sexta-feira, setembro 30, 2011

PELA PAZ EM TODO MUNDO
Tem violência em Bruxelas, tem violência em Moscou, tem violência em Nova Iorque e também no Brasil. Tem vinganças religiosas, tem vinganças de raças, tem vinganças de governos, tenho medo da guerra! Mas quem se importa? Mas quem se importa? Eu me importo! Eu me importo! Pela paz, pela paz, pela paz em todo mundo!

Pacifista e ambientalista, Cólera é um dos núcleos da célula punk no Brasil ao lado de Inocentes, Olho Seco e 365. Formada em 1979 pelos irmãos Edson ‘REDSON & Carlos ‘Pierre’ Pozzi, a banda paulista participou d'O COMEÇO DO FIM DO MUNDO e do GRITO SUBURBANO, respectivamente o primeiro festival e o primeiro disco punks brasileiros, ambos em 1982.

Em 82 também fizemos nosso próprio espaço, Estúdios Vermelhos, que cedíamos para outras bandas como Ratos de Porão”, disse Redson numa palestra em Belém [PA] no início deste ano. “Comecei a curtir rock com 13 ou 14 anos. Montei 4 bandas e passei a investir. Não tinha como comprar instrumentos e material. A partir do Cólera passamos a fazer nossos equipamentos, foi nesse ponto que saiu o faça-você-mesmo.

Além do próprio estúdio, também foi a primeira banda punk nacional a criar um selo p/ lançar seus discos, Ataque Frontal, e a primeira a viajar pro exterior em 87, na Cólera European Tour: 56 shows dividindo o palco c/ os ingleses da Disorder e os alemães da Inferno. São 7 álbuns de estúdio em 30 anos de ativismo. Muito antes de ecologia virar moda o trio formado por Redson, Pierre e Val Pinheiro sempre foi anti-guerra & pró-natureza.

TENTE MUDAR O AMANHÃ, disco de estréia, foi lançado em 1985 e já aliava o protesto proletário de sons como Agir, Palpebrite e Violar Suas Leis à ideologia anti-armamentista – como em Duas Ogivas, sobre a Guerra Fria. O segundo disco, PELA PAZ EM TODO MUNDO, sai em 86 e vende 85.000 cópias, recorde entre os independentes daquela década. Traz os hinos Medo, Guerrear, Vivo na Cidade e Não Fome!, além da faixa-título. Em 89 é lançado VERDE, NÃO DEVASTE! pela Devil Discos.

No início dos anos 90 tocam em Sergipe, no festival Rock In Bica em São Cristóvão. “Tocaram de manhãzinha ao ar livre, de frente pro sol nascente, foi do caralho! Redson ficou maravilhado com isso”, conta Adelvan do Programa de Rock. Foram 3 shows por aqui, o último em Aracaju na turnê do disco DEIXE A TERRA EM PAZ, de 2004.  “O segundo foi de novo em São Cristóvão, mas a porrada comeu solta, ele tocando pela paz em todo mundo e a cadeirada rolando.

Por tudo isso e muito mais, punks & rockers brasileiros estão de luto. Nesta terça-feira Redson morreu, vitimado por uma hemorragia interna decorrente de úlcera. “Redson passou mal quando estava sozinho em sua residência por volta das 2h30 na madrugada de segunda-feira para terça (27), foi socorrido por um amigo que acionou o SAMU e o conduziu ao Hospital João XXIII, na Mooca, onde foi atendido”, postou o baixista Val no Orkut.

O enterro foi ontem no cemitério da Vila Alpina [SP]. “Nó na garganta”, descreve Ivo Delmondes, baixista da Karne Krua & batera da Renegades of Punk, duas bandas sergipanas influenciadas pela Cólera. “As músicas do Redson fazem tanta parte de minha vida que parece que perdi alguém muito próximo. O punk mundial perdeu uma de suas figuras mais inspiradoras. Já pararam para imaginar o punk sem Cólera?

Redson era o mais talentoso da cena punk”, diz Nasi, ex-Ira!, que gravou a faixa Minha Mente no álbum de 2004. “A gente chegou a fazer algumas apresentações juntos com o Rosa Luxemburgo, outro projeto dele. Ele era o mais diferente e ousado. Com sua visão ampla das coisas, se destacou e se tornou a peça mais importante do movimento punk da época.

Éramos vizinhos”, diz Ricardo Cachorrão do Rock Press. “Esse cara era meu ídolo quando eu tinha 12 anos, em 1984! Em nosso último encontro, ele estava animado com as músicas novas para o próximo disco e com a possibilidade de um lançamento em DVD no final do ano. No último final de semana a banda fez um show super bem-comentado na cidade de Santos. Ficam para a história hinos como Pela Paz em Todo Mundo, Águia Filhote, Verde, Vira-Latas e tantas outras de um vasto repertório.

