quarta-feira, outubro 26, 2011

LÄJÄ REX VS MAD MAX 
My Name Is Luis Henrique Camargo Duarte. And Yours?

Quique Brown é yeah total! Pai de 2 crianças e tutor de tantas outras na escola de música Jardim Elétrico, ele também faz o Cardápio Underground, festival de artes integradas que acontece no Edith Cultura em Bragança Paulista. A 8ª edição começa hoje e vai até a semana que vem. Entre as atrações, mesa redonda c/ Panço e Caeto hoje, exibição do filme WARRIORS sexta, e shows da Dizzy Queen, Hellsakura e Guachass, do Uruguai. “Prioridade máxima p/ bandas instrumentais, punk/hardcore e grupos com garotas no vocal!

Quique berra & toca uma Gibson no Leptospirose, trio HC-jazz-metal que lançou o disco mais barulhento de 2011, AQUA MAD MAX. 19 canções c/ menos de 2 minutos, sendo que 13 delas não chegam a 1, como “Entrar Numas de Roberto Carlos Não Cola Mais” e “Não É Absolutamente Necessário Ter Ritmo e Melodia Para Haver Música”. A fixação por títulos psicodélicos começou c/ MULA-PONEY, de 2008, que já abria c/ a esporrenta “Um Dia Realmente Feliz Em Nossas Vidas Será Aquele Em Que Receberemos Uma Notificação Da Nossa Empresa Favorita Nos Convidando Para Ir A Um Hotel (Com A Gente Pagando É Claro)”.

O grupo formado por Quique, Velhote & Serginho estreou em estúdio c/ INVERNADA em 2005. Todos os discos foram lançados pela Läjä Rex, do capixaba Fábio Mozine – baixista do Mukeka Di Rato que também canta e toca guitarra nas bandas Merda e Os Pedrero. Em 2007, Mozine & Quique viajaram juntos na turnê SPREADING BRAZILIAN DISEASES IN EUROPE - with Merda And Leptospirose, que passou por Alemanha, Holanda, Polônia e... era p/ rolar outros países do leste, mas a caminho da República Checa a van dos caras se meteu num acidente.

Quique Brown voltou pro Brasil c/ um colete no pescoço e Mozine foi operado da coluna por lá mesmo. Essa história está no vídeo BREAKING BRAZILIAN BONES, no livro GUITARRA E OSSOS QUEBRADOS e até aqui no VIVA LA BRASA. Brown viu seu 2º filho nascer depois disso e lançou 2 discaços. Moz continua fazendo suas palhaçadas, viajando pelo mundo, entrou p/ o ramo das confecções e pretende produzir o próximo disco do Restart. “Tô empolgado, bixo!

Na semana do Cardápio Underground, o blog da Ideal Shop pediu p/ ele entrevistar seu amigo. O resultado é esse:

Fábio Mozine - Bom dia Quique, você é doido?
Quique Brown - Sim senhor.

FM - Qual foi a sensação de viajar pra Europa sabendo que seu filho nasceria a qualquer momento no Brasil? Como foi a divisão dessas prioridades na sua vida: a banda ou a família? Qual foi o papo reto que você levou com sua esposa pra tomar essa decisão?
QB - Pensava nisso todos os dias, tentava manter contato diário, vivia um tanto apreensivo mas como cheguei no Brasil antes dele nascer, não sei te dizer como eu teria ficado na Europa sabendo que o menino tinha nascido aqui. Acho que o bicho ia pegar geral na minha cabeça se isso acontecesse. Pra conciliar família e banda, eu procuro não fazer shows em finais de semana seguidos, programar tudo com bastante antecedência, tirar todos os anos um bom período de férias, faz um mês que a gente não toca e provavelmente só faremos shows fora de Bragança lá pra janeiro ou fevereiro. Essas férias geralmente salvam um pouco as coisas em casa. Fizemos 30 shows este ano, viajamos pra sete estados, tocamos em várias cidades e tal, mas se você por no papel os shows que a gente fez, você percebe na hora que rolaram vários intervalos entre um show e outro, umas fitas de fazer 3 ou 4 shows numa semana e depois ficar um mês sem tocar etc. O papo reto que levo com minha esposa linda (que diga-se de passagem é uma santa, firmeza total), é o papo do dia-a-dia, quando estou na área tento dar total suporte. Seguro o Júlio, meu filho mais novo, que dorme tarde quase todos os dias e dou uns passeios da hora com a criançada pra compensar a ausência, que sem sombra de dúvidas é bem sinistra de suportar.

