terça-feira, outubro 04, 2011

MANGÁ & MANGABA
Né só Rio que tem festival não, mané! Em Aracaju, mês passado, foram logo 3: um de cinema, um de quadrinhos e um de música. Eu só fui pro CURTA-SE 11, como vocês sabem. Mas o jedi Adelvan Kenobi esteve nos outros 2, o 6º HQ Fest e o 1º Mangaba Instrumental, e conta como foram os eventos. Este ano A.K. viajou p/ Recife pro Abril Pro Rock, São Paulo pro show do Slayer, N.Sra.Glória no interior de Sergipe pro Rock Sertão e já se prepara p/ pegar estrada de novo e conferir o 3º Alternativo Rock Canindé, próximo sábado. Esse é guerreiro!

MANGABA VERDE 16/09
A noite de abertura do Festival Mangaba Instrumental, que aconteceu na Concha Acústica do Oceanário na Orla de Atalaia, tinha tudo para ser memorável mas foi apenas mais ou menos. Principalmente porque a atração de fora do estado, a sensacional Vendo 147, uma das melhores bandas de rock em atividade no Brasil atualmente, tocou pouco (acho que menos de uma hora) e com, praticamente, o som do palco apenas. Quem já os viu em ação ao vivo pode imaginar o quanto a apresentação dos caras perde com o som assim, baixinho...

Só comecei a curtir pra valer o show quando resolvi ir pra frente do palco: aí sim, o couro estava comendo. Eles perderam um pouco do peso, mas ganharam MUITO em qualidade desde a última apresentação que eu vi – e olha que já eram bons pra cacete! Impressionante a riqueza de detalhes dos arranjos das músicas que fazem parte do impecável GODOFREDO, primeiro disco dos caras, à venda na barraquinha do incansável André Teixeira a módicos 15 reais. Vale ressaltar que o disquinho vem embalado num formato diferenciado, lembrando um compacto de vinil, o que enriquece as artes da capa e do encarte, de autoria do sergipano Duardo Costa – guitarrista da banda, aliás.

Voltando ao palco: descontando-se os percalços, foi uma ótima apresentação, com os músicos afiadíssimos e ‘viajando’ em longos trechos de músicas com cara de jam sessions que beiram a psicodelia. Com direito, inclusive, a uma estilosa bateria transparente com luzes coloridas que, me falaram, eles trouxeram de Salvador especialmente para o show. Quanto ao fato de o volume do som estar estupidamente baixo e a banda ter sido aparentemente pressionada pela produção (intimada, ouvi dizer, pela Polícia Ambiental) a acabar logo sua apresentação, o que não dá pra entender é porque este tipo de coisa acontece num evento devidamente autorizado pela prefeitura e com a impressionante lista de apoiadores/patrocinadores presente no cartaz de divulgação – especialmente por constar nele a marca do governo, o que dá a entender que há algum respaldo oficial. Ressalto que não sei se foi realmente este o motivo, mas caso tenha sido não se justifica, já que há poucos dias a também baiana Ivete Sangalo havia aportado ali pertinho com seu megaespetáculo de gosto pra lá de duvidoso ‘Ao Vivo No Madison Square Garden’. Deve ser porque ela é Ivete, ela pode. Coisas de (Bu)racaju...

As outras atrações da noite, pelo menos, não parecem ter tido o mesmo problema: tocaram em alto e bom som. E foram grandes atrações. Tudo começou com o som climático da Coutto & Orquestra de Cabeça. Primeiro show dos caras. Do que consegui assimilar, gostei. Na sequência, Casa Forte e seu rock instrumental vigoroso e consistente. Antes da Vendo, o Ferraro Trio, que navega com classe e desenvoltura naquela frágil linha divisória que separa os estilos musicais, ora soando rock, ora jazz, ora soul, mas sempre com muita propriedade e personalidade. É uma das melhores bandas em atividade na cidade atualmente.

UMA TARDE COM O CHUPACABRAS (E OUTRAS CRIATURAS) 25/09
Pra mim, domingo é o verdadeiro Dia Internacional da Preguiça. Pra me tirar de casa, especialmente à tarde e depois de um churrasco bem servido, então, só sendo mesmo uma ocasião muito especial. A exibição de A NOITE DO CHUPACABRAS, novo filme de Rodrigo Aragão, do cultuado MANGUE NEGRO, no HQ Festival, era uma delas, sem sombra de dúvidas.

