quarta-feira, fevereiro 29, 2012

ANO BISSÉTIMO
7 anos de VIVA LA BRASA e 15 de fim do CABRUNCO ZINE. Fevereiro é mês de festa p/ mim, e carnaval não tem nada a ver c/ isso.

Começo dos anos 1990. O mundo dos fanzines ia seguindo a sua vida habitual. Cada um no seu quadrado, fazendo seu protesto aqui, divulgando sua banda acolá, espalhando suas histórias em quadrinhos mais adiante...”, lembra o paulista Márcio Sno, autor do zine AAAH!! na década de 90 e do recente documentário FANZINEIROS DO SÉCULO PASSADO.

Quando comecei c/ essa história de zine, eu era balconista de locadora e tava mais interessado em fazer vídeos. Achava que seria o próximo Quentin Tarantino, hahah... Mas o que vingou foi o CABRUNCO. O “filho bastardo de Aracaju”, segundo o Sno [gostei disso], era feito em parceria c/ Rafael Jr., batera da Snooze, e Márcio André, mais conhecido atualmente como o Márcio de Dona Litinha da Naurêa.

Foi uma viagem e tanto. Ou melhor, foram várias. Corri quase todo o Brasil cobrindo festivais, fizemos reportagens, publicamos HQs, entrevistamos lendas como o forrozeiro Zenilton e até antecipamos carreiras solo bem-sucedidas, como Pitty e Marcelo D2, na época nas bandas Inkoma e Planet Hemp respectivamente.

Agregamos um time peso-pesado de colaboradores: nos quadrinhos os locais Beto Hendrix e Luiz Eduardo, o cearense Lupin, o maranhense Joacy Jamis, o mineiro Luciano Irrthum, o paranaense Marcel Pauluk, o catarinense Henry Jaepelt, o gaúcho Allan Sieber e os cariocas Lauro Roberto e Alberto Monteiro, que hoje expõem em galerias de arte; nos textos contávamos c/ o trasher Petter Baiestorf, os rockers Adelvan Kenobi e Leonardo Panço, e até minasDenise Garcia e Pitty colaboraram c/ o zine.

2 anos e 8 edições depois, desencanei de tudo e acabei c/ o zine no verão de 97, ao voltar de uma temporada em Recife. Talvez a morte de Chico Science tenha me influenciado, vai saber... O fato é que o nº 9 já tava pronto mas nunca foi lançado.

Fiz um monte de coisas – uma produtora, um festival de rock e um curso de jornalismo. Me formei, mas quase nada deu certo. Em 2005, desempregado e voltando de outra temporada fora, dessa vez no Rio, eu tava c/ novas idéias queimando por dentro e desiludido o suficiente. Cenário perfeito pro surgimento do blog. E VIVA LA BRASA!

Aqui estamos, 7 anos depois. Essa viagem vocês têm acompanhado de perto. Antes que o mundo acabe, pretendo comemorar o número cabalístico neste ano bissexto c/ uma série de novidades, e a primeira delas nem foi idéia minha.

Por conta própria, Sno escaneou suas cópias do CABRUNCO, converteu-as em PDF e disponibilizou toda a coleção p/ download. “Uma espécie de celebração a este importante fanzine dos anos 1990”, diz o blogueiro Jamer, do ZINESCÓPIO. “Marca também o início das postagens de zines para download em 2012.

Quanto a mim, não me tornei um Tarantino mas trabalho c/ vídeo e dirijo uma TV. Nada mal p/ um zineiro, hein? 

CABRUNCO por Márcio Sno

Tudo ia muito calmo até que Rafael Jr. e Adolfo Sá resolveram dar o seu recado por intermédio de um fanzine. Então, nascia em abril de 1995 o CABRUNCO. Poderia passar batido se fosse um zine assim como os demais contemporâneos, mas essa publicação tinha alguns diferenciais.

Primeiro, por deixar de lado o habitual recorta e cola manual e partir já, naquela época, com uma editoração mais moderna, diagramado em computador e com um visual mais clean. Bacana, né? Para a ‘polícia do underground’ isso era uma traição inadmissível em épocas em que o computador começava a ser um item dentro das casas. 

