sábado, janeiro 28, 2012

ARTE ROCK 
Ozzy Osbourne e Sonic Youth são os sons que inspiraram as exposições individuais SHOT IN THE DARK, da paulista Luciana Araújo, e KM 232 ZYXXZ, do carioca Alberto Monteiro, que se encerram hoje após quase 2 meses em cartaz na galeria Logo, em São Paulo.

O nome da exposição é o mesmo de uma canção do Ozzy”, diz Luciana, que estudou em Londres e já expôs em Porto Alegre e San Francisco, na Califórnia. Mais conhecida pela marca Rock Chick Design, a artista plástica produziu essa série de pinturas em acrílico e serigrafia c/ trilha sonora heavy metal. Seres antropomórficos, esqueletos e máscaras protagonizam cenas selvagens sobre fundos pretos como a noite. Animal. Outro ponto em comum c/ Monteiro é o forte teor erótico das imagens.

Conhecido no underground do Rio pelos zines Anti-Usual e Hauuzc e pelos graffitis nas boates Bang!, Casa da Matriz e nas festas Loud, A.M. mistura letras, números, mulheres e patos em sua primeira expo individual. Seu estilo vem dos quadrinhos europeus de Guido Crepax, Liberatore, Tamburini, “que eram bastante subversivos nos traços e textos”, e do americano Raymond Pettibon, autor da capa do álbum GOO.

Enquanto SHOT IN THE DARK é o título de uma canção, KM 232 ZYXXZ faz referência à distorção das guitarras de Thurston Moore e Lee Ranaldo. Sempre vi no Sonic Youth uma música que traduzia perfeitamente meus traços de caráter, algo muito mais do que música como simples entretenimento.

SHOT IN THE DARK
  
KM 232 ZYXXZ

domingo, janeiro 22, 2012

MOSCAS NA S.O.P.A.
SOPA é a sigla de Stop Online Piracy Act, projeto de lei do deputado republicano Lamar Smith. PIPA é a sigla de Protect IP Act, outro projeto de lei antipirataria do líder do Senado nos Estados Unidos, Harry Reid. Colocados em pauta de votação no Congresso americano, ambos projetos são ofensivas da indústria de entretenimento contra o compartilhamento livre na internet. Em outras palavras, censura.

Se aprovadas, as novas leis permitirão a exclusão de conteúdos, a suspensão de sites, o bloqueio de resultados em portais de busca e de pagamentos online aos suspeitos – método que já existe e determinou a falência do Wikileaks. Além disso, prevêem pena de 6 meses a 5 anos de prisão aos responsáveis pelas páginas. Como é o caso do alemão Kim Schmitz, fundador do Megaupload preso na Nova Zelândia junto c/ mais 3 colegas.

Acusados de causar prejuízos de US$ 500 milhões c/ o compartilhamento de arquivos sem autorização nem remuneração dos autores das obras, eles aguardam numa cela do FBI pela decisão da justiça de estabelecer, ou não, fiança p/ que sejam julgados em liberdade. “Não temos nada a esconder”, disse Schmitz, que teve seus bens e os da empresa confiscados. O site foi retirado do ar. Operações policiais semelhantes foram realizadas em 9 países ao longo desta semana.

A SOPA é uma afirmação do poder geopolítico americano sobre a internet”, diz Ronaldo Lemos, diretor do Creative Commons no Brasil. “Ela dá às gravadoras e à Hollywood o poder de derrubar qualquer site que não seja americano, por mera suspeita de violação à propriedade intelectual, e permite sufocar financeiramente esses sites proibindo empresas de cartão de crédito e bancos de repassarem recursos a eles. Tudo isso sem aprovação prévia do poder judiciário.

Seria um novo tipo de barreira comercial”, continua Lemos. “Qualquer iniciativa na rede vai precisar da autorização permanente da indústria pré-internet, penalizando a inovação e reduzindo a competição e oferta de serviços. Países como o Brasil são justamente o alvo do projeto: empreendedores brasileiros que criarem um novo site voltado para o mercado global podem ser penalizados pelos EUA e terem seu site removido do ar sem aviso prévio.

O projeto institucionaliza o lobby internacional, c/ a criação de embaixadas p/ proteção da propriedade intelectual nos 5 continentes. “Plataformas de blogs podem ser bloqueadas acusadas de quebra de patente de software, e assim até os sites hospedados em hosts próprios podem sair do ar”, explica o especialista em direito digital Coriolano Camargo.

