quinta-feira, julho 14, 2011

NEM VADIA NEM SANTA
Solange De-Ré é modelo, cantora, escritora e está aí p/ provar que nem só de Larissa Riquelme e uísque falsificado vive o Paraguai. Nascida em Hernandárias, criada em Cascavel [PR] e radicada em São Paulo, a morena brasiguaia também é tradutora de inglês e espanhol, formada em Gastronomia, já lançou um livro de poesia – Jogos de Adestramento [Corpos Editora], foi vocalista da banda Bat-Cães de Patrulha, participou da coletânea Rock D’Prima e acaba de ficar noiva de Edu K.

Vagabundo que se preze goza de má fama, dorme e acorda quando quer, frequenta bons lugares (ou quaisquer lugares), tem amigos divertidos e ainda envelhece mais devagar”, ela postou em seu blog Talking Vaca, listando os motivos que a levaram a se apaixonar pelo peça-rara. “Eu mamo mamadeira, e o Edu também. Ainda vamos criar nossa própria marca de mamadeiras rock’n’roll. Vai virar moda, claro. Como tudo nesse mundo super original.

Em junho, foi uma das organizadoras da 1ª Marcha das Vadias realizada em SP. “O nome é a tradução do evento original iniciado no Canadá, e também uma ironia com o nome que costumam dar às mulheres com roupas curtas e atitudes liberais.” O evento aconteceu num sábado na av.Paulista, reuniu centenas de pessoas e algumas manifestantes chegaram a marchar só de calcinha, sutiã e salto alto.

Prestes a lançar seu 1º romance, MELANCOLIA, ela concedeu uma entrevista ao site GoGo Pornville – que eu reproduzo a seguir junto c/ outra sobre a Marcha p/ a TVBV. “Homens devem transar com todas, mulheres têm que esconder o número de parceiros que tiveram com medo da recepção masculina”, questiona. “E o pior disso é quando as mulheres se reprimem e acabam projetando essa frustração sobre outras, fazendo coro a um machismo que oprime elas mesmas”, diz Solange, dona de um belo par de... olhos.

Acho ótimo que as mulheres abram o jogo e assumam o gosto pela pornografia”, fala Edu, que está pegando muito bem. “A mulherada é tão tarada quanto os homens, isso é fato. Esse papo de que mulher não tem o mesmo sex drive que os homens é dos mais furados.

TVBV - Qual o objetivo da Marcha das Vagabundas?
Solange De-Ré - Acima de tudo lutar contra o medo que as mulheres sentem de como podem ser vistas pela sociedade. Levantar uma discussão sobre nossos conceitos do que parece certo ou errado, essa liberdade que sentimos para julgar uns aos outros, mas não sentimos para vestir uma roupa porque tememos o julgamento alheio. Isso não pode ser maior do que os nossos próprios desejos. Reprimimos muito em nome de um status social que se transforma em frustração em longo prazo. Então o conceito se torna um preconceito contra nós mesmas.

TVBV - Como foi a primeira marcha?
SDR - Foi um sucesso em relação ao número de pessoas que compareceram apoiando a causa e pela atenção que recebemos da mídia, que também foi bastante positiva.

TVBV - Causar esse ‘bafafá’ é positivo à classe?
SDR - É um risco que nos propomos a correr. Por outro lado, calar é consentir. Não é novidade pra ninguém que a violência doméstica, o abuso sexual e o machismo são parte da nossa cultura. E dizer que as mulheres são as ‘culpadas’ é elogiar, praticamente, aquele que espanca, estupra ou mata como um justiceiro.

TVBV - Qual o seu papel no evento?
SDR - Eu criei um blog em 2008 chamado Talking Vaca, que aborda de maneira bem humorada a relação homem-mulher e sociedade. A Madô Lopez, que trouxe a marcha pro Brasil, me convidou pra ser porta-voz pelas coisas que eu escrevo. Nunca fiz parte de nenhum grupo feminista, mas sempre me preocupei com a condição da mulher, pois faço parte do gênero.

TVBV - Como você analisa os resultados do primeiro encontro?
SDR - Conseguimos transmitir a idéia do que era a Marcha das Vagabundas, pois é um termo sócio-irônico. Houve represálias de alguns grupos feministas que questionaram o adjetivo usado. Mas com maturidade entendemos que muitas dessas mulheres que foram realmente espancadas, abusadas e humilhadas nunca tiveram acesso a certas informações. Eu sou uma parcela de uma classe informada, mas a mulher que apanha do marido, namorado ou é oprimida pela sociedade na maioria das vezes não sabe quem foi Simone de Beauvoir, mas conhece o peso do machismo.

GoGo Pornville - Falamos sobre a indústria pornô em nosso site, qual a sua opinião sobre filmes pornôs? Gosta? Consome? Gosta de alguma atriz ou ator em especial?
SDR - Gosto e consumo pornografia de maneira muito natural, e considero necessário como parte da educação sexual. Não tenho uma atriz em especial, mas gosto muito dos filmes europeus. Também sinto alguma nostalgia com os filmes mais antigos, com roteiros que iam além do sexo.

GGP - Recentemente em nosso site estamos percebendo um aumento grande do público feminino em comentários, e-mails e twitter. Qual a sua opinião sobre essa nova postura feminina com a pornografia?
SDR - É um avanço positivo. A mulher sempre se viu um pouco constrangida de ir até uma locadora e pegar um filme pornô por medo de como poderia ser vista pelo atendente ou quem quer que pudesse ver. Parecia pecado quando na verdade sexo é algo tão natural! Todos praticamos, é bom e é saudável.

GGP - Você já fez alguns ensaios sensuais, já pensou em fazer nu para alguma revista masculina? Já teve convites?
SDR - Não diferencio o ‘nu’ do ‘sensual’, ambos simbolizam sexo. E já posei nua sim, foi pro Suicide Girls, saí no livro oficial representando o Brasil inclusive. Foi um trabalho como outro qualquer.

GGP - Gosta de fetiches? Tem algum que já realizou e possa contar?
SDR - Meus fetiches não duraram muito porque sempre realizei na medida em que foram surgindo. Atualmente? Ver meu noivo trepando com a minha irmã. Acho que o namorado dela não ficaria muito satisfeito... (risos)


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