sábado, julho 30, 2011

SE EU PARAR, EU CAIO  
O pessimista deve inventar para si mesmo, a cada dia, outras razões para existir: é uma vítima do sentido da vida.” O romeno Emil Cioran foi o filósofo da inconveniência da existência, grande frasista e polemista, autor do clássico Breviário da Decomposição, publicado em 1949 na França, país que adotou pelo resto da vida. “Seria a existência o nosso exílio e o vazio a nossa pátria?

Cioran escrevia sobre “a alienação, o absurdo, a futilidade, a decadência, a tirania da história, a vulgaridade das mudanças, a consciência como agonia, a razão como doença”, como definiu o escritor William H. Glass. Dizia que, quando descobrisse uma verdade que chocasse todo o gênero humano, “a diria à queima-roupa”. Apesar de todo o pessimismo, teve uma vida longa – morreu em 1995 aos 84 anos. Em abril comemorou-se os 100 anos do seu nascimento.

Amy morreu aos 27. Igual a Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix e Robert Johnson. Seria a idade que o Diabo cobra a conta? “Quem não morre aos 27, aos 33 (Lester Bangs, John Belushi, Bon Scott, Jesus Cristo) ou aos 42 (Alan Freed, Peter Tosh, Elvis Presley), viverá para sempre”, faz as contas o jornalista André Barcinski, da Folha de S.Paulo. “Amy Winehouse morreu. De verdade. Fato. Acabou o reality show macabro de sua vida. Nenhum fã vai poder aplaudir de novo quando ela chegar ao palco bêbada, ou quando esfregar as costas da mão no nariz, como se tivesse acabado de dar um teco.

BACK TO BLACK é um dos discos que mais gosto da década passada, deixei isso claro numa série de posts durante a turnê no Brasil em janeiro: KIKA uma Cantora com W Maiúsculo, AI CARAMBA e 3º MUNDO FESTIVO. Contrariando o senso comum, a família Winehouse acredita que ela não morreu por abuso de drogas, e sim de abstinência de álcool. “Amy não foi uma vítima”, diz Barcinski, “era maior de idade e sabia muito bem o que estava fazendo. Era uma pessoa doente e que precisava de tratamento. Infelizmente, muita gente dependia dela. Celebridades não têm tempo para se tratar, porque não podem simplesmente desaparecer.

Ela foi o oposto do meu amigo Cleomar Brandi, mais um da vida boêmia. Cleo passou 50 dos seus 65 anos lutando contra diabetes e câncer, foi internado e mutilado, mas sempre que saía dos hospitais podia ser encontrado pela manhã na TV, à tarde no jornal e à noite em algum inferninho de Aracaju, na maioria das vezes no Bar do Camilo, onde rolou a saideira paga por ele após seu enterro, dia 18. “Tive uma vida comum, apenas foi mais difícil”, sempre frisava. Maior jornalista gonzo que eu conheci pessoalmente, há 2 anos lançou seu único livro, OS SEGREDOS DA LOBA, reunião de crônicas sobre mulheres.

Alguns dizem que pareço o Vinícius de Morais”, zoava. “Sou da geração do Movimento, do Pasquim, do Opinião. O estilo do Fausto Wolff, do Henfil, tinha uma riqueza vocabular que me deixava encantado, mas eu não vejo muito esse encanto nas novas gerações. O jornal custa só 2 reais. Mas no domingo o repórter passa pela banca, vê que sua matéria foi manchete e espera chegar a segunda-feira pra ver como ela ficou paginada ou se a abertura foi mudada. Eu não me conformo com o jornalista desinteressado, que não é curioso. Essa falta de inquietação me irrita. Somos pagos para ser curiosos, perguntar e escrever.

Quando eu saio para os bares, costumo chegar em casa cheio de guardanapos com informações e pautas. Sugestões que me dão na rua.” Apesar dos problemas, tinha sempre uma piada pronta. Quando precisou amputar as pernas, deu uma festa em que distribuiu suas meias usadas. “Agora não vou ter mais chulé e nenhuma mulher vai pegar no meu pé!” Grande Cleomar! Ele e Amy foram duas das baixas mais sentidas em julho, mês implacável que ainda levou embora Würzel e Lucian Freud – p/ não falar dos 91 mortos no atentado terrorista na Noruega, ou das milhares de vítimas na guerra civil da Líbia ou nas ruas do Brasil...

Würzel era meu amigo e meu irmão”, falou Lemmy Kilmister sobre o ex-guitarrista do Motörhead, que morreu em casa, de ataque cardíaco, enquanto bebia uma cerveja Guiness. “Pelo menos ele foi sorrindo”, continuou Lemmy. “É um clichê dizer que palavras não podem descrever o que sentimos. Nesse caso, algumas como ‘merda’, ‘horrível’ e ‘muito muito triste’ realmente não podem... Ele nunca mais irá rir comigo novamente, ou me envergonhar... Isso realmente é um saco. Compartilhamos muitos momentos bons, o que ele fez pelo Motörhead é indescritível.Wurtz Godspeed entrou na banda em 1984 e gravou 10 discos até 95, entre eles o clássico ORGASMATRON. Tinha 61 e tocava na Leader of Down. Lançou 2 álbuns solo, BESS e CHILL OUT OR DIE.

