quinta-feira, fevereiro 26, 2015

VERÃO DA BRASA 
"Fodam-se os cuzões!"
Assim encerrei uma entrevista para o tablóide Folha da Praia, inspirado no "morte aos parasitas" do Dadá Figueiredo. 
2015 é o Verão da Brasa: temperatura em alta, inflação também, falta d'água, terrorismo internacional e usuários sendo presos por cultivarem para consumo próprio enquanto as esposas de deputados ganham passagens grátis para Brasília.
Botei na praça o livro VIVA LA BRASA após 2 anos de muito trampo, 13 mil Dilmas de investimento e alguns cabelos brancos a mais. Fiz pré-venda, video teaser e um site novo. Lancei numa festa sem bilheteria com 5 das melhores bandas do estado e outras atrações que vocês viram aqui há 2 posts… 
Agora começo a viajar para promover o projeto que, mais do que um livro, tem-se mostrado um movimento. No último fim de semana fiz Itabaiana, maior cidade do interior de Sergipe, com pocket show de Ferdinando. Maceió moscou, os caras desmarcaram em cima da hora - nunca confie em coletivos. Mas não tem essa. Sexta estarei em Recife e sábado em João Pessoa, com meus amigos Catarina e Pierre fazendo a trilha sonora das festas.
Ainda não tive retorno financeiro e talvez nunca cubra os custos. Mas tenho recebido mais cobertura da mídia do que poderia esperar. Os principais jornais de Aracaju já noticiaram o lançamento do livro e a turnê independente, fui entrevistado por alguns sites e até estraguei uma capa do FDP - o jornal que citei no início do texto.
Tá na hora de arrumar as malas e pegar a estrada. Selecionei algumas das melhores perguntas e piores respostas publicadas na imprensa nessas últimas semanas. Tirem as crianças da sala.
JORNAL DO DIA - 19/01 - por Rian Santos

JD - Não sei quantos anos de Cabrunco, mais uma década inteira de postagens no Viva La Brasa, tudo isso sem ganhar tostão. Jornalismo é paixão ou ofício?

Viva La Brasa - Jornalismo é vocação. Uma vocação de merda, por sinal, que não dá grana e ainda pode levar a uma decapitação pelas mãos de um Estado Islâmico da vida. Veja o caso recente do Charlie Hebdo e contextualize a profissão em Sergipe e o Nordeste, onde ainda reina o coronelismo e os meios de comunicação pertencem a duas ou três famílias. Mesmo que eu tivesse juntado todo dinheiro que ganhei publicando matérias ao longo de 20 anos, não daria nem pra pagar a impressão do livro.

JD - O Viva La Brasa se detém sobre um universo muito específico, habitado por tudo quanto é tipo de freak. Os papocos do underground interessam a quem, além de seus próprios habitantes?

VLB - O livro não foi feito pra agradar. Não tenho a ilusão de falar a todas as pessoas, até porque eu conheço muita gente com quem não quero nem falar. O público-alvo são pessoas que entendem a viagem e curtem o universo retratado ali: cena independente, histórias em quadrinhos e estados alterados da mente. Não é pra toda a família. Se quiserem usar como livro de mesa, tirem as crianças da sala.

JD - O lançamento do Viva La Brasa tem tudo para se transformar numa grande congregação de malucos e afins. O livro leva a sua assinatura, naturalmente, mas as quase 300 páginas do volume celebram os feitos de uma geração inteira. O barato é coletivo?

VLB - O barato é louco, o sistema é bruto e o projeto é coletivo como um ônibus lotado. Banquei todo o livro com grana do próprio bolso, quanta gente você conhece que faz isso? Vivemos num estado onde grande parte da arte é subsidiada com verba pública, nisso eu tô indo na contramão. Sempre gostei de trabalhar com colaboradores, desde os zines nos anos 90. Ganho a vida com audiovisual e sei da importância do trabalho em conjunto. Por isso, fiz questão de assinar o livro "Adolfo Sá & amigos".


http://www.jornaldodiase.com.br/noticias_ler.php?id=14511

FOLHA DA PRAIA - Jan/2015 - por Adelvan Kenobi

FDP - O “Cabrunco” acabou se tornando um marco na cena local, com substancial projeção nacional. Quais foram os momentos mais marcantes, pra você, na trajetória do fanzine? E o que isto te proporcionou, em termos pessoais, sentimentais ou mesmo financeiros?

