sexta-feira, junho 10, 2011

SIMPATIA PELO DIABO 
São os grandes reservas morais do thrash metal!” A cena do jornalista policial Alborghetti lendo a carta de um fã em seu programa de TV e mandando um abraço p/ a galera do Slayer é um clássico do YouTube. Mal sabia o reacionário apresentador paranaense que estava saudando uma das bandas mais brutais, pervertidas e satânicas do rock. Era 2009, primeira passagem deles pelo Brasil. Coincidência ou não, Alborghetti morreu no final daquele ano.

Formado na Califórnia em 1981 por Tom Araya, Kerry King, Jeff Hanneman e Dave Lombardo, o Slayer é considerado um dos Big 4 do thrash ao lado de Metallica, Megadeth e Anthrax. P/ mim é a maior banda de metal que existe, depois do Black Sabbath. Estreou em álbum c/ SHOW NO MERCY, de 83, tocando c/ velocidade e violência nunca vistos até então em canções como Evil Have No Boundaries e The Anti-Christ. A capa era o diabo c/ cabeça de bode e um pentagrama compondo a logomarca.  Idem p/ REIGN IN BLOOD, de 86, considerado o melhor de seus 11 discos de estúdio c/ pedradas como Jesus Saves e Raining Blood. A capa é o Coisa-Ruim reinando no inferno.

Em 30 anos de carreira, ganharam 4 discos de ouro pela RIAA e dois Grammy na categoria Heavy Metal, além de influenciar praticamente TODAS as bandas pesadas que vieram depois – Sepultura, Pantera, Napalm Death, Atari Teenage Riot... Mas também sempre enfrentaram problemas p/ lançar trabalhos e tocar em alguns lugares, sem falar nos processos judiciais por causa dos temas de suas letras – guerras mundiais, antagonismo religioso, niilismo satanista, serial killers... Viajando há quase 2 anos na tour do disco WORLD PAINTED BLOOD, fizeram duas apresentações no Brasil esta semana: quarta-feira no Curitiba Master Hall e quinta na Via Funchal em São Paulo.

Os ingressos custaram de R$ 150 a 250. “Não houve pista Premium e quem tentava ver o show mais de perto tomava banho de cerveja e safanões dos malucos que abriam rodas de mosh”, conta Santi Roig, baixista da MindFlow e fundador da marca Weird [que apóia este blog]. Araya chegou a chamar os roadies, alertando pra bagunça em frente ao palco. Durante 2 horas tocaram hits como Mandatory Suicide e Black Magic. Adelvan Programa de Rock pegou um avião de Aracaju a SP só p/ ver a desgraceira. “Araya fez 50 anos dia 06 de junho”, diz ele, “em 2011 REIGN IN BLOOD faz 25 anos de lançamento... e eu vi o Slayer ao vivo, mais um sonho de adolescência realizado!” Vieram da Argentina e seguiram p/ a Venezuela. Araya comemorou aniversário no Chile, onde ganhou a chave da cidade natal, Viña del Mar.

Aproveitando a onda dos shows, o repórter do G1 Daniel Buarque convidou 3 músicos eruditos p/ opinar sobre o som do Slayer: a maestrina Cláudia Feres, o maestro Gil Jardim e o violonista Fábio Zanon, o único que já tinha ouvido falar da banda. “A sonoridade é primal, lembrando música ritual, primitiva, com caráter hipnótico”, comentou ao escutar Angel of Death. “A bateria é muito interessante. O cara é criativo, pois a música é em compasso binário, muito repetitivo, e ele consegue fazer coisas diferentes, mudar um pouco o formato. Se não fosse a bateria, o som ia ficar muito primário. Música em compasso binário sempre lembra marcha.” Ponto p/ Lombardo.

Em World Painted Blood, Zanon destaca “uma espécie de modo cigano que foge à expectativa de harmonia padrão que se espera nesse gênero e realça o caráter lúgubre da música.” O maestro Jardim considera as canções do Slayer “rudimentares se as compararmos com obras produzidas ao longo da história da música clássica ocidental, ou mesmo com a música popular brasileira ou o jazz americano”, mas ressalta que isso é elementar ao rock e que o grupo “é muito profissional, com ótimos músicos que fazem da personalidade radicalmente excêntrica um negócio competente e bem planejado.

