sábado, março 05, 2016

FOGO NA SHANAH 
“Viva! La Woman”, como já diziam as meninas do Cibo Matto.
Acontece hoje, pelo segundo ano consecutivo, a Festa Viva La Brasa. Se em 2015 a necessidade foi lançar o livro, desta vez minha intenção é retribuir os shows de graça que eu ganhei em Aracaju, Itabaiana, Maceió, Recife, Olinda e João Pessoa.
Busquei apoio da Então Pronto Produções, o casal Anderson Camilo e Dani Dutra correu atrás de som, luz, transporte, hospedagem, alimentação e um detalhe importante: cachê para as bandas. Tiramos quase tudo do nosso bolso, pra variar, portanto cheguem junto.
A festa acontece no Rancho, rua C2 188 Aruana, ao lado do Tecarmo. Decidi homenagear as mulheres, com um line-up majoritariamente feminino. “Segura a chapa que vai ser o tombo da goitana! A praga do Egito! A besta fera do Apocalypso!”, avisa Catarina Dee Jah, que cantou ano passado como MC Ririca e estreia em Aracajives acompanhada por sua banda, os Radicais Livres. “Viva a música feita de coração e fúria!”
A seguir, quem é quem nesta noite braseira:
INÊS é música – pros olhos e ouvidos. Atriz, modelo, performer, ela é estrela do vídeo, garota do poster e na noite de lançamento do meu livro fez uma apresentação de pole dance que ficou na memória de quem tava lá.
Na festa deste ano, Inês será a DJ. Depois de botar fogo na Zebra Loka, Noite Pélvica e Like a Virgin, prepara um set com cumbias, guitarradas, mash-ups e trilha sonora de filmes.
“Viva La Brasa é a festa mais underground de Aracaju, uma reunião de gente interessante, com música boa e com certeza várias histórias pra contar depois. É uma honra ser a ‘cara’ de um livro-movimento, me sinto parte e quero estar em todas as edições futuras, seja dançando, discotecando ou apenas dando um close.”
THE RENEGADES OF PUNK são rebeldes veganos que tocam música hardcore e praticam a anarquia. “Não somos só uma gangue, tem a ver com insubmissão, insurgência e independência”, diz Daniela Rodrigues, vocal e guitarra do trio que tem 1 álbum, 2 EPs, 2 K7s e 4 splits lançados no esquema “amizade-colaboração-faça-você-mesmo”.
Depois de rolês por quase todo o Brasil e 10 países da Europa, realizam há 4 anos o Clandestino, evento itinerante que transforma espaços públicos de Aracaju em zonas autônomas temporárias. 
“Tudo é sempre caótico e corrido, mas é o que gostamos e nos propomos a fazer. A gente descansa quando morrer, haha! Tocar nas festas VLB é sempre massa porque é a festa de um amigo, tocamos com amigos pra amigos. Isso é o melhor que tem.”
NECRO vem de Maceió e faz barulho. Doom, stoner e psicodelia são a praia do power trio alagoano. O batera Thiago Alef e os namorados Pedro Salvador & Lillian Lessa parecem saídos de um episódio do Scooby-Doo [ou Além da Imaginação]. Curtem Mutantes, Black Sabbath e Ave Sangria. 
“Melhor banda nova do Brasil”, segundo o apresentador do Programa de Rock. Tem 2 discos lançados pelo selo americano Hydro-Phonic Records, e vive uma nova fase com Pedro e Lilian trocando de funções: ele passou do baixo pra guitarra; ela, vice e versa. “Queríamos experimentar, deu certo e acabamos compondo o próximo disco assim”, diz o Salvador.
Esses jovens chapados me chamaram pra lançar o livro no Festival Palma, e eu os convidei pra festa. Já são habitués da cena sergipana. “Sempre é uma experiência bacana quando viajamos pra Aracaju, posso dizer que me sinto em casa e tô ansiosa pra tocar o novo repertório na celebração do VIVA LA BRASA”, diz Lillian. “Cultura rock registrada divertidamente pra que não possa se apagar.”
CATARINA DEE JAH é a principal atração. Será sua 1ª vez em Aracaju.
Filha da artista Iza do Amparo, mãe da Clara e do João. Ninfeta manguebeat nos anos 90, cantora sem rótulos em 2016. “Sempre fui ligada em música e tive sorte de conviver com todo esse movimento. Chico tinha o maior prazer em pôr disco e ficar dançando. Era essencial colar nas festas pra ter acesso às novidades, foi assim que me tornei DJ.”
Botando som em festas como Altos Cocos e Fogo na Shanah, começou a compor natural e despretensiosamente até parir um álbum inteiro: Mulher Cromaqui. Ocupou Estelita, fez a Virada paulista, clip pra Mtv, intercâmbio cultural. Tocou 2X na Argentina, cantou em "portuñol selvagem" na cena de cumbia eletrônica. 
No meu lançamento em Pernambuco, rodamos atrás dum bar onde ela pudesse tocar. Emplaquei um café no Recife mas o show só rolou na madruga em Olinda. “Viva La Brasa pra mim é resistência”, diz Catarina.
“Te conheci fazendo zine, ver tudo isso se transformar em livro e ações concretas de difusão da arte é muito legal. 
Estamos instigados, cuidando desse show com carinho. Vai ser massa dividir o palco com garotas e bandas incríveis num momento em que se discute o protagonismo da mulher em todos os segmentos da sociedade.”

Nenhum comentário: