quinta-feira, janeiro 27, 2011

PIORES EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS
 
Premiação de melhores do ano tem aos montes, de todo tipo: funcionário do McDonalds a prêmio Nobel da paz. Escolher os piores do ano já não é tão comum, menos ainda se a votação for p/ valer. The Public Eye Awards é realizado há 7 anos pelos grupos Berne Declaration e Pro Natura, como alternativa ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. 

Patrocinado pelo Greenpeace, o Public Eye Awards escolhe anualmente as empresas mais irresponsáveis do mundo, as que têm menos compromisso c/ o fator humano ou os direitos do trabalhador e as que mais agridem o meio-ambiente. “Trabalhadores e comunidades em todo o mundo devem ser capazes de salvaguardar os direitos básicos de saúde e padrões de segurança no trabalho, de salários e de não serem dilapidados sem uma compensação adequada”, diz a economista inglesa Noreena Hertz: “Não se deve permitir que as corporações multinacionais infrinjam esses direitos, onde quer que elas operem.

O Greenpeace é a mais famosa organização não-governamental do mundo, sediada na Holanda c/ escritórios em 42 países – entre eles o Brasil. Combativos ao extremo, os ativistas ecológicos da entidade costumam protagonizar cenas cinematográficas, enfrentando navios baleeiros c/ botes de borracha e coisas do tipo. “A organização busca sensibilizar a opinião pública através de atos, publicidades e outros meios. Sua atuação é baseada nos pilares filosófico-morais da desobediência civil e tem como princípio básico o testemunho presencial e a ação direta.” Mais que ecochatos, eles são ecopunks.  Entre suas vitórias está o fim dos testes nucleares no Alaska e no Pacífico Sul.

Empresas gigantes como Shell, Disney e Wal-Mart tiveram a desonra de receber o troféu. Ano passado, uma das finalistas foi a companhia belga-francesa GDF Suez, que detém 50,1% do consórcio ESBR [Energia Sustentável do Brasil S/A], responsável pela construção da usina Jirau em Rondônia, que começará a funcionar daqui a 2 anos e poderá contaminar o Rio Madeira c/ mercúrio. “Milhares de indígenas moradores da região serão retirados à força de suas casas e extensas áreas de florestas serão devastadas”, analisou a comissão que indicou a GDF ao prêmio: “A perda de espécies de peixes e o aumento da ocorrência da malária são quase garantidos.

Mas o Greenpeace, o Pro Natura e o 'Declaração de Berna' apenas indicam os concorrentes e realizam a festa de premiação. Quem escolhe somos nós. Antes de perder tempo no Twitter, no Orkut ou no Facebook, entre no site do Public Eye Awards, escolha a pior empresa do ano e torça p/ ela ganhar. Ou, no caso, perder. Elas merecem...
Conheça os 6 indicados de 2011:

ANGLOGOLD ASHANTI
O consórcio AngloGold Ashanti está destruindo os rios de Gana com seus projetos de mineração de ouro. Os rios secam ou morrem. Inúmeras violações dos direitos humanos também têm sido documentadas em conexão com o projeto. Casos de tortura pela guarda privada da companhia de suspeitos de crimes que só depois são entregues à polícia. Às vezes eles soltam os cachorros nas pessoas – fatalidades têm ocorrido.

AXPO
Axpo, uma prestadora de serviço público da Suíça, compra urânio da cidade russa de Mayak e mantém essa prática secreta há anos. Mayak é o segundo lugar c/ mais contaminação radiativa no mundo, depois de Chernobyl. O rio local e o sistema de esgoto são contaminados pelo chorume radiativo que vaza das fábricas. As estatísticas de câncer na população local está acima da média mundial. Muitas crianças nascem com sérias deficiências.