Lucian Freud era filho da psicanálise, neto de Sigmund. Nascido em Berlim e radicado em Londres, foi um dos maiores pintores figurativos do nosso tempo. Autobiográfico, gostava de cenas cotidianas e pinceladas fortes p/ compor carne & pele. Em 2008, uma de suas obras, Benefits Supervisor Sleeping, alcançou US$ 33 milhões num leilão, preço recorde p/ um artista vivo. Realizou retratos desconcertantes p/ a rainha Elizabeth II e a modelo Kate Moss. Ambas posaram p/ ele – a Kate nua, grávida e crua; a rainha da Inglaterra como “uma senhora idosa vítima de um derrame”, segundo a crítica [o tablóide The Sun sugeriu que vossa majestade pendurasse a obra no banheiro]. Freud teve esposas, amantes, 13 filhos e morreu aos 88 anos.

A ironia liberta da receita”, ensinava Cleomar Brandi. Em 2009, gravei um programa de TV c/ a participação dele, da jornalista Joana Côrtes e de Adelvan Kenobi como DJ convidado. Roteirizei, produzi, dirigi e editei esta edição do PERIFERIA, viabilizada c/ a ajuda dos amigos Matias Maxx, que me enviou os vídeos da Batalha do Real e do Autoramas no Japão, e Álvaro Müller e Joana, que cederam a série AI-5 40 Anos Depois. Os 3 blocos estão aí, mas se quiser ir direto na entrevista do lobo velho, clica no vídeo 2: “A música tem asas, a palavra também tem asas.

Além de serem forças criativas, todos esses que citei – Amy, Würzel, Freud, Créu – curtiram ao máximo o tempo que tiveram e deram às suas vidas o sentido que quiseram. Cioran gostava dessa história: “Na prisão, Sócrates aprendia uma canção na flauta enquanto preparavam a cicuta. ‘Pra que te servirás’, perguntou o carcereiro. ‘Para sabê-la antes de morrer!’... Essa resposta me parece a única justificação séria da vontade de conhecer, que se dá até mesmo às portas da morte ou em outro momento qualquer.

"SE LIGA!" C.B. NA CHAMADA DO PERIFERIA, JAN.2009





segunda-feira, julho 18, 2011

A ÚLTIMA SAIDEIRA 
Um dia, uma noite, algum boêmio sempre pede a saideira e os garçons nunca gostam dessa história. Mas, o certo, é que sempre chega a hora da última saideira. Dessa vez, chegou minha hora, meu último gole.

Eu, pessoalmente, não diria que estou indo contrariado. A hora e a vez de Matraga. Afinal de contas, soube beber com sede de aprendiz o melhor que havia na taça que a vida me ofertou. Uma taça lavrada, rescendendo a conhaque.

Nadei nas águas mornas de Arembepe, conheci Raulzito quando ele ainda se juntava aos seus Panteras, com Thildo Gama e outros, vi Caetano, Moraes Moreira, Pepeu no encontro de trios, enquanto o poeta apontava com a mão para a Baía de Todos os Santos. Arpoei caramuru, tirei polvo da toca, garanti as moquecas da minha adolescência, fui recordista de natação, ungido por Oxalá.

Fui bom de porrada, fiz meu nome nas turmas de rua do Largo dos Aflitos, joguei futebol e, nos babas, ganhei o apelido de ‘Leonam’, onde sou conhecido assim até hoje. Fui batizado nos puteiros da Ladeira da Montanha, conheci Mestre Pastinha e Mestre Bimba, vi meu ‘Bahêêêa’ ganhar para o escrete do Santos e Waldemar Santana encher Hélio Gracie de porrada.

Conheci os mistérios dos becos e ladeiras da velha Salvador, fui amigo de Cid Teixeira, Capinan, Guido Guerra e Luis Orlando, encarei dois anos de internamento no Hospital das Clínicas, tive febres diárias, colecionei escaras coloridas, vibrantes e sangrentas, decepcionei laudos médicos, busquei o tempo que eu queria da minha vida.

Um dia, uma brisa morna me carregou para o colo da bela Aracaju, onde eu soube ser feliz, no tempo que me restava. Aqui, bebi os melhores conhaques da minha vida, amanheci nas libações madrugadoras com o irmão-amigo José Eduardo Sousa, soube ouvir o violão de Pantera, a melodia de Paulo Lobo, o blues de Soyan, as conversas de Mariano e Bel nas andanças do Imbuaça. Aqui, plantei amigos, colhi irmãos, como o grande parceiro Gilson Sousa. Aqui, ouvi a melodia do Cataluzes, comi o melhor pirão de caranguejo do Pastelão, me fartei dos mistérios culinários da cozinha de Camilo.

