segunda-feira, março 28, 2011

BRUNA SURFISTINHA

NÃO ACEITE IMITAÇÕES
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Entrei na prostituição porque eu queria unir o útil ao agradável”, disse Raquel Pacheco, 26 anos, no programa de Marília Gabriela na GNT, dia 20 de fevereiro. “Queria ganhar dinheiro e gostava de fazer sexo. É uma difícil vida fácil.

Raquel é uma falsa loira que fugiu de casa aos 17 p/ fazer a vida na profissão mais antiga do mundo. Sob o pseudônimo Bruna Surfistinha, criou um blog em que relatava seus encontros e dava notas aos clientes, tudo num estilo Confissões de Adolescente.  “Usei cocaína e maconha. Por causa da cocaína, o dinheiro que eu ganhava ia todo embora. Parei de usar, e na ausência da droga criei o blog.” O Não, Não Para... recebia 10 mil visitas mensais e ela atendia 3 clientes por dia.

Muito antes de Maria Bethânia, Bruna Surfistinha já lucrava c/ a internet. Em 2005 sua história é contada no livro O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO - O Diário de Uma Garota de Programa, escrito por Jorge Tarquini. Best-seller c/ 140 mil exemplares vendidos no ano de lançamento.  “Transas enlouquecidas, surubas, muitos homens (e mulheres) diferentes por dia, noites quase sem fim”, dizia Bruna. “O que pode ser excitante para muitas garotas como eu, na efervescência dos vinte anos, para mim é rotina. É meu dia-a-dia de labuta.

Agora seus tempos de labuta viraram filme, dirigido por Marcus Baldini e estrelado por Deborah Secco, c/ orçamento de R$ 4 milhões – captados por meio de renúncia fiscal aprovada pelo Ministério da Cultura. Perfeita p/ o papel, Secco seminua já atraiu 2 milhões de espectadores ao cinema, e em 1 mês de exibição a película rendeu R$ 18 milhões. Melhor p/ a Raquel, que em 2006 recebeu apenas R$ 500 p/ estrelar o DVD pornô 3X com Bruna Surfistinha.

Mas surfistinha mesmo é a Bruna Schmitz, paranaense de Matinhos, 20 anos e 1,65m de altura. Surfista profissional, ela é uma das melhores do mundo em cima de uma prancha: campeã sulamericana pro-jr. aos 14 anos, 3ª colocada no mundial sub-16, campeã de uma etapa do WQS e classificada p/ o World Tour aos 18. Bruninha é uma loira natural, descendente de alemães, que saiu de casa p/ fazer um surf em sua primeira viagem internacional – Equador – aos 12 anos.

A partir daí não parou mais. Peru, EUA, Caribe, Havaí, Taiti, África, Europa, Ásia, Oceania... Apesar de não ter ido bem em seu ano de estréia entre as Tops, terminando em 15º lugar na ASP e perdendo sua vaga na elite, foi eleita uma das 3 mais belas na lista das Hot 100 da revista Surfer. Patrocinada pela marca americana Roxy, é a 1ª atleta brasileira convidada a posar p/ a Swimsuit Issue da Sports Illustrated, maior revista esportiva que existe.

A edição anual da Swinsuit traz Schmitz de biquini em momentos sensuais registrados por Stephan Wurth em Banff, Canadá. Publicado em fevereiro, o ensaio fotográfico gerou comparações inevitáveis c/ sua xará famosa no Brasil. “As pessoas zoavam, mas foi passageiro”, diz Bruna, que há anos namora o francês Jeremy Flores, atual campeão do Pipe Masters e top 10 do WT. “A história dela não tem nada a ver c/ a minha vida. No começo o pessoal me zoava por causa do nome, mas foi ela que escolheu o meu nome. O que eu posso fazer?

Competindo nas etapas de abertura do mundial na Austrália, ela avisou à revista Época e ao site iG Jovem que ainda não viu o filme. “Uma amiga tinha o livro e eu comecei a ler, mas não acabei. Se me disserem que o filme é bom, eu vou querer assistir.” C/ vocês, um ménage à trois c/ a verdadeira Bruna surfista: duas entrevistas em um só blog. Depois de tanto tempo falando de feiura – Bethânia, MinC, Kadafi, Tsunami, Los Hermanos – já estava na hora de mostrar alguma coisa bonita. Viva La Bruna!