Fui muito amigo dele em 82, no começo de tudo”, falou João Gordo ao site UOL. “Depois nos desentendemos, mas há 5 anos nos reencontramos, colocamos as diferenças em pratos limpos e voltamos a nos falar. A morte dele foi um choque que me machucou muito. Ele é um ícone de nós todos, sobreviventes dessa época. Ele foi o único que manteve as origens do faça-você-mesmo. Era muito jovem pra morrer.

Redson se foi aos 49 anos, mas deixa como legado sua fidelidade aos princípios e a coerência entre discurso & atitude. “Era um cara perfeccionista, às vezes excêntrico, meio louco, educado, detalhista, mas acima de tudo brilhante e muito carismático”, lembra Marcos da Agrotóxico. Sua influência vai do RxDxPx ao RxOxPx, passando por Devotos, Mukeka di Rato, Gritando HC, todas as bandas que fazem a real cena punk – e as que ainda estão por vir.

Se seu livro está em branco, está na hora de começar a escrever. Se você não fizer seu sonho acontecer, não vai ser o governo nem ninguém que vai fazer. Se quisermos um mundo melhor, tem que correr. O meu objetivo é esse, alertar. Se cada um fizer um pouco, mudamos. Edson Lopes Pozzi, 1962* - 2011+

CÓLERA
 SHOW NO GARAGE [RJ]. FOTO: MICHAEL MENEZES
DANDO IDÉIA NA MOLECADA PUNK DE BELÉM [PA]
VINIL CLÁSSICO ASSINADO PELO AUTOR: REDSON

sábado, setembro 24, 2011

NÃO IMPORTA
Carreguem suas armas e tragam seus amigos. Hoje à noite comemoramos os 20 anos do disco NEVERMIND. “Hello, hello, hello, how low”...

O Nirvana foi formado em 1987 na cidadezinha de Aberdeen, estado de Washington. Lançou o 1º disco em 1989. BLEACH, produzido por Jack Endino p/ a Sub Pop, custou US$ 600 mas também não vendeu muito. Enquanto isso, bandas nascidas no underground como Metallica, Red Hot Chili Peppers e REM começavam a lotar estádios, e a cena de Seattle já chamava a atenção das grandes gravadoras – Soundgarden, Alice In Chains e Mother Love Bone eram a aposta da indústria musical.

A banda de Kurt Cobain, Krist Novoselic e Chad Channing tinha influências de metal dos anos 70, punk dos 80, e de grupos locais que os caras cresceram ouvindo, tipo Melvins e Mudhoney. Um som melódico e ríspido, ora lento ora rápido mas sempre pesado, que se convencionou chamar de grunge. Em abril de 1990, o Nirvana começa a trabalhar c/ o produtor Butch Vig e Channing sai. Dave Grohl, ex-Scream, entra na bateria. Assinam na sequência c/ a DGC Records, selo da major Geffen. 

NEVERMIND foi gravado em 2 meses no Sound City Studios, Califórnia, produzido por Vig e mixado por Andy Wallace, que trabalhava c/ o Slayer. Algumas canções como In Bloom e Breed já faziam do repertório há anos, enquanto outras como On a Plain e Stay Way eram tão novas que foram terminadas durante as gravações. Kurt, Krist e Dave receberam US$ 287 mil adiantados. A festa de lançamento foi numa sexta-feira 13, setembro de 91.

A boate Re-Bar era um inferninho e mesmo assim os caras conseguiram ser expulsos da própria festa, após uma “guerra de comida de proporções caóticas”, diz o jornalista Lúcio Ribeiro no blog Popload: “Reza a lenda que Kurt confidenciou a um amigo próximo naquela noite que, com NEVERMIND, ele seria em breve tão famoso quanto o Axl Rose, que era ‘o cara’ da época. Muita gente, óbvio, achou que era piada.

Dia 24/09/91, há exatos 20 anos, o álbum chegava às lojas. A DGC estimava vender 250.000 cópias, projetando o mesmo nível de saída do álbum GOO do Sonic Youth. Impulsionado pelo clip de Smells Like Teen Spirit na Mtv, NEVERMIND vendeu 400.000 cópias por semana até o natal daquele ano. Em janeiro de 92, desbancou o álbum DANGEROUS, de Michael Jackson, do 1º lugar nas paradas da Billboard. Foram 26 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo, 11,5 milhões só nos EUA.

Estava tentando roubar o estilo dos Pixies”, disse Cobain sobre a música que o tornaria ‘porta-voz da Geração X’, título que ele dispensava. C/ autoironia, humor negro e riffs grudentos, o Nirvana rompeu de vez a barreira entre alternativo e comercial, tornando-se a maior banda dos anos 90. Mesmo sem querer. “Era uma banda ética e conceitualmente punk, potencial comercial zero”, lembra André Forastieri, editor da extinta revista Bizz.