FM - O que você projeta no futuro pros seus meninos?
QB - Quero que sejam pessoas legais, que tenham bons amigos, uma inteligência bacana, saibam trilhar seus caminhos etc.

FM - Você acha que eles já entendem o seu tipo de vida e estilo? Quando forem um pouco mais velhos, você acha que eles vão querer que você leve-os até a porta da escola, ou deixe uma esquina antes? Hehehehe
QB - Acho que eles não entendem, eu mesmo não entendo heheh. Vou achar bem normal se algum dia eles tiverem vergonha de mim. Hoje em dia, por enquanto, é tudo muito da hora, chego nos lugares, festinhas de criança, porta de escola etc e a molecada, os amiguinhos gritam: Quique Brown!, fazem símbolo do capeta com a mão e tudo mais.

FM - Você trabalha com crianças em uma escola de música, quais são seus métodos?
QB - Aqui na minha escola de música, a Jardim Elétrico, eu nem dou aula, fico mais trampando com outras coisas, mas dou aula em duas escolas regulares e lá os métodos são os seguintes: nas aulas práticas, aulas de banda, no primeiro dia real de aula, depois de ter montado os grupos, da molecada ter escolhido seus instrumentos, a gente apresenta de forma bem geral todos os instrumentos e em seguida eu mostro pro guitarrista e pro baixista o misão, pro baterista uma batida feita de bumbo/chimbau -> caixa -> bumbo/chimbau -> caixa e o jovem vai sentindo a coisa, depois de tocar um pouco a gente vai prum som com mi + sol, depois mi + sol + lá e assim vai, nas aulas seguintes o batera aprende a fazer uma virada punk estilo ta-ta-ta-ta, e depois uma batida na caixa, uma no ton um, uma no ton dois e uma no surdo, depois duas batidas em cada, depois quatro, depois oito e assim as coisas vão ficando mais complexas, o vocal começa a agitar umas letras que vão ficando cada vez melhores e é assim que funciona. Com a música pronta a gente ensaia ela que nem doido e agita, geralmente, uma apresentação por semestre. Numa das escolas, a gente acaba de gravar um CD com 13 bandas que vai sair agora em novembro.

FM - Você acredita que tem como vocês passarem pra essas crianças alguns valores ou ficam apenas na música mesmo e cada um por si?
QB - O lance vai muito além da música, principalmente com o pessoal mais jovem. Na escola que a gente dá aula teórica de música a gente trabalha a música de forma bastante ampla… além da teoria propriamente dita rolam várias aulas da hora onde a gente trata de assuntos gerais tipo: a influência dos negros na música brasileira e norte-americana, o fim da II Guerra Mundial, baby boom, Guerra do Vietnã, como era a distribuição da música antigamente e como ela é feita hoje em dia, o que é comercial, como as rádios trabalham, a importância da internet nos dias de hoje, música independente e mais um monte de coisas, dentro dessas paradas todas dá pra pegar muita coisa pra vida né? No Jardim Elétrico a gente pretende criar um curso de teoria o mais rápido possível, enquanto isso não acontece a gente vai conversando com a molecada no dia-a-dia, a gente chega de turnê e a rapaziada vem perguntar como foi, se a gente tocou em estádio, querem saber como funcionam nossos discos, pedem pra gente gravar umas coletâneas e assim vai.

FM - De alguma forma vocês acham que influenciam as crianças a tocarem e curtirem rock ou essas escolhas são livres? Se chegar um moleque aí na escola dizendo que quer aprender a tocar música baiana, como vai ser?
QB - A gente influencia 100% a molecada a curtir e a tocar rock. Mas a grande verdade é que a maioria das pessoas que nos procuram, chegam até gente por causa do rock, por causa da liberdade que existe aqui dentro. Escola muito doida, cheia de pôster de caveira! Por outro lado, esse papo de música baiana é tranquilo, rola normal, mas devo confessar que quem quer tocar esse tipo de música quase nunca nos procura, muito mais por preconceito deles do que nosso heheh, mas independente disso, sempre colam uns caras do pagode ou do sertanejo aqui na escola pra ter aula com o Velhote, são caras que já tocam bem, se matriculam aqui pois sabem que o Velhote poderá os encaminhar de uma forma bem livre e tranquila no baixo dentro daquilo que eles estão buscando na música.