ÉPOCA - Você foi eleita umas das atletas mais bonitas da Sports Illustrated. Como encarou isso?
BRUNA SCHMITZ - Não fazia idéia de que revista era essa, nunca achei que seria algo tão grande. Quando comecei a perguntar e pesquisar, fiquei até com medo, pensei: ‘Por que eu? Onde me encontraram?’, essas coisas... Fui até o Canadá sozinha e estava muito nervosa, não sabia como iria ser. Foi uma experiência incrível fazer parte dessa edição. A revista é super profissional, e você pode mostrar o que é. Não pedem para você fazer nada, simplesmente ser você mesma.

ÉP - Como eles chegaram até você?
BS - Eles entraram em contato com a Roxy, depois de terem me achado no Google.

ÉP - Você começou cedo, aos 10 anos. Por que escolheu o surf?
BS - Meu irmão já surfava, e eu não entendia muito do esporte, não sabia como era, até que um dia ele decidiu inscrever minha irmã, minhas amigas e eu pra fazer aulas de surf. Assim que comecei já amei o esporte, me identifiquei e levei adiante.

ÉP - Você está conversando comigo da Austrália. Quanto tempo fica no Brasil e quanto tempo passa viajando?
BS - Estou aqui para o começo da temporada, as competições sempre começam na Austrália, então venho e fico normalmente 2 meses. É difícil passar muito tempo em casa, a agenda de competições é super corrida, às vezes volto para passar 2 dias em casa, mas no máximo 10 a 15 dias.

ÉP - Com essa vida corrida, consegue namorar?
BS - Sim, viajo com meu namorado Jeremy, ele também compete, então nos vemos bastante.

ÉP - E a família, como é essa relação? Você mora com seus pais ainda?
BS - Sim, meu quartinho ainda fica lá, adoro minha família. Meus irmãos já não moram mais com a gente, então quando volto pra casa minha mãe me mima bastante.

ÉP - Qual é a preparação e a rotina de uma surfista profissional?
BS - Não é tão complicada. O mais importante é sempre surfar, não importa as condições, quanto mais surfar, mais evolui. É preciso cuidar da alimentação, sempre hidratar o corpo e repor as energias. O mar suga isso tudo.

ÉP - Atualmente está em que lugar no ranking?
BS - 25º. Para ficar na elite, tenho que ficar entre as 10. Neste ano vou brigar pra entrar novamente.

ÉP - Ainda não existe uma cultura forte de mulheres surfistas no Brasil, como vê isso?
BS - É, não é muito comum, mas já somos muitas e esse número cresce a cada dia. Acho que daqui a alguns anos já vai ser bem popular.

IG JOVEM - Para mesclar esporte, estudos, família e amigos, como você fazia?
BS - No começo minha mãe ia até a escola, conversava com os professores e todos sempre me apoiavam. Isso quando as viagens eram mais no Brasil. Depois começou a complicar para conciliar. As etapas internacionais apareceram e eu achei que não ia conseguir. No fim deu tudo certo. Mas faz uns anos que não passo natal em casa por conta da temporada havaiana; aniversários das pessoas, perdi um monte. Mas conquistei amigos no surf e, mesmo não sendo a família, já ajuda.

IGJ - E nessas viagens, como foi adaptar alimentação e idioma?
BS - Inglês eu sempre fiz desde pequena. O problema é que, quando viajei para o Havaí, eu vi que não era nada daquilo. As pessoas não te entendem. No começo passei muito perrengue. Sentia vergonha para conversar. Aos poucos fui melhorando. Quando entrei no tour, eu tinha que me comunicar. Quem me deu uma força foi meu namorado. Ele é francês, mas fala português e inglês. Me encorajou a arriscar mais. Para comer foi mais fácil. Nunca fui de comer besteira. Sinto falta é da comida da mamãe [risos].