Bandas como Nirvana, que nasceram no meio independente, nem sonhavam em ter uma música nas paradas de sucesso, isso era para os outros”, diz André Barcinski, autor do livro BARULHO, que mostra o grupo antes da fama. “Daí veio NEVERMIND. Era insano: bastava Kurt Cobain elogiar uma banda para, minutos depois, ela ser contratada a peso de ouro. Aconteceu com Shonen Knife, Flipper, Eugenius, Flaming Lips, Red Kross e TAD.

NEVERMIND foi o último disco que importou, depois os álbuns não importaram mais, nem os roqueiros, nem a música”, vaticina Forastieri. “Tínhamos poucos vinis, eram caros e raros e valorizados e debatidos. Hoje carregamos milhares de músicas no bolso, temos à disposição na rede todas as canções jamais gravadas, e ouvimos cada uma 2, 3 vezes no máximo. Música no século 21 é trilha sonora para outras atividades.

NEVERMIND foi como o topo de uma montanha que bandas, selos e fãs levaram anos para atingir só para despencar lá de cima, abraçados, numa avalanche que soterrou todo mundo”, ironiza Barcinski. “Lá por 1995, a bolha indie estourou. E o resultado foi uma cena alternativa completamente esfacelada. Parecia o fim de uma guerra. Algumas bandas – pouquíssimas na verdade – sobreviveram. A maioria sumiu, levando junto bilhões de dólares em adiantamentos e contratos.

A essa altura, Kurt Cobain já era História. Em 05 de abril de 94 ele se suicidou c/ um tiro, dentro de casa. “Eu não tenho sentido a excitação em ouvir ou criar música... há muitos anos já”, deixou escrito numa carta de despedida. Tinha 27 anos. O Nirvana lançou outros 2 discos quando ele ainda estava vivo – INCESTICIDE em 92 e IN UTERO em 93 – que também atingiram o 1º lugar das paradas, e mais 3 depois da sua morte, entre eles o MTV UNPLUGGED.

50 milhões de discos vendidos, ao todo. Smells Like Teen Spirit foi escolhida a 3ª melhor canção pop de todos os tempos pela Mtv americana, atrás apenas de Satisfaction e Yesterday. NEVERMIND está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, o 2º melhor da história do rock segundo o canal VH1 – só o REVOLVER dos Beatles seria superior. E a capa é a melhor já feita, segundo a revista Rolling Stone.

A imagem do bebê nadando atrás de dinheiro é icônica. A inspiração foram os partos na água e a autoria é do fotógrafo profissional Kirk Weddle – mas a sacada do anzol c/ a nota de dólar foi de Cobain. O modelo da foto é Spencer Elden. Ele tem a mesma idade do disco e já posou mais duas vezes reproduzindo a cena, aos 10 e aos 17. “É um pouco estranho pensar que tantas pessoas me viram nu. Faz eu me sentir o maior ator pornô da história, mas isso até que é legal. 

Frances Bean Cobain, a filha de Kurt, está c/ 19. Sua mãe, Courtney Love, perdeu a guarda sobre ela depois de a Justiça decidir que a viúva, líder da banda Hole, não tinha condições psicológicas p/ educá-la. Criada pela avó longe do assédio da mídia, Frances reapareceu mulher feita em ensaios fotográficos de Hedi Slimane e Rocky Schenck. Artista plástica iniciante, já expôs na galeria experimental La Luz de Jesus e num museu de Los Angeles sob o pseudônimo Fiddle Tim.

Celebrando as duas décadas do lançamento de NEVERMIND, duas reedições serão lançadas dia 27: o formato Deluxe contém o álbum remasterizado, as gravações dos ensaios, as demos, os lados B e as apresentações nos estúdios da BBC em Londres, e estará disponível em CD e vinil; o Super Deluxe contém, além de tudo isso, um livro de 90 páginas mais a versão original do produtor [The Devonshire Mixes] e um DVD inédito. 

NIRVANA: LIVE AT THE PARAMOUNT foi gravado no halloween de 91 em Seattle. O show, exibido pela primeira vez ontem na TV através do VH1, mostra Kurt Cobain no auge. Dave Grohl, que continua em evidência c/ sua banda Foo Fighters, tenta dar uma idéia de quem era o homem por trás do mito: “Ele era tanta coisa. Podia ser tímido ou divertido. Podia ser doce ou amargo. Intimidatório. Maior que a vida.

Bonitas palavras. Mas é meu amigo Karl di Lyon, da Mamutes, quem melhor resume o sentimento geral, enquanto abre a primeira cerveja da festa: “Rock is dead, man!

Um brinde. 