Como mais da metade da espinha dorsal da internet está em território americano, as consequências poderão afetar toda a rede. Já existem legislações suficientes para proteger os direitos autorais. A diferença é que atualmente para desligar um site é preciso uma ordem de um juiz. A SOPA primeiro desliga e depois discute uma ordem judicial. Isso pode trazer um problema muito grande para os princípios jurídicos, por intervir na liberdade de expressão.

Todo mundo protestou menos a Luiza, que está no Canadá. Mozilla, Wikipedia e Wordpress entraram em greve. Facebook e Google ameaçaram provocar um apagão na internet. E o grupo de hacktivistas Anonymous desferiu ataque que derrubou temporariamente os sites das associações de filmes e da indústria fonográfica dos EUA, da companhia Universal Music, do Departamento de Justiça americano e até do FBI.

Diante das mobilizações, o Congresso do Tio Sam – que apresenta baixa histórica de apenas 9% de aprovação popular – voltou atrás, adiou indefinidamente a votação da PIPA e retirou da pauta a SOPA. Mas o deputado Smith avisa que “o comitê continuará a trabalhar com donos de direitos autorais, empresas de internet e instituições financeiras para desenvolver propostas que combatam a pirataria online.

Vencemos uma batalha, mas a guerra continua. Aqui no Brasil, o deputado federal Eduardo Azeredo, quando era senador, apresentou projeto similar que ficou conhecido como AI-5 Digital. E o advogado do ECAD Hildebrando Pontes foi nomeado pela irmã do Chico Buarque, Ana de Hollanda [lembram dela?], p/ chefiar o setor de direito autoral do Ministério da Cultura. As raposas cuidando do galinheiro.

O site sueco Pirate Bay, símbolo do “free download”, antecipou-se aos problemas e abandonou o formato torrent, passando a postar links magnéticos p/ baixar conteúdos. “Um link magnético conta com as informações do arquivo baixado, porém suprime a localização de quem o compartilha”, explica Tiago Alcantara do Superdownloads. “O consumo de banda é menor e os links são mais difíceis de ser bloqueados.

Na quarta-feira, dia da prisão dos criadores do Megaupload, os piratas divulgaram uma nota esclarecedora sobra a questão do copyrightdeixando bem claro quepipana Suécia é cano esopasignifica lixo:

INTERNETS 18 de janeiro de 2012

Há mais de um século, Thomas Edison conseguiu a patente para um aparelho que faria para olho o que o fonógrafo faz para o ouvido. Ele o chamou de Kinetoscope – ‘cinetoscópio’. Ele não foi apenas o primeiro a gravar vídeo, mas foi também a primeira pessoa a ser dono do copyright de um filme cinematográfico.
 
Por causa das patentes de Edison para filmes cinematográficos, quase foi financeiramente impossível criar filmes de cinema na costa leste norte-americana. Os estúdios de cinema, assim, mudaram para a Califórnia e fundaram o que hoje chamamos de Hollywood. A principal razão é que ali não havia patentes.
 
Não havia também nada de copyright, então os estúdios podiam copiar velhas histórias e fazer filmes a partir delas – como Fantasia, um dos maiores hits da história da Disney.
 
Portanto, toda a base dessa indústria, que está hoje aos gritos sobre perda de controle sobre direitos não-materiais, é que eles driblaram direitos não-materiais. Eles copiaram (ou, de acordo com sua terminologia, ‘roubaram’) as obras criativas de outras pessoas sem pagar por isso. Eles o fizeram para obter grandes lucros. Hoje, eles são todos bem-sucedidos e a maior parte dos estúdios está na lista da Fortune das 500 empresas mais ricas do mundo. Parabéns – está tudo baseado em ser capaz de reutilizar criações de outras pessoas. E hoje eles detém os direitos das criações de outras pessoas. Se você quer lançar alguma coisa, você tem que seguir as regras deles. As regras que eles criaram depois de driblar as regras de outras pessoas.
 
A razão pela qual eles estão sempre reclamando dos ‘piratas’ hoje é simples. Nós fizemos o que eles fizeram. Nós driblamos as regras que eles criaram e criamos as nossas próprias. Nós esmagamos o seu monopólio ao dar às pessoas algo mais eficiente. Nós permitimos que as pessoas tenham comunicação direta entre si, driblando o intermediário lucrativo, que em alguns casos leva mais que 107% dos lucros (sim, você paga para trabalhar para eles).
 
Tudo se baseia no fato de que representamos competição.
 
Provamos que a forma atual como existem não é mais necessária. Somos simplesmente mais eficientes do que eles são.
 
