quinta-feira, janeiro 20, 2011

ELLEN ROCK
THE BLACK KEYS
 
Ellen Roche é o tipo de mulher que qualquer homem gostaria de conhecer: linda, loira & gostosa, c/ peitos grandes, cintura fina e quadris largos, olhos azuis… ou seriam verdes? Hmm, nunca reparei muito nos olhos. Bom, a Roche eu não conheço. Mas sou amigo da Ellen Rocha.

Formada em rádio & televisão e ex-roteirista da Aperipê TV, Ellen está fazendo mestrado nos EUA em Mass Comunication and Media Arts - Professional Media and Media Management na cidade universitária de Carbondale, Illinois, onde também trabalha escrevendo roteiros na WSIU-TV. Apreciadora dos bons sons, na virada do ano ela encarou uma longa viagem de trem e o frio do inverno no hemisfério norte só p/ ver um show do Black Keys – banda que desbancou o White Stripes do posto de melhor duo de blues-punk do mundo. De quebra, ainda assistiu um show dos Greenhornes, que abriram a noite.

Amanhã é meu aniversário, e de presente compartilho c/ vocês a inspirada crônica que minha amiga mandou sobre seus 4 dias em Chicago entre 2010 e 2011. Morena bonita de Aracaju, Ellen ‘Rock’ é tão charmosa quanto sua xará famosa. E mais inteligente. Afinal, ela não é loira.
THAT GUY FROM THAT BAND por Ellen Rocha

"Viajar de madrugada ou muito cedo – sete e meia da manhã é muito cedo pra mim, só pra registrar – é sinônimo de nunca conseguir dormir. Três da manhã do dia 30/12/2010, eu ainda estava acordada, pintando as unhas de vermelho e, claro, borrando tudo, pra dar mais emoção. Os dias aqui tem amanhecido bem tarde, por conta do inverno, então, se eu quisesse chegar a tempo na estação de trem, eu teria que sair de casa, no máximo, às sete. Cidade pequena, Carbondale é basicamente universitária, e morando no Arbor District, bem perto de tudo inclusive da estação, que me faz ouvir cada trem que chega eu saí correndo, lá pelas seis e cinquenta, sempre me sentindo culpada por alguma forma de atraso, mas ainda assim aproveitando os primeiros sinais de claridade, arrastando uma mala de quase 7 quilos, pra passar quatro dias (não me julguem).

Os trens são bem confortáveis, até pra mim, que sou relativamente alta ou, pra especificar, tenho pernas longas. A viagem é bem tranquila, passando por umas cidadezinhas tão pequenas, que eu diria que devem ter, no máximo, uns  5 mil habitantes ou menos. Em alguns lugares, ainda tava bem branquinho, mas foi um ano novo sem neve, pelo menos nessa parte do Midwest. Chicago fica no sentido norte de Illinois, e Carbondale no extremo sul, a apenas 2 horas de Saint Louis, no Missouri. Mesmo assim, a viagem não é longa e, em 5 horas e meia, Chicago já aparece, cheia de graça e frio, claro.
A primeira vez que eu estive em Chicago foi em outubro do ano passado, quando fui ao show de Belle and Sebastian, que eu me dei de presente de aniversário. O show foi no Chicago Theatre, com um setlist que parecia de reunion show, com músicas que iam do primeiro Tigermilk (1996) até o último disco – Write About Love (2010). Ultimamente, tenho viajado mais por shows do que por qualquer outra coisa. Mas, dessa vez, além de um show pra ir, eu ia encontrar duas amigas de Aracaju, que também moram aqui nos Estados Unidos. Planejada desde o fim de setembro, a viagem tinha tudo pra ser boa, porque um dos motivos principais era o show dos Black Keys. Roteiros turísticos? Não me interesso muito, sinceramente, ou não estava muito inclinada para fazê-los, talvez porque moro perto, e Chicago vai ser minha rota muitas vezes por esses 2 anos em que vou ficar por aqui. Na verdade, o que eu gosto mesmo é de andar pela cidade, pra ter uma memória visual dos caminhos que eu vou pegar: questão de sobrevivência. Curto muito conhecer os bares da cidade, não que museus e a arquitetura não sejam importantes e eu não goste de apreciá-los, mas acho que esse parágrafo já tá grande demais pra eu ficar me justificando. 
(TÁ, EU FUI EM UM PONTO TURÍSTICO)
Daí que eu vou pular os dois primeiros dias de Chicago e a festa de ano novo, porque o que mais interessa tá no fatídico 01/01/2011. A saga começou às cinco e meia da tarde, quando a gente chegou na fila do show, que mais parecia uma fila de venda de drogas, quase um after Christmas sale, numa ruazinha estreita ao lado do Aragon Ballroom, o lugar no qual o show ia acontecer. AInda tinha pouca gente na fila, mas as portas só abriam às 7, e digo que quase desisti de ficar esperando lá, porque tava um frio de -12 graus, com aquele ventinho delicado de Chicago, conhecida  como ‘the Windy City’. Juro que não tava mais sentindo os dedos dos pés, mas olho pro lado e me deparo com um casal sentado e coberto com um edredon é a vida me mandando um 'como se comportar em filas de show no inverno - versão para dummies'. E tava tão frio, mas tão frio, que eu e as meninas lembramos da tática dos pinguins, e ficamos em um círculo, compartilhando o calor humano, porque não tava fácil. Atrás da gente, na fila, havia um casal de nativos que tava morrendo de frio, e a nossa angelical bondade nos fez convidá-los pro círculo. Resultado: fazendo pinguinzinho com desconhecidos.
As portas abriram e a gente conseguiu pegar um lugar muito bom, de frente pro palco. Aqui não tem muito isso de furar bloqueio pra ir pra frente, e todo mundo olha muito feio se fizerem isso. Esse fato me privou de comprar cerveja, o que foi compensado pelo show muito bom dos Greenhornes, dos quais eu nunca tinha ouvido falar. De Cincinnati, Ohio, mesmo estado dos Black Keys, Craig Fox (vocal/guitarra) e Jack Lawrence (baixo) tocam com o baterista Patrick Keeler na frente, que é bem enérgico e dá a presença de palco da banda. Começaram em 1996, são muito bons e, inclusive, tô com música no repeat. Já lançaram quatro álbuns de estúdio - Gun For You (1999), The Greenhornes (2001), Dual Mono (2002) e Four Stars (2010). Podem começar pelo começo, mas se tiverem na dúvida, pulem logo pra 'Better Off Without You', scrobbled pelo meu last.fm mais ou menos umas 120 vezes, até a hora que eu tava escrevendo esse texto, e 'Song 13'.