HERE WE ARE NOW ENTERTAIN US
SPENCER ELDEN: "ME SINTO O MAIOR ATOR PORNÔ"
 BART NEVERMIND: HOMENAGEM DE MATT GROENING
ESSES TRÊS FAZIAM BARULHO ATÉ DEBAIXO D'ÁGUA

em memória de Nando Sá, grande fã da banda

quinta-feira, setembro 22, 2011

SOU FODA*
Minha mulher teve seu celular roubado, junto c/ a bolsa. Isso foi há alguns anos, eu estava c/ ela e o momento foi tenso. “Passa tudo!”, disse o ladrão apontando o cano. Pra nossa sorte, ninguém saiu ferido – e também não havia fotos de Gil nua nos arquivos do telefone. Ufa! Antes um pequeno prejuízo do que um grande constrangimento.

Scarlett Johansson não teve o smartphone roubado à mão armada, mas foi hackeada e viu 2 registros bem íntimos serem divulgados à revelia na internet semana passada. Bons auto-retratos, por sinal.  A foto que abre este post tem uma bela composição, lembra até aquele quadro Las Niñas do Velásquez. A menina tem talento. Há 2 dias, circula uma nova foto em que aparece lendo um roteiro na cama, de calcinha, c/ as coxas em primeiro plano.

Scarlett é atriz, uma das preferidas de Woody Allen, que a escalou como protagonista em Match Point [2005] e Vicky Cristina Barcelona [2008]. Loira natural de olhos claros, lábios carnudos, cintura fina, pele tipo escandinava, bunda tipo brasileira e, agora sabemos, mamilos rosados, já foi eleita A Mulher Mais Sexy do Mundo pelas revistas Esquire e FHM. “Ela é uma das grandes atrizes americanas”, diz o tio Woody, cara-de-pau até no nome.

A galega botou o FBI na cola dos invasores e os hackers CelebJihad assumiram a autoria do atentado. É o mesmo grupo que roubou fotos dos celulares de outras beldades como Miley Cirus e Jessica Alba [ao lado]. Todas elas foram vítimas de um vírus Cavalo de Tróia. “Scarlett Johansson pode ter concedido um acesso às suas imagens privadas ao clicar em um link”, diz Gabriel Landau da Independent Security Evaluators.

Às vezes um e-mail pode parecer ser de alguém que você conhece quando na verdade é forjado por um hacker”, ele explica. “O link é um convite para um arquivo malicioso capaz de adicionar um código para o navegador web. Durante o envio ou ao usar uma nuvem para a partilha, o acesso dos hackers às fotos da atriz pode ter sido concedido através de uma senha ou uma pergunta de segurança.

Os caras não invadiram o telefone e sim o serviço on-line que a Johansson utilizou ao enviar suas fotos p/ alguém. Como se vê, ela cometeu 2 erros – e usar o celular foi apenas o primeiro deles. Mas há males que vêm p/ bem. Depois dos flashmobs, dos memes e do planking, a nova moda da internet são os retratos c/ bumbum de fora em frente ao espelho. Da Barbie ao Pato Donald, de ninfetas a marmanjos.

A atividade foi batizada de “Scarlett Johanssoning” e é facinha de pegar no Brasil. Quanto à divulgação das fotos da atriz, o assunto envolve invasão de privacidade e exposição de imagem sem permissão, mas convenhamos: os geeks do CelebJihad podem ser anarquistas mas não chegam a terroristas. E melhor do que as caras de MEME é a carinha de MILF da Scarlett... 

Ah, nós nunca recuperamos aquele aparelho. É foda.

MEMES & MILFS
 LOL, TROLLFACE, FOREVER ALONE...
 FLEA PLANKING
FOTO ROUBADA DA BARBIE
ACIMA E NAS DUAS ABAIXO...
 
...SABE O QUE É M.I.L.F.?...
"MOM, I'D LIKE TO FUCK!"
OBAMA É MESMO UM BUNDÃO
ARTE: DAN LACEY

*SOU FODA é um MEME

segunda-feira, setembro 19, 2011

CURTI
Encerrada c/ êxito a 11ª edição do CURTA-SE, Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe. Entre filmes e vídeos, longas e curtas, 35mm e digitais, de Portugal, Espanha e Brasil, foram 605 trabalhos inscritos e 108 selecionados – 14 dos quais produzidos por sergipanos.

Ainda estamos crescendo, em fase de pré-adolescência”, diz Rosângela Rocha, realizadora do evento. Eu a conheço desde 97, quando estudávamos em oficinas de cinema. Em pouco mais de 10 anos essa baixinha idealista conseguiu criar um festival local que se tornou internacional, fundou a Casa Curta-SE, que promove oficinas e intercâmbios c/ cineastas, e mais importante: incluiu o estado no mapa da produção audiovisual.