E por ser polêmico. Os editores não tinham papas nas línguas para questionar a qualidade de uma banda ou de outra publicação, assim como alimentavam e conduziam discussões de assuntos velados por uma maioria. Não tardou para também serem enquadrados nesse quesito pelos ‘undergroundmente corretos’.

Para ambos os casos, tocaram o foda-se e continuaram produzindo, mantendo a mesma linha editorial que se manteve (e evoluiu) nas oito edições que formam a saga desse filho bastardo de Aracaju. Por essas e por outras, tornou-se um dos zines mais significativos, respeitados e influentes do fanzinato nacional. Mesmo lançado há quase duas décadas, esse fanzine se mostra muito à frente de seu tempo até mesmo se levarmos em consideração os tempos atuais. 

Durante as gravações para o documentário FANZINEIROS DO SÉCULO PASSADO, uma das perguntas que fiz para os entrevistados foi: ‘qual é o zine que você gostaria de ter feito?’. Posso garantir que 70% citou este zine. E eu sempre o cito quando sou questionado.  

Esse é o meu presente para o primeiro aniversário do ZINESCÓPIO e a maioridade que o CABRUNCO completaria se estivesse em atividade. 

Pensando bem…  

Na verdade, é um presente para o fanzinato nacional! 

Divirtam-se! 

CABRUNCO 01 - abril/maio 1995
Com as suas modestas oito páginas, o CABRUNCO já chegou chutando a porta, com uma capa polêmica, feita pelo desenhista oficial do zine, Luiz Eduardo. Tem uma matéria sobre o fim dos Ramones (sim, éramos nascidos naquela época!), uma retrospectiva do rock de Sergipe, a seção de demotapes, Subway, e ainda a VDO que a cada edição fazia comentários sobre filmes, já que Adolfo Sá trabalhou em uma locadora de vídeos e tinha propriedade no que escrevia. Ainda tem um pequeno espaço para se falar mal de Paulo Coelho, no texto de Márcio André Andrade. DOWNLOAD
NOTA DO EDITOR: A MELHOR COISA DESTA EDIÇÃO ERA O DESENHO NA CAPA

CABRUNCO 02 - junho/julho 1995
Embalados e com alguns patrocínios, dobraram a quantidade de páginas para essa segunda edição. E mais uma polêmica na capa, com uma charadinha que era uma dica do tema do zine: onanismo. Inauguram a seção de cartas, curtas e a Inquisição, que era entrevista com alguma personalidade, a estreia ficou com a banda Lacertae. Uma ótima HQ de Beto Hendrix nas páginas centrais, dão um toque especial. A seção de demos passou a se chamar Demostarre e a VDO ocupa duas páginas. Na Letrose, destaque para Thais Bezerra, uma escritora diferente. DOWNLOAD
N.E.: PERDI O TESÃO NA IRA BARBIERI QUANDO ELA DEU PRO HUMBERTO GESSINGER

CABRUNCO 03 - agosto/setembro 1995
O apelo sexual das primeiras capas agora dá vez para os super-heróis dando uma surrupiada na grana de um jovem leitor, para anunciar a grande matéria sobre a invasão dos personagens nas telas dos cinemas. No editorial já aparecem os primeiros sinais da crítica de alguns que acusaram o zine ser ‘limpo’. Márcio André é promovido a ‘editor excepcional’. Anúncio da então nova banda de David Grohl, o Foo Fighters. Na Inquisição um bate-papo rápido com Zenilton, que na época era conhecido por acompanhar os Raimundos. Estreia da seção Los Otros, com divulgação de fanzines. A Demostarre continua forte e na VDO agora tem fotos dos filmes. Letrose tem duas páginas dedicados a Emil Michel Cioran. Beto Hendrix fecha com uma HQ na contra-capa. A fotocópia está superior aos números anteriores. DOWNLOAD
N.E.: POIS É, TAMBÉM ANTECIPAMOS ESSA MODINHA DE FILMES DE HERÓIS