E a parte engraçado é que as nossas regras são muito similares às ideias que fundaram os EUA. Lutamos pela liberdade de expressão. Enxergamos as pessoas como iguais. Acreditamos que o povo, não a elite, deveria governar a nação. Acreditamos que leis deveriam ser criadas para servir a população, não corporações ricas.
 
O Pirate Bay é uma comunidade verdadeiramente internacional. Nossa equipe está espalhada por todo o globo – mas ficamos fora dos EUA. Temos raízes suecas e um amigo sueco nos disse isso:
 
- A palavra SOPA significa ‘lixo’ em sueco. A palavra PIPA significa ‘cano’ em sueco. É claro que isso não é coincidência. Eles querem tornar a internet um cano de mão única. Eles por cima empurrando lixo cano abaixo para o resto de nós, consumidores obedientes.
 
A opinião pública nesse assunto é clara. Pergunte a qualquer um na rua e você vai descobrir que ninguém quer ser alimentado com lixo. Por que o governo americano quer que o povo americano seja alimentado com lixo foge à nossa compreensão, mas esperamos que você o impeça, antes que nos afoguemos todos.
 
A SOPA não pode fazer nada para brecar o Pirate Bay. Na pior das hipóteses, mudaremos o domínio principal: do atual ‘.org’ para uma das centenas de nomes que também já usamos. Em países onde estamos bloqueados (os nomes China e Arábia Saudita são os primeiros que vêm à cabeça), eles bloqueiam centenas de nomes de domínios nossos. E adianta? Não muito.
 
Para consertar o ‘problema da pirataria’ deveria se ir à raiz do problema. A indústria do entretenimento diz que eles estão criando ‘cultura’, mas o que eles realmente fazem é vender coisas como bonecas caríssimas e fazer meninas de 11 anos se tornar anoréxicas. Seja de trabalhar nas fábricas que criam as bonecas por praticamente salário nenhum, seja por assistir filmes e programas de TV que as fazem pensar que são gordas.
 
No grande jogo de computador de Sid Meiers, Civilization, você pode construir maravilhas do mundo. Um dos mais poderosos é Hollywood. Com ele, você controla toda a cultura e mídia do mundo. Rupert Murdoch ficou feliz com o MySpace e não via problemas com sua própria pirataria até seu fracasso. Agora ele reclama que o Google é a maior fonte de pirataria do mundo — porque ele está com ciúmes. Ele deseja manter seu controle mental sobre as pessoas e está claro que você consegue uma visão mais honesta das coisas na Wikipedia e no Google do que na Fox News.
 
Alguns dos fatos (anos, datas) nesse texto estão provavelmente erradas. O motivo é que não podemos acessar essas informações quando a Wikipedia está fora do ar. Por causa da pressão de nossos rivais decadentes. Pedimos desculpas por isso.

THE PIRATE BAY, (K)2012

O IMPÉRIO CONTRA-ATACA
 ANÔNIMOS E CELEBRIDADES UNIDOS POR UMA CAUSA
 KIM SCHMITZ É PRESO NA NOVA ZELÂNDIA
AVISO DO FBI NO SITE DO MEGAUPLOAD
PROTESTOS NOS EUA: OCUPE A INTERNET
 A RUIVINHA NÃO QUER SOPA

FONTES: CAROS AMIGOS, ÉPOCA, G1, SUPERDOWNLOADS, WIKIPEDIA, VERMELHO.ORG

sábado, janeiro 07, 2012

OLHO NO ÓLEO
Surfrider Foundation é uma organização não-governamental que luta pela preservação das praias e oceanos. Criada por um grupo de surfistas de Malibu, na Califórnia dos anos 80, hoje tem expressão mundial c/ 70.000 membros – 20 mil deles em países como Alemanha, Portugal, Austrália, Japão e Brasil, entre outros. Segundo a Wikipedia, “uma organização confiável, efetiva e atuante a favor das causas ambientais.

Em 2010, quando uma plataforma da British Petroleum explodiu e espalhou 1 milhão de litros de óleo no Golfo do México, o braço francês da SF produziu em parceria c/ a agência publicitária Y&R Paris uma versão do seu calendário anual c/ modelos usando biquínis de petróleo: garotas em praias paradisíacas fazendo atividades diversas – inclusive surf – sujas de pixe. Bem melhor do que pelicano e albatroz.