BRITISH PETROLEUM
Uma plataforma de extração de petróleo em águas profundas da BP, a companhia britânica de energia, explodiu no Golfo do México. Onze pessoas morreram e 800 milhões de litros de óleo se espalharam no mar. Depois da queima dos campos de petróleo de Saddam Hussein no Kuwait, esse foi o maior desastre ambiental provocado por óleo. Os efeitos a longo prazo só podem ser estimados, mas é certo que o acidente afetará a cadeia alimentar da região nas próximas décadas. Enquanto isso, a BP está migrando para mais um negócio sujo: extração de alcatrão nas florestas canadenses.

FOXCONN
A empresa taiwanesa de manufatura de eletrônicos Foxconn produz equipamentos de ponta para marcas como Apple e Dell. Por causa do controle militarizado nas dependências chinesas da companhia, ano passado 18 empregados tentaram o suicídio durante o expediente. A Foxconn paga salários miseráveis e demanda uma extraordinária disposição por parte do funcionário para realizar hora extra. Ao mesmo tempo, os trabalhadores são rigorosamente controlados durante e depois do trabalho. Eles são revistados até quando vão ao banheiro.

NESTE OIL
Para o Conselho Internacional de Energia, o biodiesel feito de palmeira pela Neste Oil é um combustível sustentável. Mas a crescente demanda por óleo de palmeira caminha de mãos dadas com violações dos direitos civis, força populações locais a se mudarem e destrói florestas e pântanos. A companhia construiu para si a imagem de pioneira em sustentabilidade por incrementar a venda de biodiesel, e detém a liderança neste mercado para os próximos anos. Mas também mantém um muro de silêncio sobre os critérios de escolha dos locais para plantação, e recentemente perdeu um processo que já durava 12 anos, por expropriação de terra na Malásia.

PHILIP MORRIS
A gigante do tabaco americana Philip Morris International (PMI), cujos quartéis-generais estão estrategicamente locados na Suíça, entrou com uma acusação formal contra o Uruguai no Banco Mundial por causa das leis anti-fumo do país, o que pressionou a pequena nação sulamericana a adaptar sua política de saúde aos desejos da indústria tabagista.

'DISASTER', CARTUM DE JEFF SPANGLER

terça-feira, janeiro 25, 2011

FLIPANDO 
'FLIP', AQUI, NÃO É SIGLA P/ FEIRA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY
Em tempos de aéreos 360, alley-oops e sex changes, uma manobra continua inédita no surf: o kickflip. Criado por Rodney Mullen no início dos anos 80, tornou-se um movimento básico do skate, ponto de partida p/ hards, heels & varials. Dentro d’água, permanece um tabu.

Nunca nenhum surfista completou um flip perfeito sobre uma prancha. O primeiro a arriscar foi o havaiano Flynn Novak, que já acumula 10 anos de tentativas. Na teoria parece fácil: ao aplicar o ollie, posicione o pé da frente perto da borda e deslize o pé de trás fazendo o objeto girar. Mas vá tentar...

O negócio é tão embaçado que a marca americana Volcom ofereceu US$ 10.000,00 ao primeiro que enviar uma imagem de um flip completo no surf. Seu garoto-propaganda é o aerialista australiano Ozzie Wright, um dos favoritos ao prêmio – e que por enquanto ficou só no favoritismo.

O concurso já se estende por 3 anos. Os californianos Josh Sleigh e Mike Morrissey postaram vídeos de kickflips incompletos e portanto não levaram nada. Zoltan Torkos completou 2 flips em dezembro do ano passado, mas em ambos voltou deitado na prancha p/ então se reerguer. Não vale.

Se vacilar, quem vai pôr as mãos nesses dólares será algum brasileiro. Em São Paulo, o ‘weirdo’ Etham Paese é um dos mais instigados mas quem conseguiu um giro completo foi o catarinense Ricardo ‘Rikinho’ Wendhausen, filho do shaper Wanderbill. Até agora ele foi o único a preencher os pré- requisitos: kickflip alto sobre o lip voltando c/ os pés na prancha. Não conseguiu conectar a onda na aterrissagem, mas voltou, apesar dos gringos não admitirem.

Os $10 mil ainda estão valendo. Alguém se habilita?