Sem aperto, foi bem tranquilo curtir os dois shows. Eu ainda tinha a vantagem de me encostar em um treco que ficava na frente, só assim minha coluna não doía (ter 23 anos não tá fácil pra ninguém). Lá pelas nove e vinte e três, o host do Aragon Ballroom entrou no palco pra dar feliz 2011 pra todo mundo que ainda parecia estar de ressaca e anunciar o terceiro show dos Black Keys. Isso mesmo, esse foi o último show de três; dois que foram aparecendo porque o único, que seria no dia 31/12, esgotou em setembro. Lembro que ia comprar pra esse, mas já tava esgotado, vi na coluna direita do Facebook a iminência de abrirem o do dia 01/01, com as vendas previstas pra algum dia do fim de setembro, começando às 10 da manhã de um sábado, que eu acordei só pra isso. Esse também esgotou, daí colocaram mais outro show pra 30/12. Não sei porquê, mas sempre tenho a impressão que o último show é sempre o melhor, mesmo sem ver os primeiros. Deve ser algum tipo de compensação mental minha. Próximo parágrafo, por favor.
Formados em 2001, em Akron, Ohio, os Black Keys são só dois desde o começo, em 2001. A dupla de blues-rock, composta por Dan Auerbach (vocal/guitarra) e Patrick Carney (bateria), já lançou oito discos até 2010, e abriram o show com Thickfreakness’, do disco homônimo. Sei que foi só pra esquentar junto com ‘Busted’, pra só assim mandarem ‘10 A.M. Automatic’, uma das músicas que vocês podem achar mais referências, já que foi trilha de game, série, e comercial. Nessa parte do show, são só o Auerbach e o Carney, mas quando o bloco de músicas do disco mais recente – Brothers (2010) começa, dois músicos de apoio, um baixista e um tecladista, entram pra agregar mais peso, o que de fato eles nem precisam, porque os dois são muito bons sozinhos.

Os pontos altos foram ‘Tighten Up’, ‘Howlin’ for You’ e, claro, o encore. Eles terminaram com ‘Stack Shot Billy’, música do Rubber Factory, disco de 2004, e deram aquele tchau safado que toda banda dá, só pra ouvir adulação de fã. E que adulação bonita, porque a galera tava batendo os pés no chão numa coisa bem OLA sonora – o barulho começava lá atrás, e vinha até a frente. Isso deve ter durado uns 5 minutos, e lá vem o Auerbach achando tudo lindo, e o Carney naquela concentração pra mandar ‘Sinister Kid’ e, pra terminar bonito, o solinho de ‘Your Touch’, do Magic Potion (2006), fez o Aragon Ballroom ecoar de tantos gritos que eu traduzi, em minha cabeça, como: eu queria essa música mesmo, porra!.  