Eis as fotos de 2011. Dado o alto grau de irresponsabilidade e vacilação das petrolíferas internacionais, aguardamos ansiosamente a folhinha de 2012. Pode ser em protesto contra a perfuração desastrosa de um poço na Bacia de Campos, Rio de Janeiro, pela empresa americana Chevron – o equivalente a 3 mil barris de petróleo vazou pelo mar brasileiro. Calendário neles, Surfrider!

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Фемен
Nós somos mulheres unidas pelos princípios do desenvolvimento cultural e intelectual, da consciência e do ativismo social.

Primavera árabe, crise do Euro, ocupe Wall Street. Do Egito aos Estados Unidos, passando por Grécia, Inglaterra, Espanha, Rússia, Tunísia, Líbia, Síria e tantos outros países – alguns deles você nunca ouviu falar ou nem sabe onde ficam, como Barein, Iêmen... Nos 4 cantos do globo, 2011 foi o ano dos protestos. Estudantes foram às ruas do Chile à China, ditadores foram depostos e empalados no Oriente Médio – não necessariamente nessa ordem e até no Brasil protestou-se. Contra a corrupção, contra Belo Monte, contra a PM na USP. Cada um luta pela causa que se identifica, né, mas nunca tantos lutaram tanto.  

Se Camila Vallejo foi o rosto do ano, o grupo Фемен foi o corpo. Formado em 2008 na Ucrânia, ex-república soviética, o Femen é um conglomerado de 300 feministas cuja linha de frente se manifesta de peito aberto e palavras de ordem. “A UCRÂNIA NÃO É UM BORDEL” e “MULHER NÃO É COMMODITY” são algumas delas, expostas em cartazes difíceis de ler – primeiro porque estão em ucraniano, segundo porque quem se importa c/ o cartaz quando há loiras lindas protestando de top less?

Somos contra o turismo sexual e a prostituição”, diz Alexandra Shevchenko, uma das fundadoras ao lado da irmã Inna e da economista Anna Hutsol. “Criei o Femen porque percebi que faltavam mulheres ativistas na nossa sociedade, a Ucrânia está orientada para os homens e as mulheres têm um papel muito passivo”, conta Anna, cuja experiência em teatro influenciou no estilo performático das rebeldes. “Começamos a construir o movimento no interior e nos mudamos para Kiev.
 
Tudo começou quando uma rádio da Nova Zelândia promoveu um concurso que premiaria o sortudo c/ um encontro arranjado pela internet. Na Ucrânia. Anna e as irmãs Shevchenko tiraram a roupa em frente ao cartório matrimonial e avisaram que o vencedor teria um final infeliz, quem quer que fosse. O prêmio foi anulado. Nascia o FEMEN. “Usamos o corpo para exprimir a nossa liberdade”, diz Alexandra.

As mulheres são sexualmente escravizadas, por isso nos despimos. Em diferentes culturas, quando vemos uma mulher coberta, ela é provavelmente oprimida pelos homens, é uma mulher que foi privada de direitos humanos.” Já foram presas mais de 20 vezes, uma delas na manifestação contra o presidente Viktor Yanukovych, reeleito em 2010. “Temos uma experianciazinha de diálogo com o SBU [Serviço de Segurança da Ucrânia]”, diz Anna.

Os agentes foram na minha casa à noite, me arrastaram para um carro e me ameaçaram durante 3 horas. Os nossos defensores são os meios de comuni- cação. A nossa arma é a publicidade. Inna perdeu o emprego na Câmara Municipal de Kiev e agora se dedica de corpo e alma ao movimento. Cada vez mais ativas, tornaram sua marca conhecida no mundo todo – um F no alfabeto local que lembra um par de seios. “Nos tornamos empresárias, vendemos produtos com o nosso logotipo. Mas quase todo dinheiro que ganhamos vai pro aluguel do apartamento em que moramos.

Em 2011 fizeram intervenções contra o atual presidente, contra a ex-primeira-ministra, contra o aumento na idade da aposentadoria, contra a interrupção do fornecimento de água, contra as más condições dos animais no zoológico, contra a proibição de mulheres dirigirem na Arábia, contra a EuroCopa, contra Silvio Berlusconi... E também a favor de fotógrafos presos na Geórgia, p/ lembrar os 25 anos da tragédia de Chernobyl ou comemorar a queda de Berlusconi – elas detestavam o velho Bunga-Bunga.

Os protestos são pacíficos, mas as meninas fazem barulho. “Nós temos trabalhado nossa forma de expressão civil baseadas em coragem, criatividade, eficiên- cia e choque”, afirmam no manifesto WE ARE THE WOMEN'S MOVEMENT: “Nós demonstramos que os movimentos civis podem influenciar a opinião pública e representar os interesses de uma minoria. Nós planejamos nos tornar o maior e mais influente movimento feminista na Europa.