Nessa terra, amei mulheres que reverencio até hoje. Fiz poemas para algumas, embriaguei-me com outras. Como esquecer do sorriso de Arlinda, que ganhou o mundo e acabou na Sorbonne? Como esquecer do sorriso sacana de Ana Paula? E os finais de tarde no Mosqueiro? E o chiado da tainha na frigideira do Bar de Nem? E a amizade da turma do Jornal da Cidade e da Aperipê TV.

Como esquecer da lealdade dos meus irmãos a vida inteira? E de Christina Brandi, cunhada que se tornou irmã? E da cumplicidade do irmão Chico Neto, que trilhou a vida inteira os bons caminhos do jornalismo, ético e honesto?

Um dia, o velho barril de carvalho pinga sua última gota de conhaque. E o poeta se despede de tudo, sem tristezas nem vexames. Apenas sabendo que cumpriu seu papel com dignidade, com honestidade e com um brilho de criança nos olhos.

Quem sabe, eu encontre o amarelo dos girassóis nesse novo caminho?

PS: Os amigos estão convidados para a última saideira no Bar do Camilo, assim que terminar o sepultamento. Já está pago.

Cleomar Brandi Ipiaú/BA, 18/01/1946* - Aracaju/SE, 17/07/2011+

JORNALISMO, MULHERES & CONHAQUE
 REDAÇÃO DA AP.TV: "AO ACORDAR, PAUTAR A VERDADE. AO DORMIR, EDITÁ-LA"
SEMPRE CERCADO PELAS GATAS: "UM CAMPEÃO NATO", DIZ O AMIGO WERDEN
VELÓRIO C/ SAMBA, CERVEJA & DOMECQ

SAIBA QUEM FOI O VELHO LOBO, MEU GRANDE MESTRE GONZO:
C.B.C.B.'S - CONFRARIA DE BAR CLEOMAR BRANDI http://vivalabrasa.blogspot.com/2008/09/c.html

quinta-feira, julho 14, 2011

NEM VADIA NEM SANTA
Solange De-Ré é modelo, cantora, escritora e está aí p/ provar que nem só de Larissa Riquelme e uísque falsificado vive o Paraguai. Nascida em Hernandárias, criada em Cascavel [PR] e radicada em São Paulo, a morena brasiguaia também é tradutora de inglês e espanhol, formada em Gastronomia, já lançou um livro de poesia – Jogos de Adestramento [Corpos Editora], foi vocalista da banda Bat-Cães de Patrulha, participou da coletânea Rock D’Prima e acaba de ficar noiva de Edu K.

Vagabundo que se preze goza de má fama, dorme e acorda quando quer, frequenta bons lugares (ou quaisquer lugares), tem amigos divertidos e ainda envelhece mais devagar”, ela postou em seu blog Talking Vaca, listando os motivos que a levaram a se apaixonar pelo peça-rara. “Eu mamo mamadeira, e o Edu também. Ainda vamos criar nossa própria marca de mamadeiras rock’n’roll. Vai virar moda, claro. Como tudo nesse mundo super original.

Em junho, foi uma das organizadoras da 1ª Marcha das Vadias realizada em SP. “O nome é a tradução do evento original iniciado no Canadá, e também uma ironia com o nome que costumam dar às mulheres com roupas curtas e atitudes liberais.” O evento aconteceu num sábado na av.Paulista, reuniu centenas de pessoas e algumas manifestantes chegaram a marchar só de calcinha, sutiã e salto alto.

Prestes a lançar seu 1º romance, MELANCOLIA, ela concedeu uma entrevista ao site GoGo Pornville – que eu reproduzo a seguir junto c/ outra sobre a Marcha p/ a TVBV. “Homens devem transar com todas, mulheres têm que esconder o número de parceiros que tiveram com medo da recepção masculina”, questiona. “E o pior disso é quando as mulheres se reprimem e acabam projetando essa frustração sobre outras, fazendo coro a um machismo que oprime elas mesmas”, diz Solange, dona de um belo par de... olhos.

Acho ótimo que as mulheres abram o jogo e assumam o gosto pela pornografia”, fala Edu, que está pegando muito bem. “A mulherada é tão tarada quanto os homens, isso é fato. Esse papo de que mulher não tem o mesmo sex drive que os homens é dos mais furados.

