quarta-feira, março 02, 2011

RATO DE PRAIA
Em 2005, eu quase dancei num acidente de moto. Fiquei estirado na pista enquanto minha namorada pedia ajuda aos carros que passavam. Ninguém parou. Minha sorte é que meu irmão voltava naquela hora de um surf em Ponta dos Mangues, e seu amigo Rato me colocou na barca e levou pro hospital.

Diogo Lemos Torres ganhou esse apelido ainda moleque por passar dias inteiros pegando onda, saindo d’água apenas p/ comer alguma coisa e xavecar as gatinhas de biquini – não nessa ordem necessariamente... Verdadeiro ‘rato de praia’. Dos 10 aos 20, foi campeão em todas as categorias do circuito estadual amador. Faz parte da 1ª geração de aerialistas de Sergipe, junto a Valmir Neto e Raphael Mello.

Único dos 3 a não se profissionalizar, optou por cursar uma faculdade. Morou em Florianópolis [SC], surfou toda a costa do Peru e também as esquerdas de Raglan, na Nova Zelândia. Mesmo afastado das competições, continua roubando o queijo. Nos últimos 3 anos, venceu uma etapa do circuito sergipano e duas do Projeto Verão, campeonatos c/ premiação em dinheiro.

A mais recente vitória aconteceu no início de fevereiro na praia da Caueira, litoral sul. Totalmente recuperado de uma cirurgia de hérnia de disco realizada em 2008, Rato comemorou seu aniversário de 29 anos vencendo 3 caras mais jovens na final pro/am: Bruno Cainan e Marujinho de Aracaju, e o cearense Itim Silva.

O mar estava baixo, meio metro”, diz Léo Menezes, presidente da FSS: “Os atletas tiveram que se desdobrar p/ poder fazer uma boa apresentação e impressionar os juízes, mas tava muito difícil. Na final, a disputa se resumiu entre Bruno Cainan e Diogo Lemos. Foi apertada, onda a onda, mas Diogo achou uma boa direita, acelerou e mandou um aéreo 360 reverse que levantou a galera e tirou um 7,75 de média, a maior do evento.

Também foi premiado em dezembro no Melhores do Ano do site Ondulação, pelo vídeo CONTRA RATOS NÃO EXISTEM ARGUMENTOS. Casado c/ Lígia Coneglian e trabalhando c/ design gráfico, costuma postar os diários das sessions no Facebook. “Vixiiii... vários aéreos hoje de manhã”, disse em 23/02. “Show de tubos”, comentou ontem sobre o swell de sul que entrou esta semana.

Diogo Lemos, meu amigo. Rato de praia c/ fome de onda.


Viva La Brasa - Você já andou de skate?
Diogo Lemos Torres - Sim, Andei dos 9 aos 13 anos com a galera do Beira Rio no início dos anos 90, lembro muito bem do Juninho ET, o Hugo, o finado Nego John, Lula, esses caras quebravam e têm o skate na veia até hoje. Eu ia muito no half da 13, Parque dos Cajueiros, na biblioteca, sempre tinha um crowd nesses picos, era show! Foi uma época muito legal, andava quase todo dia.

VLB - Você e Néliton ‘Cobrinha’ foram os primeiros moleques a terem a base dos aéreos, principalmente vc... Como desenvolveu a técnica?
DLT - O skate foi sem dúvida uma base muito forte pra conseguir tirar bons aéreos, mas o Cobrinha quebrava muito, eu era mirim e ele já ganhava campeonatos na júnior e open. Eu sempre via ele tirando bons aéreos e isso me motivava muito a tentar a manobra.

VLB - O que aconteceu c/ ele, ainda surfa?
DLT - Ele andou afastado do surf uns anos, mas já está de volta com força total fazendo finais nos últimos campeonatos aqui em Aracaju.

VLB - Logo depois vieram Netinho e Galego tirando aéreos também...
DLT - Eu assistia muito vídeos de caras como os irmãos Nathan e Christian Fletcher, Tim Curran, Kelly Slater. Ajuda muito na evolução.

