sábado, abril 09, 2011

COLINA DO CIPRESTE
Mucha gente me decia que yo no podia/ Fumar marijuana por la policia/ Me vale madre el humo que hay por todo el aire/ Si tu quieres que me toque pues caele/ Soy el grifo más escandaloso/ De Los Angeles Cypress peligroso/ Enciende el leño o la pipa/ Pasalo por mi clica la que rifa/ Mota rica, chipa chipa/ Quemando yesca, estoy arriba/ Es algo que yo hago diário/ Al despertar y también todo el dia en mi barrio/ Cuando me encuentres en cualquier lugar/ Saca papeles porque quiero fumar mota/ Yo quierooo fumaaaarrr... Motaaaa...

A banda mais maconheira do mundo esteve no Brasil esta semana p/ uma apresentação única no Credicard Hall em São Paulo. No início dos anos 90, quando Marcelo D2 ainda era um moleque que vendia camisas de rock na Cinelândia, o Cypress Hill já gravava discos cantando as propriedades da erva. Lançado em 1991, o álbum de estréia foi definido pelo crítico Steve Huey como “uma planta sonora que se tornará a mais copiada do hip-hop”. Planta, no caso, “blueprint“ – referente a engenharia.

C/ canções que falavam abertamente sobre queimar bagulho e dar uns tiros, como Stoned Is the Way of the Walk e How I Could Just Kill a Man, ganharam disco duplo de platina e anteciparam em 1 ano a temática que levaria Dr.Dre ao mainstream c/ THE CHRONIC. Em 1999, CYPRESS HILL seria eleito um dos 100 álbuns mais influentes do período pela revista Raygun. Também entrou p/ a lista dos melhores LPs do século XX no livro 1001 DISCOS para Ouvir Antes de Morrer.

Mas o estouro viria 2 anos depois c/ o clássico BLACK SUNDAY e as bombásticas Insane In The Brain, I Wanna Get High, Legalize It e Hits from the Bong. Ainda havia o gangsterismo de Lick a Shot, Cock the Hammer e A to the K. Disco triplo de platina. Alçados à condição de ícones da cultura canábica, foram capa da revista High Times e participaram até dos Simpsons, no episódio em que Homer é pago p/ levar tiros de bala de canhão na barriga durante a tour do festival Lolapallooza.

O ineditismo do Cypress não se resumia às letras fumetas em “spanglish“, mesclando inglês e castelhano. Nunca antes na história da música ouviu-se uma voz tão anasalada quanto à do rapper B.Real, descendente de latinos – Bob Dylan e Chico Buarque perdem. Enquanto ele rima como se apertasse o nariz p/ a fumaça não sair, o negão Sen Dog berra como se a segurasse nos pulmões – um som abafado e gutural. DJ Muggs completa a chapadíssima trindade, c/ sua sonoridade fantasmagórica industrial e solos criados na ponta da agulha, como em Nothin' to Lose.

Seguem queimando tudo nos álbuns CYPRESS HILL III: TEMPLES OF BOOM e CYPRESS HILL IV, de 1995 e 98 – platina e ouro respectivamente – e em 99 lançam um CD exclusivo p/ o público hispânico, LOS GRANDES EXITOS EN ESPAÑOL, c/ versões de seus maiores sucessos como Tequila Sunrise e Dr.Greenthumb, que virou Doutor Dedoverde; Insane in the Brain foi traduzida p/ Loco en el Coco, I Wanna Get High tornou-se Yo Quiero Fumar, e assim por diante.

No ano 2000, nova guinada c/ SKULL & BONES, um disco dividido em duas partes: “Skull”, dedicada ao hip-hop, e “Bones” dedicada ao rap-metal. Representando cada um dos lados, as faixas (Rap) Superstar e (Rock) Superstar alavancaram as vendas e renderam o último disco de platina à banda. Passam a se apresentar acompanhados de guitarra, baixo, bateria e a percussão de Eric Bobo, que tocou c/ os Beastie Boys e foi incorporado à formação standard dos “marijuano locos“ de South Gate, subúrbio de Los Angeles. No mesmo ano sai o registro ao vivo LIVE AT THE FILLMORE, em 2001 STONED RAIDERS e em 2004 TILL DEATH DO US PART.

RISE UP, 9º disco de estúdio, é o primeiro trabalho pela nova gravadora, a major EMI, e quebra um hiato de 6 anos sem material inédito. “Musicalmente, nós queríamos um som maior”, diz B.Real: “Nosso som sempre foi áspero e cru e queremos continuar sinistros, mas queremos soar mais ‘UPTEMPO’. Porque no palco, quando você toca músicas que são mais ‘uptempo’ e agressivas, as pessoas correspondem e te ajudam a fazer um grande show. Enquanto produzíamos este álbum, nós definitivamente tivemos a intenção de fazer canções que transmitissem bem o que é o Cypress Hill ao vivo.

