sábado, setembro 24, 2011

NÃO IMPORTA
Carreguem suas armas e tragam seus amigos. Hoje à noite comemoramos os 20 anos do disco NEVERMIND. “Hello, hello, hello, how low”...

O Nirvana foi formado em 1987 na cidadezinha de Aberdeen, estado de Washington. Lançou o 1º disco em 1989. BLEACH, produzido por Jack Endino p/ a Sub Pop, custou US$ 600 mas também não vendeu muito. Enquanto isso, bandas nascidas no underground como Metallica, Red Hot Chili Peppers e REM começavam a lotar estádios, e a cena de Seattle já chamava a atenção das grandes gravadoras – Soundgarden, Alice In Chains e Mother Love Bone eram a aposta da indústria musical.

A banda de Kurt Cobain, Krist Novoselic e Chad Channing tinha influências de metal dos anos 70, punk dos 80, e de grupos locais que os caras cresceram ouvindo, tipo Melvins e Mudhoney. Um som melódico e ríspido, ora lento ora rápido mas sempre pesado, que se convencionou chamar de grunge. Em abril de 1990, o Nirvana começa a trabalhar c/ o produtor Butch Vig e Channing sai. Dave Grohl, ex-Scream, entra na bateria. Assinam na sequência c/ a DGC Records, selo da major Geffen. 

NEVERMIND foi gravado em 2 meses no Sound City Studios, Califórnia, produzido por Vig e mixado por Andy Wallace, que trabalhava c/ o Slayer. Algumas canções como In Bloom e Breed já faziam do repertório há anos, enquanto outras como On a Plain e Stay Way eram tão novas que foram terminadas durante as gravações. Kurt, Krist e Dave receberam US$ 287 mil adiantados. A festa de lançamento foi numa sexta-feira 13, setembro de 91.

A boate Re-Bar era um inferninho e mesmo assim os caras conseguiram ser expulsos da própria festa, após uma “guerra de comida de proporções caóticas”, diz o jornalista Lúcio Ribeiro no blog Popload: “Reza a lenda que Kurt confidenciou a um amigo próximo naquela noite que, com NEVERMIND, ele seria em breve tão famoso quanto o Axl Rose, que era ‘o cara’ da época. Muita gente, óbvio, achou que era piada.

Dia 24/09/91, há exatos 20 anos, o álbum chegava às lojas. A DGC estimava vender 250.000 cópias, projetando o mesmo nível de saída do álbum GOO do Sonic Youth. Impulsionado pelo clip de Smells Like Teen Spirit na Mtv, NEVERMIND vendeu 400.000 cópias por semana até o natal daquele ano. Em janeiro de 92, desbancou o álbum DANGEROUS, de Michael Jackson, do 1º lugar nas paradas da Billboard. Foram 26 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo, 11,5 milhões só nos EUA.

Estava tentando roubar o estilo dos Pixies”, disse Cobain sobre a música que o tornaria ‘porta-voz da Geração X’, título que ele dispensava. C/ autoironia, humor negro e riffs grudentos, o Nirvana rompeu de vez a barreira entre alternativo e comercial, tornando-se a maior banda dos anos 90. Mesmo sem querer. “Era uma banda ética e conceitualmente punk, potencial comercial zero”, lembra André Forastieri, editor da extinta revista Bizz.

Bandas como Nirvana, que nasceram no meio independente, nem sonhavam em ter uma música nas paradas de sucesso, isso era para os outros”, diz André Barcinski, autor do livro BARULHO, que mostra o grupo antes da fama. “Daí veio NEVERMIND. Era insano: bastava Kurt Cobain elogiar uma banda para, minutos depois, ela ser contratada a peso de ouro. Aconteceu com Shonen Knife, Flipper, Eugenius, Flaming Lips, Red Kross e TAD.

NEVERMIND foi o último disco que importou, depois os álbuns não importaram mais, nem os roqueiros, nem a música”, vaticina Forastieri. “Tínhamos poucos vinis, eram caros e raros e valorizados e debatidos. Hoje carregamos milhares de músicas no bolso, temos à disposição na rede todas as canções jamais gravadas, e ouvimos cada uma 2, 3 vezes no máximo. Música no século 21 é trilha sonora para outras atividades.