1ª aterrissagem completa de um kickflip no surf - Ricardo Wendhausen 'Rikinho' 2009

segunda-feira, janeiro 24, 2011

UM BOM LUGAR
Viva a sabotage/ Viva a sabotage e o raciocínio/ Mesmo estando ausente/ haverá sempre alguém que critique/ Cerveja, whisky, um trago, um isqueiro/ Os manifestos maléficos/ O homem é o próprio fim/ A química é o demo e quer então nos destruir/ Vários da função/ são sangue bom que viciaram/ Do Brooklin ao Canão/ tem branca pura em Santo Amaro/ Muitos que estão com o pensamento ao contrário/ Quem não se aposentou/ só se tá preso ou é finado/ Alguns pedindo grana nos faróis desnorteados/ Tem química na fita contamina os brasileiros/ Criança de seis anos com um cigarro nos dedos/ Só no descabelo/ Como disse o Sem Cabelo eu creio/ que o poder é a atitude e o respeito/ Mas observe os pretos/ sendo tirados no Brasil inteiro/ Então prefiro assim, um fininho que me diz/ que a pedra no cachimbo e o pó no nariz/ Afinal é tipo assim/ Pretendo usufruir/ Já vi vários lugares e encontrei o vício/ Consegui, basta saber esperar/ Ligeiro, e não vacilar/ Na moralina, toda estrela sei que há de brilhar/ Há há há há”...

Mauro Mateus dos Santos não era negro e muito menos afrodescendente. Era preto mesmo. Nunca foi beneficiado c/ políticas de cota ou bolsas p/ estudar. Nascido na favela e favelado toda vida, teve todas as chances contra si mas soube aproveitar cada oportunidade a seu favor. Ex-interno da Febem, ex-traficante de drogas, indiciado duas vezes – por tráfico e porte ilegal de armas em 95 – Sabotage já era um sobrevivente das guerras entre facções da Vila da Paz e da Favela do Canão quando gravou seu 1º disco, em 2000, pelo selo Cosa Nostra dos Racionais MCs.

Lançado em 2001, RAP É COMPROMISSO tornou-se um marco p/ o hip-hop nacional. Quando todo rapper brasileiro queria ser [ou pelo menos PARECER] bicho solto, Sabota era sinistro mesmo, saído do crime, ao mesmo tempo em que sua veia poética ia muito além da precária educação que recebeu na infância. Canções como Cocaína, No Brooklin, Respeito É Pra Quem Tem, Na Zona Sul e País da Fome apresentavam relatos autobiográficos em métrica free-styler, e a produção esmerada dava um toque de classe ao lirismo bruto das letras – os samplers do DJ Cia, do grupo RZO de Pirituba, iam de piano e violinos à musiquinha do caminhão de gás.

Sabotage foi descoberto e resgatado do crime pelos caras do RZO. Gravou vocais de apoio p/ Sandrão & Helião no clássico disco TODOS SÃO MANOS, de 1999, e se apresentava c/ eles nos shows da banda. O processo é lento, mas bastou só seu disco-solo sair na praça p/ sua carreira deslanchar. E aí o barato foi louco.

O diretor Beto Brant estava produzindo O INVASOR quando viu uma apresentação sua, e o convidou p/ colaborar como ‘consultor da periferia’ na elaboração do personagem Anísio, interpretado pelo titã Paulo Miklos. Sabota compôs parte da trilha sonora e ainda participou das filmagens no papel dele mesmo, na melhor cena do filme, quando Anísio o apresenta a seus clientes, pede p/ ele cantar um rap e em seguida intima uma grana dos empresários p/ a gravação de um disco.

Essa pequena participação lhe valeu o convite de Hector Babenco p/ atuar em CARANDIRU, onde interpretou o personagem Fuinha e também participou da trilha. O detalhe irônico é que o irmão que lhe deu o apelido foi uma das vítimas do massacre no presídio em 92. O ponto alto de Sabotage neste filme é a cena do beijo na bunda de Rita Cadillac, durante um show da ‘cantora’ na prisão. “É bom para o moral”...