Apesar de tanto tempo sem reunir-se p/ gravar, o trio jamais se separou e nunca parou de experimentar. Nos anos 90 participaram de duas faixas da trilha sonora crossover do filme JUDGMENT NIGHT c/ Sonic Youth e Pearl Jam; B.Real desenvolveu o projeto SOUL ASSASSINS ao lado de Dr.Dre e dos integrantes do Wu Tang Clan, Muggs gravou um álbum em parceria c/ o DJ inglês Tricky e Sen Dog chegou a participar de um disco do Planet Hemp, A INVASÃO DO SAGAZ HOMEM-FUMAÇA, na faixa Quem Tem Seda. Na década de 2000 emplacaram o hit What’s Your Name What’s Your Number, c/ The Transplants.

É o Cypress Hill provando e comprovando a sua versatilidade. Excursionando ao lado da banda de new-metal Deftones na turnê de divulgação de RISE UP, B.Real, Sen Dog & DJ Muggs chegaram no Brasil direto do Lolapallooza no Chile, onde se apresentaram na mesma noite dos regueiros do Steel Pulse. “O grupo subiu ao palco com meia hora de atraso”, resenhou Augusto Gomes p/ o portal iG após o show de segunda-feira em SP:

O ponto alto foi ‘Insane in the Brain’. A canção, uma ode à maconha cujo título poderia ser traduzido como ‘maluco da cabeça’, teve um tratamento digno de seu tema. Antes de cantar, B.Real perguntou se o público estava ‘louco’ e ‘alto’. Depois, acendeu um cigarro e soprou a fumaça sobre os rostos de quem estava colado à grade. Se era maconha cenográfica ou de verdade, só aspirando a fumaça para saber.

A repórter Carol Tavares conseguiu entrevistas exclusivas c/ B.Real e Sen Dog p/ a Mtv e o Jornal do Brasil. Eu tratei, apertei e agora passo a bola. Aproveite enquanto a brasa está acesa. “Oh, makin’ my mind slow/ That’s why I don’t fuck with the big four-O/ Bro, I got to maintain/ Cause a nigga like me is goin’ insane”...

CAROL TAVARES - Vocês chocavam a opinião pública c/ o tema ‘maconha’. O assunto é menos polêmico hoje do que quando vocês começaram?
B.REAL - Sim, sem dúvida. Diversos estados dos EUA já tem legislação sobre maconha medicinal, e há 10 anos isso não existia. Houve muito progresso. Há mais conhecimento e compreensão. As pessoas estão com a mente mais aberta. Mas isso é porque eles tiveram tempo para estudar, ler sobre o assunto e se informar sobre os motivos do movimento. Descobriram porque se busca tanto a legalização, a descriminalização e o uso medicinal. Hoje em dia, muita gente que não fuma compreende, mas há 10 ou 15 anos não queriam compreender. Isso era um grande problema, mas muita coisa mudou. É possível que os Estados Unidos legalizem a maconha um dia e isso é muito bom.

CT - O que tem a ver a política de guerra contra as drogas dos EUA c/ as brigas entre gangues que estão rolando agora no México?
BR - Não tem muito a ver. O México é muito grande para que esses líderes de quadrilhas sejam encontrados. Quero dizer, um militar americano no Afeganistão não pode encontrar Bin Laden, sabe? Encontrar esses criminosos no México não tem jeito, teríamos muito trabalho para isso. É o governo do México que tem que acreditar em seu povo, em seus militares e em sua força policial para ir atrás desses caras que estão infringindo a lei, porque no momento existe muita corrupção. Você não sabe quais policiais estão trabalhando pelo cartel ou pelo governo. Eles vão ter muito trabalho.

CT - Vocês sempre foram conhecidos por ser um grupo com forte influência latina. Qual é a sensação de tocar em países da América do Sul?
BR - Eu estou muito feliz e agradecido, porque sou de origem latina e tenho muito orgulho disso. É muito especial. Era uma coisa que queríamos fazer. Estar na América do Sul é algo muito especial para nós.

CT - Como descendente de latino, como você vê a administração de Barack Obama?
BR - Ele tem muito trabalho pela frente, sabe? Mas as coisas que ele fez até agora foram pequenas. Então, acho que nós precisamos de um pouco mais de tempo para saber o que ele pode consertar ou não. Não há milagres na política, você precisa de muito dinheiro por trás.

CT - Vocês já fizeram parcerias c/ Pearl Jam e Sonic Youth e agora estão em tour c/ Deftones. Pode falar um pouco dessa influência do rock’n’roll no trabalho do Cypress Hill?
SEN DOG - Nós sempre tivemos influência do rock’n’roll, e essas parcerias aconteceram naturalmente. Nós trabalhamos com vários músicos do rock, como Tom Morello. Desde os tempos de criança nós ouvimos rock’n’roll e sempre foi muito natural que fizéssemos isso. É por essa razão que trabalhamos com Sonic Youth, Pearl Jam e Rage Against the Machine. Porque é natural para nós.