IGJ - A surfista de ondas grandes Maya Gabeira comentou que se prepara fisicamente com personal trainer e ioga. E você?
BS - Ela pega ondas gigantes. Tem que ter um preparo especial. Eu procuro alimentos que me dêem energia. Meu preparo está na alimentação e, claro, no surf. O mar por si só já condiciona, porque passamos horas surfando.

IGJ - Na busca pela onda perfeita, viveu alguma história bizarra?
BS - Uma recente foi ano passado, em Sunset, no Havaí. Lá você tem que preparar as maiores pranchas para a competição. O mar é forte. Numa bateria, uma menina hesitou para pegar a onda e eu acabei entrando errado na série e fui arremessada. Quebrei a prancha no meio. Parei no meio da espuma, tomando água na cabeça sem parar e, pelas regras do campeonato, eu estaria eliminada se o jet ski me socorresse – e eu não queria ser eliminada. Para buscar outra prancha foi um apuro [risos].

IGJ - Dos lugares que conheceu, quais os mais marcantes?
BS - Bali, na Indonésia. A Austrália, que tem vários lugares legais... O próprio Brasil tem praias lindas... O pôr-do-sol roxo e laranja de Sunset... Mas um lugar que tem altas ondas e é muito bonito é a Nova Caledônia, onde meu namorado tem casa. Uma ilha na Oceania. É maravilhoso. Você vê corais coloridos na maioria das praias. É incrível.

IGJ - E esse lado da beleza? Você tem trabalhos publicitários, é considerada uma das mais belas do surf – isso atrapalha? O namorado é ciumento?
BS - Não. Meu namorado é super tranqüilo. A gente curte ficar em casa, nos entendemos bem. Ele também tem trabalhos iguais, então levamos isso numa boa. Claro, gosto de me cuidar, ter atenção com o cabelo e com a pele. Passo boa parte do meu tempo no mar. Exige um cuidado.

IGJ - Como você analisa sua trajetória? Dá para dizer que você já chegou lá?
BS - Não planejei nada. Cheguei por acaso e simplesmente gostei. Ainda não dá pra dizer que sou bem-sucedida. Ganhar para isso é ótimo, mas não pretendo ser surfista profissional o resto da vida. Quero fazer uma faculdade, talvez moda.

IGJ - E a relação com a internet e com a música?
BS - Curto. Amo meu blackberry. Nele toca de tudo. Mas quem eu tenho escutado bastante ultimamente é a Beyoncé. A voz dela é demais. Internet eu encaro mais como uma facilidade, para falar com a minha família e não encarecer a conta do telefone, né? Gosto do Twitter também. O meu é @schmitzbruninha.

VIVA LA BRUNA
DEBORAH SECCO NO PAPEL DA SUA VIDA
CENAS DO FILME 'BRUNA SURFISTINHA'
BRUNA SCHMITZ, ESSA SURFA MESMO
VERTICALIZANDO EM ROCKY POINT...
...E ENCARANDO SUNSET, NO HAVAÍ
BRUNINHA TEM UM BELO BACKSIDE
COMPETINDO NO WWT EM PORTUGAL...
...E SURFANDO LIVRE NA NOVA CALEDÔNIA
CAMPANHA PUBLICITÁRIA DA ROXY
1ª BRASILEIRA NA SWINSUIT ISSUE...
...EDIÇÃO ANUAL DA SPORTS ILLUSTRATED
AO LADO DE KATE UPTON E GENEVIEVE MORTON,
NO LANÇAMENTO DA REVISTA NA CALIFÓRNIA



sábado, março 26, 2011

BARCINSKI CANTA BETHÂNIA 
Se a discussão sobre o blog de 1,3 milhão de reais de Maria Bethânia serviu para alguma coisa, foi para incentivar a discussão sobre o uso das leis de incentivo”, escreveu o jornalista André Barcinski. “O problema é que as leis, da forma como são hoje, criam uma noção distorcida de ‘mercado’. Alguém me explica: faz sentido o Estado pagar por um filme ou uma peça e o lucro ir para os produtores? Ora, quando um projeto é aprovado, não prevê remuneração para todos os envolvidos? Por que as leis não exigem a devolução do dinheiro investido?