Há muito o que falar para o mundo. A gente também pode fazer filmes e se inserir nos novos modelos de negócios, licenciar nossos produtos e assumir nossas autorias da melhor forma possível.” A cena local hoje é composta pelas produções da TV Aperipê, do Núcleo Digital Orlando Vieira, do Instituto Kipá e dos independentes que participam dos festivais, como o recém-criado Tr3s Minutos.

O tema do CURTA-SE 11 foi ‘Territórios’, c/ foco no ativismo da cultura digital livre. “Queremos entender, propulsionar e promover o desenvolvimento do software e licença livres, e a diversidade na distribuição de conteúdos”, falou Rosângela ao site da Aperipê. O produtor paulista Cláudio Prado foi convidado p/ a ‘desconferência’ (Pós) Cultura Digital?: “O digital comprime o tempo e acelera a velocidade de compreensão.”

Prado foi homenageado c/ o troféu Ver ou Não Ver na abertura do festival, no Teatro Tobias Barreto. Nessa noite foi exibido O SENHOR DO LABIRINTO, biografia de Arthur Bispo do Rosário, sergipano de Japaratuba que acreditava ser Jesus Cristo e passou 50 anos internado na colônia Juliano Moreira, onde produziu bordados, mantos e objetos de inspiração mística que chegaram a ser exibidos nas bienais de arte de Nova York e Veneza.

Quase todo rodado – e financiado – em Sergipe, O SENHOR DO LABIRINTO levou o voto popular de melhor longa de ficção no Festival do Rio em 2010. O ator gaúcho Flávio Bauraqui, protagonista do longa-metragem dirigido pelo carioca Geraldo Motta, também foi o apresentador do CURTA-SE este ano. Fechando a noite, a cantora americana Jessie Evans trouxe sua mistura de música latina & eletrônica, tocando sax em alguns trechos, vestida de Carmem Miranda.

Enquanto isso, no saguão do teatro eram expostas as peças tecidas exclusivamente p/ o filme. “Meu coração está pulando, esse momento é muito especial pra mim”, falou a bordadeira Gilda Santos, 42 anos, à repórter Janaína de Oliveira, da Casa Curta-SE. Gilda participou das gravações e dá cursos em parceria c/ o NAT [Núcleo de Apoio ao Trabalhador] ensinando o bordado do Bispo.

A partir da terça-feira começaram as mostras informativas e competitivas, e não só na capital. A cidade histórica de Laranjeiras viu seu auditório lotar c/ os alunos da rede pública. “Trazer uma oportunidade de acesso ao cinema pra esses jovens que têm apenas conhecimento de televisão é muito relevante pra nós”, diz o músico Irineu Fontes, atual secretário de cultura da cidade. Também foram exibidos vídeos e filmes em Estância e São Cristóvão.

Em Aracaju, as exibições aconteceram no SESC, na UNIT e no Cinemark Jardins. O ingresso p/ cada dia eram 2 quilos de alimento não-perecível. O público podia escolher seus favoritos em urnas virtuais no corredor das salas de exibição. Os mais comentados nas filas eram O CÉU NO ANDAR DE BAIXO, curta 35mm do mineiro Leonardo Cata Preta, e o longa RISCADO do carioca Gustavo Pizzi – melhor diretor e roteirista no Festival de Gramado deste ano.

Foi uma semana de imagem & som. Muito som. Na noite de terça, Máquina Blues, Quarteto Chorado e Clube do Jazz abriram o SISPEM [Simpósio Sergipano de Pesquisa e Ensino em Música] na UFS. Na sexta, Festival Mangaba Instrumental c/ Casa Forte, Couto & Orchestra, Ferraro Trio e Vendo 147 no Oceanário. Sem falar nas festas pós-CURTA-SE do bar Abrolhos, na praia de Aruana, c/ shows de Naurêa, Elvis Boamorte etc.

Os curtas sergipanos concorreram na quarta e na sexta. “É uma oportunidade muito boa de mostrar nossos trabalhos”, disse Eudaldo Jr., que produziu FOI APENAS UM SONHO c/ uma câmera de 5 mega pixels. P/ Marlon Delano, diretor de LEMBRANÇAS, foi uma experiência emocionante – ele levou a avó, estrela do seu vídeo. “É a primeira vez que ela vem ao cinema, e pra se assistir! Então estou muito emocionado mesmo.

No sábado rolou o documentário MULHERES MANGABEIRAS, que apesar de não ter entrado na competição foi dos mais elogiados, e por fim a cerimônia de premiação. Confirmando o boca-a-boca, RISCADO levou o troféu de melhor longa no voto popular e dividiu c/ A TERRA DA LUA PARTIDA os R$ 10.000 destinados ao melhor longa escolhido pelo júri oficial. Menção honrosa p/ LUZ TEIMOSA, de Lisboa. 