CABRUNCO 04 - novembro/dezembro 1995
Com o preço na capa, o destaque fica para a banda Mundo Livre S/A, por meio de uma entrevista com Fred 04. A lista de colaboradores aumenta consideravel- mente com Henry Jaepelt e Allan Sieber mostrando um pouco do muito que sabem rabiscar. Na seção de cartas polêmica com o editor do zine Sinagoga’s Butterflies. Los Otros já conta com três páginas, demonstrando que a produção impressa daquela época crescia gradualmente. Resenhas de shows começam a aparecer, com destaque para Intercom 95. DOWNLOAD
N.E.: ZERO QUATRO E MIRANDA BEBERAM C/ A GENTE A NOITE TODA

CABRUNCO 05 - janeiro/fevereiro 1995
Uma das capas mais fodas já apresentadas na história dos zines também foi alvo de polêmicas: algumas meninas acharam que os editores estavam incentivando o machismo. Independente de qualquer coisa, a capa (que faz link com a matéria sobre o verão) é linda. Estreia de Lauro Roberto com seu personagem Leocad. Rovel também dá as graças com seu humor barato (no melhor sentido, claro!). A banda brincando de deus fala para o Inquisição. Com a chegada do CD é inaugurada a seção Discorama e a Demostarre continua cheia de títulos. Beto Hendrix continua firme e forte com uma história que dava uma beliscada na igreja. Letrose homenageia o personagem Calvin. Na VDO, Adolfo Sá mostra seus primeiros sinais de profeta, quando comenta sobre o talento do então desconhecido diretor Peter Jackson. DOWNLOAD
N.E.: DESTAQUE P/ O TOPLESS DE VERA VIEL NAS PÁGINAS CENTRAIS

CABRUNCO 06 - abril/maio/junho 1995
Na edição especial de aniversário, o zine passa a ser trimestral e dá uma atenção especial aos quadrinhos, a começar pela capa (polêmica, diga-se de passagem) de Luiz Eduardo, que é o entrevistado do Inquisição, matéria com Daniel Clowes e com lindas histórias de Lauro Roberto, Marcel Pauluk (sim, um dos editores do PAPAKAPIKA), Antônio Éder, Allan Sieber, André Leal, Rovel e do próprio Adolfo. Papo rápido com Marcelo D2, resenhas de shows e ainda um texto de Adelvan Barbosa (editor do Escarro Napalm) em homenagem a 1 ano do zine. Matéria sobre Diogo Mainardi e o lançamento do polêmico filme KIDS. Curiosamente, essa foi a única edição que saiu com o nome de O CABRUNCO. DOWNLOAD
N.E.: EU FAZIA UMAS HISTÓRIAS E PASSAVA P/ OUTROS CARAS DESENHAREM

CABRUNCO 07 - julho/agosto/setembro 1996
Como o zine estava com a bola toda, essa edição veio com capa vermelha em homenagem aos trash movies brasileiros, que tiveram uma matéria especial. A editoração já estava mais limpa e mais profissional, uma inovação para a época. Matéria sobre o Abril Pro Rock, que registrou show de Gilberto Gil com Chico Science, o festival Acendedor de Lampiões, de Alagoas, e mais os shows locais. O Lacertae cede mais uma entrevista pro Inquisição. Luciano Irrthum mostra uma HQ de duas páginas, em uma adaptação de Franz Kafka. A matéria sobre trash movies está muito boa e traça bem o panorama audiovisual B da ocasião. DOWNLOAD
N.E.: MATÉRIA MONSTRA DO PETTER BAIESTORF C/ OS TRASH MOVIES 

CABRUNCO 08 - outubro/novembro/dezembro 1996
Frank Zappa em um buraco ilustra a capa que faz a singela pergunta: Underground vale a pena?Essa pergunta se faz por dois motivos: pelo fato de os editores estarem de saco cheio das panelinhas, camaradagens da cena da época e também para demonstrar a dificuldade de se lançar um disco de uma banda, como é mostrado em Independência… ou morte?Bastante resenhas de shows como o Garage Rock e Expo Alternative, HQs, as seções habituais e ainda entrevista com o skatista Mosquito e uma história de Joacy Jamys. A qualidade gráfica dessa edição saiu impecável, mas pena que foi a derradeira… DOWNLOAD
N.E.: MELHOR HQ PUBLICADA EM SERGIPE, MANGUE DEATH JAM

 

2 comentários:

Espedito disse...

AINDA TENHO AQUELES QUE VOCÊ ME DEU, MUITO LEGAL!

ricardo disse...

Não consegui baixar o número um.