TVBV - Qual o objetivo da Marcha das Vagabundas?
Solange De-Ré - Acima de tudo lutar contra o medo que as mulheres sentem de como podem ser vistas pela sociedade. Levantar uma discussão sobre nossos conceitos do que parece certo ou errado, essa liberdade que sentimos para julgar uns aos outros, mas não sentimos para vestir uma roupa porque tememos o julgamento alheio. Isso não pode ser maior do que os nossos próprios desejos. Reprimimos muito em nome de um status social que se transforma em frustração em longo prazo. Então o conceito se torna um preconceito contra nós mesmas.

TVBV - Como foi a primeira marcha?
SDR - Foi um sucesso em relação ao número de pessoas que compareceram apoiando a causa e pela atenção que recebemos da mídia, que também foi bastante positiva.

TVBV - Causar esse ‘bafafá’ é positivo à classe?
SDR - É um risco que nos propomos a correr. Por outro lado, calar é consentir. Não é novidade pra ninguém que a violência doméstica, o abuso sexual e o machismo são parte da nossa cultura. E dizer que as mulheres são as ‘culpadas’ é elogiar, praticamente, aquele que espanca, estupra ou mata como um justiceiro.

TVBV - Qual o seu papel no evento?
SDR - Eu criei um blog em 2008 chamado Talking Vaca, que aborda de maneira bem humorada a relação homem-mulher e sociedade. A Madô Lopez, que trouxe a marcha pro Brasil, me convidou pra ser porta-voz pelas coisas que eu escrevo. Nunca fiz parte de nenhum grupo feminista, mas sempre me preocupei com a condição da mulher, pois faço parte do gênero.

TVBV - Como você analisa os resultados do primeiro encontro?
SDR - Conseguimos transmitir a idéia do que era a Marcha das Vagabundas, pois é um termo sócio-irônico. Houve represálias de alguns grupos feministas que questionaram o adjetivo usado. Mas com maturidade entendemos que muitas dessas mulheres que foram realmente espancadas, abusadas e humilhadas nunca tiveram acesso a certas informações. Eu sou uma parcela de uma classe informada, mas a mulher que apanha do marido, namorado ou é oprimida pela sociedade na maioria das vezes não sabe quem foi Simone de Beauvoir, mas conhece o peso do machismo.

GoGo Pornville - Falamos sobre a indústria pornô em nosso site, qual a sua opinião sobre filmes pornôs? Gosta? Consome? Gosta de alguma atriz ou ator em especial?
SDR - Gosto e consumo pornografia de maneira muito natural, e considero necessário como parte da educação sexual. Não tenho uma atriz em especial, mas gosto muito dos filmes europeus. Também sinto alguma nostalgia com os filmes mais antigos, com roteiros que iam além do sexo.

GGP - Recentemente em nosso site estamos percebendo um aumento grande do público feminino em comentários, e-mails e twitter. Qual a sua opinião sobre essa nova postura feminina com a pornografia?
SDR - É um avanço positivo. A mulher sempre se viu um pouco constrangida de ir até uma locadora e pegar um filme pornô por medo de como poderia ser vista pelo atendente ou quem quer que pudesse ver. Parecia pecado quando na verdade sexo é algo tão natural! Todos praticamos, é bom e é saudável.

GGP - Você já fez alguns ensaios sensuais, já pensou em fazer nu para alguma revista masculina? Já teve convites?
SDR - Não diferencio o ‘nu’ do ‘sensual’, ambos simbolizam sexo. E já posei nua sim, foi pro Suicide Girls, saí no livro oficial representando o Brasil inclusive. Foi um trabalho como outro qualquer.

GGP - Gosta de fetiches? Tem algum que já realizou e possa contar?
SDR - Meus fetiches não duraram muito porque sempre realizei na medida em que foram surgindo. Atualmente? Ver meu noivo trepando com a minha irmã. Acho que o namorado dela não ficaria muito satisfeito... (risos)


quarta-feira, julho 13, 2011


PAPAPARTY 
...“Que a vida é play on/ Que a vida é fact on/ Que a vida é beautiful on/ I’m an universe”...