Barcinski apresenta o programa Garagem na Rádio UOL, dirige e produz o programa de TV O Estranho Mundo de Zé do Caixão no Canal Brasil, recebeu o prêmio Jabuti por seu livro Barulho em 1992 e do Júri no Festival de Sundance em 2001 pelo documentário COFFIN JOE - The Strange World of José Mojica Marins.Outra questão importante: no projeto do blog da Bethânia, o salário dela (600 mil reais) equivale a quase 45% do TOTAL do projeto (1,3 milhão). É ridículo”, diz. “Deveria haver um limite de percentual do projeto que pode ser usado como remuneração, para evitar delírios como esse.

Ele também é crítico da Folha de S.Paulo. Em seu blog no site do jornal, postou 3 artigos sobre o tema, c/ direito até a uma poesia – “Carcará/ vem cá/ vem cantar/ qual canário/ Carcará/ vem cá/ vem carcá/ o erário”. O primeiro e mais inspirado post é uma homenagem a Moacyr Scliar, falecido dia 27 de fevereiro: uma crônica ao estilo das que o escritor fazia na coluna Cotidiano. C/ vocês, Barcinski & o blog da Bethânia...

Local: uma casa de praia no sul da Bahia.

Bethânia está sentada na varanda, contemplando o mar azul e saboreando uma água de coco. Duas assistentes a abanam com folhas de bananeira.

Chega Zezé (nome fictício), seu assessor.

- Bethânia, você queria falar comigo?

- Queria sim, Zezé. Hoje eu tive um sonho...

- Um sonho? Que maravilha! E que sonho foi esse?

- Eu sonhei que estava declamando poesia na praça, e que o povo inteiro me aplaudia. Foi lindo. As crianças choravam, os velhinhos choravam, todo mundo chorava...

- Que coisa linda, Bethânia!

- Foi mesmo. E me deu uma idéia, Zezé: eu acho que o Brasil está precisando de poesia! Poesia de todo tipo: romântica, erótica, concreta, líquida, gasosa... Depois desse sonho, eu tive a certeza de que sou a escolhida para levar a poesia à nossa gente sofrida! Pensei: que bom seria se eu tivesse um meio de levar a poesia a todas as pessoas do mundo! Não seria lindo, Zezé?

- Que idéia fantástica, Bethânia! Você quer fazer um livro?

- Livro não, que dá muito trabalho. Pensei num negócio desses de internet, como é que chama... Blog! Isso! Dá pra colocar uma poesiazinha por dia, assim, bem devagarzinho...

- O que eu posso fazer pra ajudar a tornar esse sonho realidade, Bethânia?

- Liga lá na produtora e vê quanto eles acham que dá pra pedir no MinC...

Zezé sai; Bethânia contempla o mar azul. Dez minutos se passam. Zezé volta, eufórico:

- Bethânia, que tal um milhão e trezentos?

- Tá bom. Pensei também em colocar uns vídeos meus declamando poesias. A gente podia chamar o Glauber pra dirigir...

- Glauber? Mas ele não morreu?

- Será? Eu não tenho visto ele por aí, é bem capaz mesmo. Chama qualquer um então...

- Ai, Bethânia, as empresas vão se matar para patrocinar isso!

- Zezé, liga praquele pessoal dos cosméticos, que parece que eles estão botando dinheiro em qualquer coisa.

- É pra já, Bethânia!

Zezé sai. Bethânia sorve mais um gole de água de coco enquanto contempla o mar azul.
por André Barcinski [Maria Bethânia e o blog de 1,3 milhão de reais, postado em 16/03/2011]

quarta-feira, março 23, 2011

MÚSICA POPULISTA BRASILEIRA 
Foi a polícia que trouxe a notícia/ [...] Tramaram tudo de forma perfeita/ Aproveitaram a estação insuspeita/ O verão *

MPB é um gênero musical surgido após o golpe militar de 1964 c/ a segunda geração da Bossa Nova e o engajamento dos Centros de Cultura da UNE. Nos anos 60 e 70, foi um dos canais de resistência da esquerda e alguns de seus principais nomes chegaram a ser exilados, como Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Maria Bethânia é irmã de Caetano e foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 1 milhão de cópias em um só disco – ÁLIBI, 1978. Tem uma carreira de quase meio-século de sucesso, e já ganhou inúmeros discos de ouro e diversas honrarias, entre elas o Prêmio Tim em 2006 e 2007. Do alto de seus 64 anos, a ‘Abelha-Rainha’ acha que o mundo precisa de poesia. E decidiu montar um blog.