VLB - Você foi campeão em todas as categorias amadoras do circuito sergipano. São quantos títulos ao todo?
DLT - Sinceramente não sei dizer ao certo, mas realmente consegui ser campeão em todas as categorias: iniciante, mirim, júnior e open.

VLB - Você fez uma final do nordestino open em Salvador, certo?
DLT - Foi uma seletiva entre SE, BA e AL p/ o universitário 2003, foi muito legal o evento, bons surfistas e boas ondas em Stella Maris. Eu estava com uma prancha novinha do Tady, uma bala, passei todas as baterias em 1º e fiz a maior nota e média do evento, na final precisava apenas de uma nota baixa pra virar a bateria contra o local Bruno Pitanga, mas a onda não veio. Fiquei em 3º lugar, mas esse campex foi irado!

VLB - Você é designer gráfico. Sempre desenhou?
DLT - Me formei em 2005 na UNIT, até que levava jeito pra desenhar também, mas prefiro usar o auxílio do PC.

VLB - Que programas vc usa p/ trabalhar?
DLT - Gosto de trabalhar com o Photoshop, o Corel e o Adobe Premiere pra editar vídeos, tenho curtido muito de uns tempos pra cá.

VLB - Você morou quanto tempo em Floripa?
DLT - Fui morar lá em 2005, passei 3 anos morando na ilha, na cara das ondas do Campeche. Morei um tempo com o Xandinho e também com o Danilo, que está lá até hoje. Foi uma fase muito legal, trabalhava pela tarde numa empresa de comunicação visual e surfava pela manhã, nada mal!

VLB - Quais os picos que vc mais surfava?
DLT - Como morei no sul da ilha, surfava mais nos picos dessa região. Campeche, Morro das Pedras e Matadeiro são meus favoritos, quando podia sempre rolava uma barca pra Guarda do Embaú ou algum pico em Garopaba.

VLB - De lá, Nova Zelândia. Qual o esquema, intercâmbio?
DLT - Isso. Fui estudar inglês, dar um rolé e pegar altas ondas.

VLB - Passou um ano inteiro lá?
DLT - Exato. Foi 1 ano incrível, estudando, me divertindo, conhecendo um país lindo, aprendendo sobre a cultura e a vida dos Maoris, povo nativo da NZ, e também a realização de um sonho que era conhecer e surfar Raglan, uma das ondas mais longas e perfeitas do mundo, a água é extremamente gelada, no inverno era comum surfar em águas com a temperatura ao redor dos 12, 13 graus, os pés congelavam em 30 minutos, já que não me adaptei ao surf de botinhas. Fiz pela 1ª vez um salto de Bungy Jump, 48 metros na cidade de Taupo, foi uma experiência alucinante, só não mais emocionante do que fazer snowboarding. Cara, esse esporte é realmente sensacional, depois do surf nunca havia sentido tamanho prazer e alegria em praticar outro esporte, é uma pena não termos neve no Brasil porque tenho certeza que a galera ia curtir muito a vibe.

VLB - Antes disso teve a trip p/ o Peru, né.
DLT - O Peru foi em 2008, peguei férias do trampo e me mandei, foi minha 1ª trip internacional, procurei muito por um parceiro pra fazer a trip, o que não aconteceu. Não desanimei e fiz a trip sozinho. Foram 21 dias entre o norte e o sul do Peru, surfei pela 1ª vez ondas realmente perfeitas em picos como Lobitos, Los Órganos, El Hueco, Punta Rucas, Puerto Viejo, muitos picos, é impressionante a quantidade de boas ondas no Peru, uma trip que todo surfista de verdade precisa fazer.

VLB - Cara, vc tá casado mas quando era solteiro sempre curtiu a balada. O quanto gostar da noite atrapalha [ou não] a carreira de um atleta?
DLT - A verdade é que uma baladinha de vez em quando não faz mal a ninguém, kkk... O certo é não se acabar em bebidas e drogas e nem baladas toda semana.

