sábado, agosto 27, 2011

ACIMA DA MÉDIA 
O FUTURO JÁ CHEGOU... E VEM DO BRASIL
Superlativo. Imparável. Avassalador. Em apenas 2 anos de surf profissional, Gabriel Medina já esgotou o uso de adjetivos como ‘fenômeno’ e ‘prodígio’. São tantas atuações de tirar o fôlego, c/ notas 10, médias altíssimas e vitórias arrebatadoras, que a mídia especializada está tendo que ser tão criativa na descrição de seus feitos quanto ele é nas ondas c/ suas manobras futuristas. Aos 17, já acumula 3 vitórias no circuito mundial e está classificado p/ o World Tour – estréia em setembro, na Califórnia.

Sua última façanha foi a vitória de ponta-a-ponta na França, primeiro no Airwalk Pro Junior, dia 14, e em seguida no Sooruz Lacanau Pro, no mesmo domingo que a Seleção Sub-20 conquistava o mundial de futebol. Medina é o primeiro surfista a vencer as duas categorias em 32 anos desta etapa na ASP, c/ direito a 4 notas 10 ao longo da semana – uma delas na final. “Estou chocado, ele só me envergonhou aqui”, disse no pódio o vicecampeão Mitch Crews, da Austrália, provocando risos na praia. “Na real ele é um surfista incrível e estou feliz com o segundo lugar.”

Gabriel surgiu em 2009 como o mais jovem vencedor de uma etapa do Qualifying Series. Tinha 15 anos e ainda era amador quando bateu na final do Maresia 6* em Floripa o local Neco Padaratz, 32 e top do WT. Prêmio: US$ 20.000,00 e profissionalização imediata. No segundo semestre chocou o mundo em sua primeira vitória na França, c/ a média perfeita de 20 pontos – duas notas 10 – na final do King of the Groms, espécie de mundial sub-16, igualando a marca de Kelly Slater em Teahupoo 2005. Eleito a revelação do ano pelos leitores das revistas Fluir e AlmaSurf.

Em 2010 impressionou o campeão mundial Martin Potter, pai da nova escola, c/ “uma das melhores performances já vistas” durante o ISA World Junior. Campeão sub-18 na Nova Zelândia, somando 19.90 p/ derrotar um australiano, um taitiano e um sulafricano na final. As notas que descartou – 9.46, 8.50 e 8.20 – ainda superariam as melhores dos seus oponentes. Na Austrália, venceu o Grom Search e ganhou a vaga p/ o Rip Curl Pro em Bells Beach, batendo o campeão mundial CJ Hobgood e perdendo apenas p/ o bicampeão Mick Fanning, que ele afirma ser seu ídolo, num misto de elogio e estratégia já que ambos são patrocinados pela mesma marca.

Chegou às semifinais no mundial sub-20, também na Austrália, c/ direito a nota 10, e a mais uma semi no QS da Espanha, onde compete novamente semana que vem. Na França, a segunda vitória: Cash for Tricks, campeonato internacional de aéreos que lhe valeu €1.425,00 e um contrato c/ a Nike.Ele está absolutamente fora da curva média de rendimento”, diz o jornalista Túlio Brandão, do site Waves. “Decide quase todas as suas baterias com combinações humilhantes e pontuações que muitas vezes ultrapassam os 19 pontos. Descarta, com freqüência, notas superiores a 8 pontos. Parece um Tyson no auge.

No início de 2011 foi a vez do Boost Mobile SurfSho, outro campeonato de aéreos, outra vitória na Austrália. Notas 10 e 9.93 na final, descartando um 9.07 e levando p/ casa um BlackBerry e mil dólares. Em maio calou a boca dos que se apressaram em taxá-lo de maroleiro, c/ um desempenho sem precedentes na pesada onda da Praia da Vila, durante o SuperSurf em Santa Catarina. Marcando três notas 10 e as oito melhores médias, sendo 3 delas acima de 19 pontos nas quartas, semi e final, Gabriel obteve sua segunda vitória no circuito mundial apresentando, literalmente, um super surf.

Eu diria que, na Vila, Medina foi além: mostrou ao mundo um novo jeito de surfar ondas de 6 pés, que até então não tinha sido apresentado por nenhum outro surfista do mundo”, completa Brandão. Como se estivesse no quintal de casa em Maresias [SP], abria suas atividades c/ 360 airs, kerrupts & superman no ponto mais crítico das paredes de 2 metros, emendando manobras na face até o inside. “Ninguém conseguiria ganhar dele hoje”, admitiu o australiano Tom Whitaker, ex-top WT e vice da etapa. “Durante duas horas tudo que não era Medina ficou antigo e ultrapassado”, resumiu Júlio Adler na revista Hardcore.