O ano de 2002 foi de consagração. Sua trilha p/ O INVASOR ganhou o Prêmio Candango no Festival de Brasília, e ele foi eleito o rapper revelação e a personalidade do ano no Prêmio Hutuz. Gravou cover de Black Steel in the Hour of Chaos, do Public Enemy, c/ o Sepultura no disco REVOLUSONGS, e um monte de inéditas c/ o pessoal do rap: Nem Tudo Está Perdido c/ Rappin Hood, Me Empresta o Microfone c/ Attack Versus, Segue Sua Rota c/ Quadrilátero, Enxame c/ SP Funk e Dorobo c/ o carioca B.Negão.

Gravou Mun-Rá e Cabeça de Nego p/ o Instituto, supergrupo dos produtores multiinstrumentistas Rica Amabis, Daniel Tejo e Ganjaman, c/ os quais se apresentou no festival de rock Upload. Juntos, vinham trabalhando em seu segundo disco, que lançaria em 2003 caso não tivesse a trajetória interrompida por 4 tiros no início da manhã de 24 de janeiro, num acerto de contas.

Segundo o inquérito da polícia, Mauro Mateus teria sido executado por Sirley Menezes da Silva como vingança pelo assassinato de Denivaldo Alves da Silva, o Vadão, a quem Sabotage teria matado no dia 9 de janeiro, num efeito-dominó que já rolava desde 1999, quando disputavam pontos de venda. Na época Sabota se mudou p/ a favela do Boqueirão fugindo das tretas, mas a morte de seu amigo Binho na cadeia em 2002 trouxe seu passado de volta como uma maldição. Duas semanas após o suposto crime cometido por ele, Sirley, acompanhado pelo capanga Bocão e o irmão de Vadão, vingou a morte do seu segurança alvejando o rapper c/ 2 tiros na cabeça e 2 no tórax. Mataram Bocão dias depois. Sirley foi condenado à pena de 14 anos de reclusão em julho de 2010.

Hoje se completam 8 anos do trágico fim de Sabotage. Mas ele continua sendo homenageado, desde a tattoo do rapper Cabal até os prêmios Hutuz de revelação da década e maior artista solo dos anos 2000. Tudo isso conquistado em 3 anos – que valeram por uma vida. Ainda lembro de uma conversa c/ 2 amigos rappers numa festinha em 2001 no dia seguinte ao prêmio VMB da Mtv, que naquele ano preteriu o clip de Um Bom Lugar, dirigido por Beto Brant, em favor de Us Mano & As Mina de Xis. Um desses amigos, o Paulista, comentava indignado: “Tinha que ser o clip do Sabotage, mano! Sabe por quê? Era o mais UNDERGROUND!

Mauro Mateus dos Santos – Sabotage [13/04/1973* - 24/01/2003+]

quinta-feira, janeiro 20, 2011

ELLEN ROCK
THE BLACK KEYS
 
Ellen Roche é o tipo de mulher que qualquer homem gostaria de conhecer: linda, loira & gostosa, c/ peitos grandes, cintura fina e quadris largos, olhos azuis… ou seriam verdes? Hmm, nunca reparei muito nos olhos. Bom, a Roche eu não conheço. Mas sou amigo da Ellen Rocha.

Formada em rádio & televisão e ex-roteirista da Aperipê TV, Ellen está fazendo mestrado nos EUA em Mass Comunication and Media Arts - Professional Media and Media Management na cidade universitária de Carbondale, Illinois, onde também trabalha escrevendo roteiros na WSIU-TV. Apreciadora dos bons sons, na virada do ano ela encarou uma longa viagem de trem e o frio do inverno no hemisfério norte só p/ ver um show do Black Keys – banda que desbancou o White Stripes do posto de melhor duo de blues-punk do mundo. De quebra, ainda assistiu um show dos Greenhornes, que abriram a noite.