FM - Qual foi o seu pior pesadelo na Europa?
QB - Quando eu me deitei numa maca com uns 10 médicos e enfermeiros do meu lado e cismei que não queria tomar anestesia geral, comecei a pirar que eu poderia não voltar mais, eu dizia pros caras que eu tinha mulher e filho no Brasil e que estava pra nascer meu segundo filho e eles me diziam que era só uma anestesia relâmpago, que em poucos minutos eu já teria voltado ao normal e por aí vai. Foi loucura isso velho. Esquizofrenia brava!

FM - Você se considera psicologicamente recuperado após o acidente?
QB - Não! Mas também não sofro diariamente por causa disso!

FM - Porque drogas não ou porque drogas não mais?
QB - Vai fazer 9 anos que eu parei de usar drogas, parei com tudo, parei porque eu não tava me sentindo bem, eu gostava muito de tomar chá de cogumelo, tomava direto e em várias circuntâncias, até que um dia o lance não bateu bem e fui parar numa viagem horrível onde eu achava a todo momento que iria morrer. Fiquei nessa por umas 5 horas, depois disso sempre que eu fumava um cigarrinho ou tomava uma cerveja, conhaque ou cana essa viagem doida vinha, até que depois de um tempo essa viagem começou a me perseguir total, ficava uns dias sem fumar cigarrinho ou beber e a viagem vinha brutal, medo doido de morrer a noite até que um dia saí de casa de madrugada fui até um médico que cuida de drogados e disse: – Quero me internar! e ele disse: – Legal, volta aqui amanhã cedo que a gente vai agitar isso logo mais. No dia seguinte eu até pensei em nem ir, mas acabei indo, fiz um tratamento de uma semana com o cara e to aí até hoje. Depois de largar o cigarrinho, o chá, a bebida e a várias outras coisas que vinham junto eu dei um pau violento nesse lance de música, virou e se marcar é até hoje minha principal válvula de escape, terapia ou sei lá o que.

FM - Você já tentou ser vereador em Bragança mas infelizmente não ganhou. Se vencer nas próximas eleições, quais serão suas ações efetivas? Quero saber algo que você tem CERTEZA que poderá executar na cidade, e não ilusões ou projetos que dependem de 10 outros órgãos, pessoas, políticos, etc.
QB - Se eu ganhar eu irei representar com bastante força e noção as áreas da educação, da cultura, do lazer e do jovem. Hoje aqui em Bragança tá rolando um impasse muito doido que dura mais de 10 anos a respeito do restauro de um prédio de mais de cem anos que era um teatro e que está prestes a se transformar em centro cultural, se você for na câmara ver uma sessão que trata desse caso, você vai ver um circo muito doido, não tem ninguém lá dentro que saiba dizer com clareza pra que serve um centro cultural, por que devemos ou não restaurar tal prédio e todo esse tipo de coisa, se eu fosse eleito eu seria um dos agentes principais dessa discussão.