VLB - Pra começar, o CABRUNCO tinha um nome que até então era um palavrão no dialeto local, ninguém jamais havia usado pra batizar nada. Por causa dele, conheci o Brasil indo pra festivais, morei durante semanas ou meses em outras cidades, o que não seria possível pra um jovem pobre como eu numa outra circunstância. Fiz amigos pra vida toda, um deles é você. E também arrumei umas namoradas em outros estados, essa foi a melhor parte. Fácil.

FDP - Porque o Cabrunco acabou?

VLB - Porque, quando você tá fazendo algo, o que não falta é gente pra te criticar, policiar e botar pra baixo. Depois que passa, todo mundo fica falando "ah, como era legal", "saudade" etc.

FDP - Como foi e quanto tempo durou o processo de concepção do livro? Ficou satisfeito com o resultado final?

VLB - (…) Não fiquei 100% satisfeito porque tive que acumular funções que seriam de outros, como a revisão por exemplo, e há vários pequenos erros que poderiam ter sido evitados.

FDP - Quais suas expectativas quanto à recepção do mesmo, agora que está nas ruas? Há alguma estratégia de distribuição?

VLB - Expectativa nenhuma. Vendi 25 cópias na pré-venda e 10 na noite de lançamento - que por sinal foi um sucesso de público, com altas bandas e até pole dance. A maior parte dos exemplares vendidos até agora foram pra fora do estado, pra variar né. Só de custo de impressão foram R$ 8 mil, mais R$ 5 mil com a equipe. Jamais recuperarei essa grana. Como disse um amigo, "a galera aqui é miserável".

FDP - Valeu/vale a pena?

VLB - Vale a pena, sempre. O que importa é a satisfação pessoal. Fodam-se os cuzões.

http://escarronapalm.blogspot.com.br/2015/02/adolfo-sa-uma-entrevista.html

HEMPADÃO - 16/02 - por Michael Meneses

HMP - Como é "Viver La Brasa" em Sergipe e falando nisso como anda a repressão por aí? 

VLB - Sergipe sempre teve maconheiro, estado litorâneo é foda. Sempre rola aquela vagabundagem malemolente né… Mas muita gente se péla de medo de assumir em público que fuma um, tem receio da retaliação social que pode sofrer ou simplesmente não tem atitude nem de correr atrás da própria erva. VIVA LA BRASA é o primeiro livro feito pelas bandas de cá a abordar o tema de forma honesta e aberta. Quanto à repressão, o prefeito da capital armou a guarda municipal, daí você tira…

HMP - Quais outros livros foram sugestivos para escrever VIVA LA BRASA?

VLB - Basicamente três: "Sem Comentários" de Allan Sieber, "Guitarra e Ossos Quebrados" do Quique Brown e "Esporro" de Leonardo Panço. Em literatura canábica, "Verão da Lata" do Wilson Aquino foi o mais recente e inspirou o nome da turnê nordestina. Lembrando que "O Doce Veneno do Escorpião" da Bruna Surfistinha é um dos precursores nos livros de blog e sempre uma inspiração. 

HMP - Deixe uma mensagem aos leitores… 

VLB - Fumem, fodam, façam o que quiserem mas mantenham o respeito. E comprem o livro.


http://hempadao.com/en/hemportagem/conversativa/2969-entrevista-com-autor-do-livro-viva-la-brasa.html


CAPA DO CADERNO DE VARIEDADES DO JORNAL DA CIDADE

1ª PÁGINA DO CADERNO DE CULTURA DO CINFORM


LANÇAMENTO NO CAFÉ CASTRO ALVES EM RECIFE