Amanhã é meu aniversário, e de presente compartilho c/ vocês a inspirada crônica que minha amiga mandou sobre seus 4 dias em Chicago entre 2010 e 2011. Morena bonita de Aracaju, Ellen ‘Rock’ é tão charmosa quanto sua xará famosa. E mais inteligente. Afinal, ela não é loira.
THAT GUY FROM THAT BAND por Ellen Rocha

"Viajar de madrugada ou muito cedo – sete e meia da manhã é muito cedo pra mim, só pra registrar – é sinônimo de nunca conseguir dormir. Três da manhã do dia 30/12/2010, eu ainda estava acordada, pintando as unhas de vermelho e, claro, borrando tudo, pra dar mais emoção. Os dias aqui tem amanhecido bem tarde, por conta do inverno, então, se eu quisesse chegar a tempo na estação de trem, eu teria que sair de casa, no máximo, às sete. Cidade pequena, Carbondale é basicamente universitária, e morando no Arbor District, bem perto de tudo inclusive da estação, que me faz ouvir cada trem que chega eu saí correndo, lá pelas seis e cinquenta, sempre me sentindo culpada por alguma forma de atraso, mas ainda assim aproveitando os primeiros sinais de claridade, arrastando uma mala de quase 7 quilos, pra passar quatro dias (não me julguem).

Os trens são bem confortáveis, até pra mim, que sou relativamente alta ou, pra especificar, tenho pernas longas. A viagem é bem tranquila, passando por umas cidadezinhas tão pequenas, que eu diria que devem ter, no máximo, uns  5 mil habitantes ou menos. Em alguns lugares, ainda tava bem branquinho, mas foi um ano novo sem neve, pelo menos nessa parte do Midwest. Chicago fica no sentido norte de Illinois, e Carbondale no extremo sul, a apenas 2 horas de Saint Louis, no Missouri. Mesmo assim, a viagem não é longa e, em 5 horas e meia, Chicago já aparece, cheia de graça e frio, claro.
A primeira vez que eu estive em Chicago foi em outubro do ano passado, quando fui ao show de Belle and Sebastian, que eu me dei de presente de aniversário. O show foi no Chicago Theatre, com um setlist que parecia de reunion show, com músicas que iam do primeiro Tigermilk (1996) até o último disco – Write About Love (2010). Ultimamente, tenho viajado mais por shows do que por qualquer outra coisa. Mas, dessa vez, além de um show pra ir, eu ia encontrar duas amigas de Aracaju, que também moram aqui nos Estados Unidos. Planejada desde o fim de setembro, a viagem tinha tudo pra ser boa, porque um dos motivos principais era o show dos Black Keys. Roteiros turísticos? Não me interesso muito, sinceramente, ou não estava muito inclinada para fazê-los, talvez porque moro perto, e Chicago vai ser minha rota muitas vezes por esses 2 anos em que vou ficar por aqui. Na verdade, o que eu gosto mesmo é de andar pela cidade, pra ter uma memória visual dos caminhos que eu vou pegar: questão de sobrevivência. Curto muito conhecer os bares da cidade, não que museus e a arquitetura não sejam importantes e eu não goste de apreciá-los, mas acho que esse parágrafo já tá grande demais pra eu ficar me justificando. 
(TÁ, EU FUI EM UM PONTO TURÍSTICO)
Daí que eu vou pular os dois primeiros dias de Chicago e a festa de ano novo, porque o que mais interessa tá no fatídico 01/01/2011. A saga começou às cinco e meia da tarde, quando a gente chegou na fila do show, que mais parecia uma fila de venda de drogas, quase um after Christmas sale, numa ruazinha estreita ao lado do Aragon Ballroom, o lugar no qual o show ia acontecer. AInda tinha pouca gente na fila, mas as portas só abriam às 7, e digo que quase desisti de ficar esperando lá, porque tava um frio de -12 graus, com aquele ventinho delicado de Chicago, conhecida  como ‘the Windy City’. Juro que não tava mais sentindo os dedos dos pés, mas olho pro lado e me deparo com um casal sentado e coberto com um edredon é a vida me mandando um 'como se comportar em filas de show no inverno - versão para dummies'. E tava tão frio, mas tão frio, que eu e as meninas lembramos da tática dos pinguins, e ficamos em um círculo, compartilhando o calor humano, porque não tava fácil. Atrás da gente, na fila, havia um casal de nativos que tava morrendo de frio, e a nossa angelical bondade nos fez convidá-los pro círculo. Resultado: fazendo pinguinzinho com desconhecidos.
As portas abriram e a gente conseguiu pegar um lugar muito bom, de frente pro palco. Aqui não tem muito isso de furar bloqueio pra ir pra frente, e todo mundo olha muito feio se fizerem isso. Esse fato me privou de comprar cerveja, o que foi compensado pelo show muito bom dos Greenhornes, dos quais eu nunca tinha ouvido falar. De Cincinnati, Ohio, mesmo estado dos Black Keys, Craig Fox (vocal/guitarra) e Jack Lawrence (baixo) tocam com o baterista Patrick Keeler na frente, que é bem enérgico e dá a presença de palco da banda. Começaram em 1996, são muito bons e, inclusive, tô com música no repeat. Já lançaram quatro álbuns de estúdio - Gun For You (1999), The Greenhornes (2001), Dual Mono (2002) e Four Stars (2010). Podem começar pelo começo, mas se tiverem na dúvida, pulem logo pra 'Better Off Without You', scrobbled pelo meu last.fm mais ou menos umas 120 vezes, até a hora que eu tava escrevendo esse texto, e 'Song 13'.