Desde maio Edu K, Castor, Flu e Biba Meira voltaram a tocar juntos no Defalla, como todo mundo já sabe. Foram 4 shows até agora, 2 em Porto Alegre e 2 em São Paulo. Patty Fang esteve em todos e registrou os melhores momentos dessa reunião histórica.
Ela é amiga da banda desde 1989. “Sempre fui aos shows deles, de todas as fases e formações. O primeiro disco do Defalla mudou minha vida! Nunca tinha escutado nem visto nada parecido! Quando soube que fariam o show no Beco RS, da Discografia Rock Gaúcho, fiz um bate-volta, não pensei duas vezes”, diz Patricia, que mora em SP.
Em Porto Alegre, quando cheguei no Beco e vi aquela fila imensa, fiquei feliz e emocionada! Os 2 shows estavam lotados, a galera toda cantando, algumas pessoas chegaram a chorar! Só de lembrar já me arrepia! É muito bom saber que outras pessoas também estavam sentindo aquela mesma emoção que eu! Muitos só conheciam de disco, nunca tinham visto show deles com esta formação.
Teve uma tour em 2004/05 com o Edu, Flu e Biba, mas sem o Castor (no lugar estava o Rafael, ex-Planet Hemp), e eu afirmo: esses 4 juntos possuem uma magia inexplicável! O Castor é insubstituível, todos eles são. Parece uma viagem no tempo! Me sinto novamente nos anos 80, no Aeroanta ou Dama Xoc... Vi 2 ou 3 shows com esta formação em 89 e logo depois a Biba saiu da banda.
Patty usou sua Canon Powershot S5 IS p/ fazer as fotos e vídeos que você vê aqui. Apesar de não trabalhar na área, ela já tem um portfólio de respeito c/ registros de Cachorro Grande, Damn Laser Vampires, As Diabatz, etc. e das passagens do New Model Army e The Adicts pelo Brasil. “Se estou em um show sem câmera, só fico pensando nas fotos que estou perdendo.Honrando seu sobrenome, que significa ‘dente canino’, é apaixonada por filmes de terror.

Semana passada fui ao Fantaspoa conferir a semana dedicada a Mario e Lamberto Bava. Ficava das 15h até meia-noite no cinema. Vi 10 filmes e os debates com o Lamberto. O cara fez Demons! Não precisa dizer mais nada, né! Aliás, olha só a ironia do destino: eu fui pra POA e o Defalla veio pra SP. Tive que cancelar minha passagem e voltar antes para poder ver o show de sexta-feira.
Hoje é Dia do Rock, e p/ comemorar aí vai uma sequência matadora c/ Repelente e I Have to Sing a Song, do 2º disco, gravadas no Sesc Belenzinho no último sábado. “Eles continuam perfeitos no palco, Edu mais comportado e discreto.
Ok, Patty, mas Edu K discreto? O cara sozinho é um universo.
...“Que a vida é prodigy on/ Que a vida é freak on/ Que a vida é beautiful on/ I’m an universe”...

PLASTIC FANG*
 
EDU K GUITAR HERO
 CASTOR, FIEL ESCUDEIRO
FLU TB TEM UMA CARREIRA SOLO
 BIBA É PROFESSORA DE BATERIA



* todas as fotos e vídeos por PATTY FANG exceto a foto de abertura: a câmera de Patty vista por Eduardo Gabriel

domingo, julho 10, 2011


FRENÉTIKO  


Todo mundo sabe, a verdade vou falar: as gatas é que fazem esse mundo girar”...


Punk, gótico, hardcore, headbanger, rapper, romântico, funkeiro, sadomasô e até emo. Mais camaleônico que David Bowie, mais esquizofrênico que Mike Patton, mais sonso do que o Latino... Estou falando do monstro mutante do rock gaúcho... Não, não é o Humberto Gessinger... Tudo bem, ele também é sem-noção, mas não vamos exagerar. Afinal de contas, Edu K é um cara legal.