NEVERMIND foi como o topo de uma montanha que bandas, selos e fãs levaram anos para atingir só para despencar lá de cima, abraçados, numa avalanche que soterrou todo mundo”, ironiza Barcinski. “Lá por 1995, a bolha indie estourou. E o resultado foi uma cena alternativa completamente esfacelada. Parecia o fim de uma guerra. Algumas bandas – pouquíssimas na verdade – sobreviveram. A maioria sumiu, levando junto bilhões de dólares em adiantamentos e contratos.

A essa altura, Kurt Cobain já era História. Em 05 de abril de 94 ele se suicidou c/ um tiro, dentro de casa. “Eu não tenho sentido a excitação em ouvir ou criar música... há muitos anos já”, deixou escrito numa carta de despedida. Tinha 27 anos. O Nirvana lançou outros 2 discos quando ele ainda estava vivo – INCESTICIDE em 92 e IN UTERO em 93 – que também atingiram o 1º lugar das paradas, e mais 3 depois da sua morte, entre eles o MTV UNPLUGGED.

50 milhões de discos vendidos, ao todo. Smells Like Teen Spirit foi escolhida a 3ª melhor canção pop de todos os tempos pela Mtv americana, atrás apenas de Satisfaction e Yesterday. NEVERMIND está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, o 2º melhor da história do rock segundo o canal VH1 – só o REVOLVER dos Beatles seria superior. E a capa é a melhor já feita, segundo a revista Rolling Stone.

A imagem do bebê nadando atrás de dinheiro é icônica. A inspiração foram os partos na água e a autoria é do fotógrafo profissional Kirk Weddle – mas a sacada do anzol c/ a nota de dólar foi de Cobain. O modelo da foto é Spencer Elden. Ele tem a mesma idade do disco e já posou mais duas vezes reproduzindo a cena, aos 10 e aos 17. “É um pouco estranho pensar que tantas pessoas me viram nu. Faz eu me sentir o maior ator pornô da história, mas isso até que é legal. 

Frances Bean Cobain, a filha de Kurt, está c/ 19. Sua mãe, Courtney Love, perdeu a guarda sobre ela depois de a Justiça decidir que a viúva, líder da banda Hole, não tinha condições psicológicas p/ educá-la. Criada pela avó longe do assédio da mídia, Frances reapareceu mulher feita em ensaios fotográficos de Hedi Slimane e Rocky Schenck. Artista plástica iniciante, já expôs na galeria experimental La Luz de Jesus e num museu de Los Angeles sob o pseudônimo Fiddle Tim.

Celebrando as duas décadas do lançamento de NEVERMIND, duas reedições serão lançadas dia 27: o formato Deluxe contém o álbum remasterizado, as gravações dos ensaios, as demos, os lados B e as apresentações nos estúdios da BBC em Londres, e estará disponível em CD e vinil; o Super Deluxe contém, além de tudo isso, um livro de 90 páginas mais a versão original do produtor [The Devonshire Mixes] e um DVD inédito. 

NIRVANA: LIVE AT THE PARAMOUNT foi gravado no halloween de 91 em Seattle. O show, exibido pela primeira vez ontem na TV através do VH1, mostra Kurt Cobain no auge. Dave Grohl, que continua em evidência c/ sua banda Foo Fighters, tenta dar uma idéia de quem era o homem por trás do mito: “Ele era tanta coisa. Podia ser tímido ou divertido. Podia ser doce ou amargo. Intimidatório. Maior que a vida.

Bonitas palavras. Mas é meu amigo Karl di Lyon, da Mamutes, quem melhor resume o sentimento geral, enquanto abre a primeira cerveja da festa: “Rock is dead, man!

Um brinde. 

HERE WE ARE NOW ENTERTAIN US
SPENCER ELDEN: "ME SINTO O MAIOR ATOR PORNÔ"
 BART NEVERMIND: HOMENAGEM DE MATT GROENING
ESSES TRÊS FAZIAM BARULHO ATÉ DEBAIXO D'ÁGUA

em memória de Nando Sá, grande fã da banda

2 comentários:

Viva La Brasa disse...

Tudo o que vc sempre quis saber sobre o NEVERMIND, mas não tava nem aí pra perguntar:
http://whiplash.net/materias/curiosidades/138831-nirvana.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2FiSMr+%28WHIPLASH.NET+-+Rock+e+Heavy+Metal%29#.Tn_JxDwpXXs.facebook

Viva La Brasa disse...

30 músicos explicam o impacto de Nevermind nas suas vidas: http://tramavirtual.uol.com.br/noticia/2011/09/20-anos-de-nevermind