Sem aperto, foi bem tranquilo curtir os dois shows. Eu ainda tinha a vantagem de me encostar em um treco que ficava na frente, só assim minha coluna não doía (ter 23 anos não tá fácil pra ninguém). Lá pelas nove e vinte e três, o host do Aragon Ballroom entrou no palco pra dar feliz 2011 pra todo mundo que ainda parecia estar de ressaca e anunciar o terceiro show dos Black Keys. Isso mesmo, esse foi o último show de três; dois que foram aparecendo porque o único, que seria no dia 31/12, esgotou em setembro. Lembro que ia comprar pra esse, mas já tava esgotado, vi na coluna direita do Facebook a iminência de abrirem o do dia 01/01, com as vendas previstas pra algum dia do fim de setembro, começando às 10 da manhã de um sábado, que eu acordei só pra isso. Esse também esgotou, daí colocaram mais outro show pra 30/12. Não sei porquê, mas sempre tenho a impressão que o último show é sempre o melhor, mesmo sem ver os primeiros. Deve ser algum tipo de compensação mental minha. Próximo parágrafo, por favor.
Formados em 2001, em Akron, Ohio, os Black Keys são só dois desde o começo, em 2001. A dupla de blues-rock, composta por Dan Auerbach (vocal/guitarra) e Patrick Carney (bateria), já lançou oito discos até 2010, e abriram o show com Thickfreakness’, do disco homônimo. Sei que foi só pra esquentar junto com ‘Busted’, pra só assim mandarem ‘10 A.M. Automatic’, uma das músicas que vocês podem achar mais referências, já que foi trilha de game, série, e comercial. Nessa parte do show, são só o Auerbach e o Carney, mas quando o bloco de músicas do disco mais recente – Brothers (2010) começa, dois músicos de apoio, um baixista e um tecladista, entram pra agregar mais peso, o que de fato eles nem precisam, porque os dois são muito bons sozinhos.

Os pontos altos foram ‘Tighten Up’, ‘Howlin’ for You’ e, claro, o encore. Eles terminaram com ‘Stack Shot Billy’, música do Rubber Factory, disco de 2004, e deram aquele tchau safado que toda banda dá, só pra ouvir adulação de fã. E que adulação bonita, porque a galera tava batendo os pés no chão numa coisa bem OLA sonora – o barulho começava lá atrás, e vinha até a frente. Isso deve ter durado uns 5 minutos, e lá vem o Auerbach achando tudo lindo, e o Carney naquela concentração pra mandar ‘Sinister Kid’ e, pra terminar bonito, o solinho de ‘Your Touch’, do Magic Potion (2006), fez o Aragon Ballroom ecoar de tantos gritos que eu traduzi, em minha cabeça, como: eu queria essa música mesmo, porra!.  