Suas músicas trazem letras elaboradas estritamente dentro da linha que caracteriza o grupo, com temas e expressões escolhidas em busca de uma realidade selvagem e sonhos obsessivos”, continua o diretor artístico da Philarmônica Brasileira e da Orquestra de Câmara da USP. “Na verdade, jamais se perde de vista a busca por um êxtase permanente, seja qual for o tema: a morte, a guerra, o sexo, a droga... E sob esse ponto de vista, o som tende a ser sempre eletrizante em sua pulsação, em seus decibéis, é coerente esteticamente.

Não é com a figura do diabo que me preocupo e sim com o demônio da humanidade, a sociedade, que é muito feio”, diz Araya, que não pode mais bater cabeça por causa de um problema nos nervos. O guitarrista Hanneman também teve problemas motores após ser picado no braço por uma aranha venenosa e está sendo substituído na turnê por Gary Holt, do Exodus. “Não foi uma decisão fácil de ser tomada, mas ter um amigo para te ajudar e que ainda é um tremendo guitarrista deixou tudo mais simples.

Segundo o maestro, “devemos ter claro que, para manter essa linha de excentricidade infinitamente arrojada, é necessário trabalhar com planejamento, sagacidade, acuidade. É um negócio. Esse é o produto da banda Slayer, construído, bem ensaiado (os músicos são muitos bons) e, mais do que vendido, comprado pela imensa multidão que os acompanha enlouquecida. Naturalmente, o mise en scène é particular, assim como em cada um dos outros estilos musicais.” A seriedade das análises chega a ser engraçada, o legal é que o veredito é bem técnico.

Jardim defende o gosto alheio, mas p/ a maestrina Cláudia não tem jeito. “Meu mundo é bem distante desse do heavy metal. Não me atrai. Não me faz bem.” Ela avaliou Raining Blood e Seasons in the Abyss. “A base das duas músicas é muito parecida, elas têm um perfil muito repetitivo, monotônico. Rítmica e melodicamente muito pobre”, vaticinou a regente titular da orquestra de Jundiaí.

Parece que há um cuidado em encontrar essa sonoridade dura e árida, uma sonoridade que traga sentimentos de dor e sofrimento. Eles gostam de Mi bemol!

SOUTH OF HEAVEN*
 A TURNÊ DO SLAYER CHEGA À AMÉRICA DO SUL
 TOM ARAYA, QUEM DIRIA, É CHILENO E CATÓLICO
HOLT E KING ROCKANDO SÃO PAULO, ONTEM
 DAVE LOMBARDO SEM PROBLEMA NA LOMBAR
 
 "SÃO OS GRANDES RESERVAS MORAIS DO THRASH",
DISSE O FINADO ALBORGHETTI NA TV
"PERSONALIDADE RADICALMENTE EXCÊNTRICA",
NA DEFINIÇÃO DO MAESTRO GIL JARDIM
 A TOUR THE BIG 4 RENDEU DISCO DE PLATINA
KERRY KING [SLAYER], DAVE MUSTAINE [MEGADETH],
SCOTT IAN [ANTHRAX], JAMES HETFIELD [METALLICA]

por VIVA LA BRASA a partir de reportagem de Daniel Buarque [IG]
*todas as fotos do SLAYER por Andrew Stuart [Live Tour 2010/11]

4 comentários:

Adelvan disse...

Dave Lombardo foi uma atração à parte. O melhor baterista de rock pesado do mundo.

Luciana Araujo disse...

Olá! nice blog!

vejo que você usa uma imagem de minha autoria na lateral do blog, a menina mandando um rock on em fundo vermelho. Fico feliz, mas será que já que vc está usando, não rola colocar o link do meu site? aí eu ficaria mais feliz......se não rolar, coloque os créditos pelo menos: LUCIANA ARAUJO

www.rockchickdesign.com
atenciosamente
Luciana Araujo
luciana.art@gmail.com

Viva La Brasa disse...

claro, Luciana! já tá linkada!
muito boa a sua arte, sou fã @

Luciana Araujo disse...

Oi Adolfo!Obrigada!
vou postar o blogno Face, te mandei umas mensagens lá há pouco..meu computador sofre um delay mortal.
abraço!