Convocou o publicitário Andrucha Waddington e o antropólogo Hermano Vianna p/ coordenarem o projeto, que foi enviado ao Ministério da Cultura. Serão 365 vídeos c/ Bethânia declamando poemas. P/ cobrir os custos de produção, que envolveria, segundo a assessoria da cantora, “equipe, filmagem, direção, coordenação, correio, xerox”, foi pedido o módico valor de R$ 1.798.600,00.

O MinC, através da comissão julgadora da Lei Rouanet, autorizou a captação de recursos p/ até R$ 1.356.858,00. A página O MUNDO PRECISA DE POESIA deve ir ao ar a partir de junho deste ano, e será atualizada diariamente até junho de 2012. “O acabamento audiovisual dos vídeos é de primeira linha”, justifica Waddington: “As pessoas estranham quando falamos que isso é p/ a internet, é como se fosse algo menor”.

Existem quase 150 milhões de blogs no mundo, segundo o site de busca Technorati. Tamanha popularidade decorre do fato de ser um veículo acessível & gratuito, c/ sistemas de criação e edição que dispensam grande conhecimento de linguagem HTML. É uma ferramenta democrática. O blog da Bethânia vem na contramão da história, elitizando o processo.

Assim que a notícia foi divulgada, o nome da cantora entrou p/ os Trending Topics  do Twitter – mundial! Manifestantes protestaram em frente ao Ministério em Brasília, e o multimídia Lobão tuitou: “Sugeriria fazermos uma campanha tipo DEVOLVE ESSA PORRA, BETHANIA!!! Puta que pariu! Ô, MinC! Eu quero um blog de poesia pra mim!

A ministra Ana Buarque de Hollanda diz não saber o que houve de errado. “Não tem nada! Foi inteiramente aprovado dentro das regras. Ela participou, o projeto foi julgado por uma comissão da sociedade civil, com alguns integrantes do governo, e foi aprovado. Está tudo justificado lá na planilha. Acho que todos têm que tentar. Se vão captar, é outra coisa.

Como a Wikipedia observa no próprio verbete da artista baiana, esse episódio “jogou luz sobre a discussão acerca da legitimidade da Lei Rouanet, haja vista que a quantia, sendo abatida integralmente do imposto, não deixa de ser recurso público, o que na prática significa uma curadoria com dinheiro público sob responsabilidade de empresas privadas, o que também abre caminho para atividades pouco éticas por parte dos proponentes, artistas e do próprio Ministério da Cultura”.

A lei de incentivo à cultura permite que empresas invistam em renúncia fiscal até 4% do seu imposto de renda. Maria Bethânia já havia utilizado esse expediente  em 2008, quando pediu R$ 1.800.000,00 p/ custear sua turnê junto à cubana Omara Portuondo. O ministro da época, Gilberto Gil, vetou, mas seu sucessor, Juca Ferreira, autorizou a captação de R$ 1.500.000,00.

Ana de Hollanda é irmã de Chico Buarque. Hermano Vianna é irmão de Herbert dos Paralamas. Andrucha Waddington dirigiu o DVD Maria Bethânia - Pedrinha de Aruanda, em 2007. Agora, em 2011, a ‘pedra de Aruanda’ pretende embolsar R$ 600.000,00 da verba de captação do projeto. Essa família é muito unida – e também muito ouriçada.

Eu odeio MPB. Não gosto da pieguice de Milton Nascimento, nem dos malabarismos vocais de João Bosco, e muito menos de Caetano, Sampa ou a poesia concreta de suas esquinas. Também não dou a mínima se a Maria Bethânia é uma puta intérprete. Música de corno é música de corno e, nessa linha de cantora sapatão, sou mais o vozeirão da Ângela Rô Rô.