C/ a vitória no SuperSurf, tornou-se o mais jovem a vencer um evento Prime da ASP. Prêmio: US$ 40.000,00 e 6.500 pontos na classificação. Na semana seguinte ficou em 2º no Quiksilver Prime em Portugal – mais $20 mil dólares e 5.200 pontos na tabela – e em julho foi destaque no Mr.Price Pro na África do Sul, dois campeonatos que testaram seu surf de backside em ondas de responsa, sejam de linha ou tubulares. Gabriel é imprevisível, tem um amplo arsenal de manobras aéreas, voa alto c/ projeção, quase nunca cai da prancha, e alia tudo isso a batidas, rasgadas e laybacks.

I just like to go big”, disse no pódio em Lacanau. Medina asserts domination”... Medina makes history”... As manchetes eram todas nesse naipe na França. Ele já não tem mais adversários na sua faixa etária, apenas admiradores. “Gabriel é um dos meus surfistas favoritos”, falou o 3º colocado, Kolohe Andino, que tem a mesma idade e foi eliminado por ele. Logo no início da semi, Medina pôs o campeão americano jr. em interferência. “Eu não queria fazer papel de bobo, mas ele fechou a disputa logo nos primeiros 2 minutos”, lamentou Andino. “Em ondas assim é impossível conseguir dois 10”. 

Não p/ Medina Show, apelido ganho após as vitórias back-to- back das últimas semanas. Gabriel, que já era chamado na imprensa estrangeira de “Wonder Kid” e “Rise Talent”, venceu o Airwalk Pro Junior c/ 100% de aproveitamento, fazendo as 7 melhores médias do campeonato e deixando todos os outros competidores em combinação nas 7 baterias que disputou – situação semelhante a um time estar 2 gols à frente no placar de uma partida. C/ seus aéreos reverses de ponta-cabeça que mais parecem loops, o garotão sobrou entre os sub-20. Gabaritou a semi c/ outra média 20 e na final marcou seu terceiro 10 na competição. Fudido!

Ao longo da semana passada seguiu batendo recordes e mesmerizando o público francês, que acompanhava suas apresentações na beira d’água. No Sooruz Pro venceu mais 6 baterias, c/ picos de 19.63 na 2ª fase e 19.23 na final. Abriu a decisão contra Crews tirando um 8.00, seguido de 7.43, 9.23, 7.10, 9.00, 8.53 e finalizou c/ um 10, p/ não perder o hábito. “Estou apenas tentando fazer as coisas que costumo fazer em casa”, falou Medina mais uma vez no topo do pódio. “Lacanau é muito semelhante ao pico de onde venho, eu curto muito estar aqui.

U$ 20.000,00 mais rico, será também o mais jovem a estrear no WT. C/ 27.058 pontos, está em 17º no ranking mundial unificado e terá pela frente 4 etapas da 1ª divisão em condições totalmente favoráveis. “Defina a onda como uma esquerda que varia de 1 a 6 pés, mais afeita a manobras que a tubos, perfeita”, Túlio Brandão cogita: “Agora, encaixe no contexto do atual modelo de julgamento da ASP, que valoriza e estimula as manobras aéreas mais progressivas. Neste cenário, não há como fugir do óbvio – Gabriel Medina é o melhor do mundo.

Jeff Mull, repórter ianque do GrindTV, admite que por décadas o termo “surfar como um brasileiro” foi usado de modo pejorativo. “Antiestético, um estilo que não caía bem. Mas a nova geração está demarcando um novo território, e na frente dessa revolução está um garoto moreno de cabelo enrolado com apetite voraz para notas 10. Seu nome é Gabriel Medina. Com um exército de camaradas na retaguarda e um futuro brilhante pela frente, ele está redefinindo não só a reputação do surf brasileiro, mas o surf progressivo como um todo.

O moleque é tão campeão que vence até preconceito. “Eu entro pra arriscar mesmo nas baterias”, diz tranqüilo entre sessões de skate e horas vagas no Facebook. Normal fora d’água, freak total c/ a prancha nos pés, o piá que queria ser jogador de futebol já começa a tirar o sono de muito surfista profissional consagrado. “Eu não tenho nada a perder, então arrisco os aéreos mais difíceis depois que já consigo uma boa vantagem nas baterias. É isso, apenas tento me divertir mostrando o que sei fazer. E tem dado certo.

Alguém aí já usou a palavra ‘gênio’?

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