CT - No álbum RISE UP, vocês tocaram c/ Tom Morello, como você disse, e também c/ Mike Shinoda. Podemos esperar parcerias como essas no próximo álbum, CANNABIS DREAM?
SD - As parcerias do novo álbum serão diferentes das parcerias do álbum RISE UP, porque não queremos fazer a mesma coisa duas vezes. Não seria nenhum problema tocar com Shinoda ou Morello por diversas vezes, mas não estaríamos fazendo nada de diferente. Para o próximo álbum, vocês podem esperar por colaborações especiais. Mas quem serão? Eu ainda não sei, mas podem esperar por boas surpresas.

CT - Você tem outra banda, a SX-10, que mistura metal c/ rap, e faz isso desde os anos 90. Podemos considerar Sen Dog como a principal influência rock’n’roll no Cypress Hill?
SD - Nós fizemos uma tentativa para que o Cypress Hill ficasse mais ‘pesado’, e acho que funcionou muito bem. Fui muito insistente para que tentássemos misturar, sempre estive muito ligado ao mundo do rock e do heavy metal. Sempre fez parte de mim esse gosto pela recriação, principalmente no hip-hop e no rock’n’roll.

CT - Vocês tocaram no Brasil em 1996 no Close Up Festival e subiram no mesmo palco que Sex Pistols e Bad Religion, na ocasião. Lembra de alguma coisa desse show?
SD - Para falar a verdade, bem pouco.

CT - Vocês vieram p/ cá alguma vez depois de 96?
SD - Que eu me lembre, não.

CT - Qual a diferença do Cypress Hill daquela época p/ hoje?
SD - Em 96, nós tínhamos apenas quatro ou cinco anos de banda e não sabíamos as coisas que sabemos hoje sobre performance, gravação, apresentação. Estamos mais experientes e nosso trabalho está diferente. Em partes do show, temos mais energia. Tem horas que o público participa mais, em outras a apresentação é feita para ser assistida. Nós estamos há 20 anos no jogo. Temos um melhor desempenho e fazemos o que amamos com maior confiança. Nós sentimos que somos melhores no palco agora do que éramos há 15 anos.

CT - Lembra de algum grupo ou músico de rap brasileiro?
SD - Não, na verdade, não...

CT - Se pudesse escolher um cantor ou banda de rock c/ a qual você nunca tocou junto, p/ fazer um show, qual seria?
SD - É uma boa pergunta. Talvez o Lenny Kravitz. Acho ele um artista múltiplo e gostaria de tocar com ele.

CT - É muito diferente da música que vocês fazem.
SD - Sim, é sim. Mas assim é melhor. Quando você coloca junto dois artistas distintos, desenvolve algo que nenhum dos dois fez antes. Algo diferente. É o que nós buscamos: desafios na música. Porque, se você não se desafia, todo álbum será igual. Nós buscamos melhorar a cada gravação.

CT - Cypress Hill está há 20 anos na estrada. É difícil se manter e se renovar depois de tantos hits de sucesso, como Tequila Sunrise e Insane in the Brain?
SD - Para nós não é difícil continuar a fazer o que gostamos de fazer. Nós amamos isso. E somos irmãos, somos uma família. Nós temos muito orgulho do nosso legado musical e sentimos que ainda podemos fazer músicas de impacto que alcancem o mundo todo. Nos damos bem, temos força de vontade, fazemos coisas que as pessoas gostam e não temos nenhum motivo para parar de fazer o que fazemos.

CT - Qual é a sua opinião sobre o hip-hop hoje em dia?
SD - A maior parte do hip-hop hoje está muito superficial. É o que chamo de ‘glam rap’, assim como era o ‘glam rock’ nos anos 80. Está muito glamouroso agora. Essa coisa de carros, diamantes, strip-clubs... Eu não me importo com glamour. Nós sempre vestimos camisetas.

QUEM TEM SEDA
CYPRESS HILL FASE BLACK SUNDAY EM 1993...
 ...E NA ETAPA BRASILEIRA DA RISE UP TOUR EM 2011
 A UNIÃO FAZ A FUMAÇA


2 comentários:

SKT REC disse...

ESSE CLIP DE INSANE IN THE BRAIN É MUITO ROOTS!!!

Viva La Brasa disse...

A arte nas fitas k7 c/ a capa de Black Sunday é de autoria de Sami Havia; a maior parte das fotos desta matéria foi feita por Brian Landis Folkis.
Dedico este post à memória do meu amigo Cássio.