sábado, fevereiro 26, 2011

INVASÃO SERGIPANA

Em julho de 2009, 3 bandas saíram de Aracaju p/ uma turnê no nordeste batizada de Invasão Sergipana. Em janeiro de 2010, 2 representantes locais disputaram o 1º Festival  de Música das Rádios Públicas do Brasil – vencido pela cantora Patrícia Polayne, carioca radicada em Sergipe. Um dos grupos da tour nordestina era The Baggios. No festival, nosso outro nome era o Café Pequeno.

The Baggios & Café Pequeno surgiram em 2004, e em novembro de 2010 venceram a 2ª seletiva estadual, entrando na disputa do prêmio nacional de 2011 – R$ 15.000,00 p/ a melhor música c/ vocal e mais R$ 15.000,00 p/ a melhor instrumental. “O Festival visa revelar e divulgar gravações de obras musicais inéditas, abrindo espaço na programação das rádios para cantores, compositores, instrumentistas e arranjadores, valorizando a produção e a diversidade da música local”, diz a assessoria da ARPUB, a associação das rádios públicas.

O resultado saiu nesta sexta. 400 inscritos, 16 finalistas e 2 grandes campeões: Café levou a melhor instrumental e Baggios, música c/ vocal. Por 2 anos consecutivos artistas de Sergipe são eleitos os melhores, levando 3 dos 4 troféus oferecidos até agora. “É tanto significado que isso carrega que eu nem sei se consigo dizer tudo”, festeja Indira Amaral, presidente da Fundação Aperipê, que realiza a etapa local: “Somos o menor estado do país. Orgulho por vencermos um MURO imposto por um mercado míope e colonizado. Mas também pelo que significa aqui, em nossas fronteiras. Fomos acostumados a achar que bom é o que vem de fora, e isso não se sustenta mais.

E o melhor é ver duas bandas com trajetórias tão distintas, sons tão distintos, confirmando isso, sem deixar espaço para dúvidas sobre o que estamos fazendo aqui”, completa Aline Braga, repórter cultural do jornal Cinform. Há uma verdadeira cena musical acontecendo, longe da grande mídia. Polayne gravou seu disco de estréia em Recife c/ músicos pernambucanos e sergipanos. O vinil 7” dos Renegades of Punk saiu por um selo alemão, Thrashbastard. Plástico Lunar lançou seu 1º álbum pelo selo paulista Baratos Afins. Todo dia surge uma banda nova.

Julico, vocal, guitarra e metade da Baggios, também toca na Plástico – entrou em 2007 substituindo o solista Rafael ‘Costello’. “Julico tem muita personalidade”, diz seu companheiro de banda Daniel Torres: “Quando o vi tocando guitarra já foi aquela coisa inacreditável, depois quando ouvi o trabalho dele, vi que era completo. Ele sabe segurar uma noitada no palco, nasceu pra ser frontman mesmo. Tenho muito orgulho de tocar com ele, justo eu que sou um músico meia-boca, hahahaha”.

Ontem a noite foi de comemoração. Hoje, passada a ressaca, perguntei a Julico qual o sabor da vitória. “Sentimento de felicidade e de um reconhecimento maior pra nossa música”, ele respondeu. The Baggios têm 3 EPs, um álbum saindo do forno, e acabam de retornar de uma série de shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. Café Pequeno tem um disco independente, Na Cozinha de Badyally, e já se apresentou até na França.

A invasão continua.

4 comentários:

Rafa Aragão disse...

Cara confesso que fiquei surpreso com resultado, não pela qualidade das bandas que a gente sabe que elas tem de sobra. Eu não espera é que Sergipe ganhasse dois anos consecutivos nas principais categorias, mas como a escolha é popular, isso mostra como público tá gostando das músicas feitas aqui. Parabéns a The Baggios e ao Café Pequeno, que continuem conquistando o público Brasil a fora.

banda dos corações partidos disse...

é isso aí!!!
o voto não foi só popular, foi de um júri especialista...parabéns The Baggios! parabéns Café pequeno! parabéns Adolfo! parabéns Aracaju! parabéns Segipe! parabéns sergipanos!!!
ganharam, "ganhei", ganhamos todos!!!!!!!!!!!!
du caralho

Diane Velôso

Fábio disse...

The Baggios ter ganho esse prêmio é muito importante para o futuro da banda, pois é um reconhecimento em nível nacional e também a premiação em dinheiro dará um suporte bom, pelo menos temporariamente, e tem como os meninos se dedicarem exclusivamente à música sem ficar muito preocupado (ou um pouco menos) em como irá sobreviver, coisa não muito comum na cena sergipana, pois o que mais vemos é o pessoal ter que trabalhar em algo que muitas vezes não tem nenhuma ligação com o seu trabalho artístico. The Baggios é uma banda que ainda vai dar muito o que falar, pois eles ainda estão dando os primeiros passos, mas já demonstraram muito energia, criatividade, maturidade sonora, vontade, desejo. É uma banda que se pode chamar que possui um som visceral, pulsante. Esses meninos vão longe.

Já em relação ao Café Pequeno, talvez, pela primeira vez Sergipe está tendo uma cena de bandas instrumentais (Ferraro Trio, Coutto e Orchestra, o próprio Café Pequeno e algumas outras). Apesar que eu gosto muito mais do Ferraro Trio e da Coutto e Orchestra do que o Café Pequeno, mas isso é um gosto pessoal e isso não quer dizer nada. Tomara que essa cena instrumental consiga mais espaço em nosso estado.

Eu não sabia que tinha saído um
vinil dos Renegades of Punk na Alemanha. Isso ao mesmo tempo é muito bom, pois não deixa de ser um reconhecimento ao trabalho da banda demonstrando que há interessados no som dela, mas ao mesmo tempo fico preocupado que tenha que sair por um selo europeu antes de ser lançado aqui. Isso é um pouco sintomático também, pois significa que nosso estado (ou mesmo nosso país) não consegue dar suporte para a distribuição/circulação de um tipo de som mais específico, um pouco mais diferente do restante da produção.

Não sei direito que fatores contribuiram para isso, mas algo diferente vem acontecendo na cena sergipana que durante muito tempo era (ou talvez ainda seja um pouco) altamente estigmatizada, esterotipada, folclorizada, forrorizada, mas isso aí já é uma outra história.

Adelvan Kenobi disse...

Andei ouvindo dizer que o premio em grana NÃO VAI SAIR !!! Procede ? Se sim, a letra de "o azar me consome" continua atual, infelizmente ...