Assim como o Movimento Democrático Brasileiro tornou-se o situacionista PMDB, a MPB de hoje é um clube conservador e exclusivo. O cantor e compositor baiano Tom Zé já disse várias vezes que foi “enterrado vivo na divisão do espólio da Tropicália”. Basta lembrar do que fizeram c/ Wilson Simonal. Outro relegado ao ostracismo foi Sérgio Ricardo, que quebrou o violão e atirou-o na platéia que o vaiava no Festival de Música Popular Brasileira em 68.

Ser vaiado por uma música ruim faz parte do jogo. Receber 1 milhão e ½ p/ fazer um blog é jogo sujo. Além disso, p/ que criar outro se ela já tem um? C/ o slogan “1 milhão de motivos para você acessar” e apenas uma semana no ar, o Blog da Bethânia já obteve quase 110.000 acessos. No clip dos Trapalhões em que Didi interpreta Teresinha de Jesus, a legenda diz:

Único momento marcante da minha carreira. E também único post que você terá nesse blog. Partiu torrar a grana e pegar a mulherada em Paris! Postado por M.B.

MARIA BOCÓ, PERSONAGEM MALANDRA QUE NÃO GOSTA DE TRABALHAR
BLOGUEIROS PROTESTAM NA PORTA DO MINC: "ME DÁ UM DINHEIRO AÍ!"
ANA BUARQUE DE HOLLANDA ASSUMIU O MINISTÉRIO DA CULTURA COMO
ASSUME AS SUAS PLÁSTICAS: A QUEM ELA QUER ENGANAR?
"UM MILHÃO E MEIO PRA FAZER UM BLOG?! AH, VÁ..."
*A Notícia - composição de Gilberto Gil interpretada por Maria Bethânia
ADOLFO SÁ edita o VIVA LA BRASA há 6 anos e nunca pediu um centavo ao MinC

quinta-feira, março 17, 2011

TSUNAMI
ACIMA, A GRANDE ONDA DE KANAGAWA, ABAIXO, GODZILLA NA GOLD COAST
Uma onda gigante de mais de 10 metros afogou 26.000 pessoas na província de Sanriku, no Japão. O ano era 1896. Na última sexta-feira, 11/03/2011, um novo tsunami arrasou 10 das 47 províncias japonesas. Estima-se que o número de mortos chegue a 10.000. A província de Miyagi foi a mais afetada: as cidades de Sendai, Kesennuma e Higashimatsubara viraram destroços, e 2.000 corpos foram encontrados nas praias de Ishinomaki e Minamisanriku. Na província de Iwate, a cidade de Rikuzentakata quase foi varrida do mapa. Meio milhão de pessoas não tem abrigo. Falta água, comida, combustível e eletricidade. E os problemas apenas começaram.

Na usina nuclear de Fukushima, 3 reatores explodiram durante as intervenções p/ manter o resfriamento do sistema. A queda na rede elétrica superaqueceu as barras, que derreteram como velas. O contato c/ o hidrogênio causou a explosão. A radiação emitida em 3 horas equivale ao que o corpo humano aguenta em um mês. A região foi esvaziada, recomenda-se distância mínima de 30 km do local do acidente. A Autoridade Francesa de Segurança Nuclear classificou o perigo de contaminação por radiação como nível 6 – só perde p/ o nível 7 de Chernobyl em 1986.

É a crise mais grave desde o fim da 2ª Guerra Mundial”, admitiu o primeiro-ministro Naoto Kan. A coisa tá tão feia que até o imperador Akihito foi à TV se solidarizar c/ a população à qual ele raramente se dirige: “Estou profundamente preocupado com a natureza imprevisível da situação na central nuclear de Fukushima. Rezo pela segurança do maior número possível de pessoas.” Ele reconheceu que “o número de mortos aumenta dia-a-dia” e disse que espera sinceramente “que possamos impedir que a situação piore graças aos esforços de todos os que participam nas tarefas de socorro”.

