domingo, maio 13, 2012

NÃO ME MANDE FLORES
FEMEN & SEXO ÁGIL: “MULHERZINHA É O CARALHO!”
O movimento que o corpo faz, de vergonha, pra cobrir o peito, não é feito só pela coluna que se curva e pela mão que esconde. Ele fica entranhado, movendo na alma, e a vergonha acompanha por toda vida o pensamento”, escreve Karina Buhr no blog-manifesto SEXO ÁGIL, lançado no dia internacional da mulher junto a um ensaio fotográfico em que posa topless ao lado de outras artistas – a atriz Mariah Teixeira e as cantoras Nana Rizinni e Marina Gasolina – e um marmanjo – Adriano Cintra, ex-CSS.

Sempre odiei o 08 de março, não faz sentido: o mundo é uma merda e chega essa data e você ganha uma florzinha”, diz Karina, que lançou seu 2º disco solo ano passado, LONGE DE ONDE.  “Perdi a paciência e convidei pessoas queridas que achei que iam topar. Viajei na história das meninas mostrarem o peito nas fotos e o homem se esconder, trocar essas obrigações impostas, pra brincar, pra tentar abrir o olho, de uma pessoa que seja.” Meus olhos abriram. Belos peitos, c/ todo respeito.

Das primeiras operárias ao sufrágio universal, foi um longo caminho p/ as mulheres na conquista de seus direitos, e hoje filhas e netas das que queimaram os sutiãs nos anos 60 protestam tirando a roupa. A moda começou na Ucrânia c/ o grupo Femen – já falei sobre elas e não canso de apoiar o movimento. Ativistas que agem seminuas em intervenções contra o governo, os impostos, o machismo e até jogos de futebol. Em sua última ação, tentaram roubar o troféu da Eurocopa, que acusam de envolvimento na máfia da prostituição.

O problema é que as máfias que lucram com prostitutas controlam os governos”, explana Inna Shevchenko, porta-voz do grupo. “Representamos o novo feminismo, o feminismo em ação. Se o corpo da mulher pode vender todo tipo de coisa, nós também temos que usá-lo para vender idéias sociais.

Não é brincadeira. Oksana  Shachko, 24 anos, pode passar os próximos 5 na cadeia por mostrar os seios e mandar à merda o embaixador indiano em Kiev. “Era um protesto feliz pelos direitos das mulheres ucranianas”, defendeu-se na primeira audiência Oksana [“uma garota com rosto de boneca”, segundo Sergei Supinsky da AFP]. Outras ativistas, incluindo Inna, também foram presas em diversas ocasiões, como as eleições russas – contra o redivivo Putin – e os escândalos sexuais – de Berlusconi a Strauss-Khan.

Seus atos podem mudar o mundo ou apenas alimentam uma mídia obcecada por sexo?”, pergunta Dialika Neufeld no jornal alemão Der Spiegel. “As pessoas vêem a mensagem além dos seios nus?”, questiona Taara Martsenyuk, socióloga ucraniana radicada nos EUA.

Devemos pensar no feminismo não como um clube exclusivo ao qual se tem acesso por tortuosos caminhos institucionais (Quem vende o título deste clube? Onde entregam a carteirinha?), mas como aquilo que o inspirou desde o começo”, pondera a jornalista e filósofa Carla Rodrigues no artigo O FUNK É FEMINISTA: “Ser um movimento plural, sem hierarquias, dogmas, controle ou estrutura centralizadas, que não defende uma verdade, mas está em permanente construção de uma agenda em evolução.

Igualdade salarial de gêneros, casamento entre pessoas do mesmo sexo e liberdade individual para abortar estão na luta da mulher do século XXI. Shevchenko crê que o estilo de protesto Femen será cada vez mais visto no Brasil, nos States, na África, Austrália, Japão e até China. “Vamos difundir nossas idéias femininas a respeito de todos os temas em todo o mundo.

PAGANDO PEITINHO
 ATIVISTA DO FEMEN EM ATAQUE-SURPRESA, ONTEM
OKSANA SHACHKO PODE PEGAR 5 ANOS DE PRISÃO
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MARIAH, MARINA, KARINA & NANA: SEXO ÁGIL

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