Nascido em 1969 no lado paraguaio de Foz do Iguaçu, Eduardo Dornelles descobriu o que queria ainda criança, ao assistir James Brown na TV. No início da adolescência foi morar em Porto Alegre e conheceu Carlos Eduardo Miranda, famoso produtor musical e jurado do programa Qual É o Seu Talento?, na época apenas um gordinho cabeludo que tocava numa banda chamada Urubu Rei – de onde sairiam os integrantes do seu futuro grupo, o Fluxo, que ficaria mais conhecido como Defalla.
Já fazia um tempo que eu estava com a idéia de fazer uma banda free jam maluca, tipo Grateful Dead, Mothers of Invention e Miles Davis na época do Miles Runs the Voodoo Down”, lembra Edu. “Quando eu conheci o Miranda, todo mês ele inventava versões novas das músicas do Urubu Rei e era sempre uma mais legal que a outra. Mal sabia ele, coitado, que ia me criar uma obsessão. O Miranda é o pai da neurose toda que gerou o Defalla. Mesmo que criássemos um molde, nós mesmos quebrávamos depois.
Lançaram o 1º álbum pelo Plug, selo da BMG, e emplacaram uma canção no rádio, Não Me Mande Flores, só p/ abandonar o pós-punk e se jogar no hip-hop no disco seguinte, transformando Como Vovó Já Dizia de Raul num rap. Edu, metamorfose ambulante, passou a adotar acessórios de skate e peças femininas em seu visual. Perucas na fase hard rock, cabelão e roupas rasgadas na fase heavy metal. No Hollywood Rock em 93, abriu p/ o Red Hot parodiando Anthony Kieds, nu c/ um meião cobrindo os genitais, e raspou seus dreads cor-de-rosa em pleno show.
A banda estava no auge, havia recém-lançado um dos discos mais experimentais da música brasileira, KINGZOBULLSHIT BACKINFULLEFFECT92, que não só unia rap & rock como acrescentava samba à mistura – muito antes de Marcelo D2, Edu K já estava à procura da batida perfeita. Produziu faixas e álbuns inteiros p/ Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Pavilhão 9, Câmbio Negro, Funk Fuckers, Comunidade Nin-Jitsu, P.U.S. e até Tiazinha. É tão malandro que emplacou um hit no funk carioca mesmo sendo sulista: Popozuda Rock’n’Roll, a trilha sonora da Feiticeira.
Participou de vários projetos como Cyco, Elektra, Vernon Walters, Groo Brothers e Teenage Disco Hell, e em 95 lançou MEU NOME É EDU K, trabalho solo em que tirava onda de galã pop romântico, terninho e tudo. Canta como um negão do soul e berra feito uma diva do trash. Sua extensão vocal lhe valeu o convite de Allan Sieber p/ ser a voz de Jesus na animação Deus É Pai, premiada em Gramado em 99. No curta seguinte, Os Idiotas Mesmo, Edu dublou quase todos os personagens.
11 anos depois de sua estréia solo, lança FRENÉTIKO em 2006 pelo selo Man Recordings do DJ Daniel Haaksman. O alemão não acreditou na fusão de Miami bass c/ funk do Brasil quando ouviu o disco MIAMI ROCK 2000, do Defalla. “Punk rocker Edu K’s combination of the brazilian hip-hop style known as baile funk and high energy rapping makes a sound that’s not a million miles away from vintage 1980s Beastie Boys, remodeled for the 21st century with generous helpings of sensuous reggaeton and electroclash”, disse Daniel. Eu poderia traduzir, mas soa melhor no original.
O novo álbum deu início a uma surpreendente carreira internacional. A música Gatas Gatas Gatas – clara referência a Girls Girls Girls do Mötley Crüe – ganhou clip dirigido por Bryan Barber, o mesmo de Hey Ya! do Outkast, e entrou na trilha de campanhas publicitárias da Nike, Coca-Cola e Sony Ericsson. Edu já botou som em festas na Europa, Austrália e Israel, remixou faixas de artistas gringos da nova geração como Cowgun, Don Omar e Act Yo Age, e lançou 2 EPs em 2009 pelo selo australiano Sweat It Out: RAVER LOVIN' e HEADBANGER.
Em maio, retornou c/ a formação clássica do Defalla. Ao lado de Biba, Castor e Flu, tocou o repertório do 1º disco em duas apresentações seguidas no Beco 203, em POA, e já se apresentou 2 vezes em SP, a última delas ontem, no festival Gig Rock. “Tu percebes que eles têm um tema da música e na hora do show meio que ‘ah vamos pirar e ver o que acontece’...”, diz o andrógino, que continua desafiando a semiótica e fazendo sucesso c/ a mulherada. Atualmente, Edu namora uma morena linda & tatuada.
Conversei c/ ele logo após a primeira noite de shows e só terminei de entrevistá-lo esta sexta-feira. O processo foi lento mas o barato foi louco, espero que vocês se divirtam lendo tanto quanto eu me diverti fazendo. Artista de vanguarda, músico de ouvido, gênio da chinelagem, nascido p/ ser palhaço; Edu K é o cara... de pau.
Viva La Brasa - E aí, como foram os shows no Beco?