JANELA MOLHADA foi o melhor curta em 35mm c/ temática nordestina e levou R$ 5.000 do BNB. Os outros prêmios foram em valores a ser convertidos em aluguel de equipamentos. O CÉU NO ANDAR DE BAIXO foi a melhor animação e receberá o equivalente a 11 mil reais em serviços mais 3 minutos de trilha sonora original. O mesmo p/ o melhor documentário, A DAMA DE PEIXOTO.
Ao todo foram 25 categorias, incluindo duas exclusivas p/ as produções locais. A platéia correspondeu à emoção evocada pelo vídeo do Delano e elegeu LEMBRANÇAS como o melhor curta-metragem sergipano de 2010/11. Se sozinho, c/ uma mini-DV, o fedelho já faz estragos, imagina c/ as 10 latas de filme [16 ou 35mm] mais as 5 diárias de kit de filmagem [câmera HD, microfone, tripé e iluminação] e uma de correção de cor que ele ganhou...

O júri oficial elegeu DO OUTRO LADO DO RIO, realizado pelos alunos do NPDOV, como o melhor curta sergipano, levando o Prêmio Estúdios Mega no valor de R$ 13.850 em serviços como finalização em HD a 24 quadros por segundo; o Prêmio CiaRio, que vale $5 mil em maquinaria; e o Prêmio Casa Curta-SE – 5 diárias de kit. XANDRILÁ, que levou mais 5 diárias pelo 2º lugar, foi escrito, dirigido e produzido pela mesma turma.

Um belo presente pro Orlando Vieira, ator premiado em Gramado e protagonista da primeira minissérie sergipana: A ÚLTIMA SEMANA DE LAMPIÃO, exibida na TV Aperipê nos anos 80. Vieira está completando 80 anos. O núcleo ao qual ele empresta o nome já formou profissionais como os cinegrafistas Eduardo Freire e Moema Pascoini, que trampam comigo no CENA DO SOM.

O estagiário de edição do programa, Arthur Pinto, foi o diretor de fotografia de XANDRILÁ e DO OUTRO LADO DO RIO. Ah, moleque! Minha equipe é de primeira. Perguntei qual a sensação de ter seus 2 vídeos em 1º e 2º. Ele respondeu: “Pra mim só demonstra que está surgindo um cinema sergipano, a questão de quem ficou em primeiro, segundo ou terceiro são meras formalidades do festival e de qualquer competição.

O resultado não implica em dizer que um filme é melhor que o outro, e sim que, de acordo com aqueles jurados, é”, continuou dizendo. “A verdade é que o cenário audiovisual sergipano se destacou nesse festival, lotando salas e conquistando espaço na mídia. Com o tempo e aprendizado, cada vez mais surgirão realizadores e mais público favorecendo a cena local.

Em 3º no júri ficou SIMBOLIQUE, animação do meu chapa Jamson Madureira. Mais conhecido como artista plástico e guitarrista do Camboja, ele entrou sem nenhuma pretensão e saiu c/ 5 diárias da Casa Curta-SE. Lucro total pro azarão do Marcos Freire 3, subúrbio de Nossa Senhora do Socorro. “Seu brother sumiu no final”, o gordo me conta. “Só deu tempo de parabenizá-lo na hora da foto, hehe.

É Arthur, de Bispo a Madureira, os caras mais geniais do nosso território estão escondidos. Felizmente existe o CURTA-SE, p/ jogar uma luz sobre eles. 

CINEMA É A MAIOR CURTIÇÃO
 JESSIE EVANS NA ABERTURA DO FESTIVAL
SIMBOLIQUE SENDO EXIBIDO NO CINEMARK
QUEM ASSISTIA, ESCOLHIA OS PREFERIDOS
SER MESÁRIO TINHA LÁ SUAS VANTAGENS
SERGIPANOS VENCEDORES DO CURTA-SE 11
 RÉPLICAS DA OBRA DE BISPO DO ROSÁRIO


FOTOS: ARTHUR SOARES + VICTOR BALDE [SNAPIC]
AGRADECIMENTOS: JANAÍNA OLIVEIRA + THAMIRES NUNES [CASA CURTA-SE]

quinta-feira, setembro 15, 2011

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS TORRES
Start spreading the news/ I’m leaving today/ I want to be a part of it/ New York, New York”...

Sempre que eu penso em Nova York vem à minha cabeça os quadrinhos da Marvel: Homem-Aranha, Demolidor... Rocky Marciano, Jake La Motta e Mike Tyson. Charlie Parker, John Coltrane, Velvet Underground. Andy Warhol, Linchtenstein, Basquiat. Norman Mailer, Will Eisner, Art Spiegelman. Billie Holliday, Gil Scott-Heron, Public Enemy. Woody Allen, Martin Scorsese, Robert de Niro. Ramones, Beastie Boys, Sick of It All. Uma ex-namorada radicada em Manhattan, uma amiga que vive no Brooklyn e até o Frank Sinatra, que nunca morou lá.

