quinta-feira, janeiro 27, 2011

PIORES EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS
 
Premiação de melhores do ano tem aos montes, de todo tipo: funcionário do McDonalds a prêmio Nobel da paz. Escolher os piores do ano já não é tão comum, menos ainda se a votação for p/ valer. The Public Eye Awards é realizado há 7 anos pelos grupos Berne Declaration e Pro Natura, como alternativa ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. 

Patrocinado pelo Greenpeace, o Public Eye Awards escolhe anualmente as empresas mais irresponsáveis do mundo, as que têm menos compromisso c/ o fator humano ou os direitos do trabalhador e as que mais agridem o meio-ambiente. “Trabalhadores e comunidades em todo o mundo devem ser capazes de salvaguardar os direitos básicos de saúde e padrões de segurança no trabalho, de salários e de não serem dilapidados sem uma compensação adequada”, diz a economista inglesa Noreena Hertz: “Não se deve permitir que as corporações multinacionais infrinjam esses direitos, onde quer que elas operem.

O Greenpeace é a mais famosa organização não-governamental do mundo, sediada na Holanda c/ escritórios em 42 países – entre eles o Brasil. Combativos ao extremo, os ativistas ecológicos da entidade costumam protagonizar cenas cinematográficas, enfrentando navios baleeiros c/ botes de borracha e coisas do tipo. “A organização busca sensibilizar a opinião pública através de atos, publicidades e outros meios. Sua atuação é baseada nos pilares filosófico-morais da desobediência civil e tem como princípio básico o testemunho presencial e a ação direta.” Mais que ecochatos, eles são ecopunks.  Entre suas vitórias está o fim dos testes nucleares no Alaska e no Pacífico Sul.

Empresas gigantes como Shell, Disney e Wal-Mart tiveram a desonra de receber o troféu. Ano passado, uma das finalistas foi a companhia belga-francesa GDF Suez, que detém 50,1% do consórcio ESBR [Energia Sustentável do Brasil S/A], responsável pela construção da usina Jirau em Rondônia, que começará a funcionar daqui a 2 anos e poderá contaminar o Rio Madeira c/ mercúrio. “Milhares de indígenas moradores da região serão retirados à força de suas casas e extensas áreas de florestas serão devastadas”, analisou a comissão que indicou a GDF ao prêmio: “A perda de espécies de peixes e o aumento da ocorrência da malária são quase garantidos.

Mas o Greenpeace, o Pro Natura e o 'Declaração de Berna' apenas indicam os concorrentes e realizam a festa de premiação. Quem escolhe somos nós. Antes de perder tempo no Twitter, no Orkut ou no Facebook, entre no site do Public Eye Awards, escolha a pior empresa do ano e torça p/ ela ganhar. Ou, no caso, perder. Elas merecem...
Conheça os 6 indicados de 2011:

ANGLOGOLD ASHANTI
O consórcio AngloGold Ashanti está destruindo os rios de Gana com seus projetos de mineração de ouro. Os rios secam ou morrem. Inúmeras violações dos direitos humanos também têm sido documentadas em conexão com o projeto. Casos de tortura pela guarda privada da companhia de suspeitos de crimes que só depois são entregues à polícia. Às vezes eles soltam os cachorros nas pessoas – fatalidades têm ocorrido.

AXPO
Axpo, uma prestadora de serviço público da Suíça, compra urânio da cidade russa de Mayak e mantém essa prática secreta há anos. Mayak é o segundo lugar c/ mais contaminação radiativa no mundo, depois de Chernobyl. O rio local e o sistema de esgoto são contaminados pelo chorume radiativo que vaza das fábricas. As estatísticas de câncer na população local está acima da média mundial. Muitas crianças nascem com sérias deficiências.

BRITISH PETROLEUM
Uma plataforma de extração de petróleo em águas profundas da BP, a companhia britânica de energia, explodiu no Golfo do México. Onze pessoas morreram e 800 milhões de litros de óleo se espalharam no mar. Depois da queima dos campos de petróleo de Saddam Hussein no Kuwait, esse foi o maior desastre ambiental provocado por óleo. Os efeitos a longo prazo só podem ser estimados, mas é certo que o acidente afetará a cadeia alimentar da região nas próximas décadas. Enquanto isso, a BP está migrando para mais um negócio sujo: extração de alcatrão nas florestas canadenses.

FOXCONN
A empresa taiwanesa de manufatura de eletrônicos Foxconn produz equipamentos de ponta para marcas como Apple e Dell. Por causa do controle militarizado nas dependências chinesas da companhia, ano passado 18 empregados tentaram o suicídio durante o expediente. A Foxconn paga salários miseráveis e demanda uma extraordinária disposição por parte do funcionário para realizar hora extra. Ao mesmo tempo, os trabalhadores são rigorosamente controlados durante e depois do trabalho. Eles são revistados até quando vão ao banheiro.

NESTE OIL
Para o Conselho Internacional de Energia, o biodiesel feito de palmeira pela Neste Oil é um combustível sustentável. Mas a crescente demanda por óleo de palmeira caminha de mãos dadas com violações dos direitos civis, força populações locais a se mudarem e destrói florestas e pântanos. A companhia construiu para si a imagem de pioneira em sustentabilidade por incrementar a venda de biodiesel, e detém a liderança neste mercado para os próximos anos. Mas também mantém um muro de silêncio sobre os critérios de escolha dos locais para plantação, e recentemente perdeu um processo que já durava 12 anos, por expropriação de terra na Malásia.

PHILIP MORRIS
A gigante do tabaco americana Philip Morris International (PMI), cujos quartéis-generais estão estrategicamente locados na Suíça, entrou com uma acusação formal contra o Uruguai no Banco Mundial por causa das leis anti-fumo do país, o que pressionou a pequena nação sulamericana a adaptar sua política de saúde aos desejos da indústria tabagista.

'DISASTER', CARTUM DE JEFF SPANGLER

Um comentário:

Viva La Brasa disse...

Votações encerradas.
NESTE OIL levou o Public Eye 2011 c/ 17385 votos, 4000 a mais que a BP e quase 10000 a mais que a Philip Morris.
http://www.publiceye.ch/en/ranking/