Edu K -  Pohãn, a reunião das velhas foi demaaaais!!! Todo mundo gozando paetê, gente chorando, reunião de cafajestes da antiga e casa lotada pras 2 sessões que rolaram! E foi incrível tocar de novo com a gang! A última vez que a gente tocou junto foi há uns 20 e tantos anos e parecia que tinha sido na semana anterior! Heheh!
VLB - Faz um tempo que vocês estão ensaiando essa volta, desde o Circo Voador em 2005...
EduK - Sim sim! A gente vem falando sobre isso há séculos já! Mas como o Castor mora em Maceió sempre ficou só no caô mesmo, heheh! Mas daí o Lelê, do projeto Discografia Rock Gaúcho, nos convidou pra fazer o primeiro disco na íntegra com a formação original e tudo se alinhou pro reencontro triunfal! Hahahah!
VLB - Como era o esquema de shows do Defalla? Eu vi o do Hollywood Rock e umas imagens do Circo Voador, ambos de 93... Que tal aproveitarem essa reunião p/ fazer uma tour pelo Brasil tocando o repertório dos dois primeiros discos?
EduK - Pohãn, o Defalla foi uma das bandas do Sul que MAIS viajou! Tocamos pelo país todo, já desde o inicinho da banda! A gente viajava até em cima de jegue e dormia em banco de praça mas ia pra tudo que era lugar! Heheh! E a tour está nos planos, com um top hits dos 2 primeiros! Em breve num puteiro perto de você!
VLB - Vi uma foto sua tocando sax... ou seria um narguilé?
EduK - Eu? Tocando sax??? Hauhauhauhaua! Aquilo é uma bomba de chimarrão... Hahahaha! Nunca toquei sax – meu pai toca, de cuecas! Aaaaaaaaaaahuahua!
VLB - Vc criou a Fluxo ainda moleque, c/ uns 15, 16...
EduK - Sim, eu tinha uns 13 anos e morava em Foz do Iguaçu.
VLB - Que sons te influenciaram a montar uma banda?
EduK - Bem no início, quando éramos eu [vocal e guitarra], o Carlo [Pianta, baixo] e a Biba [bateria], a influência era goth rock, pós-punk e... rock progressivo! Hahaha! Na fase do primeiro disco já era a mistureba característica defalliana.
VLB - E a banda do Miranda, Urubu Rei?
EduK - O próprio Miranda em si é a maior influência. Ele era o Mestre Yoda da galera! Hahaha... Na real eu conheci o Miranda logo que cheguei em Porto Alegre e ele me levou pra ver um ensaio da banda dele na época, a Urubu Rei. A Biba, o Castor e o Flu já tocavam nessa banda: me apaixonei (e jurei roubá-los pra mim, hehe) instantaneamente!
VLB - Falando no Miranda, lembro de uma Bizz que ele entrevistou o Defalla sobre umas brigas de bar que vcs andavam se metendo, na fase metal, acho que era 90 ou 91...
EduK - Hauhauahua! Se eu me lembrasse disso é porque não estava lá! Hauhauahu...
VLB - O nome Defalla é obviamente uma homenagem ao compositor espanhol Manuel de Falla, mas dizem tb que é um trocadilho c/ a banda The Fall...
EduK - Nada. Seria Gessinger demais esse trocadalho AHAHAH. O Manuel é o culpado mesmo!
VLB - KINGZOBULLSHIT foi o primeiro disco que você co-produziu. Foi sua primeira experiência na mesa ou vc já interferia na produção dos primeiros discos?
EduK - Na real foi a primeira vez que eu produzi com computador e tals. O Vicente Rubino, um amigão nosso que já produzia música eletrônica na época, nos convidou pra produzir umas coisas com ele e foi assim que eu me iniciei nesse mundo. Mas a parte de banda, que foi gravada em BH, quem produziu foi o Gauguin – engenheiro de som lenda viva do metal mineiro!
VLB - Eu considero o KINGZ... uma obra-prima.
EduK - Pohãn, adoro esse disco também! É tipo o nosso Paul’s Boutique: tem mais samples do que música HAHAHA! TRETA!
VLB - Desde então vc produziu todos os discos do Defalla, mas a freqüência das mudanças foi diminuindo e os álbuns ficaram temáticos. Por que isso? Sem Flu, Castor e 4nazzo na banda ficava mais difícil transitar entre estilos num disco só, às vezes numa mesma música?
EduK - Não, na real fiquei de saco cheio de ficar pulando pra tudo que era lado no mesmo disco! Continuei dando saltos bizarros mas de disco pra disco, hehe...
VLB - Vc tb produziu alguns clássicos dos anos 90 p/ vários artistas, como Ex-Detento do Piveti, Cadeia Nacional do Pavilhão 9 e Carnaval na Obra do Mundo Livre S/A. Como foi trabalhar c/ essas bandas, especialmente c/ o Piveti?
EduK - Produzir é do caralho! Me diverti muito e aprendi muito no ofício – sem falar que fiz muitos e bons amigos! O Piveti é foda! Era do caralho trampar com ele!
VLB - Defalla sempre foi vista como uma banda anticomercial, mas nesta década você foi na direção contrária, explorando estilos mais comerciais como funk carioca e punkinho emo. Essa auto-sabotagem é intencional?
EduK - Como assim auto-sabotagem? Auto-sabotagem é não zoar, não se divertir, não tirar onda! Hahaha! Além do que, sempre fui fissurado por pop, desde o começo!