NY me lembra um monte de coisas, menos surf.

Quando a ASP anunciou o Quiksilver Pro New York, ninguém botou fé. Long Island não é um destino de surf trips e nunca revelou nenhum talento internacional – já ouviu falar de Ballaram Stack? Quando o Marreco me contou que tinha competido por aquelas bandas no Bud Tour dos anos 90, imaginei um marzinho pequeno, mexido e gelado em Nova Jersey. Nunca vi foto em revista, cena de vídeo, nada. A idéia de um evento ali contrariava o próprio conceito do World Tour, criado há 20 anos p/ proporcionar aos tops melhores ondas e maior premiação.

Pelo menos a parte da maior premiação permaneceu no script. O atrativo da etapa seria a grana recorde oferecida: US$ 1.000.000 no total, $300 mil pro campeão, $100 mil pro vice. Sem falar dos pontos válidos na corrida ao título. Parecia um golpe de marketing p/ atrair as multidões, um retrocesso aos anos 80, quando o circuito mundial rolava em qualquer praia que tivesse estacionamento. Tudo p/ vender bermudas, c/ o aval do decacampeão Kelly Slater, patrocinado pela marca que bancou o jogo.

Esse campeonato seria uma resposta da Quiksilver à prova do Rio de Janeiro, vencida por Adriano ‘Mineirinho’. “Quando o nível máximo do surf é atingido por ondas de 8 pontos em floaters, isso não é o que queremos ser”, tuitou o careca ao esnobar a etapa da África p/ surfar tubos gigantes em Fiji. “A ASP precisa garantir que os surfistas peguem boas ondas para exibir seus níveis de performance.” P/ aumentar as desconfianças e piorar as espectativas em relação a essa etapa, Slater reassumira a liderança após vencer em condições épicas no Tahiti.

Tudo isso fazia do campeonato em Nova York uma temeridade. Mas se tem uma coisa que os americanos entendem é de showbusiness. O Quik Pro NY teve de tudo: heróis, vilões, casa cheia, grandes disputas e ondas perfeitas. O furacão Irene que causou inundações na costa leste dos EUA e provocou 22 mortes também levou a Long Beach um swell que proporcionou condições clássicas: ondas marrons e manobráveis lambidas pelo vento terral. Melhor que Aracaju, tipo Guarda do Embaú. Jogada de risco, lance de sorte.

No primeiro dia, c/ o mar ainda se alinhando, KS fez seu papel diante da sua platéia e os brasileiros se sentiram em casa – dos 5 que competiram, 4 venceram suas baterias. Só Adriano de Souza foi p/ a repescagem, mas o ex-líder do ranking achou seu ritmo no 2º dia: Mineiro fez a maior nota e média da quarta-feira, 9.20 e 17.93. Foi nessa fase que a competição começou a pegar fogo. Mais especificamente, após a entrevista de Bobby Martinez p/ o site oficial do evento.
Lá atrás no ranking e competindo sem chances de classificação no WT, Bobby chutou o balde após vencer Bede Durbdige na 2ª fase. “Primeiro de tudo, eu gostaria de dizer que eu não quero fazer parte desse ‘dumb fucking wannabe tennis tour’, todos os surfistas profissionais agora querem ser tenistas, foda-se!”, bradou o chicano da Califórnia, patrocinado da FTW – sigla que significa For The Win ou Fuck The World.

A ASP quer fazer o corte no 2º semestre. How the fuck alguém que nem compete contra nosso calibre de surfistas pode estar na nossa frente? Eles nem chegaram aqui ainda, não conquistaram o direito de surfar contra nós, mesmo assim eu ‘tou ranqueado abaixo deles. Qual é. That’s bullshit! É por isso que eu não vou mais nesses campeonatos estúpidos. Esse é meu último, eu não gosto de tênis e não gosto desse tour... Who gives a fuck? You know what I mean?

Mirando seu aviãozinho p/ as torres de julgamento da ASP, Martinez foi o terrorista da vez. Multado, desclassificado e banido automaticamente, deixou o caminho aberto p/ Slater, que o enfrentaria em seguida e nem precisou entrar na água p/ se garantir na 4ª fase. Bobby referia-se ao sistema rotativo que o surf adaptou da ATP e que ejetou outro ídolo americano nessa etapa, o campeão 2001 CJ Hobgood. Mas enquanto uns choram, outros vêm e devoram.

Gabriel Medina, 17 anos, venceu na Espanha seu segundo campeonato no mundial 2011 e estréia na Califórnia como cabeça-de-chave. Miguel Pupo, 19, também chega p/ somar. Dos 5 brasileiros que competiram em Nova York, 4 chegaram às oitavas-de-final e 3 avançaram às quartas – Jadson André, Alejo Muniz e Heitor Alves. Jadson bateu Mineiro, que perdeu pela 3ª vez p/ um conterrâneo este ano. O cearense Heitor atropelou os australianos Mick Fanning, Adrian Buchan e Joel Parkinson.