VLB - Como foi a cirurgia de hérnia? O que vc sentia antes de fazê-la?
DLT - Sentia dores todos os dias, dores muito fortes, inclusive foi na trip do Peru que prometi pra mim mesmo que chegara a hora de me operar, fiz uma viagem de 16 horas da cidade de Lima até Talara no norte do Peru, passei horas de sofrimento no ônibus, foi realmente um momento muito difícil e decisivo, 6 meses depois estava na mesa de cirurgia. Hoje me sinto tão bem que às vezes não lembro da cirurgia, só agradeço a Deus.

VLB - Você acaba de vencer pela 2ª vez no Projeto Verão. Que tal esses campeonatos?
DLT - Cara, foi muito legal ter vencido de novo essa etapa, eu estava muito confiante a semana toda, acho que esse foi o segredo, estava muito focado em vencer. A 1ª vitória no Projeto Verão foi em 2009, por curiosidade meu 1º campeonato depois da cirurgia e depois de 6 meses sem surfar. Eu tinha sido liberado pelo médico a voltar ao surf poucas semanas antes da etapa, ganhei o campex em cima do Valmir Neto, que estava em alta e em ótima fase, fiquei muito feliz e confiante sobre a minha recuperação. Alguns meses antes tinha ouvido de um médico que poderia até parar de surfar, fiquei muito triste mas nunca quis acreditar nisso, graças a Deus tudo deu certo e continua dando muito certo. A respeito desse campex, é legal, movimenta o esporte, todos os atletas querem participar e ganhar, o que deixa a etapa muito competitiva, mas na minha opinião o surf e muitos outros esportes em Sergipe não têm o apoio e reconhecimento devido do governo do estado, já que eles fazem no mínimo uma etapa todo ano, que ao menos aumentassem um pouco mais a premiação de R$ 500 para R$ 1000 ou R$ 1500, seria muito mais interessante para todos os atletas e pessoas envolvidas, atraindo também atletas de outros estados do Brasil, no final todos serão vencedores, o estado, atletas, público e pessoas envolvidas. Acredito que não seria impossível!

VLB - Ano passado vc correu o circuito sergipano?
DLT - Creio que uma ou duas etapas, não mais.

VLB - Rato, no seu vídeo as imagens aquáticas me chamaram a atenção. Que câmera é aquela?
DLT - É a GoPro, uma câmera própria para aquele tipo de imagem, produzida especialmente para o surf e outros esportes de ação.

VLB - Você pensa em fazer mais vídeos, algo mais sério?
DLT - Sim, primeiramente preciso adquirir os equipamentos específicos e em seguida pôr em prática, as imagens já estão sendo coletadas.

VLB - Em 2008, num ping-pong do site Ondulação, sua resposta à palavra ‘sonho’ foi “prestes a se realizar”. Acredito que vc se referia à viagem p/ NZ. Bom, este sonho se realizou. E agora, qual o próximo sonho?
DLT - Viver feliz com minha gata, produzir e continuar viajando sempre que possível, agora ao lado dela.

VLB - Dizem que morcego é um rato que voa, mas falam isso sobre os pombos também. Você entra nessa disputa?
DLT - Cara, o legítimo e verdadeiro rato voador é o Super Mouse, lembra dele? Kkkk... Muito obrigado pelo espaço e oportunidade nesse blog irado, e ‘Viva La Brasa’! Aloha!

SUPER MOUSE
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ACIMA DO HORIZONTE NA PRAIA DO FORTE [BA]
LOBITOS, PERU: 1ª VIAGEM INTERNACIONAL
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DENOREX: DIOGO LEMOS LEMBRA UM OUTRO CARECA
KNOW-HOW INTERNACIONAL NUM PICO SECRETO [SE]
C/ A ESPOSA LÍGIA: AMOR ATÉ DEBAIXO D'ÁGUA

CONTRA RATOS NÃO EXISTEM ARGUMENTOS

2 comentários:

Leonardo Menezes disse...

Show!

A wild blumen disse...

Post magnífico! Sempre fui apaixonada por surf. As imagens me deram vontade descer já, o que só posso fazer no meio do feriado, ainda bem que agora vivo pertinho da praia.