Sempre fico muito feliz depois de shows e sim, se eu gosto mesmo, é capaz de eu falar por um mês dele. Pra fechar o combo, uma das meninas, Dinah, encontrou, por acaso, o vocalista Dan Auerbach enquanto ela tava voltando pra Massachusetts, domingo, no aeroporto. Aqui vai um trecho do momento, narrado por ela mesma:
'Daí olho de novo e: opa, essa COR DE CABELO não me é estranha... Ele tava mexendo no celular, cabeça baixa…continuo olhando, ele olha pra cima e: OXEEEEEEEEEEEE, O CARA DO BLAQUIQUISSSSSSSS!!!!!!!!!!!!!...e que cara de acabado! A after party deve ter sido massa! ( " ) Ligo pra vcs! Depois que vcs me encorajam, ele fica do meu lado na fila, aí eu soltei a PÉROLA:
- excuse me
- :)
- are you... :)
- :)
- THAT guy, from THAT band?
Hahahahahahahahaha! Por que porra eu não falei o nome dele logo, né? Mas eu pensei na minha cabeça que ele era tipo, sei lá, Paul Macca, e se eu falasse o nome dele milhares de fãs iriam invadir a fila, atacar e sumir com o coitado. No fim, eu só pareci idiota.
- ;)
- Oh, wow. Can I have a picture with you after security?
- Sure!
Passei pela segurança. Ele também. Só que minha fila demorou mais que a dele. Aí, quando eu saí, ele tava me esperando!
- Hi! So can I have your autograph first? I have a friend who’s a huge fan of your band, and like you, he’s in a duo band, and they’re awesome!
- Sure! What’s his name?
- Julico. J U U L I C O.
Eu falei 2 Us, e ele anotou os 2.
- Where are you from?
- Brazil. When are you playing over there?
- I don’t know. I don’t even know if our records are sold in Brazil.
- Well, people love BK in Brazil. Are you in a hurry? Do you have time for a picture?
- You want my picture or a picture with me?
- With you.
Tiro a camera, e minha mão tá tremendo.
- I’m nervous!
Tiro 2 fotos que saíram péééssimas, borradas!
- Thank you!
- Nice to meet you!
- Nice to meet you too! Bye!
Velho, foi basicamente isso. Eu ainda falei que a gente tava no show ontem e que tinha sido foda, falei que tinha visto o show deles em Boston, no verão…e sei lá mais o que eu falei. Só sei que eu tava nervosa pra caralho! Não fui cool nem nada, fiquei nervosa e, sério, não parei de falar.'
Domingo foi o head back home, cansaço, atraso, mas vontade de fazer tudo de novo: ficar com frio, fazer pinguim na fila, querer que o ano novo volte, e até não conseguir tomar cerveja no show. Pra quem ainda não conhece a banda, vale seguir o set list, e confirmar o que o Dan Auerbach declarou na SPIN de setembro do ano passado: 'We make music for hipster strippers'."

The Black Keys - The Aragon Ballroom (Chicago, 01/01/2011)
1. Thickfreakness
2. Busted
3. 10 A.M. Automatic
4. Girl Is On My Mind
5. The Breaks
6. She’s Long Gone
7. Everlasthing Light
8. Next Girl
9. Tighten Up
10. Howlin’ For You
11. I Got Mine
12. I’ll Be Your Man
13. Strange Times
14. Ten Cent Pistol
15. Stack Shot Billy
16. Sinister Kid
17. Your Touch

vale citar que ELLEN roteirizou sua crônica, indicando onde inserir as imagens e os videos, além de enviar as fotos que ela e sua amiga Dinah Nascimento  tiraram na viagem, e o retrato que a fotógrafa profissional Ana Paula Maia fez dela ELLEN, you ROCK