FM - Mas me explica melhor o que te faz crer que poderá ser um bom político. E afinal, existe um bom político?
QB - Quase sempre, quando o assunto é pilantragem a gente esquece que existem centenas de milhares de pessoas vivendo as custas dos órgãos públicos, nas costas dos políticos, trabalhando em secretarias, ministérios, gabinetes etc. Gente que dificilmente você contrataria pra ser empacotador na Läjä e que tá aí ganhando mais de 10 mil reais por mês só de salário, fechando contratos milionários, contratando serviços gigantescos e tudo mais. Só pra você ter uma idéia, aqui em Bragança existem mais de 500 cargos de comissão, os famosos cargos de confiança, gente que tá lá porque é amigo do político ou ajudou na campanha, gente que fatalmente não tá ali porque o currículo é bom ou algo assim. É isso que fode tudo, há todo um sistema desgraçado envolvido na parada, umas 200 pessoas competentes dariam conta do recado brincando. Mas voltando a sua pergunta a parada é a seguinte, se o grupo político que eu apoiar, ou seja, se o prefeito que estiver junto comigo nas próximas eleições (se eu vier a ser candidato) de repente ganhar, boa parte da secretaria de cultura terá a minha mão e eu acredito que tanto eu, quanto você, quanto tantos outros caras, seríamos capazes de fazer um bom trabalho na maior tranqüilidade, a gente levaria um bom salário por mês (aqui em Bragança um pouco menos de 10 mil reais) e administraríamos uns bons milhões de reais por ano dependendo da situação. Aqui em Bragança o lance gira em torno de uns 3 milhões, 3 milhões pra gastar com som, banda, peça de teatro, oficinas culturais, divulgação de eventos, festivais, editais etc. Dinheiro limpo, sem risco. Dá pra fazer coisa boa ou não? Gostando desse universo do jeito que eu gosto, creio que dificilmente eu me perderia em fita torta em busca de dinheiro sujo e fácil, pra quem sai do trabalho segunda- feira a noite e carrega amplificador nas costas pra organizar show sem ganhar nenhum real por isso, ser remunerado pra fazer esse mesmo tipo de coisa com dinheiro em caixa é o paraíso não é não? Não sou um cara ambicioso, se eu fosse eu não teria uma escola de música, teria uma escola de inglês, ou emagreceria e na seqüência sairia por aí vendendo Herbalife. Acho que existem bons políticos sim, a situação é feia pra caralho, mas que tem uma quantidade aí que é honesta tem, os honestos sofrem muito nas campanhas, nas campanhas rola solto o dinheiro mais sujo do planeta e geralmente o cara que é bom, bem intencionado não faz uma campanha poderosa não, mas isso já é outra história.

FM - Sua casa está em chamas. Felizmente, todas as pessoas, animais e documentos já foram retirados de dentro dela. Você tem seguro e todos seus bens e eletrodomésticos serão ressarcidos, menos seus discos. Na sua ultima incursão ao imóvel, você tem que escolher entre dois pacotes: um contém seus LP’s de MPB e o outro seus LP’s de punk. Qual dos dois você vai pegar?
QB - Vou pegar os de MPB!

FM - E agora lançaremos o AQUA MAD MAX em vinil, 12’, prensagem nacional. Está feliz com todas as decisões tomadas? Esse é o primeiro vinil do Leptos?
QB - To feliz pra caralho, todo mundo da banda é pirado em vinil, desde que a gente montou o Leptospirose que a gente deseja prensar um LP. A arte do AQUA MAD MAX foi totalmente pensada pra ser lançada em vinil. O que a gente vê na capa do CD é só 1/9 da arte que será vista no LP.

FM - Esse disco foi produzido pelo Juninho do Discarga. Até onde podemos ver a mão do produtor no disco? Foi boa a experiência de trabalhar com ele?
QB - A experiência de trampar com ele foi boa pra caralho. Juninho é um cara que toca em mil bandas, já esteve inúmeras vezes em estúdio com suas bandas, conhece milhares de referências, banda que a gente nem imaginava que existiam e que se parecem de alguma forma com a gente, saca de timbre e todas essas paradas, a mão dele tá geral na escolha dos melhores takes, nos timbres dos instrumentos e nos altos estouros de reverb que existem, em todo o disco!

FM - O Velhote é o melhor baixista do Brasil? Cite 3 bandas esdrúxulas que ele toca como prestador de serviço.
QB - Esse papo de melhor é tenso de afirmar né? Música não é que nem esporte onde nego ganha, perde, bate recorde etc, esse papo de melhor e tal soa Expomusic demais pra mim, mas é fato que o cara toca muito e se encontra num nível altíssimo dentro do instrumento. Atualmente ele toca só com nóis mas já prestou serviços pra muitos grupos de forró como Elba Ramalho, Dominguinhos, Trio Virgulino e Bando de Maria.

FM - O Serginho é doido?
QB - O Serginho está fatalmente entre os caras mais doidos do universo!

FM - Você é doido?
QB - Você já me perguntou isso!

ACORDAR, IDEALIZAR, VOMITAR & DORMIR
 A BANDA MAIS BONITA DA CIDADE
 AQUA MAD MAX: SURF NAS RUAS DE SP
  OUTDOOR DO CARDÁPIO EM BRAGANÇA:
"KASSAB, SÃO PAULO SUJA É LINDA!" 
 
FONTE: http://blog.idealshop.com.br/2011/10/mozine-entrevista-quique-brown/

Um comentário:

Anônimo disse...

Adolfo, estarei aí dia 12 lançando meu livro, irmão. Me passa seu email? O meu é pedrodeluna@hotmail.com abraços!