As ondas são parecidas com as do Brasil, boas para os aéreos”, comparou. Alves perdeu p/ Alejo, que assim chegou à sua primeira semi no WT. “Esse é o melhor resultado da minha carreira”, disse o catarinense de 21 anos nascido na Argentina. “Foi a primeira vez que eu surfei aqui e me surpreendi porque deu boas ondas a semana inteira. As pessoas nos receberam muito bem, a praia ficou lotada todos os dias e agora sigo mais confiante para as próximas etapas.” Levou US$ 50.000 pelo 3º lugar.
...“I wanna wake up in a city/ That doesn’t sleep/ And find I’m king of the hill/ Top of the heap”... 

O adversário de Kelly Slater na final da etapa anterior foi Owen Wright, revelação de 2009/10. “Chegar até aqui já foi incrível”, comemorou o australiano de 21 anos – 18 a menos que o careca da Flórida. Foi a 1ª final dele no WT e a 67ª de Slater, que venceu pela 47ª vez na 1ª divisão. “Espero vencer na próxima”, Owen desejou. Ou melhor, profetizou.

Não demorou uma semana pros dois se encontrarem de novo no Quik NY. KS x OW, a nova grande rivalidade do surf profissional. Tudo indica que Wright chegou p/ ocupar a vaga deixada por Andy Irons. Na semifinal, Owen encerrou a campanha de Alejo Muniz, passando pelo brasileiro c/ larga vantagem: 14.84 x 9.63. Do outro lado da chave, Slater travava um duelo de gigantes contra Taj Burrow na melhor bateria do campeonato.

Taj, 2x vicecampeão mundial e notório freguês do 10x campeão, surfou soltinho na vala e liderava c/ 9.30 e 9.03. Slater estava em xeque c/ apenas uma nota boa, 9.07. Precisava de um 9.27 p/ virar, e não parecia que conseguiria isso na sua última tentativa, uma fechadeira de 2 metros. Mas o coroa acelerou do jeito que só ele sabe fazer e se lançou no ar completando a rotação antes de pousar. Nota 10, a única de toda a competição. Xeque-mate.

Na real, o vento não era favorável pros aéreos, mas não pra ele”, lamentou Burrow. “Eu sabia que a onda que deixei passar só daria pra fazer uma manobra. Deixei porque não achava que ele conseguiria nem uma nota 8, só que o Kelly fez o melhor aéreo da sua vida e me venceu mais uma vez. Não sei nem o que dizer, foi bizarro.” Virada de 19.07 contra 18.83. C/ sua média Taj venceria qualquer outra disputa. Menos essa.

O roteiro estava pronto p/ fazer a alegria da nação estadunidense. Na véspera de 10 anos dos atentados às Torres Gêmeas e ao Pentágono, o Capitão América vingaria a honra ianque c/ mais uma vitória, mostrando quem manda no pedaço. A redenção que não veio no Iraque nem no Afeganistão. Daria um filme do Oliver Stone, roteirizado pelo Fukuyama. Mas o Michael Moore deve ter reescrito o fim da história.

Owen Wright abriu a decisão c/ uma nota 7 e foi subindo de produção: 9.23, 8.60 e 8.67, combinando aéreos, batidas e rasgadas a cada parede percorrida. O máximo que Slater arrumou foi um 8 e um 6.53. Um passeio do garotão de Lennox Head. “Eu só consigo rir! Sempre quis fazer uma final contra o Kelly, agora fiz duas seguidas e venci uma. How good is this?

Mais uma vez os americanos não tiveram o que celebrar no 11 de setembro. KS lidera, o campex foi um sucesso, a Quiksilver detém o passe de ambos. Mas é nas mãos da rival australiana Rip Curl que está o futuro do surf: Medina & Wright. Gabriel estréia semana que vem e tem tudo p/ disputar o título nos próximos anos. Owen já está na briga.

...“And if I can make it there/ I’m gonna make it anywhere/ It’s up to you/ New York, New York.

NEW YORK NEW YORK
POR ESSE FINAL KELLY SLATER NÃO ESPERAVA
 OWEN MORDEU O MELHOR PEDAÇO DA MAÇÃ: $300 MIL
 KS10 A CAMINHO DO 11: NUNCA DUVIDE DO FREAK
ALEJO MUNIZ FICOU EM 3º: ESTREANTE DO ANO
HEITOR ALVES NUM EXPRESSO STARBUCKS
 
 NEM SÓ DE AÉREOS VIVE JADSON ANDRÉ
BOBBY MARTINEZ TOCOU O TERROR EM NY
 BOBBY X ASP: GUERRA DECLARADA