segunda-feira, agosto 08, 2011

FILHO DE PEIXE 
FILIPE TOLEDO, 16 ANOS E MUITOS TÍTULOS

Eu comecei a pegar onda muito cedo, aos 5 anos de idade”, diz o ubatubense Ricardo Toledo, bicampeão brasileiro de surf profissional. “Com 17 anos, eu venci o Festival Brasileiro de Ubatuba, em 1985. Em 87 a Abrasp nasceu e eu venci o circuito duas vezes, em 91 e 95. Tive a oportunidade de ter uma carreira no esporte através do meu pai e da minha mãe, que sempre me apoiaram naquela época que o surf era muito marginalizado.

Ele ainda compete. Foi o campeão das triagens p/ o Mundial Master do Rio e ficou em 17º no evento principal, terminando à frente do campeão mundial Barton Lynch e de feras como Brad Gerlach, Gary Elkerton e Richie Collins. “É muito legal ver o surf crescer, ver as novas gerações virem e eu ainda estar fazendo parte da história.” Quando jovem, era tão talentoso quanto controverso – em 2001 apareceu no Super Surf c/ um ‘PCC’ pichado no bico da prancha ao lado de um adesivo do Corinthians p/ protestar contra a falta de patrocínio. Hoje em dia, sua atitude mais polêmica é surfar de sunga. Aos 43 anos, Ricardinho é o patriarca de uma dinastia.

O primogênito Matheus tem 20 anos e é o atual campeão paulista pro. A vitória na 1ª etapa de 2010, disputada em boas ondas de 2 metros no Guarujá, rendeu R$ 8.000, e o título estadual valeu $3 mil mais uma moto 0km e uma viagem c/ tudo pago p/ o Peru. O caçula Davizinho tem 12 e já arrisca suas primeiras manobras nas competições. Mas é o filho do meio que tem matado o velho de orgulho. C/ 13 anos, Filipe Toledo já colecionava 4 títulos nas categorias de base do paulista amador, 5 em Ubatuba e 3 no Rip Curl Grom Search. Também foi campeão brasileiro iniciante e chegou às quartas-de-final do Hang Loose Pro Contest, em Fernando de Noronha.

 “Ele é um moleque focado, que gosta do que faz, que gosta de competir, não gosta de errar e não gosta de perder, é que nem eu”, coruja Ricardo, que também cuida da carreira da prole. “O Matheus não gostava de me ouvir, durante as competições fazia o que queria e isso trouxe algumas conseqüências pra ele. Já pro Filipe, eu falo: ‘Filho, vai lá se divertir, vai curtir, vai fazer o que você gosta, não alivia, não tira o pé não!’ E ele me ouve, ao contrário do Matheus. Por isso que muitas vezes saem notas boas e o surf dele tem evoluído.” Segundo Carl Jung, a relação de pais e filhos é regida pelas aspirações do pai quanto a si e ao filho, e pelas aspirações do filho p/ a sua própria vida.

Em 2010, Filipe foi vicecampeão do King of the Groms na França e venceu o circuito brasileiro amador na categoria júnior. No mês de maio conquistou o ISA World Junior em ondas de 10 pés [mais de 3 metros] na praia de Caballeros, no Peru, trazendo um título inédito p/ o Brasil: campeão mundial mirim. Em junho, venceu a etapa de abertura do circuito Petrobras e se profissionalizou p/ levar o cheque de R$ 10.000, mais R$ 2.500 pela melhor média da competição [18 pontos] e R$ 1.250 pela nota 10 na final. “Eu estava sem vontade de vir pra esse campeonato”, falou no pódio, “mas meu pai botou uma pilha, disse que eu ia mandar bem e fui avançando bateria por bateria sem preocupação. Acabei ganhando.

Procuro dar tranqüilidade pra ele ir lá e fazer o que sabe, que é quebrar as ondas”, resume o pai-técnico. C/ 16 anos recém-completos, o franzino Filipinho já acumula 5 temporadas nas ondas peruanas, conhece Indonésia, Tahiti, Europa, e no último domingo acrescentou mais um resultado de peso ao seu currículo: campeão pro-jr. do US Open na Califórnia. Competiu como convidado do seu novo patrocinador [Nike 6.0] e voou muito no píer de Huntington p/ derrotar 3 esperanças ianques na final sub-20: Conner Coffin, John John Florence e Kolohe Andino – que também é filho de surfista, o ex-campeão americano Dino Andino.

É inacreditável vencer essa galera bastante badalada aqui na América e que sempre vejo quebrando nos eventos. Eu sempre me inspirei no meu pai e no meu irmão, esta vitória significa muito pra mim!” A ASP já o aponta como um dos adolescentes que estão estendendo os limites do surf, ao lado de Gabriel Medina e Miguel Pupo [outro filho de competidor, por sinal]. O título obtido num dos maiores centros do esporte trouxe visibilidade internacional p/ Filipe. E o prêmio de $4 mil dólares vai garantir um belo presente de Dia dos Pais p/ Ricardinho.

OS TOLEDO em
Família que Surfa Unida Segue Vencendo
 
 O PAI RICARDO, BICAMPEÃO BRASILEIRO

 O IRMÃO MATHEUS, CAMPEÃO PAULISTA
FILIPE, CAMPEÃO MUNDIAL MIRIM
BS AIR NO PÍER DE HUNTINGTON
 CAMPEÃO PRO-JR. DO US OPEN

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