Os efeitos já são sentidos na economia. Os prejuízos materiais contabilizados até agora chegam aos $100 bilhões de dólares. As empresas de seguro terão que desembolsar $35 bilhões. A bolsa de Tóquio despencou 10,55%, maior queda desde a falência do Lehman Brothers em 2008. Em conseqüência, as bolsas de Paris e Londres registraram a maior baixa desde dezembro. Na segunda-feira, o banco central do Japão injetou no mercado ¥15 trilhões de ienes, equivalentes a $181 bilhões de dólares, a maior quantia de liquidez da história, depois de ter destinado ¥55 bilhões de ienes p/ as áreas afetadas.

Um novo tremor voltou a atingir o país na terça. Dessa vez os abalos atingiram 6 graus na escala Richter, danficando alguns prédios mas sem deixar vítimas. Os japoneses são o povo mais preparado p/ terremotos e tsunamis. “Localizado no Círculo de Fogo do Pacífico, há 80 vulcões ativos no país e os sismos são muito comuns, ocorrendo mil deles sensíveis por ano”, ensina a Wikipedia: “A enorme quantidade de vulcões mostra que nas profundezas do arquipélago o solo é instável e cheio de energia. Isso faz com que o país esteja entre os que mais registram terremotos no mundo.

O tsunami [津波] de sexta foi provocado por um terremoto em alto-mar que atingiu 8.9 graus – 8 mil vezes mais forte do que o tremor que destruiu Christchurch na Nova Zelândia em fevereiro. Foi o maior abalo sísmico em solo japonês nos últimos 140 anos, e o sétimo maior registrado. Ou talvez o oitavo. Dois dias antes, na quarta-feira 09/03, o surfista Kelly Slater atingia a Gold Coast da Austrália c/ o impacto de 10 graus na escala Richter.

Detentor de 10 campeonatos mundiais e defensor do título, Slater segue como uma força da natureza atropelando a 4ª geração de adversários. A vitória no Quiksilver Pro, etapa de abertura do circuito mundial, foi sua 46ª na 1ª divisão. Um monstro. P/ chegar a mais uma final, apresentou todo seu leque de manobras: “Floaters despencando do lip, emendando batidas, rasgadas e laybacks jogando muita água”, relata João Carvalho, da ASP South America.

Na decisão contra Taj Burrow, “Kelly Slater abriu a bateria com um aéreo, depois foi variando rasgadas, batidas, achando até um tubinho para começar a final com nota 5. A condição estava difícil e depois de várias ondas ruins pegas pelos dois, Slater pega uma direita pequena, mas abrindo para ele aplicar uma sequência de manobras modernas que renderam 5,27 pontos. Burrow precisava de 7,27 pontos, mas dessa vez os juízes não deram a virada como no duelo de resultado polêmico contra Adriano de Souza.

O melhor brasileiro na competição foi o estreante Alejo Muniz, de Santa Catarina, que mandou Taj e Joel Parkinson p/ a repescagem na 3ª fase, venceu a Expression Session, foi eleito Rookie of the Year pela ASP e terminou em 5º lugar, garantindo $13.750 dólares e 5.200 pontos no ranking. Por sua vez, KS10 embolsou US$ 75.000 pela vitória e larga na frente do World Tour 2011, embora não garanta presença nos próximos eventos.

Aos 39 anos, Slater não tem mais nada a provar depois de quebrar todos os recordes do esporte e ficar milionário. O que o faz seguir em frente? O americano Shea Lopez, que cobre o Tour p/ a Surfer Magazine, busca uma explicação arquetípica p/ a longevidade e domínio do careca da Flórida no surf de alta performance: “Kelly estava destinado ao sucesso desde o berço. De famílias da Irlanda e Síria, em algum lugar no passado existiu um parente que carregou a carga genética para seu biotipo atlético perfeito para o surf.

Júlio Adler acompanha o mundial p/ a revista Hardcore e tem outra teoria: “10 de agosto de 2010 fomos surpreendidos com a notícia da volta do Rio de Janeiro ao World Tour, quinhentos mil dólares de premiação. 26 de janeiro de 2011, ASP e Quiksilver anunciam evento de um milhão de dólares em Nova Iorque. O mais curioso é que em 2011, ano mais rico e cheio de mudanças da ASP, teremos as etapas mais bem pagas em ondas que não se aproximam em nada do Dream Tour. Nada de Indonésia, México ou Maldivas no calendário. Tá claro agora pra quem a banda toca?