Voltaram a ser notícia no mês de dezembro. Em Moscou, no levante popular contra a eleição fraudulenta de Vladimir Putin, e em Belarus, outra ex-república da URSS onde 3 delas acabaram presas. Ao serem libertas, convocaram uma coletiva de imprensa. Osana Schechko diz que foram “obrigadas a tirar a roupa no meio de uma floresta” e em seguida agredidas, estupradas e ameaçadas de morte. As autoridades negam.

A jornalista Sasha Yakovleva, do site Tudo Sobre a Rússia, conversou c/ as feministas mais gost... digo, destemidas do ano. Que venham mais protestos em 2012! Como diria Che Guevara, o mais icônico revolucionário do século 20, “hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás”. Viva La Brasa apóia esta causa.

Sasha Yakovleva - Como surgiu a idéia do protesto sem roupa? Alguma vez vocês já protestaram de roupa?
Фемен - Nós não somos as autoras da idéia de protesto sem roupa, apenas tentamos realizar esta ação de forma mais marcante. Pensamos: ‘Se a nudez feminina é um símbolo do mundo moderno e está no cinema e na publicidade, por que então ela não pode ser usada em campanhas políticas?’... Sempre experimentamos protestos diferentes, a nossa ideologia principal é ser irônicas e corajosas. Não é sempre que mostramos os nossos corpos, mas as pessoas só conhecem, ou lembram, os nossos protestos nus, porque o uso de roupa tem menor grau de eficiência.

SY - Vocês acham que a mídia pode distorcer a imagem do grupo e fazer as pessoas pensarem que vocês estão promovendo a si mesmas ao invés das causas que defendem?
Ф - Claro que pode. Na nossa história há um monte de casos assim. Especialmente na televisão, jornais e estações de rádio que promovem o governo ucraniano. Há alguns jornalistas que dizem que não acreditam em nossos protestos, e o próprio governo está tentando queimar a nossa imagem com apelidos humilhantes tipo ‘vacas’, ‘garotas de programa’, ‘sanguessugas’ etc. Existem até meios de comunicação que estão espalhando esta informação de que a indústria sexual internacional está nos financiando, para promover o turismo sexual na Ucrânia visando a EuroCopa 2012. As agências de notícia internacionais geralmente entendem o nosso posicionamento e destacam nossos projetos de maneira objetiva, mostrando o que queremos transmitir de verdade.

SY - Sou ucraniana e sei o que significa ser uma mulher em nosso país. E o que é ser uma feminista na Ucrânia?
Ф - Ser uma feminista na Ucrânia não é fácil!... Estamos brincando! [risos] Na Ucrânia é possível ser uma feminista e nós provamos isso quase todos os dias. A única coisa que complica e estraga nossa postura como feministas é a constante pressão por parte da polícia e autoridades.

SY - Até que ponto a cultura do povo ucraniano impede o desenvolvimento das condições sociais e econômicas do país?
Ф - A nossa cultura tem muitos aspectos negativos e positivos ao mesmo tempo. Ajudar o próximo, trabalhar duro e ser tolerante são as características mais antigas da mentalidade ucraniana. As coisas que atrapalham são os aspectos culturais adquiridos por ucranianos no século 20: a intimidação, a indiferença, a apatia, a ignorância e outras características negativas do povo soviético. O Yanukovich, por exemplo, se tornou presidente graças a resquícios da mentalidade soviética dos ucranianos. E o surgimento de fenômenos como o FEMEN já é o embrião de pensamentos europeus na Ucrânia, especialmente entre os jovens. Pensamos que no Brasil a situação é semelhante, o antigo pensamento colonial anda junto com o desejo de liberdade. Percebemos que o Brasil já conseguiu uma grande parte das reformas democráticas e isso tudo se transmite no fato de vocês terem uma mulher como presidente, a sra. Dilma Rousseff.

SY - As mulheres brasileiras, bem como as ucranianas, são estereotipadas no exterior. Que mensagem vocês enviariam para as mulheres do Brasil?
Ф - Mulheres do Brasil, vão para as ruas, dispam-se, protestem contra tudo o que interfere no seu país, que atrapalha o seu crescimento, para torná-lo mais justo. E que as mulheres brasileiras sejam as mais livres do mundo!

PEITANDO O SISTEMA
 NÃO SEI O QUE ELAS ESTÃO FALANDO,
MAS CONCORDO C/ OS ARGUMENTOS