quinta-feira, janeiro 06, 2011

KIKA

UMA CANTORA C/ O W MAIÚSCULO

...“Yes, I’ve been black, but when I come back/ You’ll know-know-know”...

A melhor – e mais bagaceira – cantora dos nossos tempos está no Brasil. A esta altura, não precisa nem ser fã de Amy Winehouse p/ saber disso. Hospedada em Santa Tereza, a sensação da música inglesa dos anos 2000 fará do Rio de Janeiro a base p/ suas 5 apresentações no país a partir de sábado. Será a principal atração do Summer Soul, festival que acontece em Florianópolis, Recife e São Paulo, e fecha a conta c/ 2 shows no Rio.

E ‘fechar a conta’ aqui não é figura de linguagem. Autora dos melhores álbuns de soul music da década, Amy passou os últimos 2 ou 3 anos chamando mais atenção por seu visual, digamos, ‘alternativo’ de pin-up de esquina dos anos 40 – coque tosco, tatuagens baratas, maquiagem carregada, shortinho e sapatilha p/ sair na rua – e principalmente pela sua incrível capacidade de armar barraco e se foder no final: agrediu fã, freqüentou julgamentos, presa duas vezes, casou c/ um vagabundo, filmada fumando crack, fotografada dormindo na praça, emagreceu até ficar pele e osso, alcoólatra, enfisema pulmonar antes dos 30, internada em hospitais e clínicas, demitida de filme, acusada de racismo, malquista pelos vizinhos, faltando a shows, silicone nos peitos, overdose. Um prato cheio p/ os abutres da mídia.

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Quero ter 3 filhos e lançar 5 álbuns!

Mesmo em sua fase mais sinistra, circa 2008, quando foi impedida de entrar nos Estados Unidos p/ se apresentar no Grammy, Amy venceu 5 das 6 categorias a que concorreu, entre elas gravação, canção e disco do ano – BACK TO BLACK, a obra-prima produzida por Mark Ronson que traz o hit Rehab, no qual ela diz que nem a pau vai se internar p/ desintoxicação. Lançado em 2006, o álbum emplacou 5 faixas no 1º lugar das paradas do Brasil, Inglaterra, Irlanda, Itália, Alemanha, Holanda, Chile, Austrália e Nova Zelândia; e vendeu 32 milhões de cópias ao redor do mundo. Isso em plena era do free download de MP3.

Durante entrevista à revista Rolling Stone, mostrou sem querer fotos em que aparece fazendo sexo c/ Blaker Fielder-Civil, ao abrir o álbum de casamento. Sem noção. E não adiantou ela espernear e gritar “No-No-No!”... Depois de socar um incauto que lhe atirou uma garrafa plástica em Glastonbury, a intervenção rolou. O estopim foi sua memorável performance no Rock In Rio Lisboa. Rouca, trocando as pernas, c/ um hematoma no pescoço e uma atadura na mão, mal conseguia segurar o microfone e quase caiu do salto em Wake Up Alone. Acompanhada por 6 músicos e 2 vocalistas, cantou 10 músicas em 50 minutos. Bom, pelo menos ela teve a dignidade de não vomitar no palco – o que já rolou – e ainda pediu desculpa ao público pelo atraso de 40 minutos que encurtou seu show.

Montou sua 1ª bandinha aos 10 anos, Sweet & Sour, “uma espécie de Salt’n’Pepa de judias brancas”. Ganhou seu 1º violão aos 13 e desde os 16 cantava na noite, em barzinhos, quando foi descoberta por Darcus Breeze da Island Records, que ouviu uma demo e quis saber quem era “a garota c/ voz de jazz e blues”. Tinha 20 anos quando FRANK, seu álbum de estréia produzido por Saalam Remi, foi lançado em 2003. Logo de cara a menina já dizia a que veio. Na faixa de abertura, Stronger Than Me, ela pergunta ao namorado chorão: “I always have to confort you every day/ But that’s what I need you to do? Are you gay?” Hahahah! Em You Sent Me Flying ela fala de um fora que recebeu de modo extremamente poético: “His message was brutal but the delivery was kind”... E na 3ª da lista, Fuck Me Pumps, ela zoa as ‘groupies’ que estão sempre colando na ‘night’:

When you walk in the bar/ And you dressed like a star/ Rockin’ your F me pumps/ And the men notice you/ With your Gucci bag crew/ Can’t tell who he’s lookin’ to/ Cuz you all look the same/ Everyone knows your name/ And that’s you whole claim at fame/ [...] Don’t me mad at me/ Cuz your brushing thirty/ And your old tricks no longer work.” 20 anos, porra!

