elogiados de 2010, THE ARCHANDROID, segundo trabalho temático dessa negra maluca depois de METROPOLIS, de 2008 [referência explícita ao filme do alemão Fritz Lang]. Produzido por Big Boi do Outkast, o disco conta a história de Cindi Mayweather, andróide que se apaixona por um ser humano e precisa fugir da polícia num sistema semelhante a 1984 [de George Orwell].

Janelle abriu o show de Amy – e assim será durante toda a tour brasileira – mas ao contrário do sem-graça Mayer Hawthorne, a negona do Missouri empolgou as 12 mil pessoas que compareceram sábado no Summer Soul Festival. Em apenas 40 minutos, mostrou sua mistura de soul a la James Brown c/ o afrofuturismo de Sun Ra, Funkadelic e Afrika Bambaataa. Tem uma puta voz e também é bailarina, se veste de homem e usa um topete gigante que só perde pro coque da Amy.

Assim que chegou no Brasil, quinta, conversou c/ Roberto Nascimento do Estadão sobre “topetes, robôs e soul music”:

ESTADÃO - The Archandroid tem narrativa de amor e libertação. Como você se relaciona pessoalmente com essa história?

JANELLE MONÁE - A protagonista Cindi une as pessoas. A história dela e dos andróides é igual à de muitas pessoas. 

E - E os andróides são uma metáfora para quê?

JM - Quem disse que eles são uma metáfora? Há andróides por toda parte. Logo eles serão programados para reagir emocionalmente como humanos. Não conseguiremos diferenciá-los. Então, a pergunta que faço é como nos comportaremos quando estivermos tão integrados. 

E - A miscelânea coerente de gêneros é o grande trunfo do disco. Como surgiu a idéia de um disco tão variado?

JM - É o trabalho de um mágico.

E - E a colaboração de Big Boi, que sempre teve uma paleta variada em suas produções, não teve nada a ver com isso?

JM - Você está insinuando que há alguém me dando ordens? 

E - Não. Quero saber como se dá o processo criativo de um resultado musical tão interessante.

JM - Eu vou aonde quero. Não estou confinada a nenhum gênero. Minha música tem essa flexibilidade, essa agilidade. 

E - E como você se encaixa nesse soul revival do qual faz parte não só Amy Winehouse, que encabeça o festival, mas também Sharon Jones, Budos Band e outros?

JM - Eu não me encaixo. Não posso falar sobre outros atistas, mas também não acho que estão tentando recriar algo.

E - Você vem de um bairro de classe média de Kansas City e seu pai teve problemas com drogas durante sua infância. Como isso influenciou o rumo de sua carreira?

JM - Isso me fez querer ser as drogas, causar o efeito entorpecente que elas causam.

por VIVA LA BRASA + ESTADÃO
fotos dos shows: Orlando Oliveira/ FAMOSIDADES

2 comentários:

A wild blumen disse...

Pelo jeito só pela Janelle não pediram o dinheiro de volta. Quantas pessoas com voz, talento e originalidade melhores que a Amy temos aqui e nunca vão sair dos barzinhos cover graças à misoginia do povo brasileiro?

Viva La Brasa disse...

Se tiver uma que faça músicas do naipe das que Amy faz, tá valendo.