Sempre fico muito feliz depois de shows e sim, se eu gosto mesmo, é capaz de eu falar por um mês dele. Pra fechar o combo, uma das meninas, Dinah, encontrou, por acaso, o vocalista Dan Auerbach enquanto ela tava voltando pra Massachusetts, domingo, no aeroporto. Aqui vai um trecho do momento, narrado por ela mesma:
'Daí olho de novo e: opa, essa COR DE CABELO não me é estranha... Ele tava mexendo no celular, cabeça baixa…continuo olhando, ele olha pra cima e: OXEEEEEEEEEEEE, O CARA DO BLAQUIQUISSSSSSSS!!!!!!!!!!!!!...e que cara de acabado! A after party deve ter sido massa! ( " ) Ligo pra vcs! Depois que vcs me encorajam, ele fica do meu lado na fila, aí eu soltei a PÉROLA:
- excuse me
- :)
- are you... :)
- :)
- THAT guy, from THAT band?
Hahahahahahahahaha! Por que porra eu não falei o nome dele logo, né? Mas eu pensei na minha cabeça que ele era tipo, sei lá, Paul Macca, e se eu falasse o nome dele milhares de fãs iriam invadir a fila, atacar e sumir com o coitado. No fim, eu só pareci idiota.
- ;)
- Oh, wow. Can I have a picture with you after security?
- Sure!
Passei pela segurança. Ele também. Só que minha fila demorou mais que a dele. Aí, quando eu saí, ele tava me esperando!
- Hi! So can I have your autograph first? I have a friend who’s a huge fan of your band, and like you, he’s in a duo band, and they’re awesome!
- Sure! What’s his name?
- Julico. J U U L I C O.
Eu falei 2 Us, e ele anotou os 2.
- Where are you from?
- Brazil. When are you playing over there?
- I don’t know. I don’t even know if our records are sold in Brazil.
- Well, people love BK in Brazil. Are you in a hurry? Do you have time for a picture?
- You want my picture or a picture with me?
- With you.
Tiro a camera, e minha mão tá tremendo.
- I’m nervous!
Tiro 2 fotos que saíram péééssimas, borradas!
- Thank you!
- Nice to meet you!
- Nice to meet you too! Bye!
Velho, foi basicamente isso. Eu ainda falei que a gente tava no show ontem e que tinha sido foda, falei que tinha visto o show deles em Boston, no verão…e sei lá mais o que eu falei. Só sei que eu tava nervosa pra caralho! Não fui cool nem nada, fiquei nervosa e, sério, não parei de falar.'
Domingo foi o head back home, cansaço, atraso, mas vontade de fazer tudo de novo: ficar com frio, fazer pinguim na fila, querer que o ano novo volte, e até não conseguir tomar cerveja no show. Pra quem ainda não conhece a banda, vale seguir o set list, e confirmar o que o Dan Auerbach declarou na SPIN de setembro do ano passado: 'We make music for hipster strippers'."

The Black Keys - The Aragon Ballroom (Chicago, 01/01/2011)
1. Thickfreakness
2. Busted
3. 10 A.M. Automatic
4. Girl Is On My Mind
5. The Breaks
6. She’s Long Gone
7. Everlasthing Light
8. Next Girl
9. Tighten Up
10. Howlin’ For You
11. I Got Mine
12. I’ll Be Your Man
13. Strange Times
14. Ten Cent Pistol
15. Stack Shot Billy
16. Sinister Kid
17. Your Touch

vale citar que ELLEN roteirizou sua crônica, indicando onde inserir as imagens e os videos, além de enviar as fotos que ela e sua amiga Dinah Nascimento  tiraram na viagem, e o retrato que a fotógrafa profissional Ana Paula Maia fez dela ELLEN, you ROCK

2 comentários:

Maicon Rodrigues disse...

Great!!!

Black Keys é genial. Pra mim, de todos esse duos que pintaram na ultima década, Black Keys é de longe a melhor, mas nao gosto de pensar na coisa como uma competiçao, por isso nao encaro como se eles tivessem desbancado White Stripes, no meu caso é so uma questao de gosto mesmo. Eu vejo que sao bandas bem diferentes apesar do formato.

O White Sripes tem um apelo pop mais acentuado, e Jack White é uma Hitmaker com todos os seus projetos e tal, eu gosto mais dos projetos paralelos dele do que o Wite Stripes. E por falar nisso fiquei feliz em saber que os Greenhornes voltaram mesmo a ativa e gravaram mais um disco como haviam prometido os intetgrantes do Greenhornes que tocam com o Jack no Raconteurs heheheh

Pensando bem, nao sei se gosto mais do Black Keys ou Greenhornes

hahahahah

Belo post.

Viva La Brasa disse...

tb não vejo como competição, gosto de todas essas bandas, jack white é genial; foi só uma frase de efeito.