VLB - Ganhou muita grana c/ Popozuda...? Soube que o visual roqueiro de vcs – c/ tattoos e dreadlocks – atrapalhou um pouco na hora de fechar contratos em bailes funks... Os produtores viam vcs e ficavam c/ medo hahah!
EduK - Ganhei e continuo ganhando mais de 10 anos depois! Popozuda Rock'n'roll é minha Garota de Ipanema, hahaha! Fez de mim um Morris Albert! Hahahaha!
VLB - Como foi trabalhar c/ a Tiazinha? Você pegou ela?
EduK - Hauhauahuahau! Nada! Somos bons amigues! E foi do caralho fazer o disco dela! Esse foi pra esculhambar tudo mesmo: era um puto disco de roque! Fodido! Geral não botou fé na época!
VLB - Vc sempre teve fama de comedor. Nos anos 80 estrelou o filme Aulas Muitos Particulares – em que tomava aulas de sexo c/ duas professoras gostosas – e tb namorou uma famosa atriz gaúcha. Qual é, essa sua androginia é só caô pra pegar mulher?
EduK - Caô nada, sou como Pepeu: um homem feminino! Hahahaha...
VLB - Por falar nisso, vc tá muito bicha no clip de Gatas Gatas Gatas. Que viagem foi aquela, um lance tipo Laerte [crossdresser], viadagem ou porralouquice?
EduK - Todas as opções acima e mais um pouco! Hahahahaha! O mais legal são os comentários no Youtube: pohãn, GATAS? Daonde que ESSE cara pega gatas? Hauhauhau...
VLB - Hahahahah! Foda... Vc já tinha tentado a carreira solo nos 90, mas este disco novo te trouxe um sucesso inédito. Ambos foram produzidos por vc mesmo, qual a diferença que vc acha p/ um emplacar e outro não?
EduK - A diferença? Se chama EUROPA! Meu disco solo dos 90 era muito avançado pra época. O pop trash R&B só desembarcou no Brasil anos depois!
VLB - FRENÉTIKO abriu p/ vc uma carreira internacional, e eu só vejo críticas elogiando o trampo em sites tipo o Meanbucket e o Gutter Broadcast. Conta aí a experiência de tocar na gringa e como tá sendo essa carreira nova. Boas festas, imagino...
EduK - É de foder! Viajar pelo mundo zoando e fazendo festa – e ainda ser pago pra isso – é o sonho de qualquer vagabundo! Agora em outubro rola a tour do UDEK (meu projeto electro metal) na Europa.
VLB - Hoje vc é um dos principais DJs brasileiros. Tb canta enquanto bota som?
EduK - Eu sou bem vagabundo, dá preguiça de cantar. Mas às vezes dou uns berros no mike. Nos sets do UDEK rola até uns screamo hahaha!
VLB - Yeah! Vamos falar um pouco de hards e softs. Que equipamentos e programas vc usa? MPC, Serato, Nuendo?
EduK - Migrei pro Live agora e tô amando! Mas até pouco tempo usava o Reason e o Record.
VLB - Fiquei sabendo q vc fez remixes p/ Jay-Z, Gotham Project e vários nomes da cena eletrônica underground. Como é esse trampo, os caras te pagam, a gravadora deles te procura?
EduK - Jay-Z? AAAAAAAAAAAAAA! HAUHAU! Rola de tudo que é jeito: os selos me procuram, os artistas me procuram – sou amigo de muita gente da cena e muitas vezes a galera me pede remixes também, diretamente.
VLB - E o Produtores Toddy, da Mtv?
EduK - Foi um projeto que eu criei com o produtor Rossato – que tocava guitarra na Bidê Ou Balde. A idéia era criar um espaço pra lançar bandas novas e mega-independentes. O projeto durou 2 anos e revelou gente como a Cine e o Restart!
VLB - Então você é um dos culpados! Bastardo! Tá trabalhando em que agora, Edu? O que vem por aí?
EduK - Um milhão de remixes, mais EPs do UDEK, mais a volta do Defalla, mais uma banda nova picareta chamada Metal Gods of Mayhem, mais várias festas de Pop, Funk e Electro, meu programa de rádio, o Tiger Blood, que rola na Ipanema FM todas madrugadas de sexta pra sábado, da meia noite à uma... e mais um monte de coisas que eu nem me lembro haha...
VLB - Cara, vc é o ator preferido do Allan Sieber, dublou a maioria das animações dele, e o Allan tb fez clips, quadrinhos e capas de disco pro Defalla. Fale um pouco dessa parceria dos dois.
EduK - Pohãn, eu e o Allan já varamos noites cariocas sem fim rodeados de travas tomando banho em banheira de hidro-massagem cheia de champagne! Preciso dizer mais? Hahahahaha!
VLB - É verdade que te sondaram p/ participar da Casa dos Artistas mas desistiram pq te acharam louco demais?
EduK - Sim! Hahahaha! E duas vezes ainda!
VLB - Dada a sua notória escrotidão, já te convidaram p/ ser ator pornô?
EduK - Ainda não... mas já saí na G Magazine! Aaaaaaaaaaaaaaaa... 

METAMORFOSE AMBULANTE
 
DJ EDU K BOMBANDO NA NIGHT EM 2010
C/ CASTOR DAUDT NO DEFALLA, EM 1988 
ARTE DE ALLAN SIEBER P/ O MIAMI ROCK 
O FILME 'AULAS MUITO PARTICULARES' 
VIDEOGAME C/ BIANCA JHORDÃO, MTV 
OS EPS RAVER LOVIN' E HEADBANGER 
SOLTANDO A VOZ NA VOLTA DO DEFALLA 
C/ A NAMORADA SOLANGE DE-RÉ, 2011