Cheguei em cima da hora mas felizmente não perdi nada – nem a introdução nem os créditos iniciais, muito elegantes diga-se de passagem. Desaconcheguei-me nas desconfortáveis poltronas, quase todas quebradas, do Auditório da Biblioteca Pública Epiphânio Dórea, e curti a projeção – prejudicada pelo excesso de iluminação e pela irregularidade da tela, mas ok, ‘Don´t Panic! Have Fun!’...

Me diverti bastante. O filme, uma pequena pérola trash, conta a ‘história’ de uma guerra entre duas famílias do interior interrompida pela aparição de uma criatura fantasiosa, o tal do chupa-cabras. Me interessei por ele por dois motivos: Já tinha ouvido falar muito de MANGUE NEGRO através de Roberto Nunes do Cine Cult (que ensaiou exibi-lo mas não rolou), e um dos atores desta nova produção é ninguém mais, ninguém menos, que Petter Baiestorf, uma verdadeira lenda viva do cinema trash nacional. Foi no blog dele, aliás, que eu vi as primeiras fotos da legendária criatura do filme, tida por ele (e agora comprovado por mim) como sua melhor representação.

A atuação do Petter foi boa, melhor até do que eu esperava. Claro que adequada ao seu papel (de mau) e ao estilo da produção, afinal o cara não é nenhum Marlon Brando. Todos os atores são amadores, assim como a maioria das cenas de sangue e escatologia, mas no geral o filme está visualmente acima da média, especialmente pelo monstro que é realmente impressionante. Já do roteiro não há muito o que falar, pois é o de sempre: diálogos rasteiros em situações esdrúxulas que servem apenas como pretexto para mais uma rodada de tripas expostas, para o delírio da molecada presente.

Depois do filme aconteceu um debate, na verdade um bate-papo informal e descontraído, com o diretor e sua mulher, a simpática Mayra Alarcón, heroína da trama – ‘claro, afinal, eu sou a mulher do diretor’, ela fez questão de enfatizar. Também explicou, dentre outras coisas, que não morre no filme nem põe os pés na água fria pelo mesmo motivo. Os dois disseram que gostaram muito da acolhida que tiveram e que era muito melhor exibir seu filme para aquele público de fãs de mangás e HQs do que para intelectuais em festivais de cinema. Foram entusiasticamente aplaudidos, evidentemente. Deram também mais detalhes sobre a produção, como o fato de o ‘ator’ principal Joel Caetano também ser diretor de filmes B, dos figurinos terem sido arrematados num bazar da igreja local (Guarapari, Espírito Santo) ao fabuloso custo de R$ 1,00 por peça, das tentativas e erros até acertar a mão na confecção da máscara do monstro e dos acidentes de percurso – num deles o grandalhão que faz o papel de um dos membros da família rival que se recusa a morrer teve que ir ao pronto-socorro depois de um acidente e já chegou todo sujo explicando à estarrecida médica plantonista que o vômito era falso, mas o sangue era real.

Acabado o debate, ainda fiquei para ver o início do concurso de COSPLAY. As fantasias eram bem feitas – algumas bizarras, como a de um cara com uma máscara enorme [acima] que lembrava a cabeça de um pássaro em forma de pirâmide – e as performances interessantes [ao lado], mas como eu não entendo nada de anime nem de mangá, decidi me mandar. Não sem antes dar uma conferida nos stands, felizmente bem servidos de quadrinhos, ao contrário da edição passada, e nas exposições, com obras interessantes, especialmente uma nova história em quadrinhos de Eduardo Cárdenas, uma espécie de herói local, responsável pelos desenhos de todo o material publicitário do festival.

Saldo final pra lá de positivo – apesar de não ter visto O OGRO, animação de meu camarada Márcio Jr. inspirada nos quadrinhos do mestre Shimamoto, que estava anunciada mas cujo título não vi na programação. Pra fechar a noite encontrei para vender uma edição em espanhol da Bíblia desenhada por Simon Bisley, que já tinha visto na net e é sensacional. Foi no stand da Gibizone, loja de quadrinhos local que agora é apenas virtual. Ainda bem que levei o dinheiro contado, já que não posso gastar. O Slayer me quebrou.

por ADELVAN Escarro Napalm + Programa de Rock


modelo cosplay: ERIKA / fotos Vendo 147: SNAPIC

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