sexta-feira, julho 01, 2011

NA TORCIDA
Adriano de Souza torceu o joelho ao executar um aéreo durante viagem de free surf às ilhas Maldivas, no Oceano Índico. Às vésperas da 4ª etapa do World Tour, a contusão ameaça sua liderança no circuito mundial. A notícia foi divulgada nos EUA pelo Fantasy Surfer e na Austrália pelo Swellnet antes mesmo dos sites e revistas nacionais ficarem sabendo. 

Nº 1 da ASP, Mineirinho está na mira da mídia estrangeira desde que venceu a etapa do Rio de Janeiro e assumiu a ponta do ranking. Aos 24 anos, há 4 entre os Top 10, é um dos únicos rivais à altura de Kelly Slater – derrotou-o na Austrália em abril, somando um 3º lugar. Pela primeira vez um surfista vindo de país que não fala inglês lidera o mundial de surf, e por mais que os gringos não gostem da idéia, eles têm que aceitar os fatos. Dia 23 de junho a revista australiana Stab postou em seu site uma entrevista inédita; no dia seguinte a californiana Transworld Surf rendeu uma homenagem intitulada “A Photographic Salute to Adriano de Souza”...

Não sei se já perceberam lá fora, mas Mineiro não está sozinhoé o ponta-de-lança da nova seleção que vem tomando de assalto o circuito. Jadson André, 22 anos, venceu Slater na final do Brasil em 2010 e há 2 temporadas se mantém entre os Top 16. Heitor Alves, 29, e Raoni Monteiro, 28, são os mais experientes – ano passado Heitor venceu 4 etapas do QS e Raoni levou em Sunset, no Havaí. Alejo Muniz, 21, começou 2011 vencendo em Noronha e recebendo o prêmio de melhor novato na elite. Esses são os que já estão. Ainda tem os que vêm.

Uma semana antes do WT no Rio rolou na Califórnia um campeonato Prime, o tipo mais valioso do Qualifying. Bancado pela Nike 6.0, o evento aconteceu em Lower Trestles, onde lendas como Slater e Tom Curren começaram suas carreiras. É um fundo de areia que quebra perfeito p/ os dois lados e permite aliar surf de linha a manobras progressivas. Adriano, que mora na área há 2 anos, correu esse campex mas perdeu de prima, abrindo a porteira p/ a raça atacar em massa.

8 brasileiros chegaram entre os 12 melhores, 6 deles alcançaram as quartas-de-final e 3 avançaram às semis. Thiago Camarão e Jessé Mendes ficaram em 3º lugar, sobrando Miguel Pupo p/ disputar a final contra o local Tanner Gudauskas, que eliminou Heitor e Jessé. Miguel usou seu letal aéreo 360 de frontside p/ levar por uma diferença de 0.06 ponto [13.63 x 13.57]. No pódio, mordeu o troféu – como os ourives fazem p/ conferir a autenticidade do ouro – que, aliado ao cheque de campeão, somava $70 mil dólares. “É nóis Brasil!

Miguel tem 19. Se viajar o mundo nessa idade ganhando dinheiro p/ surfar já é viver o sonho, imagina fazer isso desde os 15. Em 2009, Gabriel Medina venceu seu primeiro campeonato profissional derrotando Neco Padaratz na final de um QS 6* em Floripa. Há 3 semanas, Gabriel obteve sua segunda vitória no circuito, novamente em Santa Catarina, desta vez num 6* Prime, o Super Surf em Imbituba valendo US$ 40 mil.

Depois de marcar uma nota 10 nas quartas e a média de 18.87 pontos de 20 possíveis na semi, o moleque de 17 anos bateu na final o veterano de 31 Tom Whitaker, australiano ex-top do World Tour. Medina tirou 9.10 na sua segunda onda, em que mandou dois vôos, e 8.77 na terceira, c/ batidas, rasgadas e um layback p/ calar a boca de quem diz que ele só sabe voar. Na sequência, outro 10 unânime dos juízes, numa onda que abriu c/ um aéreo e seguiu intercalando manobras até a beira.

No último finde Gabriel fez final em mais um Prime, desta vez em Portugal, onde eliminou o Top 10 Jeremy Flores e a promessa John-John Florence, da sua geração. Perdeu p/ Julian Wilson, que teve a performance da vida, chegando aos 19.37 pontos p/ superar o prodígio brasileiro – $20 mil mais rico c/ o 2º lugar. Medina já é o 18º colocado no ranking unificado, à frente do campeão mundial CJ Hobgood e outros da 1ª divisão. Pupo fez a semifinal e aparece em 25º.