A Quiksilver é uma das 3 gigantes da moda surf. Seu logotipo é uma estilização da xilogravura A Grande Onda de Kanagawa, de Katsushika Hokusai. Kelly Slater é patrocinado pela marca há 20 anos. Já venceu tanto e está tão acima dos demais que sua presença no Tour começa a causar um desequilíbrio natural. Suas últimas vitórias foram precedidas ou sucedidas por grandes tragédias. Ano passado, venceu a penúltima etapa – que lhe garantiu o 10º título – na mesma semana em que Andy Irons morreu. Desta vez, 2 dias após sua vitória na Austrália, a terra treme no Japão, gerando uma onda gigante e ocasionando um acidente nuclear.

A resultante de determinado cálculo quando passa a ser dado numérico de outro (e assim por diante), influi em seu resultado”, formulou Edward Lorenz, autor do conceito de Efeito Borboleta, um componente da Teoria do Caos, cujos cálculos são utilizados p/ estudar de fenômenos meteorológicos a variações no mercado financeiro, e até movimentos de placas tectônicas.

Se o bater de asas de uma borboleta pode até provocar um tufão do outro lado do mundo, o que a paquidérmica influência de Slater é capaz de causar? O que pode acontecer se continuar a vencer? Jordy Smith terá uma crise de choro e cometerá suicídio? Kadafi vencerá na Líbia e liderará a Nova Ordem Mundial? Quanto ao terremoto, ele pediu doações pelo Twitter p/ a Cruz Vermelha e a ONG Waves for Water.

Único país bombardeado por armas atômicas até hoje, agora o Japão teme um novo desastre nuclear. Nos anos 60, quando o trauma das bombas de Hiroshima e Nagazaki ainda era recente, as primeiras séries de ficção científica a fazer sucesso na TV japonesa foram dois monstros resultantes de mutação genética que vinham do mar p/ destruir Tóquio.

Gamera & Godzilla eram o tsunami e a ameaça atômica personificados. A xilo A Grande Onda..., da década de 1830, já retratava um mar tempestuoso c/ ondas tão grandes que engoliam barcos inteiros. A obra de Hokusai, primeira da série 富嶽三十六景 [Trinta e Seis Vistas do Monte Fuji], é a ilustração japonesa mais reproduzida mundo afora.

São arquétipos, “substratos psíquicos comuns de natureza suprapessoal” segundo o psiquiatra Carl Jung. Na última sexta, os piores pesadelos nipônicos viraram realidade, enquanto o monstro Slater, gênio do surf e mestre do mind game“, segue seu curso anormal devastando carreiras e reputações. E aumentando sua cotação na bolsa. Diria o físico francês Laplace:

Uma inteligência conhecendo todas as variáveis universais em determinado momento, poderia compor numa só fórmula matemática a unificação de todos os movimentos do Universo. Consequentemente deixariam de existir para esta inteligência o passado e o futuro, pois aos seus olhos os eventos seriam resultantes do momento presente.

EFEITO BORBOLETA
ALEJO MUNIZ, O ESTREANTE DO ANO
HEITOR ALVES VENCEU 4 WQS EM 2010
SILVANA LIMA É A MENINA QUE MAIS VOA
TAJ BURROW BARROU MINEIRINHO...
MAS NÃO FOI PÁREO P/ SLATER
SURFANDO NO MAR DE GENTE

A GRANDE ONDA
LISBOA, 1755: TERREMOTO E TSUNAMI
JAPÃO, 2011: PERFEIÇÃO DESTRUIDORA
FUMAÇA NA ÁGUA, FOGO NO CÉU
CIDADES INTEIRAS ARRASADAS...
...E NEVE RADIATIVA EM SENDAI
MAIOR CRISE DESDE A 2ª GUERRA




FONTES: AFP, ASP, EFE, IG, G1, FOLHA, ESTADÃO, GOOGLE, REUTERS, TERRA, WIKIPEDIA, HARDCORE, SURFER MAG, SWELL.NET