terça-feira, janeiro 18, 2011

3º MUNDO FESTIVO 
AMY & JANELLE P/ COMEÇAR O ANO NO VENENO

Se tem uma coisa que brasileiro sabe fazer é festejar. Num ano em que o carnaval acontece em março, o festival Summer Soul abriu as atividades trazendo o furacão Amy Caipiroska, que tocou em 4 capitais, pagou peitinho, caiu no palco e dividiu opiniões. Houve quem preferisse a revelação Janelle Monáe, que abriu seus shows. Mas essas duas foram só a cereja do bolo neste mês de janeiro.

Se você já viu ao vivo ou ouviu de algum jeito as bandas sergipanas Café Pequeno & The Baggios, hoje é o último dia p/ votar nelas no ARPUB, o festival nacional das rádios públicas. Grandes vencedores do Festival Aperipê em novembro, a trupe de sergipanos passou por uma peneira de mais de 400 artistas e pode repetir o feito de Patrícia Polayne, quando a cantora levou os R$ 15.000,00 do prêmio principal na 1ª edição em 2009.
OUÇA E VOTE CAFÉ PEQUENO
OUÇA E VOTE THE BAGGIOS

Diz o blog ProgCult: “Aos que não conhecem, ouçam a música no site e, assim como eu, tenham a certeza de que ambos os concorrentes sergipanos são os melhores nessa disputa.” Estão em 3º nas suas respectivas categorias – instrumental e música c/ letra – mas se não der desta vez, a Café Pequeno pode se inscrever no festival Tudo É Jazz, cuja 10ª edição acontece em Ouro Preto [MG] de 8 a 11 de setembro e terá como tema Tom Jobim.

The Baggios também pode até não levar, mas Julico & Perninha começaram 2011 pisando fundo nos pedais da guitarra e do bumbo. Em sua segunda investida no Sudeste, tocam na Bienal da UNE [RJ] e participaram do Projeto Música Cerebral, festival da Brain Productions que reuniu nomes novos como Vanguart [MS], Pública [RS] e O Sonso [CE] no Centro Cultural de São Paulo. Os rockers de São Cristóvão [SE] ainda farão mais 3 shows por lá: dia 21 no Studio SP e dia 22 na Casa da Mancha e Clube Berlin.

Sábado também rolou em Pernambuco o Original Olinda Style, projeto que reúne integrantes dos grupos Eddie e Orquestra Contemporânea de Olinda. A balada bombou no Mercado Eufrásio Barbosa, na Praça do Varadouro em Olinda, c/ música sem fastio e muita mulher bonita. Abriram a noite minha amiga Catarina Dee Jah e A Roda.

Um ‘esquente’ pro carnaval, que pelas bandas de lá é sempre quente.
A RODA
 CATARINA DEE JAH
ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA
EM PERNAMBUCO, OU A MÃE ACOMPANHA A FILHA OU VIRA AVÓ





FOTOS: ERIC GOMES  [SUMMER SOUL] + USE FOTO [ORIGINAL OLINDA STYLE]

domingo, janeiro 16, 2011

AMIGO DA MÚSICA
Aconteceu ontem o prêmio Amigo da Música Sergipana, promovido pela cantora Amorosa. Os próprios artistas votaram nas 8 categorias, e a Fundação Aperipê levou 6 delas melhor emissora de TV e de rádio, melhor programa de FM, apresentadora [Flávia Lins] etc... O programa que eu dirijo, Cena do Som, foi escolhido o melhor de 2010. Criado e apresentado por Nino Karvan, por lá já passaram quase todos os nomes da cena local, além de alguns visitantes de outros estados [tipo Wado e DJ Dolores]. Estive na festa representando a AP.TV e trouxe este troufeuzinho p/ a casa. Tocando eu posso até ser inimigo do ritmo, mas atrás das câmeras a música sempre pode contar comigo.