Em Trestles, a primeira coisa que Miguel fez quando saiu da água na final foi abraçar o pai, Wagner Pupo, ex-Top do Brasil e atual shaper e agente do filho. Adriano de Souza chorou todo o tempo na sua histórica vitória na Barra da Tijuca, de dentro d’água até o palanque, onde deu um forte abraço no cara que basicamente moldou sua carreira, o técnico Pinga. Gabriel levou a mãe e os irmãos p/ assisti-lo no Sul e também foi às lágrimas ao vencer.

Trouxe toda a minha família e me senti em casa”, discursou no pódio enxugando o rosto. “Vou pra Europa correr todos os campeonatos importantes para tentar me classificar. Seja o que Deus quiser.Nós, brasileiros, somos emotivos, o oposto dos povos de origem inglesa, tipo aussies e ianques. Os caras me criticam até por comemorar minhas ondas, falou Mineirinho na entrevista à StabMas foda-se, é meu jeito de demonstrar emoção, felicidade.

Enquanto Bobby Martinez chora as pitangas, os brazucas não querem nem saber e ocupam 8 das 32 vagas p/ a 1ª divisão no 2º semestre. Se a tendência permanecer até setembro, quando ocorre o corte, teremos ¼ dos integrantes p/ o WT 2012o maior contingente desde 1994, ano em que emplacamos 2 vitórias e 4 surfistas entre os Top 16: Fábio Gouveia, Teco Padaratz, Victor Ribas e Jojó de Olivença. A geração encabeçada por Adriano é a mais forte desde que Teco & Fabinho surgiram, em 88.

Dia 14, ele defende a liderança em Jeffrey’s Bay, África do Sul, pico de direitas geladas e tubulares onde sempre manda bem. Em 5 participações, Souza chegou 4X às quartas-de-final. Só que este ano 5º lugar pode ser pouco diante dos adversários que estão na sua cola. Joel Parkinson, KS, Taj Burrow, Jordy Smith – todos eles já venceram em J-Bay, alguns mais de uma vez, como Parko e o careca. Conseguirá Mineiro manter-se na pole e ser campeão mundial no fim do ano?

E a torção no joelho? “Maldivas acabou pra mim”, postou no Facebook aumentando o suspense... “A lesão teve grau leve, sem repercussão clínica”, tranquiliza a torcida o médico Marcelo Baboghluian, que acompanha Adriano há 10 anos. “Ele já está treinando para o próximo campeonato e no dia 10 estará na África.

STAB - Qual a sensação de ser o surfista nº 1 do mundo?
ADRIANO MINEIRINHO - Muita gente veio me dizer: 'agora você tá sentado no topo do mundo', mas não é assim que eu me sinto. Ainda é muito cedo, cara. O que aumentou foi minha excitação para surfar exatamente como eu quero. Antes, eu não estava nem feliz com o jeito que vinha surfando. Agora, estou mais empolgado pra ver aonde posso ir com aéreos loucos e o que mais vier à cabeça.

S - Você venceu a última etapa mas não pôde aproveitar por causa dos compromissos com a mídia no Brasil. Pode ser que esse momento não se repita, você não devia estar curtindo mais?
AM - Não, na verdade eu me sinto bem mais confortável depois dessa vitória. Estarei definitivamente mais à vontade em J-Bay do que costumava ficar antes. Eu sei que as luzes e a mídia vão ficar em cima de mim porque eu sou o nº 1, mas eu vou curtir tudo isso. Estou num grande momento da minha vida, aos 24 anos ver todos os meus heróis abaixo de mim no ranking é demais, muito legal.

S - O que mudou em você este ano?
AM - Depois de quase 6 anos no Tour, estou aplicando tudo o que aprendi. Então estou muito mais confiante este ano. Minha abordagem, meu foco, meu surf. Eu só quero vencer.

VITÓRIAS EMOCIONAIS
 MINEIRINHO VOANDO P/ A LIDERANÇA NO WT
 COMEMORANDO P/ DESESPERO DOS GRINGOS
E AGRADECENDO À TORCIDA, DE JOELHOS
MIGUEL PUPO DECOLANDO EM TRESTLES
AOS 19, SENTINDO O GOSTO DO OURO
GABRIEL E SEUS AÉREOS MATADORES
FAMÍLIA MEDINA, US$ 40 MIL MAIS FELIZ

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