Se em FRANK ela cantava como a Sarah Vaugan, em BACK TO BLACK ela reencarnou Billie Holliday – do timbre de voz ao ‘lifestyle’, tudo adaptado aos anos 2000. “What kind of fuckery is this?/ You made me miss the Slick Rick gig”, perguntava a ninfeta quase esperta de 23 a um vacilão em Me & Mr.Jones. O disco segue agridoce c/ canções como Just Friends, Back To Black, Tears Dry On Their Own e a linda Love Is a Losing Game. Em You Know I’m No Good ela abre o jogo: “I cheated myself/ Like I knew I would/ I told you I was trouble/ You know that I’m no good”...

A música de Amy te pega pela alma”, diz o cantor negão americano Akon, que a conheceu durante as gravações de Q SOUL BOSSA NOSTRA, coletânea em homenagem a Quincy Jones, lendário produtor que a considera “uma cantora de outro planeta”. Amy regravou It’s My Party. “Apesar de haver todas essas notícias as pessoas ainda compram o álbum dela, e eu não acho que estão comprando por causa do noticiário negativo”, diz Maurice Bernstein, da Giant Step, empresa responsável pelo marketing de BTB nos EUA: “As pessoas compram porque gostam da música.

Em 2009 fundou seu selo Lioness Records [nome que vem de um colar que ganhou da avó] e lançou o disco de estréia de Dionne Bromfield. Em seguida, passou 8 meses num esquema de ‘rehab’ na ilha de Santa Lúcia, no Caribe, onde compôs algumas músicas p/ o próximo álbum e voltou a aprontar geral na balada. “Ela rouba drinks dos hóspedes e sai correndo, como um esquilo c/ uma noz”, disse um funcionário do hotel em que estava. Certa noite, foi flagrada na cama c/ uma garota – pela namorada dela. A história saiu no tablóide The Mirror, que publicou o twitter da lésbica traída: “They tried to make me go to ménage/ But I said no-no-no!

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It’s never safe for us even in the evening/ ‘cos I’ve been drinking/ Not in the morning where your shit words/ It’s always dangerous when everybody’s sleeping”...

Winehouse tem pin-ups tatuadas nos dois braços, mais um pássaro no direito c/ as palavras “Never Clip My Wings[nunca amarre minhas asas] e uma ferradura c/ a frase “Daddy’s Girl[menina do papai] no esquerdo; uma pena nesse antebraço; um raio e mais uma pin-up no antebraço direito; uma âncora na barriga c/ um “Hello Saylor[olá marinheiro] e um bolso no seio esquerdo escrito “Blake’s[propriedade do Blake]. Mina estilosa. Bagaceira, mas estilosa.

Separada do mala BFC e namorando o careta Reg Travis, desconhecido diretor de cinema que tem segurando bem sua onda, Amy há 1 ano vem tentando juntar os caquinhos. Nesta terça-feira o backing vocal Heshima Thompson divulgou na internet fotos dela ensaiando c/ a banda. “Ótimo ensaio e voz. Mal posso esperar pelo Brasil”, tuitou Heshima.

Os fãs brasileiros [1 milhão de consumidores somente do 2º disco] também mal podem esperar – há ingressos de até R$ 600, que dobrarão de preço na mão dos cambitas. Amy se hospedou c/ o pseudônimo de Kika, mas o segredo não durou muito. Até agora ela parece tranqüila c/ o assédio, e passou seus 2 primeiros dias no Brasil tomando banho de piscina e acenando p/ o público da varanda. Baladeira profissional, recusou o Copacabana Palace p/ ficar num morro no alto da Lapa, o bairro mais boêmio do RJ.

Há quem tema uma recaída e por isso foram estipuladas multas milionárias caso enfie o pé na jaca e falte a algum compromisso. Por mim ela pode fazer a merda que quiser, desde que continue cantando maravilhosamente e gravando discos geniais como FRANK e BACK TO BLACK. Mas também, esperar o quê de uma mulher que tem vinho até no nome?

SWEET'N'SOUR
A AMY JÁ FOI GATINHA, DÁ P/ ACREDITAR?
ANTES E DEPOIS DA FAMA
VAI UM PEGUINHA AÍ?
CACHAÇA! CAIPIRINHA!
PASSAGEM DE SOM EM 2008
APÓS MAIS UMA BRIGA C/ O EX
"EU DORMI NA PRAÇAAA"...
C/ UMA AMIGA NO CARIBE
RECAÍDA DURANTE A 'REHAB'
ENSAIO ANTES DO BRASIL
CURTINDO O VISUAL DE SANTA TEREZA
WINEHOUSE NO NORDESTE, SURREAL





Um comentário:

Viva La Brasa disse...

Não demorou 2 dias pra Amy começar a aprontar...
Ontem pagou peitinho na sacada do hotel:
http://fotos.territorioeldorado.limao.com.br/galeria,3819,128702
Gostosa! Heheheh...