quinta-feira, novembro 10, 2011

ROCK PRAIA  
Alapada é uma banda sergipana de rock. ROCK PRAIA, na definição dos próprios integrantes.

Que estilo musical é esse? Surf music c/ riffs à Dick Dale, harmonias vocais a la Beach Boys? Talvez algo mais 70/80 tipo Ramones, Midnight Oil? Hardcore melódico – Pennywise, NOFX?... Baladas folk – Jack Johnson, Donavon Frankenreiter?... É, até rolam umas baladas. Mas o som dos caras está mais p/ o “pop de atitude” de bandas como Charlie Brown Jr. e Detonautas.

No nordeste a palavra lapada tem vários significados, incluindo um de duplo sentido. O vocalista Naná Escalabre diz que o nome tem a ver c/ “pancada, pedrada e algo relativo a um forte impacto sonoro”. Ele e o guitarrista Schiruder faziam reggae na banda Java, o baixista Jamesson vem do grupo punk Karne Krua, e o baterista Júlio tocava heavy metal na Warlord. Lançaram o 1º disco em 2005, DIVERSIDADE, e migraram p/ São Paulo.

Fomos com a cara e a coragem, dividindo um apartamento e procurando ensaiar quase todo dia.” Abriram p/ NX Zero, Tihuana e Titãs, entraram em trilha sonora de novela da Record, participaram do Altas Horas e do Programa do Jô. O 2º disco – FAZENDO VALER rendeu 2 clipes e 1 DVD, mas o sucesso não foi o esperado e em 2009 retornam a Aracaju. “A melhor coisa que fizemos foi manter os pés no chão.” Desde então, tocam todo ano no Natal Contra a Fome e no Projeto Verão. Em 2011 a canção Diva do Mar foi tema dum concurso de beleza na afiliada da Globo.

Nunca tentei ser um músico de linguagem difícil, Alapada tem essa proposta de falar de uma forma simples”, diz Naná. O novo álbum foi lançado há 10 dias na boate The Office, celebrando 10 anos de banda. Eu não fui ao show e ainda não ouvi o CD. Não é minha praia. Mas Rian Santos escutou. Editor de cultura no Jornal do Dia, bom de letra e gentil no trato, ele também tem um lado abrasivo, como diria o Bob Esponja.

Incubido de resenhar o disco, Rian foi imparcial, contundente – e divertido na sua honestidade. Em tempos de rede social, fazer média é normal e falar a verdade é quase ofensivo. Em apoio ao meu colega, reproduzo o texto na íntegra. Ter coragem de dizer o que pensa independente das conseqüências. Isso é atitude.

QUANDO O MAR NÃO ESTÁ PRA PEIXE [Jornal do Dia 08/11/11]

Ossos do ofício. É hora de ouvir um disco ruim. Um disco muito ruim. Para um cara nublado como eu, arrancar o invólucro de plástico que preservava os ouvidos inocentes de um trabalho que se apresenta sob o epíteto de ‘Rock Praia’ exigiu um esforço descomunal, mas todo trampo possui os seus dias difíceis. 

É certo que há quem se satisfaça com os riffs d’Alapada, o timbre MTV emulado pelo guitarrista Evandro Schiruder e a dedicação com que a banda reproduz os dogmas de uma indústria decadente, apostando todas as fichas na diluição da linguagem. Não é o meu caso, brodagem tem limite. 

Alapada encarna o antípoda de todas as virtudes que permeiam a música produzida sob o céu azul de Aracaju. No registro lançado há poucos dias, contudo, a coerência dos valentes. Os caras não desviam nem por um segundo de seu maior propósito: se adequar a tudo o que a convenção julga mais palatável. Nas 13 faixas do disco, no trabalho gráfico e, sobretudo, nas letras das canções, a evidência de que um mergulho em águas profundas não está entre as pretensões da banda. Devotados a tudo o que é raso e plácido, eles não se arriscam nunca. Afinal, o mar não está pra peixe. 

Escute uma faixa de ALAPADA ROCK PRAIA. Será como ter ouvido todas as outras. A competência dos músicos Jamessom Santana (baixo), Júlio Fonseca (bateria), o já citado Schiruder e até mesmo do vocalista Escalabre (que cumpre bem o papel a que se propõe); a produção cuidadosa do disco (é preciso reconhecer) é sabotada pela ausência do que, no julgamento dos puristas, sustenta qualquer canção. Sem uma composição decente, meus amigos, não tem instrumentista que dê jeito. 

Tudo certo como dois e dois são cinco. O bom é que esse rock ralinho, desenhado para abrigar um solo na hora certa, o apelo do ska no miolo da gravação, já rendeu tudo o que podia. Dose é aturar marmanjo com atitude roqueira – tatuagem no braço, piercing na sobrancelha e o resto – entoando versos como Não dá pra mim/ Não vou sofrer/ Comigo é assim/ Não tem talvez/ Me ame ou me deixe ir/ Se quiser me ter/ É bom provar que é pra valer. A Calcinha Preta já está aí pra isso…

por Rian Santos - Spleen & Charutos

O COURO VAI COMER
ALAPADA É A CARA DO PROJETO VERÃO
A BANDA EM SÃO PAULO: SEM PRAIA
TOCANDO NO ALTAS HORAS EM 2008

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